São Paulo – Ao que tudo indica, de acordo com dados da Anfavea apresentados na sexta-feira, 9, o segmento de caminhões está prestes enxergar seus dias mais difíceis pelo retrovisor. Com maior acesso a componentes, principalmente semicondutores, a indústria está correndo do prejuízo para entregar veículos dentro e fora do País.
A produção em agosto atingiu 17,2 mil unidades, 35,4% mais do que em julho, quando saíram das linhas de montagem 12,7 mil veículos. Com relação ao mesmo mês em 2021, quando foram fabricadas 15 mil unidades, houve acréscimo de 15,1%.
Segundo o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini, agosto apresentou desempenho muito positivo: “Foi um mês bastante forte, cheio, sem fábricas paradas. A tentativa de obter mais componentes deu certo e ajudou a abastecer o mercado e atender a demanda”.
Saltini reforçou que a reação na produção não significa que a crise dos semicondutores foi superada, mas que a oferta está maior, graças também aos esforços das áreas de logística das fabricantes de caminhões.
O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, apontou que a situação reflete o arrefecimento da demanda global por concorrentes de veículos na busca por chips, como smartphones, e da melhora na produção dos componentes.
No acumulado do ano foram produzidas 85 mil unidades, o que representou ligeira queda de 2,6% com relação ao período de janeiro a agosto de 2021, quando saíram das linhas 90 mil caminhões. “Tivemos 5 mil unidades a menos, mas nada que preocupe, pois o começo do ano para o setor foi muito ruim, tivemos muitas dificuldades para produzir nos primeiros meses, o que veio se recuperando pouco a pouco. Mas agora devemos caminhar com certa normalidade.”
Saltini afirmou que atualmente o uso da capacidade instalada das fábricas gira em torno de 60% a 65%. “Somente em 2011 utilizamos praticamente 100% da capacidade instalada. Mas eram outros tempos, com um grande volume de mercado, produção em três turnos, e tínhamos uma montadora a mais”, disse, referindo-se à Ford, que encerrou sua linha de caminhões em São Bernardo do Campo em 2019.
Emplacamentos – Com relação às vendas de 0 KM, em agosto foram comercializados 12,5 mil caminhões, 8,2% mais do que em julho, que contou com 11,6 mil unidades. Ante o mesmo mês no ano passado, quando os licenciamentos somaram 12,9 mil, porém, houve recuo de 3,4%.
“Agosto foi um mês muito bom. Tivemos representação muito grande do segmento de pesados, com 51% dos emplacamentos, seguido por semipesados, com 27%. Praticamente todos os setores apresentaram crescimento, apenas os médios tiveram retração de 0,6%.”
Nos oito primeiros meses de 2022 as vendas totalizaram 81,7 mil unidades, montante 2,4% inferior ao mesmo intervalo no ano passado, quando 83,6 mil caminhões foram emplacados. Na tentativa de, mês a mês, reduzir o ônus frente a 2021, o segmento conseguiu superar os emplacamentos do acumulado no período pré-pandemia.
“Nós vínhamos de um período de crise econômica que derrubou muito as vendas de veículos comerciais, e em 2019 nós voltávamos a crescer. Caímos de novo com a covid e agora estamos nos recuperando.”
Comércio exterior – Este ano foram exportados 15 mil 490 caminhões, 5,5% mais do que de janeiro a agosto de 2021, quando 14 mil 683 unidades haviam sido embarcadas. Somente em agosto 2 mil 335 veículos foram vendidos a outros países, 15,8% mais do que em julho e 12,9% acima de agosto do ano passado.
Os principais destinos dos caminhões foram Argentina, Chile e Peru.