Mercado em março já sofrerá efeitos do coronavírus

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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19/03/2020

São Paulo – Os concessionários de veículos do País já esperam vendas menores em março em função do avanço do coronavírus. À Agência AutoData, Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, afirmou que até a quinta-feira, 19, não houve redução no número diário de emplacamentos, mas que o cenário será de queda a partir da semana que vem, quando muitas das montadoras iniciarão pausa em suas linhas.

 

“O volume de licenciamentos, até agora, não retraiu na comparação com o mesmo período no ano passado. Por outro lado já é muito pequeno o movimento de consumidores nos pontos de venda. Parte do quadro das concessionárias está trabalhando de casa, e entraram em férias funcionários que pertencem aos grupos de risco.”

 

Ele informou que a entidade estuda com suas associadas, as associações de merca, quais passos serão adotados a partir da segunda-feira, 23, quando não apenas fábricas, mas todo o comércio, também deverá baixar as portas em algumas cidades. No caso das concessionárias o trabalho que está sendo executado no momento é o de solicitar às prefeituras que as liberem dos decretos de prestação de serviços – no caso, as atividades das oficinas de reparo das lojas.

 

“No momento toda a rede está sendo instruída a respeitar as decisões sanitárias. Estamos também solicitando aos municípios que tirem da obrigação de fechar o comércio as oficinas das concessionárias e isso é importante porque há frota circulante mesmo em tempo de quarentena, como veículos das policias, dos bombeiros, dos motoristas de aplicativo.”

 

Ele disse que a entidade conseguiu aprovação do pleito em cidades de Santa Catarina e em Goiás. Na quinta-feira foi enviado uma solicitação à Prefeitura de São Paulo, e até o fechamento desta reportagem a entidade ainda não tinha recebido resposta.

 

A respeito dos estoques na rede o presidente da Fenabrave disse que o volume é equivalente a trinta a 45 dias de vendas, e que os veículos estocados atenderão possivelmente “negócios que já foram fechado nos últimos dias, muitos deles envolvendo grandes volumes. O mesmo cenário deve estar sendo enfrentado nos pátios das montadoras”.

 

A Fenabrave também entrou em contato com entidades financeiras no sentido de alertá-las naquilo que diz respeito à musculatura operacional de um setor que vem tentando se recuperar de crises há mais de cinco anos e que passa também por transformação do modelo de negócio: “Nossa maior preocupação é que as empresas tenham caixa para poderem enfrentar período de vendas menores. Por isso falamos com a Febraban, por exemplo, para que se olhe com cuidado para aumento da taxa de juros em momentos de crise”.

 

Na primeira quinzena do março as vendas superaram 100 mil unidades, somando 112,4 mil, a uma média de vendas de 11,2 mil veículos/dia. O ritmo foi um pouco inferior ao da primeira quinzena de fevereiro, quando foi registrada média de 11,6 mil unidades/dia.

 

Foto: Divulgação.