São Paulo – A escalada dos juros em 15% ao ano manteve estável o volume de recursos liberados ao financiamento de veículos no primeiro semestre, R$ 127,4 bilhões, com relação ao mesmo período do ano passado, que contou com R$ 127,3 bilhões. Os dados foram divulgados pela Anef, Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras. Para o presidente da Anef, Enílson Sales, a manutenção indica resiliência, uma vez que os primeiros seis meses do ano foram marcados por instabilidade econômica e incertezas fiscais, e no primeiro trimestre houve retração de 4,3% no comparativo anual.
O CDC, Crédito Direto ao Consumidor, segue como a modalidade com maior representatividade, com R$ 126,5 bilhões em recursos liberados. O saldo total das carteiras de veículos cresceu 13,4%, de R$ 450 bilhões para R$ 510,8 bilhões nos seis primeiros meses do ano.
Agora, alertou Sales, o mercado de financiamento de veículos entra no segundo semestre de 2025 com projeções cautelosas:
“Com o Banco Central mantendo a Selic em 15%, e sem perspectiva de redução no curto prazo, o custo do crédito continua elevado, restringindo o acesso principalmente para pessoas jurídicas. Ao mesmo tempo a volatilidade tributária e o cenário internacional instável adicionam camadas de incerteza à tomada de decisão de consumidores e empresas. A expectativa é de um desempenho moderado até o fim do ano, com o setor apostando em estratégias próprias”.
Apesar do cenário a Anef manteve sua projeção de expansão de 8,5% nos recursos liberados para 2025, mas com ressalvas: “Estamos atentos ao comportamento do mercado e à conjuntura econômica, que ainda impõem desafios à previsibilidade”, destacou, ao citar que ainda não se sabe o tamanho do impacto do tarifaço dos Estados Unidos no mercado de caminhões.
A inadimplência acima de noventa dias para pessoa física variou menos de 1 ponto porcentual, atingindo 6,3% e, para pessoa jurídica, permaneceu em 3%. E as vendas à vista aumentaram de 50% para 52% no caso de veículos leves, de 25% para 33% para pesados e, de motos, de 31% para 36%.