Bright revê projeção de queda de mercado de 3% para até 6%

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Foto Jornalista Marcos Rozen

Por Marcos Rozen

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27/03/2020

São Paulo – A Bright, empresa de consultoria especializada no setor automotivo, atualizou suas projeções para o mercado este ano, diante do cenário de pandemia do novo coronavírus. Se na quarta-feira passada, 18 de março, projetava redução de 3% nas vendas de veículos leves novos no País agora o índice aponta retração de 5,5% a 6%.

 

A informação é de Paulo Cardamone, chief strategy officer da Bright. Ele reconheceu que “nesse momento todos os modelos estatísticos deixam de funcionar”, mas lembrou que seus cálculos levam em conta dados como índice de confiança, renda e a situação produtiva atual das empresas do segmento automotivo. Em volume a estimativa caiu de 2 milhões 610 mil unidades vendidas este ano para 2 milhões 540 mil veículos.

 

Para a produção Cardamone trabalha, hoje, com projeção de queda de 7,4%, para 2 milhões 590 mil. A empresa fará atualizações semanais destes índices.

 

Ele revelou que a média diária de emplacamentos está agora ao redor de setecentas unidades, devido à continuidade de operação de alguns Detrans, mas lembrou que, “antes, estávamos na faixa de 10 mil”. Para ele um volume diário variando de 7 mil a 10 mil unidades ao dia poderá ser registrado em maio – isso se a previsão de retorno às atividades produtivas em 24 de abril se confirmar.

 

Cardamone imagina que “a perda não terá como ser recuperada. Prevemos um movimento em U e não em V, com um retorno das atividades e dos negócios de forma gradual”. Para 2021 a Bright estima, hoje, mercado em elevação de 5% ante o fechamento de 2020 – antes da crise do coronavírus a projeção para este ano era de avanço de 7% no mercado interno ante 2019.

 

“Em 42 anos de experiência no mercado automotivo já vi muitas crises, mas nunca algo parecido com o que está acontecendo agora.”

 

De acordo com o consultor algumas empresas de autopeças tier 1 decidiram não interromper totalmente as atividades, preferindo afastar os funcionários de grupos de risco como os acima de 60 anos ou com doenças pré-existentes e mantendo um grupo de trabalhadores fisicamente mais distantes uns dos outros, além de outras medidas de prevenção: “Estão rodando a cerca de 50% da capacidade, promovendo manutenções preventivas em maquinário e  trabalhando no desenvolvimento de novas peças que serão utilizadas nos próximos lançamentos das montadoras.”

 

Sua preocupação maior é com as empresas tier 2 e 3: “Essas já vinham em dificuldades financeiras e possivelmente precisarão de ajuda para se manter vivas”.

 

Foto: Divulgação.