Indústria de Caxias adere à inovação aberta

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Caxias do Sul, RS – O painel de encerramento do Fórum AutoData de Veículos Comerciais evidenciou efetiva mudança no formato do desenvolvimento da inovação pela indústria automotiva. Começa a sair de linha a característica tradicional da atuação interna, fechada ao círculo da empresa, e ganha espaço o movimento de abertura para a sociedade, gerando um novo ambiente. O painel reuniu Sandro Trentin, diretor de Inovação e Tecnologia da Randon Implementos, Petras Amaral, head de inovação da Marcopolo, e Paulo Weber, presidente da Pisani Plásticos.

 

Há trinta anos na Randon, dos quais 25 em tecnologia e inovação, Trentin assinalou que o momento é de mais colaboração e troca de informações, com a criação de ambiente melhor e mais aberto, próprio para fazer frente ao novo mundo dos negócios digitais e da conectividade. Salientou que hoje existe demanda maior por dados e informações, que seguem tendo custo elevado, mas que são de acesso mais fácil:

 

“Estamos tornando as empresas mais abertas. A resposta que virá de tudo isto ainda não descobrimos”.

 

Para ele Caxias do Sul não será mais a mesma diante das mudanças que estão por vir. Afirmou que é preciso respeitar o passado, mas não se agarrar a ele: “No curto e médio prazos seguiremos com os produtos atuais, mas o futuro é incerto. Temos que estar preparados e cientes da transformação que se dá em todas as áreas. Precisamos de um novo pensamento em processos e métodos, sermos abertos para o mundo. Temos algumas convicções e outras ideias ainda são dúvidas”.

 

Petras Amaral, com dezoito anos dedicados à Marcopolo, sustentou que a inovação aberta traz melhor eficiência, com a substituição de tecnologias tradicionais por soluções mais rápidas e, até mesmo, mais baratas: “Estamos tentando nos reinventar. Para Caxias é mudança significativa, pois se trabalha mais com colaborações”.

 

Amaral afirmou que a Marcopolo já se prepara com visão futura de dez, vinte anos para as mudanças que virão em mobilidade, que, segundo ele, está indo para infraestrutura, serviços e sistemas:

 

“Viveremos uma transição, e a vantagem competitiva virá da adaptação do cluster às novas tecnologias e às mudanças do consumidor. O comportamento pode mudar um driver, caso da uberização. Por isto a indústria não pode achar que está fora disto. Precisa criar e capturar novo valor, pois continuar fazendo o mesmo do passado não é o melhor caminho”.

 

O gestor lembrou que, em 2050, a terra terá 9,5 bilhões de habitantes, dos quais 2/3 residindo em zonas urbanas: “Isto vai dobrar a necessidade de mobilidade e triplicar a demanda por produtos nas cidades”.

 

Paulo Weber observou que um grande diferencial de inovação em Caxias do Sul é a possibilidade do desenvolvimento conjunto de iniciativas. Ao contrário do que ocorre no segmento de veículos leves, no qual os projetos vêm prontos das matrizes, o relacionamento próximo que existe na região permite a troca de informações, sem receios das engenharias: “Podemos apresentar sugestões e, normalmente, são implementadas”.

 

Weber também destacou outro diferencial na região, que não é possível em grandes centros: em Caxias do Sul, acredita, é possível fazer ajustes num molde de peça plástica em uma tarde, enquanto em São Paulo, onde a empresa tem unidade de autopeças, pode levar uma semana: “Aqui temos acesso facilitado ao fornecedor, às empresas especialistas. Essa eficiência compensa, inclusive, eventual acréscimo de custos em transporte e logística”.

 

Foto: Cleiton Thiele.