Caxias do Sul, RS – Lançada no auge da pandemia, em julho de 2021, a Geração 8 ou apenas G8, é a principal aposta da Marcopolo. Assim como na ocasião de seu lançamento, em que havia a expectativa de que a novidade tirasse da inércia o mercado de ônibus, um dos mais prejudicados pela covid-19, hoje segue como carro-chefe do segmento de rodoviários.
Segundo o CEO da Marcopolo, André Armaganijan, foram produzidas mais de 1,3 mil unidades do G8 desde então, tanto para clientes do Brasil como para mercados eternos, embora a maior parte dos veículos esteja circulando em estradas brasileiras:
“A companhia tomou decisão corajosa de lançar o produto em julho de 2021. Não conseguíamos trazer clientes de fora para o Brasil, mas conseguíamos trazer os clientes daqui, um a um, para dentro da fábrica. Fomos demonstrando desta forma e as vendas foram acontecendo”.
Armaganijan contou que, apesar do pouco tempo de vida, já existem clientes repetindo a compra do produto: “Os primeiros compraram atraídos pela inovação. Agora, a segunda compra, se dá pela eficácia do veículo. Enxergamos mercado rodoviário bem positivo com o G8”.
No primeiro trimestre deste ano as vendas do G8 representaram mais de 70% dos rodoviários pesados da companhia. A Geração 8 foi apresentada doze anos depois do lançamento de sua antecessora, a Geração 7, que, segundo o executivo, foi mantida no mercado: “Imaginávamos que o G8, gradativamente, fosse roubando o espaço do G7. Mas vimos que a mudança foi acelerada. A compra do G8 foi muito superior, e a redução de demanda pelo G7 muito mais rápida. Mas ainda temos o G7 em linha para o cliente que desejar”.
A diferença de preço de um para outro é de cerca de 15%. Em termos de custo total de operação, no entanto, há redução de consumo de combustível e do custo de manutenção, citou Armaganijan. A maior parte das compras de doble decker, ou piso duplo, hoje, é de G8. Os veículos de dois andares representam 61,3% do volume total de vendas da nova linha de veículos rodoviários da companhia.
Marcopolo está localizando G8 na Colômbia e no México
Devido à aceitação do G8 em outros países a Marcopolo investe em mercados de exportação. Para tornar o produto mais competitivo pretende levar a solução localizada para alguns deles, com poucos componentes embarcados desde o Brasil.
É o caso do México, desde junho do ano passado e, mais recentemente, da Colômbia: “Estamos discutindo outros mercados potenciais. A ideia é levar esta proposta para outros países”, garantiu o executivo.
Em torno de 40% da receita provém de fora, seja de exportações ou de produção externa. Segundo Armaganijan a expectativa é que este porcentual se mantenha em 2023: “O mercado brasileiro é grande. Se retomar com força este porcentual deve se manter este ano.”