São Paulo – Todo o crescimento projetado para a produção brasileira de veículos até 2030 será capturado por marcas de origem chinesa. É o que indica o estudo LCV Production & Powertrain Forecast, que a Bright Consulting passou a oferecer na plataforma disponível a seus clientes e que foi, em parte, antecipada a jornalistas na segunda-feira, 18.
Na análise da consultoria, que em breve ampliará sua base de dados para montadoras argentinas, no ano passado a indústria local produziu 2,4 milhões de veículos e alcançou o seu auge com as montadoras aqui instaladas. “Foi o platô. A produção local continuará crescendo, mas por meio das marcas de origem chinesa”, afirmou o COO Murilo Briganti.
As projeções da Bright apontam, inclusive, queda na produção das chamadas montadoras tradicionais, para pouco mais de 2 milhões 250 mil unidades. As chinesas produzirão outras 640 mil em 2030, o que elevará a produção nacional para 2,9 milhões de veículos.
Briganti ressaltou que a redução não será linear: as empresas que conseguirem se antecipar e desenvolver produtos que atraiam o consumidor nacional poderão capturar parte da fatia da pizza que permanecerá inalterada, mas outras, inevitavelmente, perderão participação.
“O que vemos é que muitas empresas estão antecipando projetos e investimentos diante desta ofensiva chinesa. O cenário é desafiador, porque elas precisarão igualar as chinesas em tecnologia reduzindo o custo, uma vez que existe também pressão no preço”.
Um dos exemplos citados por Briganti, sem revelar quais as marcas, foi o salto do MHEV: algumas empresas abandonaram seus projetos e foram direto aos HEV para poder concorrer com os chineses, que possuem ampla oferta no segmento. Em 2030, calcula a Bright, mais de 70% da produção será de eletrificados.
Oportunidades e riscos para fornecedores
Para Briganti será tendência a associação de mais empresas locais com marcas chinesas, a exemplo de Renault-Geely, Caoa-Chery-Changan e HPE-GAC. No campo das autopeças, porém, a solução indicada pelo consultor é a de antecipar as conversas com os chineses e tentar entrar em projetos de localização.
“Caso contrário os chineses importarão seu próprio ecossistema, excluindo permanentemente o parque atual”.
Não é uma solução simples, lembrou o consultor, porque as marcas de origem chinesa pressionam muito os preços. Mas o mesmo deverá ocorrer com as tradicionais, para poder competir com as que estão chegando.
No fim, resume Briganti, a solução é se reinventar e entrar no novo jogo que passa a ser jogado na indústria automotiva local. Outra mudança, lembrou, é a do prazo de desenvolvimento: como os chineses fazem alterações nos projetos em menos tempo, com facelift a cada um ou dois anos, o mesmo deverá ser feito pelas tradicionais.
Até 2030, calcula a consultoria, mais de 90% dos veículos produzidos no Brasil serão de modelos que ainda não foram lançados.