São Paulo – O bom desempenho da picape Ranger no mercado, com aumento de 25% nas vendas no Brasil no primeiro semestre, fez a Ford investir US$ 40 milhões na ampliação de sua produção na fábrica de Pacheco, Argentina, conforme antecipou a Agência AutoData. O ritmo será expandido para mais de 80 mil unidades, 10 mil acima da capacidade anterior – que já fora ampliada em novembro.
De acordo com a Ford o volume levará a Ranger a um recorde histórico de produção, 30% acima do ano passado e 45% superior ao do ano de seu lançamento.
Com este investimento chega a US$ 700 milhões o total investido pela Ford na fábrica argentina, que tem 50% do seu volume dedicado ao Brasil, além de Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Paraguai e Uruguai. Segundo a Ford novas configurações serão introduzidas nas linhas, como as versões cabine simples e chassi, apresentadas na Fenatran do ano passado.
“A resposta dos clientes superou nossas expectativas mais otimistas e nos impulsiona a dar um passo a mais para abastecer a demanda local e regional”, destacou Martín Galdeano, presidente da Ford América do Sul. “Com este novo investimento não só elevamos a capacidade produtiva da Ranger a um recorde histórico como também ampliamos a sua oferta com a versão cabine simples, muito esperada. É um orgulho ver como a Ranger continua alavancando o crescimento da Ford no segmento de picapes na América do Sul.”
São Paulo – Pautado para a reunião do Gecex, Comitê Executivo de Gestão da Camex, Câmara de Comércio Exterior, da quarta-feira, 30, o pleito da BYD para a redução das tarifas de importação de kits CKD e SKD, que pode se estender a outras fabricantes com planos de produzir localmente, tem movimentado os corredores de Brasília, DF. Representantes da Anfavea e da companhia chinesa estão fazendo uso de sua influência no colegiado, em uma queda de braço que emergiu à superfície com notas divulgadas à imprensa na segunda-feira, 28.
Conforme divulgado pela Agência AutoData em abril a BYD pediu ao governo a inclusão dos kits nos ex-tarifários por três anos, reduzindo os impostos de importação para 10% no caso dos kits SKD e 5% nos CKD de veículos híbridos ou elétricos. O argumento, segundo afirmou o vice-presidente sênior Alexandre Baldy no início do mês, é que seria mais compensatório trazer os veículos montados da China caso a mesma alíquota fosse aplicada, da forma que é atualmente, para os veículos prontos ou desmontados. No caso dos kits, de acordo com Baldy, há a geração de empregos para a sua montagem em Camaçari, BA.
A Anfavea, em nota enviada à imprensa, afirmou que “reduzir as tarifas de importação para veículos eletrificados nos regimes SKD e CKD, sem compromissos reais de nacionalização, ignora os impactos sociais e ameaça diretamente o emprego e a renda de milhares de trabalhadores da cadeia automotiva. Trata-se de um retrocesso que fragiliza a indústria nacional e compromete o desenvolvimento regional”.
Em paralelo a entidade, junto com Sindipeças, as federações da indústria de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo – Estados onde há produção de veículos – e centrais sindicais, enviou carta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, expondo seus argumentos.
Citam que o subsídio, no caso das montadoras chinesas, seria algo duplicado, pois na China os grandes grupos automotivos recebem benefícios do governo que, de acordo com a Anfavea, somaram R$ 1,5 trilhão nos últimos catorze anos. Isto prejudicaria a competição com as empresas aqui instaladas, há anos com produção de veículos e geração de empregos.
Uma outra carta, assinada por Ciro Possobom, CEO da Volkswagen, Santiago Chamorro, presidente da General Motors, Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis, e Evandro Maggio, presidente da Toyota, também foi enviada a Lula.
Tom mais alto nos corredores
Nos corredores do Planalto Central, segundo uma fonte próxima à negociação, o tom da conversa foi elevado. Representantes das associadas da Anfavea, que estão unidos e fecharam questão contrária ao pleito, falam em redução dos investimentos programados para os próximos anos, que somam mais de R$ 180 bilhões. Os negociadores da BYD, por sua vez, chegaram a ameaçar suspender seus planos para o Brasil.
“Não dá para dizer quem será atendido”, afirmou a fonte, que chegou a ouvir do ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, que o pedido não passará. Mas existe forte pressão de outros ministérios, como o da Casa Civil, que tem Rui Costa, ex-governador da Bahia e grande incentivador da instalação da BYD em Camaçari, como seu titular: “O Alckmin não é inflexível. Se houver um pedido do presidente Lula, por exemplo, ele poderia ceder”.
