Plano Safra garante financiamentos só até dezembro

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05/07/2019

São Paulo – Os recursos liberados pelo governo para o Plano Safra 2019-2020 – R$ 225,6 bilhões anunciados no mês passado, disponíveis desde o começo de julho – serão suficientes apenas para as demandas por máquinas agrícolas deste ano. De acordo com os cálculos dos executivos do setor faltará dinheiro a partir do primeiro trimestre de 2020 – e o plano só acaba em 31 de junho.

 

Segundo Alfredo Jobke, diretor de marketing da AGCO para a América do Sul, é possível que o setor encontre dificuldades para financiamentos no ano que vem: “O valor que o governo liberou para o novo Plano Safra é o mesmo de 2018, que já não tinha mais recursos em março. Como a expectativa é a de crescimento nas vendas este ano acredito que o valor disponível acabará em meados de fevereiro de 2020".

 

Menos mal, de acordo com o diretor da AGCO, que possíveis mudanças nas normas do financiamentos não vieram: o Plano Safra veio com pouquíssimas alterações, o que animou fabricantes e agricultores que seguem encontrando condições atrativas para financiamentos.

 

"O prazo de carência para o Moderfrota foi mantido em catorze meses, umas das regras mais importantes e que nos preocupava, porque sem esse prazo o agricultor não conseguiria plantar, colher, vender e ter o dinheiro para pagar o equipamento que comprou."

 

Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea, acredita que os recursos garantam financiamentos até dezembro e já planeja sentar e negociar com o governo, no começo de 2020, mais recursos para o setor: "Assim como fizemos este ano precisaremos negociar com o governo para realocar recursos de outras linhas de financiamentos que não estão sendo usadas. Já tivemos problemas no começo de 2019 e acho que isso pode acontecer no mesmo período do ano que vem".

 

O vice-presidente da Anfavea calcula que a aprovação da reforma da Previdência aquecerá a economia e elevará a demanda do setor de máquinas agrícolas no segundo semestre, após apresentar resultados abaixo do esperado até junho.

 

A Anfavea manteve as projeções de alta de 10,9% nas vendas, 0,5% na produção e 2,5% nas exportações, mas Miguel Neto admitiu que a última, das vendas externas, poderá ser revista caso as empresas não consigam compensar a queda nas exportações para Argentina com o aumento de vendas para outros mercados.

 

Fotos: Divulgação.