São Paulo – Ao assumir a direção geral da Peugeot no Brasil, em novembro de 2015, a brasileira Ana Theresa Borsari mirava cinco anos adiante, naquilo que acabou sendo o 8 de setembro de 2020. Tinha um caminho longo para preparar a operação local, que não andava bem das pernas, para a chegada da nova geração do Peugeot 208, que seria produzida em El Palomar, Argentina sobre a plataforma CMP, inédita na região, e que, enfim, chega à rede de concessionárias local.
“Cheguei com esse plano: lançar o 208 aqui. Foram cinco anos preparando a marca e a rede para a chegada deste carro”, disse a executiva a jornalistas na terça-feira, 8, por meio de videoconferência. “Espero um sucesso semelhante ao que o 206 teve no mercado brasileiro.”
A Peugeot viveu seus melhores dias de Brasil com o 206 produzido em Porto Real, RJ. Chegou a ocupar degraus bem mais elevados do que seu atual décimo-quinto lugar no ranking de marcas e a registrar ao menos cinco vezes mais do que os 0,65% de market share de janeiro a agosto. Decisões questionáveis e uma rede insatisfeita acabaram por derrubar sua imagem no Brasil, o primeiro pilar da reconstrução liderada por Borsari.
A executiva bateu intensamente nessa tecla nos últimos anos. No ano passado acomodou-se diante das câmeras para ser a garota-propaganda da campanha que divulgava o programa Peugeot Total Care, que prometia ressarcir clientes que ficassem insatisfeitos com os serviços prestados na rede. Um ano e 200 mil atendimentos depois, zero pedidos de reembolso, segundo ela.
Em paralelo a rede, que encolhera, foi ganhando corpo com o plano de concessionária bimarca, mantendo no mesmo terreno oficina compartilhada com a Citroën e showroom separado. Segundo Borsari são 105 casas espalhadas pelo País, com previsão de 122 até o fim do ano, com grupos satisfeitos.
O terreno foi preparado para esse lançamento, que traz expectativas elevadas. Repetir o sucesso do 206 significa volume alto – e não apenas o 1% ao qual o diretor comercial, Osvaldo Ramos, diz desejar.
“1% é o mínimo que eu espero para a Peugeot no mercado brasileiro. O 208 sozinho á capaz de alcançar essa participação. Meu plano é alcançar ao menos 3%”, estimou, sem especular prazo – mas naturalmente com mais modelos na gama, que começa a crescer com a chegada dos modelos produzidos sobre a plataforma CMP na Argentina e em Porto Real, RJ, planos ainda ocultos sob a discrição corporativa.
Sobre o posicionamento de mercado do 208, em um patamar mais elevado da categoria dos hatches, Borsari – que entrou na Peugeot do Brasil antes do lançamento do 206 por aqui – lembrou que o 206 também tinha a mesma proposta: “Era um hatch B mais premium. O volume dependerá do comportamento do mercado, mas este é, hoje, o segmento mais lucrativo do mercado”.
Aos poucos, também, começará a introduzir novas tecnologias de combustão. O 208 oferece uma versão elétrica e modelos híbridos deverão desembarcar por aqui, mas em outros segmentos. A princípio importados – mas um dos atributos da plataforma CMP é ser multienergia, o que torna viável a produção local de modelos de propulsão elétrica ou hibrida.
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