Ricardo Roa, sócio responsável pela área automotiva da KPMG no Brasil, é o entrevistado do Linha de Montagem AutoData
São Paulo — Na mais recente edição do programa Linha de Montagem AutoData Ricardo Roa, sócio responsável pela área automotiva da KPMG no Brasil, avaliou os possíveis impactos da implementação do IPI Verde sobre o mercado de veículos. A entrevista apontou que a nova política, já em vigor em sua primeira etapa, poderá estimular as vendas em curto prazo e gerar reflexos positivos na produção local.
“O reflexo imediato deve vir principalmente da fase inicial, já em vigor, dedicada aos veículos de entrada com menores níveis de emissões”, afirmou Roa. Para ele esta primeira etapa do novo IPI Verde pode acelerar vendas tanto no varejo quanto as diretas, com destaque para o canal das locadoras — que tradicionalmente concentram boa parte da demanda justamente por modelos compactos e de menor cilindrada.
Segundo Roa as montadoras que ainda mantêm em seus portfólios produtos neste perfil já estavam se preparando para este movimento, antecipando-se à sinalização do governo de que o novo modelo começaria justamente pelos modelos mais populares.
O sócio da KPMG avalia ainda que a segunda fase do IPI Verde — aquela com regras mais amplas, prevista para entrar em vigor em noventa dias — deverá ter impactos mais graduais, mas não menos importantes: “A nova fórmula de cálculo, que leva em conta critérios como eficiência energética, reciclabilidade, densidade industrial local e conteúdo nacional, tende a influenciar decisões estratégicas de produção e investimentos em médio e longo prazos”.
Na avaliação de Roa este novo ciclo regulatório pode acelerar o desenvolvimento e a oferta de veículos mais eficientes, com maior presença de tecnologias como motores de baixa cilindrada, sistemas de hibridização leve e até o flex híbrido, que passa a ganhar espaço como alternativa viável dentro dos parâmetros do Programa Mover.
“O IPI Verde representa uma mudança estrutural, que vem em um momento importante para o setor. Se bem compreendida e explorada pode ser instrumento relevante para impulsionar o mercado, estimular a produção local e atrair investimentos em inovação.”
A entrevista completa está disponível no canal do Linha de Montagem AutoData e aprofunda a análise sobre os desdobramentos do novo regime tributário para montadoras, fornecedores e consumidores.