Ainda importado, câmbio automático só ganha mercado

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São Paulo – A aposta das montadoras de oferecer versões com câmbio automático desde os modelos de entrada, uma resposta à demanda dos consumidores, ainda não resultou em localização da produção desses tipo de câmbio. A adoção da transmissão automática em modelos como Volkswagen Gol e Voyage e o Ford Ka, para ficar nas novidades mais recentes na faixa de entrada do mercado, popularizou a tecnologia, que, em 2019, deverá equipar mais da metade dos automóveis e comerciais leves vendidos por aqui.

 

Os dados são da consultoria automotiva IHS: 48,9% dos 2,4 milhões de automóveis e comerciais leves estimados para o mercado brasileiro este ano serão equipados com algum tipo de câmbio automático. Para o ano que vem a consultoria acredita que a demanda por automáticos será superior à dos manuais, representando 53,4% do total vendido.

 

Mesmo assim não existe previsão de um fabricante decidir nacionalizar a produção para atender ao País e à América do Sul. O principal entrave, segundo Édson Orikassa, presidente da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, é a demanda:

 

“Atualmente a produção de câmbios automáticos é realizada em poucos países. Para justificar o investimento em nacionalizar a produção o volume produzido deve ser alto, algo em torno de 600 mil unidades por ano. Mas o ideal seria um pouco acima disso”.

 

Em recente entrevista a AutoData o presidente da ZF para a América do Sul, Wílson Brício, projetou demanda mínima de 1 milhão de unidades para justificar o investimento na tecnologia. Outros executivos seguem a mesma linha de raciocínio.

 

A demanda está próxima do número mágico, se não superior, e, até agora, não há movimentação para localização. Nos mais recentes lançamentos as caixas de câmbio automáticas vêm do Japão, China e Alemanha, de fornecedores que já possuem operação por aqui, como a Aisin e a Jatco. E a falta de produção nacional já traz alguns problemas para montadoras.

 

É o caso da Nissan, que não conseguirá atender a mais nenhum pedido de veículos PCD até janeiro por não ter câmbio automático para equipar os modelos. Segundo seu diretor comercial, José Luiz Vendramini, se houvesse maior disponibilidade de transmissões automáticas seria possível atender a todos os pedidos:

 

“Para automóveis PCD temos fila de espera até janeiro, pois a demanda foi muito grande, superou todas as nossas expectativas. Não conseguimos resolver essa questão no curto prazo por toda logística que envolve a importação do câmbio CVT, que vem da China”.

 

Para o ano que vem a Nissan já negocia com a matriz e com seu fornecedor, a Jatco, o aumento da importação anual deo componente: “Se necessário podemos investir junto com nosso fornecedor para aumentar sua capacidade produtiva e, com isso, ampliar o volume que importamos”.

 

Fotos: Divulgação.