Objetivo é dar celeridade ao processo, reduzir custos em 50% e baixar a um terço prazo médio de entrega
Extrema, MG – Frente à maior concorrência no mercado de 0 KM, que conta com cada vez mais modelos, as empresas que fornecem ao mercado de reposição precisam adaptar-se e diversificar também sua oferta de peças e partes de veículos. Pensando nisto a Frasle Mobility apostou em sistema automatizado de logística que privilegia itens pequenos e fracionados para ganhar tempo, aliviar o trabalho do operador, reduzir custos e diminuir o prazo de entrega.
“O projeto 4Mobilty é uma resposta às demandas e necessidades do mercado de reposição independente, que responde por 90% das nossas receitas. O restante provém de exportação”, afirmou Marcelo Tonon, diretor executivo de supply chain para a América Latina da Frasle Mobility, para quem está havendo fragmentação de marcas que, ao que tudo indica, veio para ficar. “O nosso mercado há alguns anos era tomado por veículos populares de marcas tradicionais, como Volkswagen Gol e Fiat Palio. Hoje existem milhares de plataformas de produtos diferentes com frotas muito pequenas.”
O reflexo no segmento é que os distribuidores de peças do aftermarket, com diversas filiais espalhadas pelo País, passaram a comprar de forma fracionada. E a indústria teve de se adaptar.
A Frasle Mobility decidiu que o espaço onde funcionava o antigo centro de distribuição da Nakata, em Extrema, MG – adquirida pela empresa de Caxias do Sul, RS, em 2020, e incorporada em janeiro deste ano –, seria o lugar ideal para estabelecer a solução, ainda em fase inicial, em pré-teste desde fevereiro e finalizada em junho.
Solução ocupa um quarto do espaço no método tradicional
Por ora 25 robôs autônomos – com potencial de chegar a cem – transportam diariamente 35 mil bins ou caixas de armazenamento de plástico, que podem chegar a 50 mil, em um espaço de 2 mil m², que equivale a 25% de área de 8 mil m² a 10 mil m² necessárias caso o sistema se mantivesse como o tradicional de armazenamento. Que, a propósito, ainda opera no local: lá existem 30 mil posições de pallets para abrigar, principalmente, amortecedores, caixas de direção e componentes de cardan. Trata-se, portanto, de um sistema misto.
Hoje a Frasle Mobility distribui cerca de 200 mil itens de pelo menos 40 mil SKUs, variações específicas dos produtos, com acréscimo de 1 mil a 1,2 mil anualmente por causa da velocidade dos lançamentos: “No ritmo de crescimento que temos tido nos últimos anos nosso espaço estaria saturado até dezembro”.
Foi a fórmula encontrada para crescer com menos área, atendendo ao fracionamento, com quantidade menor de pessoas e reduzindo drasticamente o risco inerente a este tipo de trabalho: “Aqui você nunca verá uma empilhadeira passando. O risco de material em altura associado ao do equipamento em movimentação deixou de existir”.
Com 40% das linhas de separação já automatizadas os robôs transportam produtos menores e mais leves, a exemplo de componentes de suspensão e direção, além de itens de metal borracha.
“Opção a este sistema seria levar tudo para um centro de distribuição maior ou operar dois centros separados, o que geraria custo muito maior e tempo desnecessário”, assinalou o diretor, ao contar que, em vez de andar 20 quilômetros por dia para ir até a peça, ela agora vem direto ao operador. “Processos que demoravam de quatro a seis horas hoje são feitos em meia hora. Sem contar que seria necessário contratar até cem funcionários a mais em uma região de pleno emprego e com dificuldade de contratação de mão de obra.”
Prazo de entrega será reduzido a um terço
A automação dos processos reflete no prazo de entrega da peça: se antes o pedido chegava e o item era entregue em até cinco dias, sendo três, na média, agora já é possível entregar em dois dias. De acordo com Tonon em junho, quando 76% dos produtos elegíveis estarão automatizados – leia-se, treze das dezesseis linhas de famílias de produtos do centro de distribuição, que totalizam 6,5 mil itens – será possível baixar a um dia. Ou seja: será reduzido a um terço do que é praticado pelo sistema manual.
O foco é ganhar participação com os distribuidores: “Nossos clientes trabalham com mais de uma marca e grandes estoques porque o setor como um todo, desde as fábricas, passando pelos distribuidores, até o varejo, ainda carece de eficiência logística. A partir do momento em que conseguirmos dar mais segurança aos distribuidores, entregando mais rápido, ele pode tirar o que coloca de gordura em seu estoque”.
A solução deverá ser suficiente para atender a demanda até 2029: “Na hora em que estivermos trabalhando com 100% da solução ativa, com cem robôs e 50 mil bins, o custo logístico deverá cair pela metade”.
Sobre eventual aumento do consumo de energia elétrica Tonon disse que reduziu bastante por causa de empilhadeiras que deixaram de ser usadas: “Um robô deste consome o equivalente a uma lâmpada”.
A Frasle Mobility, adicionalmente, está trabalhando com projeto para gerar energia limpa a partir de painéis solares ainda este ano, sendo o objetivo inicial suprir eventual falta de eletricidade e uso desta fonte em horários de pico.
Parcela dos recursos de ambas as iniciativas integra ciclo de investimentos global de R$ 193 milhões de 2025 a 2029. Neste período é previsto que iniciativa dedicada às peças de pesados seja estabelecida.
Modelo deve ser replicado
A solução não é inédita na indústria da região, já adotada pelo e-commerce e pela Embraer, para separar componentes em sua linha de produção: “Somos, porém, a única empresa do setor de reposição da América Latina a usar este sistema”.
Tonon afirmou que a ideia é checar a possibilidade de expandi-lo a outros CDs da empresa, em Caxias do Sul, São Leopoldo, RS, e Joinville, SC: “Estamos criando uma solução e um conceito que depois poderá ir para outros países, como Argentina, Colômbia e Reino Unido”.