A profecia muitas vezes reproduzida do messiânico Antônio Conselheiro afirmava que o sertão seco e miserável iria virar mar – era uma mensagem metafórica de esperança para seus seguidores amotinados contra a República, cercados em Canudos, BA, no fim do século 19, almejando a migração do poder e da prosperidade do Litoral para o Interior nordestino, repleto de excluídos fustigados por seca, fome e pobreza. Pois a metáfora de Conselheiro nunca esteve tão perto de se tornar realidade – não por obra divina mas pelas mãos da ciência que traz à região uma nova cultura agrícola para produção de bioenergia.
Está em curso a introdução da cultura de agave em larga escala no Semiárido Brasileiro, com forte potencial para transformar parte da região em um grande polo de produção de etanol e biometano até meados da próxima década, o que deverá espalhar desenvolvimento ambiental, social e econômico que por séculos faltou ao Sertão.
“Temos na região um oásis de sol, uma Arábia Saudita da fotossíntese que fornece energia para as plantas o ano inteiro, só não tínhamos tecnologia para aproveitar isto, e agora temos”, aponta Gonçalo Pereira, agrônomo, geneticista, pesquisador e professor titular da Unicamp, onde lidera o LGE, Laboratório de Genômica e Bioenergia – além de ser baiano de nascimento e apaixonado pelo Sertão.
À frente do projeto para adaptar ao Semiárido o primeiro cultivo do mundo de agave dedicado à produção de biocombustíveis o professor é enfático: “Tenho a certeza de que temos capacidade de produzir ali bioenergia para abastecer o Brasil e o mundo todo”.
A PLANTA FORTE DO SERTÃO
Esta reportagem foi publicada na edição 429 da revista AutoData, de Fevereiro de 2026. Para lê-la completa clique aqui.
Foto: Divulgação/LGE Unicamp