Matrizes reduzem envio de socorro às operações brasileiras

Imagem ilustrativa da notícia: Matrizes reduzem envio de socorro às operações brasileiras
Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

CompartilheBalanço
11/02/2020

São Paulo – A injeção líquida de dinheiro das matrizes em suas subsidiárias brasileiras, do setor automotivo, somou US$ 2,5 bilhões no ano passado, valor 44% inferior ao de 2018. São montantes que representam aumento de participação no capital – ainda foram enviados das matrizes às subsidiárias outros US$ 8,8 bilhões em forma de empréstimo. Os dados foram divulgados pela Anfavea com base em balanço do Banco Central do Brasil.

 

De acordo com o levantamento, os empréstimos recuaram 12% de 2018 para 2019. Houve ainda US$ 6 bilhões em amortizações de financiamentos passados, 10% abaixo do amortizado um ano antes.

 

Com o resultado do ano passado os empréstimos na década somaram US$ 46,8 bilhões. As amortizações realizadas ao longo dos dez anos chegaram a US$ 32,9 bilhões, restando, assim, mais de US$ 13,8 bilhões a serem pagos pelas subsidiárias brasileiras às suas casas matrizes.

 

De acordo com Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, as matrizes passaram a enviar maiores remessas de recursos a partir de 2013, pico da crise que atingiu o setor automotivo nacional, como forma de socorrer as operações de suas fábricas durante o momento de vendas em queda. Para os próximos anos a tendência é a de que haja austeridade:

 

"Não fossem esses recursos teríamos enfrentado muito mais dificuldades. O esforço serviu para manter os investimentos aqui e preparar as fábricas para a retomada. Nos próximos anos, no entanto, os recursos serão menores. É como se um pai mandasse o filho se virar depois de passar anos emprestando dinheiro".

 

Os ingressos líquidos, nos últimos dez anos, somaram US$ 29,2 bilhões, a maior parte de 2015 a 2019 – US$ 21,9 bilhões.

 

A remessa de lucros e dividendos em 2019, ainda segundo os dados do Banco Central, chegou a US$ 440 milhões, um valor 36% maior do que o registrado em 2018. Na década o total de lucros enviados pelas subsidiárias brasileiras às matrizes chegou a US$ 18,9 bilhões.

 

O setor automotivo é um dos que mais recorreram aos empréstimos intercompany na última década. Dentre as áreas que compõem o setor industrial, apontaram os dados do BC, a de veículos, reboques e carrocerias representou 13%, a segunda maior fatia, no total de empréstimos realizados nos últimos dez anos, que somaram US$ 363,8 bilhões até o fim de 2019. Ao setor de óleo e gás correspondeu a maior parcela, 33%.

 

Foto: Divulgação.