Tecnologias da Volkswagen América do Sul agradam Wolfsburg

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Foto Jornalista Caio Bednarski

Por Caio Bednarski

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20/03/2020

São Paulo – A fábrica da Volkswagen em Navarro, na Espanha, será a primeira fora do Brasil a produzir um modelo desenvolvido pela engenharia da América do Sul. O cupê urbano Nivus, programado para sair das linhas de montagem de São Bernardo do Campo, SP, ainda este ano, estreará o VW Play, sistema de conectividade desenvolvido pelo time local – e que também encheu os olhos do board em Wolfsburg, na Alemanha, que adotará o sistema em modelos europeus.

 

Os exemplos não param por aí: o aplicativo Meu Volkswagen, que oferece o Manual Cognitivo e outros serviços, e o DDX, sistema digital de vendas adotado pelas concessionárias digitais por aqui, também deverão ser replicados em operações europeias. A Volkswagen América do Sul tornou-se exportadora de projetos.

 

“Nossa estratégia de desenvolvimento de novas tecnologias foi muito bem aceita pela matriz”, disse Fabio Rabelo, head de digitalização e novos modelos de negócio para a VW América do Sul. “Não pararemos por aqui, pois estamos trabalhando em novos serviços que estrearão no Nivus".

 

O Manual Cognitivo, uma das funções do aplicativo Meu Volkswagen, soma mais de 129 mil usuários. Foi desenvolvido pela engenharia local para solucionar dúvidas dos clientes sobre o veículo de maneira clara e direta, como uma pesquisa no Google. O sistema interessou a matriz, que já fez algumas reuniões com executivos e engenheiros brasileiros para entender como esse serviço pode ser exportado para Alemanha e Europa:

 

"Eles têm bastante interesse nesse projeto, o que é uma grande vitória para operação brasileira. Mostra o quanto somos fortes em inovação".

 

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Outra inovação desenvolvida por aqui, o sistema de concessionária digital, também está na lista da matriz. Segundo Rabelo os europeus trabalhavam em solução semelhante, mas ficaram surpresos pelo resultado apresentado por aqui – mais barato de implementar na rede, mais completo e com manutenção mais barata.

 

"Depois do lançamento os chefes da operação global vieram algumas vezes para o Brasil, querendo entender melhor o nosso projeto e estudam como levá-lo para a Alemanha".

 

Enquanto as tecnologias não avançam para a Europa, Rabelo revelou que a empresa trabalha na adoção do Manual Cognitivo em outros três mercados da região – garante que em dois a três meses divulgará novidades. Atualmente clientes do Brasil e de outros sete países podem usar o sistema: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.

 

Rabelo ressaltou que esse avanço demandou muito trabalho dos engenheiros, porque os carros mudam de país para país. A Volkswagen disse que recebe cerca de 25 mil perguntas por mês e o fato de esclarecer os questionamentos dos consumidores também ajuda a companhia a melhorar seus serviços e produtos: "O manual funciona como um termômetro, pois usamos os dados gerados a partir dele para melhorar essas questões em nossos veículos".

 

No Brasil o Manual Cognitivo começou a ganhar forma no fim de 2017 e chegou ao mercado com o lançamento do Virtus, em janeiro do ano passado. Desde então a demanda pelo serviço foi crescente: "Clientes que tinham outros modelos questionavam o motivo do carro dele não ter esse serviço. Foi um problema bom para nós, porque vimos a boa aceitação do mercado. E também agradou a matriz".

 

Com esse problema bom nas mãos, a Volkswagen avançou com a tecnologia para os modelos Jetta, Polo Tiguan e T-Cross. O próximo a receber a tecnologia será o Nivus, com lançamento previsto ainda para o primeiro semestre, mas outros modelos também estão no radar, como a picape Amarok.

 

Foto: Divulgação.