Inteligência artificial vende carros no Brasil

Imagem ilustrativa da notícia: Inteligência artificial vende carros no Brasil
CompartilheTecnologia
13/11/2018

São Paulo – Em março a Laura foi responsável pela venda de seu primeiro automóvel: um Nissan Kicks, entregue a um consumidor de Curitiba, PR. Mas ela não é vendedora, não trabalha em uma concessionária Nissan – a Laura sequer existe fisicamente. Laura é o nome dado para o sistema de inteligência artificial criado pela startup curitibana Prometheus, parceira da montadora na aplicação da tecnologia no atendimento ao consumidor.

 

Todos os canais de atendimento online da Nissan – mídias sociais, site – contam com o suporte da Laura, tanto para as áreas de venda quanto pós-vendas. Ela não é apenas um robô que interage com o consumidor, como explicou Jacson Fressatto, CEO da startup: “Ela consegue aprender e levar uma experiência mais humana ao atendimento. Na maioria dos casos o cliente sequer percebe que está conversando com um robô”.

 

Por meio do cruzamento da base de dados de todos os canais da marca, ela também consegue entender as necessidades do cliente e direcionar a conversa para o caminho mais próximo da resolução. Em alguns casos, a Laura avisa a vendedores que aquele cliente vai comprar um carro: é nessa hora que a inteligência artificial sai de cena para que um humano de carne e osso dê sequência ao processo, para, basicamente, fechar o negócio.

 

O projeto nasceu no começo do ano, segundo Humberto Gomez, diretor de marketing da Nissan do Brasil. A ideia foi criar um atendimento de qualidade 24 horas para o consumidor. “Eu chego em casa normalmente dez, onze horas da noite. Acredito que muitos clientes, pela demanda de trabalho, também têm a mesma rotina”.

 

Todos os bancos de dados da Nissan – seguidores de Facebook, Twitter, Instagram, clientes de carros e peças, CRM, etc – foram colocados em um mesmo local, para o cruzamento das informações. Ao fim do processo 12 milhões de cadastros, dos quais 3,6 milhões foram, em algum momento, cliente Nissan, foram catalogados pela Laura, em 27 indicadores diferentes de relacionamento com a marca – proprietário de veículo, usuário de oficina, seguidor de Instagram, etc.

 

Por isso o bate-papo da Laura com o cliente já traz todo um histórico, eliminando alguns processos e, de acordo com Fressatto, “humanizando o atendimento do robô”. Cristiano Mineiro, gerente de inovação digital da Nissan, garante que 100% dos alertas da Laura para a possibilidade de compra de um carro foram transformados em vendas. “Nossa equipe avisa o vendedor. Ele começa o atendimento com todo o histórico da conversa, pula etapas nesse processo”.

 

A Laura, na verdade, nasceu para atender hospitais e prevenir as mortes por sepses, popularmente conhecido por infecção generalizada. Por meio de cruzamento de dados de atendimento, diagnóstico e exames, ela consegue alertar médicos e enfermeiros de uma possível situação mais grave de um paciente. Segundo Fressatto, a Laura salva uma vida por dia em seis hospitais brasileiros que operam com o sistema.

 

Esse projeto é a parte social da inteligência artificial desenvolvida por Fressatto, que criou a startup após sua filha recém-nascida falecer por sepse. A Nissan é a parte comercial do projeto, que ajudará a financiar os avanços – e, indiretamente, já está ajudando a dar novos passos também no atendimento médico.

 

“Nosso próximo passo é fazer o robô ligar para o consumidor”, disse Gomez, colocando em um ano o prazo para que seja alcançado. “No futuro a ideia é que tenhamos a Entrega 2.0. Ou seja, o consumidor basicamente pegará seu carro na loja, algo parecido com o que ocorre com os sistemas de carsharing”.

 

Foto: Divulgação.