CNH Industrial projeta R$ 5 bilhões em compras na região

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11/04/2019

Belo Horizonte, MG – A CNH Industrial comprará, este ano, R$ 5 bilhões em peças e componentes na América do Sul, valor 10% superior ao do ano passado. Segundo o seu diretor de compras para a região, Carlo Martorano, o aumento nas compras reflete o desempenho do mercado brasileiro, que compensa a demanda mais fraca na Argentina e nos demais países da América Latina.

 

Com a nova estrutura organizacional da CNH Industrial anunciada no começo do ano a Região América do Sul, apesar de ter este nome, é responsável também pelos demais países latino-americanos e do Caribe. Em muitos destes o PIB está crescendo, mas alguns setores em que a companhia atua, construção e transporte, não acompanham este alta. O agronegócio vai em sentido contrário, especialmente no Brasil e na Argentina.

 

O Brasil é exceção: cresce em todos os segmentos, embora em ritmo ainda inferior ao esperado pela empresa. Não é suficiente, também, para recuperar as perdas dos últimos anos – algo que reflete o desempenho de alguns fornecedores, segundo Martorano.

 

“Este é o nosso principal gargalo: os investimentos feitos em 2013-2014, esperando uma demanda que não veio, ainda não foram pagos. Muitas empresas estão endividadas, sem o retorno esperado e diante de uma recuperação gradual, mas sobre volumes baixos.”

 

Os custos, especialmente de matéria-prima, são outro problema enfrentado pelo setor. Segundo Martorano o Brasil enfrenta três anos seguidos de elevação do preço do aço, que as empresas não conseguem repassar ao cliente final: “Acaba espremido na margem do fornecedor e nas nossas margens, porque se puxarmos muito a corda o fornecedor não aguenta”.

 

Para ajudar a evitar a desestruturação da cadeia a CNH Industrial oferece aos seus fornecedores programas e ferramentas para, de alguma forma, tentar amenizar os problemas financeiros. No caso do aço criou um pool de fornecedores que compram o material diretamente da usina, a preços mais baixos e com maior disponibilidade de financiamento. O material ainda é manipulado por outro fornecedor, que entrega as chapas cortadas no tamanho que o cliente requer.

 

Outra ferramenta, velha conhecida, é a WCM, World Class Manufacturing, uma consultoria grátis que identifica ganhos em eficiência dentro da fábrica. Só nos últimos anos a companhia apurou de 8% a 10% de eficiência maior com o programa – o que, em alguns fornecedores, seria a salvação.

 

“Mas, não sei por qual motivo, o fornecedor não usa”, reclama Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial para a América do Sul. “Oferecemos consultoria grátis e enfrentamos resistência.”

 

Resolver os problemas internos é fundamental para que o fornecedor mantenha a parceria com a CNH Industrial, segundo Martorano. Quem se adaptar, investir e oferecer produtos com tecnologia avançada poderá superar as fronteiras da América do Sul: “Ao localizar componentes o fornecedor ganhará a oportunidade de exportar para outras fábricas da CNH Industrial ao redor do mundo”.

 

Este cenário é ainda mais animador: somente em 2019 a expectativa do grupo, em âmbito global, é dispor de mais de R$ 50 bilhões em compras.

 

Foto: MPEREZ/Divulgação.