Movida suspende compras de veículos novos

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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14/05/2020

São Paulo – A Movida diminuirá o ritmo das compras de veículos das montadoras nos próximos meses como parte do planejamento de reorganização do negócio, diante de período de incertezas e possibilidade de queda da demanda em duas das suas três fontes de receita: locação de veículos e venda de seminovos.

 

Na quinta-feira, 14, quando divulgou o balanço de sua operação do primeiro trimestre, o presidente Renato Franklin afirmou que, por ora, as compras de veículos estão suspensas e deverão ocorrer em prazo maior ao praticado nos últimos meses porque “há frota para três meses de vendas”. Segundo o balanço de janeiro a março a empresa registrou 119 mil veículos em sua frota.

 

A companhia pretende tornar sua operação mais enxuta, tanto que, afora a suspensão da renovação de frota, houve fechamento de quinze pontos da sua rede, sendo doze de aluguel de veículos e três de vendas de seminovos. Houve também, segundo o executivo, reforço do caixa e renegociação de contratos com fornecedores.

 

O balanço divulgado mostrou que o caixa da companhia em 30 de abril – a empresa divulgou também uma prévia do seu desempenho no início do segundo semestre – era de R$ 1,1 bilhão. A dívida líquida, por sua vez, era de R$ 2 bilhões, que foram renegociados com fornecedores, montadoras e bancos.

 

O conjunto de medidas, mais do que uma resposta ao cenário adverso provocado pela covid-19 na economia, trata de um processo denominado como redesenho do modelo de negócio, disse o diretor financeiro Edmar Lopes Neto. Tornar a estrutura da empresa mais enxuta significaria criar novos produtos, alianças e apostar em canais digitais de vendas.

 

“Estamos diante de um novo cenário e temos de reescrever tudo o que foi feito até agora”, disse o executivo durante divulgação dos resultados. Tanto ele quanto o presidente da companhia evitaram pormenores a respeito da reescrita. Mas foi dito, no entanto, que produtos dedicados para motoristas de aplicativos e novos serviços que utilizam veículo como plataforma estão em testes.

 

"Acreditamos muito no carro por assinatura, ainda que o motorista de aplicativo represente um negócio importante. Vai ser o maior negócio das locadoras no futuro, é um leasing melhorado com a oportunidade de explorar mais serviços”, disse o presidente. “O momento vai nos aproximar das montadoras com a criação de novos produtos.”

 

A Movida registrou receita líquida total de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre, alta de 19,6% sobre aquela registrada em igual período no ano passado. Desse total R$ 559,2 milhões tiveram como origem a venda de ativos, e os R$ 452 milhões restantes obtidos com os negócios envolvendo aluguel e gestão de frota. O lucro líquido no período foi de R$ 55,1 milhões, alta de 31%.

 

O volume de veículos vendidos pela unidade de seminovos da companhia somou 14,1 mil unidades até março, 10,7% a mais do que no primeiro trimestre de 2019. O preço médio por veículo vendido cresceu 13% ante os três primeiros meses do ano passado, chegando a R$ 41,4 mil.

 

Com o foco agora nas transações online, pois as lojas seguem fechadas por decretos municipais, a empresa afirmou que em abril foram vendidos mais de 3,5 mil veículos pelo meio digital. A expectativa para o desempenho comercial em seminovos, em maio, é maior, de acordo com Renato Franklin: “Venderemos mais carros em maio do que em abril. Tivemos de baixar os preços para poder ter um resultado melhor no período”.

 

Espaço - Dentre os produtos que a empresa aposta para melhorar seu desempenho comercial durante a pandemia está a oferta de serviço baseado no modelo pagamento por uso. O presidente Renato Franklin disse que a oferta é uma forma de reter os motoristas na base de clientes – com o menor tráfego nas cidades, motoristas de aplicativos viram as receitas com corridas caírem, o que levou parte deles a devolver os veículos.

 

O modelo de pagamento por quilômetro rodado, assim, resolveria duas questões para a Movida. A primeira, a falta de espaço físico: “Se o motorista paga apenas pelo que usar, ele reconsidera devolver o veículo e o mantém em sua garagem, evitando que a empresa tenha também este custo”, disse Franklin. À Agência AutoData fontes disseram no começo do mês que locadoras estaríam às voltas com a busca de espaço para guardar os veículos devolvidos.

 

O pagamento por quilometragem, por fim, manteria alguma receita, ao contrário da entrega do veículo que, por outro lado, representaria maiores custos. A ação da empresa, listada na B3, fechou o dia com valorização de 9%, com o papel valendo R$ 9,35.

 

Foto: Divulgação.