Caminhões brasileiros perdem espaço no mercado externo

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Foto Jornalista Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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24/10/2019

São Paulo – A crise argentina derrubou as exportações de veículos produzidos no Brasil e o quadro obrigou as empresas produtoras a buscarem novos mercados e melhores condições para serem mais competitivas no Exterior. Mas ainda que a queda no volume esteja relacionada diretamente à situação do país vizinho, há, no setor de caminhões, outro fator que tem contribuído para o agravamento do cenário: países da região deixaram de comprar veículos brasileiros.

 

Durante o Congresso AutoData Perspectivas 2020 os presidentes de algumas das principais montadoras instaladas aqui, a líder Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Scania, concordaram que o caminhão produzido no Brasil tem sido preterido em alguns negócios e apontaram um grande concorrente no mercado: os veículos produzidos por fabricantes asiáticos que desembarcam no continente com preços mais baixos e, em alguns casos, com condições vantajosas de financiamento.

 

“A maioria dos países da região possui mercados abertos, que recebem veículos do mundo todo. Ainda assim era para o veículo nacional ser mais competitivo pela proximidade que temos desses mercados”, disse Phillip Schiemer, presidente da M-B. “Somos um competidor histórico na região, mas estamos perdendo espaço em outros mercados porque estamos exportando impostos junto com os nossos veículos na América do Sul e em outros continentes.”

 

No caso da Scania, que mantém a produção em plataforma global flexível ajustada às demandas do mercado, a empresa sentiu os volumes diminuírem em mercados que, antes, eram cativos da operação brasileira, como são os casos de Rússia e Irã: “Não estamos mais vendendo caminhões para estes dois países, que passaram a ser nossos clientes durante o período passado de crise no mercado interno”.

 

Para Roberto Cortes, presidente da VWCO, as exportações desempenhavam papel fundamental para o processo de ocupação de produção pelo qual estavam passando as fábricas: “Ainda há muita ociosidade e, embora estejamos vivendo um cenário melhor, a operação de caminhões no Brasil ainda não é rentável. E isso torna inviável investimento em Euro 6, por exemplo, para que possamos competir mais em outros mercados”.

 

Dados da Anfavea mostram que as exportações de caminhões no janeiro-setembro caíram 52% na comparação com os embarques realizados no mesmo período do ano passado. Os volumes, no acumulado do ano, chegaram a 9 mil 838 unidades. A capacidade instalada das montadoras de caminhões é de até 440 mil unidades/ano. Hoje as linhas produzem 35% disto.

 

Foto: Christian Castanho.