A fonte avaliou que o programa do Carro Sustentável, que zerou o IPI de veículos produzidos por montadoras diretamente interessadas no assunto, sobretudo as de grandes volumes como General Motors, Renault, Stellantis e Volkswagen, pode ter sido usado como uma espécie de moeda de troca para o atendimento do pleito da BYD, deixando todas as partes com benefícios.
O Gecex da Camex é um colegiado formado por representantes de diversos ministérios, como Casa Civil, Fazenda, Planejamento e Relações Exteriores, e presidido pelo titular do MDIC, Geraldo Alckmin.
São Paulo – Christian Wahnfried é o novo diretor da área de Fora de Estrada e Estacionários da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva. Wahnfried é formado em engenharia mecânica e sucede a Mauricio Lavoratti, que deixou a entidade para outros desafios profissionais.
Wahnfried é especialista em requisitos, combustíveis e emissões na Bosch, onde trabalha há 27 aos, e assume o novo cargo na AEA em um momento importante que é o da transição regulatória de MAR-I para MAR-II.
São Paulo – Em testes no Brasil o caminhão elétrico Mercedes-Benz eActros 400 rodou 422 quilômetros sem precisar parar para recarregar suas baterias. O caminhão saiu da fábrica da empresa em São Bernardo do Campo, SP, e chegou até o Posto Galápagos, em São João do Meriti, RJ, percorrendo a maior parte do caminho pela Rodovia Presidente Dutra.
Segundo a montadora foi a primeira vez que um caminhão elétrico percorreu o principal trecho da Dutra, que liga os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sem precisar recarregar. O PBT era de 19,2 mil kg e o peso da carga 6,2 mil kg.
O Mercedes-Benz eActros 400 e o eActros 300 serão testados por clientes brasileiros nos próximos meses para que comprovem sua capacidade para operar em rotas interurbanas de cargas médias e pesadas.
São Paulo — Na mais recente edição do programa Linha de Montagem AutoData Ricardo Roa, sócio responsável pela área automotiva da KPMG no Brasil, avaliou os possíveis impactos da implementação do IPI Verde sobre o mercado de veículos. A entrevista apontou que a nova política, já em vigor em sua primeira etapa, poderá estimular as vendas em curto prazo e gerar reflexos positivos na produção local.
“O reflexo imediato deve vir principalmente da fase inicial, já em vigor, dedicada aos veículos de entrada com menores níveis de emissões”, afirmou Roa. Para ele esta primeira etapa do novo IPI Verde pode acelerar vendas tanto no varejo quanto as diretas, com destaque para o canal das locadoras — que tradicionalmente concentram boa parte da demanda justamente por modelos compactos e de menor cilindrada.
Segundo Roa as montadoras que ainda mantêm em seus portfólios produtos neste perfil já estavam se preparando para este movimento, antecipando-se à sinalização do governo de que o novo modelo começaria justamente pelos modelos mais populares.
O sócio da KPMG avalia ainda que a segunda fase do IPI Verde — aquela com regras mais amplas, prevista para entrar em vigor em noventa dias — deverá ter impactos mais graduais, mas não menos importantes: “A nova fórmula de cálculo, que leva em conta critérios como eficiência energética, reciclabilidade, densidade industrial local e conteúdo nacional, tende a influenciar decisões estratégicas de produção e investimentos em médio e longo prazos”.
Na avaliação de Roa este novo ciclo regulatório pode acelerar o desenvolvimento e a oferta de veículos mais eficientes, com maior presença de tecnologias como motores de baixa cilindrada, sistemas de hibridização leve e até o flex híbrido, que passa a ganhar espaço como alternativa viável dentro dos parâmetros do Programa Mover.
“O IPI Verde representa uma mudança estrutural, que vem em um momento importante para o setor. Se bem compreendida e explorada pode ser instrumento relevante para impulsionar o mercado, estimular a produção local e atrair investimentos em inovação.”
A entrevista completa está disponível no canal do Linha de Montagem AutoData e aprofunda a análise sobre os desdobramentos do novo regime tributário para montadoras, fornecedores e consumidores.
São Paulo – A Chevrolet anunciou a chegada da linha 2026 da picape Montana ao mercado nacional. A principal novidade está no interior do veículo, que ganhou novo quadro de instrumentos digital com tela de 8 polegadas, que se conecta ao sistema multimídia de 11 polegadas, como em outros modelos como a Chevrolet Spin.
