Planta de grafeno de Caxias completa um mês de produção

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Foto Jornalista Roberto Hunoff

Por Roberto Hunoff

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16/04/2020

Caxias do Sul, RS -- Resultado de quinze anos de pesquisa avançada da UCS, Universidade de Caxias do Sul, em nanomateriais, a primeira planta de produção de grafeno em escala industrial da América Latina gerida por uma instituição de ensino superior, ou centro de pesquisa, e a maior em capacidade produtiva, superando fábricas do setor privado, está em plena operação, desde 14 de março. A inauguração oficial, no entanto, ocorreu na quarta-feira, 15. A solenidade de apresentação da UCSGraphene ao mercado foi limitada a poucas pessoas e teve transmissão pelas redes sociais em função dos cuidados com a pandemia da covid-19.

 

O projeto de expansão da planta está estruturada em três fases. Na primeira, de doze meses, o objetivo é alcançar produção de quinhentos quilos. No primeiro mês já produziu 42 quilos, atendendo a pedidos de empresas de diferentes setores. O coordenador da planta, Diego Piazza, disse que já existem contratos com dez organizações, mas evitou citar nomes por questões de confidencialidade. Apenas mencionou a Marcopolo como uma das empresas que já tem relações com a UCSGraphene.

 

Para a fase seguinte, igualmente de doze meses, a meta é chegar a 5 mil quilos. O passo posterior incluirá ampliação da planta, o que estará diretamente ligado às demandas do mercado. De acordo com Piazza dentre as aplicações pesquisadas e nas quais a UCS alcançou expertise estão os segmentos de revestimentos avançados, materiais inteligentes, medicina regenerativa, energias alternativas, blindagem, metais, compósitos, polímeros e cerâmicas.

 

Piazza também lembrou o potencial que o Brasil tem na área por ser um de três países com as maiores reservas de grafite do mundo: “Teremos condições de oferecer matéria-prima para elevar a competitividade industrial por meio da agregação de valor aos produtos ou pela inovação”.

 

O grafeno é considerado o material mais leve e resistente do mundo, superando até mesmo o diamante, e o mais fino que existe. Possui excelente condutividade térmica e elétrica, transparência e maleabilidade, sendo resistente ao impacto e à flexão. Devido à alta resistência mecânica, capacidade de transmissão de dados e economia de energia é apresentado como um dos maiores recursos da atualidade para aplicações em alta tecnologia. Em nanotecnologia é bastante utilizado na produção de componentes eletrônicos, baterias, telas e displays LCD, anticorrosivos, solventes e revestimentos.

 

Foto: Roger Clots/Divulgação.