São Paulo – A Nissan oferecerá a partir de 2023 sua tecnologia e-Power em veículos comercializados na América do Sul. O anúncio foi feito por Ricardo Flammini, seu vice-presidente de marketing, vendas e pós-vendas para a região, durante o Nissan Innovation Week, evento no qual a companhia apresentou suas mais recentes tecnologias em São Paulo. Não deu outros pormenores: “Não adiantarei em qual país, nem qual modelo. Mas estará na região a partir de 2023”.
A e-Power é uma tecnologia na qual um veículo com tração 100% elétrica tem sua bateria recarregada por um motor a combustão, que funciona como uma espécie de gerador de energia. Este motor, que pode ser flex, não traciona as rodas como em um híbrido convencional, apenas fornece energia à bateria, que dispensa o uso da tomada e da rede elétrica. Uma solução que, aliada ao etanol brasileiro, proporciona emissão zero, pois o CO2 liberado do escapamento é compensado durante a plantação da cana-de-açúcar.
Os dirigentes da Nissan sabem do enorme potencial que a e-Power tem no mercado brasileiro. Seu custo é inferior ao do sistema elétrico convencional, pois a bateria tem tamanho reduzido – diz a companhia que com 30 litros de etanol é possível alcançar autonomia superior a 500 quilômetros. Trazê-la para o País, porém, não é tão simples.
“O e-Power é motivo de orgulho na Nissan, mas seu ciclo de desenvolvimento é longo. Temos no Brasil um caso único, de aplicação com etanol, mas primeiro a tecnologia é pensada em nível global para, em um segundo momento, seguir para mercados específicos”, disse Chris Reed, vice-presidente regional sênior de pesquisa e desenvolvimento da Nissan Americas, jogando um balde de água fria na possibilidade de o e-Power chegar já com a tecnologia flex, algo que nem confirmou, nem negou. “Nos próximos dias viajaremos ao Japão para defender, junto à matriz, as tecnologias com etanol. Sabemos que a oportunidade é grande.”
Um modelo e-Power, o Kicks, desembarca no mercado mexicano ainda neste segundo semestre, importado da Tailândia, inaugurando a tecnologia naquele mercado. Sua produção no México ainda não foi confirmada, o que sinaliza a importação da Ásia também para o mercado sul-americano. A fábrica de powertrain tailandesa pode produzir até 580 mil baterias e-Power por ano.
A tecnologia já é um sucesso no Japão, onde integra o hatch compacto Note, simplesmente o modelo mais vendido naquele mercado.
Célula de hidrogênio – A outra menina dos olhos da Nissan, o SOFC, sistema de célula de combustível de óxido sólido, que aqui será alimentada por etanol, segue em desenvolvimento. A parceria com o IPEN, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, foi renovada no ano passado e o trabalho, agora, é reduzir seu tamanho para que seja comercialmente viável.
Em paralelo, segundo Ricardo Abe, gerente de engenharia de produtos, seguem conversas com o governo para que incentivos sejam concedidos a veículos dotados com o SOFC. E há, já, avanços em suas aplicações: para abastecer, além de automóveis, aviões, e até mesmo fornecer energia a fábricas e data centers com as células, ainda que em tamanhos e potências superiores aos dos veículos convencionais.