Montadoras seguem produzindo, mas esvaziam escritórios

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Foto Jornalista  André BarrosFoto Jornalista Caio Bednarski

Por André Barros

e Caio Bednarski

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16/03/2020

São Paulo – As linhas de produção de veículos nacionais seguem curso de normalidade apesar de a pandemia de coronavírus ter motivado adiamento de eventos, cancelamento de viagens, forçado reuniões presenciais serem substituidas por teleconferência e a adoção de trabalho remoto nas áreas administrativas de algumas empresas. Nenhuma das fabricantes consultadas pela reportagem de AutoData relatou mudanças na programação da produção, embora tenham redobrado as atenções com relação à limpeza nas linhas, condutas de higiene e de contato com o colega.

 

A General Motors e a Ford seguiram a orientação da matriz às suas operações globais: trabalho remoto a partir da segunda-feira, 16, em todas as áreas cujas atividades possam ser feitas a distância. Mesmo procedimento foi adotado pelo Grupo PSA. Na FCA a medida, que já estava sendo adotada um dia por semana, foi estendida, e a Volkswagen e Renault informaram que intensificará o trabalho remoto.

 

Aos que precisam comparecer aos escritórios ou às linhas de montagem a orientação é lavar bem as mãos, usar o álcool gel – o produto foi espalhado em locais estratégicos – e respeitar distância mínima de 1 metro do colega de trabalho. As janelas foram abertas para que o ambiente seja arejado.

 

Nas operações da Honda, na Hyundai, na Nissan e na Toyota o ritmo segue normal – nas duas últimas funcionários de grupos considerados de risco, como maiores de 60 anos e grávidas, podem fazer trabalho remoto. Mercedes-Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus também operam sem alterações nas linhas e no administrativo.

 

Ainda não há relato, também, de interrupção por desabastecimento de peças. Mas há preocupação com relação à demanda: a reportagem apurou que existe montadora estudando manter apenas 20% do seu ritmo de produção atual com receio de haver uma redução forte nas vendas.

 

Até a sexta-feira, 13, foram emplacados 112,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, média de 11,2 mil unidades por dia útil, um pouco abaixo do resultado de todo o mês de fevereiro, que registrou mediana de 11,6 mil veículos/dia. No mês passado a primeira quinzena fechou com média de 10,3 mil emplacamentos.

 

Fonte do varejo consultada pela reportagem não quis fazer projeção para o mês: “É uma incógnita. Não sabemos ainda se as concessionárias precisarão fechar as portas. Dependerá também das locadoras: se elas reduzirem as encomendas certamente teremos um mês com vendas mais fracas”.

 

Foto: Divulgação.