Por fora a picape traz novas rodas nas versões Premier e RS e a nova cor vermelho Scarlet. A linha 2026 será vendida nas versões MT, LT, LTZ, Premier e RS.
As mudanças realizadas visam a elevar a competitividade da Montana no mercado, uma vez que as vendas totais de picapes deverão superar a marca de 500 mil unidades no Brasil em 2025, de acordo com a GM.
Veja abaixo o preço de cada versão da Chevrolet Montana 2026:
Montana 1.2T MT – R$ 141,8 mil Montana 1.2T LT – R$ 147,8 mil Montana 1.2T LTZ – R$ 164,3 mil Montana 1.2T Premier – R$ 173 mil Montana 1.2T RS – R$ 177,3 mil
São Paulo – A Mercedes-Benz anunciou a chegada do novo EQB 250+ no mercado brasileiro, um SUV com motor elétrico de 190 cv de potência e bateria de 70,5 kWh, que permite que o veículo rode até 376 quilômetros, de acordo com as medições do Inmetro, autonomia maior do que a da linha anterior, segundo a companhia.
Os compradores do EQB 250+ receberão um wallbox e a sua instalação junto com o veículo, três anos de garantia de fábrica e três anos de manutenção preventiva já inclusos no valor da compra.
O atual portfólio de elétricos da Mercedes-Benz é composto por sete modelos: EQE 53 4MATIC+ SUV, o AMG EQS 53 4MATIC+ e o EQS 450 4MATIC SUV, EQA 250 SUV, EQA 250 sedã, EQE 350 SUV, EQE 350 sedã
O EQB 250+ traz central multimídia com tela sensível ao toque de 10,2 polegadas e comandos de voz, assistente de manutenção em faixa, que passou por melhorias para ter uma operação mais suave, quadro de instrumentos digital e ar-condicionado digital e automático.
O novo Mercedes-Benz EQB 250+ tem preço sugerido de R$ 399,9 mil e já está disponível em todas as concessionárias.
São Paulo – Como parte da celebração de seus 80 anos a encarroçadora Caio anunciou o lançamento do eMillenium BRT, ônibus articulado 100% elétrico desenvolvido para operação em corredores de transporte urbano. Inspirada em sistemas de transporte coletivo europeus a concepção técnica do eMillennium BRT permite futuras adaptações a diferentes plataformas motrizes, conforme a estratégia e as necessidades de cada cliente.
Dentre os principais diferenciais do novo modelo destacam-se os espelhos retrovisores eletrônicos, que substituem os convencionais por câmaras e monitores internos, proporcionando visibilidade total em qualquer condição climática e contribuindo para a segurança da operação.
A cabine do motorista foi redesenhada, “com cores escuras que reduzem reflexos, isolamento acústico aprimorado e ergonomia otimizada, promovendo mais conforto e sensação de segurança ampliada ao condutor”. As portas do tipo fole estão alinhadas à lateral externa da carroceria para minimizar interferências aerodinâmicas.
São Paulo – A maior presença dos chineses na América Latina, especialmente no Brasil, não somente com veículos eletrificados a preços competitivos como com cronogramas para iniciar a produção local, a exemplo de BYD e GWM, estabeleceu pressão extra sobre os fabricantes já instalados. E, embora o mercado não esteja tão aquecido dado o cenário macroeconômico e a escalada dos juros, é mandatória, para elevar a competitividade, a continuidade dos investimentos em tecnologia.
Na análise de Paulo Sussumu Fujita, gerente regional de vendas da Rockwell Automation, empresa global de automação industrial, as montadoras que estão instaladas no Brasil precisam melhorar a eficiência de produção “se não elas morrerão. As chinesas que estão chegando agora sempre têm um custo menor. Olhando por este lado elas têm de seguir investindo em tecnologia”.
O especialista ressaltou que as fabricantes nacionais estão muito avançadas na parte de robótica, com indústria 4.0 e toda a parte de funilaria e pintura conduzidas por robôs: “Ou seja: no que diz respeito ao formato do carro elas já têm automação. E já produzem um veículo por minuto”.
No que precisam focar agora é em ter uma fábrica mais inteligente, “lançar mão de IA e machine learning para prever alguma questão do processo, por exemplo, qualquer parada de produção, para que melhorem a eficiência de seu processo”.
A orientação integra relatório automotivo da Rockwell Automation realizado com base em respostas de 130 gerentes e executivos de empresas do setor em quinze países, inclusive o Brasil que, junto do México, foram os representantes da região.
