Cresce investimento no setor de máquinas

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Foto Jornalista Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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27/01/2020

São Paulo – O nível de investimento no setor de máquinas e equipamentos voltou a subir em 2019, indicou balanço da Abimaq divulgado na segunda-feira, 27. No ano passado as fabricantes aportaram R$ 3,8 bilhões, um desembolso 4,6% maior do que o realizado em 2018. O investimento superou em 30% aquele projetado pela entidade, R$ 2,8 bilhões.

 

De acordo com o presidente José Velloso parte dessa expansão se deve ao fato de que parte das empresas teve que comprar novos equipamentos, para substituir os que ficaram ultrapassados pela falta de investimento nos últimos anos: “Muitas associadas tiveram de investir para atualizar seu parque industrial não por demanda, mas por terem ficado muitos anos com o mesmo equipamento”.

 

A demanda, Velloso apontou, é considerada baixa e pode ser observada nos indicadores do setor. O consumo aparente, por exemplo, mostrou que no ano passado as importações de máquinas foram maiores do que as vendas de máquinas produzidas no País. O volume de equipamento importado foi 19,5% maior no ano passado na comparação com o registrado em 2018.

 

A entidade credita a ofensiva dos importados às aquisições de componentes para geração de energia, principalmente no setor de óleo e gás. No mercado interno "a carteira de pedidos continua em níveis historicamente baixos”, por volta de dois meses, sendo que, há dez anos, girava em torno de seis meses.

 

O balanço da Abimaq aponta que a receita líquida interna obtida no ano passado mostra crescimento de 7% sobre a registrada em 2018: R$ 46,4 bilhões. Velloso, no entanto, disse que a alta aconteceu sobre base considerada baixa, e que o perfil de consumo de máquinas no Brasil mudou:

 

“Não existe uma crise no setor. O que acontece é que o mercado tem um novo patamar de consumo, que é mais baixo do que aquele registrado em 2010, por exemplo. Consome-se menos máquinas do que na época de pico histórico e a tendência é a de que haja crescimento constante, embora sobre base mais baixa”.

 

A baixa demanda reconhecida pelo presidente da Abimaq também pode ser notada no nível da capacidade da indústria: 75%, na média, em 2019. O quadro de funcionários encerrou o ano com pouco mais de 302 mil trabalhadores -- mas em 2011 o quadro era formado por 386 mil funcionários: “Houve ao longo do ano contratações pontuais, mas o número de vagas foi diminuindo a partir do último trimestre”.

 

A receita com as exportações de máquinas e equipamentos caiu 7,2% no acumulado do ano na comparação com o resultado de 2018, chegando a US$ 9 bilhões. De acordo com a associação o resultado negativo se deu em função “da redução do ritmo de crescimento das principais economias mundiais, principalmente em países da zona do Euro e da América do Sul”.

 

Ano novo – A Abimaq, em sua primeira entrevista coletiva à imprensa do ano, também apresentou as suas projeções com relação a investimentos. A expectativa do setor é a de que sejam investidos R$ 4,6 bilhões, valor em alta de 23% sobre o investido em 2019. No mercado interno, disse Velloso, o setor deverá crescer 10% em termos de receita.

 

Foto: Divulgação.