Indústria gaúcha avalia queda de 55% na receita

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Foto Jornalista Roberto Hunoff

Por Roberto Hunoff

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13/05/2020

Caxias do Sul, RS – Consulta realizada pelo Sinmetal, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Rio Grande do Sul, junto às suas associadas indicou queda de faturamento e de pedidos de 50% a 55%, em média, até o início de maio em decorrência da redução de atividades pela pandemia do novo coronavírus. A entidade congrega mais de 5 mil empresas, responsáveis por 100 mil empregos diretos em 412 municípios.

 

Os números apontam que os fornecedores da cadeia automotiva foram os mais prejudicados, enquanto os menos afetados são os fabricantes de peças e insumos para o agronegócio e maquinário agrícola e para a indústria alimentícia. O levantamento aponta o consenso geral dos empresários e de seus executivos sobre a falta de previsão e de perspectivas para a demanda do mercado a partir de junho e julho, incluindo o comércio exterior.

 

As empresas consultadas informaram que adotaram todas as medidas de prevenção, proteção e segurança exigidas pelas autoridades de saúde. A maioria está utilizando o home office para os trabalhadores das áreas administrativa e de vendas. Também suspenderam operações em 23 de março e retornaram em 6, 12 e 20 de abril, de acordo com as regras de reabertura por municípios ou região.

 

As indústrias utilizaram o recurso de concessão ou antecipação de férias, como também o lay off, sobretudo a partir de maio. Também foram adotadas medidas como redução de jornada e de salários, e suspensão de contratos, medidas garantidas na convenção coletiva emergencial firmada pelo Sinmetal, a CUT e a Força Sindical. Ainda ocorreram demissões, principalmente em atividades ligadas ao setor automotivo e metalmecânico.

 

Em Caxias do Sul, principal polo automotivo do Estado, pesquisa do Simecs, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, apontou que mais de 80% das empresas associadas tiveram queda substancial na demanda, cancelamento de pedidos e produção fabril limitada. De acordo com o presidente Paulo Spanholi  “a crise vem afetando de forma contundente o faturamento das empresas consultadas, o que revela um cenário desafiador para o setor nos próximos meses”.

 

A crise vem sendo dura para o indicador de contratações. Quase a metade das empresas consultadas, 49%, teve quedas consideráveis no tamanho de sua força de trabalho. Metade ainda está conseguindo manter a situação estável e menos de 1% dos negócios aumentou o quadro de funcionários no período.

 

As principais medidas adotadas pelas empresas consultadas para evitar demissões são, pela ordem, uso de home office, de banco de horas e férias, contempladas em quase 60% das empresas. Banco de horas e a flexibilização de jornada, medidas acordadas na primeira convenção coletiva de trabalho extraordinária do Simecs com o sindicato dos trabalhadores, em 18 de março, foram usadas por mais de 20%. Redução de jornada e suspensão de contratos somaram 10%.

 

Foto: Kamran Aydinov/Freekpik.