Dentre os principais desafios citados no intramuros estão a adoção, integração e conexão de novas tecnologias ou tecnologias de manufatura inteligente – mencionado por 32% dos entrevistados. Na sequência vêm a atração de funcionários com as habilidades certas, a gestão de restrições orçamentárias internas e o uso eficaz de dados para melhorar os resultados dos negócios.
Mais de 62% das respostas citaram o impacto comercial de longo prazo como o principal impulsionador do investimento em tecnologia, seguido pela expansão ou aumento da capacidade, para 58%.
Para mitigar riscos os fabricantes estão priorizando o desenvolvimento da força de trabalho, com programas de requalificação de funcionários e a contratação de novos profissionais, gestão formal de mudanças, tecnologias de manufatura inteligente e adoção de IA. E, apesar de a redução de custos ser o principal objetivo, o aporte inicial segue alto, com 41% citando este como o principal obstáculo.
Paulo Fujita: tecnologia necessária é para buscar maior eficiência e reduzir custos de produção. Foto: Divulgação.
Capacidade está instalada, falta demanda
A capacidade instalada das montadoras instaladas no Brasil, a qual Fujita estima que seja de 4 milhões a 4,5 milhões de veículos por ano, está cerca de 50% além da produção atual, projetada para 2,7 milhões de unidades em 2025. Portanto, não precisa ser incrementada.
“Embora o Brasil esteja no Top 10 dos maiores fabricantes globais sofre com baixa demanda. Teve um pico em 2013 e 2014, com 3,7 milhões de carros, mas isto não foi sustentado. Na pandemia caiu para 1,8 milhão a 2 milhões de unidades e, ainda que chegue aos 2,7 milhões de unidades em 2025, não retomará o patamar de 2019. Houve um retrocesso.”
Para ele falta incentivo do governo, principalmente em tornar viável o acesso maior aos financiamentos e também com a questão da carga tributária, a fim de tornar o veículo made in Brazil mais competitivo no Exterior.
O gerente regional da Rockwell Automation citou como exemplo a fábrica da Stellantis em Betim, MG, a maior do grupo no mundo, com capacidade superior a 1 milhão de carros por ano: “Só que a produção não chega a 50% disto, no máximo, 400 mil unidades por ano. Eles já produzem o suficiente para a demanda atual. A tecnologia necessária, neste caso, é para buscar maior eficiência e tentar reduzir os custos de produção”.
De acordo com o levantamento, dentre os maiores receios externos estão a inflação global e o menor crescimento econômico, preocupação com força de trabalho qualificada, requisitos dos consumidores e de marcos regulatórios, como práticas sustentáveis/ESG, cibersegurança e veículos elétricos, disrupção na cadeia de suprimentos e competitividade.
Não à toa as montadoras estão desenvolvendo veículos de baixa emissão em suas unidades produtivas brasileiras. A questão é que, quando se fala em veículos a bateria, esta forma de propulsão ainda vem importada, principalmente da China.
“A produção chinesa é de 32 milhões de carros por ano. E de 2010 a 2022 o governo local gastou US$ 220 bilhões para apoiar sua indústria automobilística. Mas isto não temos no nosso País. A China produz 50% dos carros elétricos do mundo, tecnologia que vem desenvolvendo desde 2002. Eles surfaram esta onda, até por questão de sustentabilidade e, com isso, estão mais acelerados no quesito fábrica autônoma.”
A favor das fábricas instaladas por aqui tem-se o fato de que, durante a pandemia, a cadeia de autopeças ganhou notoriedade devido à insegurança de importação, quando investiram e começaram a ganhar espaço no mercado brasileiro. Frente à continuidade da insegurança global, o conceito do nearshoring está mais presente do que nunca.
São Paulo – As vendas de veículos eletrificados na Argentina chegaram a 12,3 mil unidades no primeiro semestre, sendo este o maior volume já registrado pela Acara, entidade que representa o mercado local. Na comparação com igual período do ano passado houve crescimento de 56%.
Os híbridos convencionais, HEV, representaram a maior parte das vendas, conquistando participação de 79%. Em segundo lugar ficaram os híbridos leves, MHEV, com 15% do mercado, seguidos pelos elétricos, EV, com 4%, e os híbridos plug-in, PHEV, que presentaram 2% da demanda.
O Toyota Corolla Cross HEV foi o modelo eletrificado mais vendido do primeiro semestre, somando 5,9 mil emplacamentos. Em segundo lugar ficou o Toyota Corolla HEV com 2,5 mil e a terceira posição é do Mercedes-Benz GLC 300 MHEV, com 274 unidades.