Primeiro Dolphin Mini e Song Pro montados no galpão, ainda em fase de teste, foram mostrados em cerimônia dentro da linha. Obras ainda seguem e inauguração deverá ocorrer nas próximas semanas.
Camaçari, BA – A BYD abriu as portas de sua fábrica de Camaçari para autoridades, imprensa e convidados na terça-feira, 1º de julho, mas não considerou o evento uma inauguração oficial da sua operação fabril brasileira: segundo os executivos da companhia outra cerimônia será realizada, mais à frente, quando todas as licenças estiverem em mãos.
Restam ainda a liberação de licenças do Corpo de Bombeiros e ambientais, com expectativa de que sejam concedidas nas próximas semanas. O que não impede que algumas das máquinas lá instaladas já estejam operando em fase de testes.
Tanto que os primeiros veículos montados, ainda em regime SKD, já saíram da linha. A vice-presidente global, Stella Li, apresentou na cerimônia o primeiro Dolphin Mini, elétrico, e o primeiro Song Pro, híbrido, montados na fábrica baiana.
Os primeiros carros montados em Camaçari. Fotos: Divulgação.
“Nossa vontade é que possamos parar de importar e começar apenas a montar aqui estes modelos”, disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil. Ele pondera, entretanto, que para isto o imposto de importação de kits SKDs deve ser reduzido.
No dia em que mostrou o galpão novo, de 156 mil m2, totalmente construído pela BYD em quinze meses – nesta etapa nada será aproveitado da Ford, que ocupou o terreno até 2023 – uma nova fase da recomposição do imposto de importação dos eletrificados entrou em vigor. As alíquotas subiram para 25%, no caso dos elétricos, para 28% no dos híbridos plug-in e para 30% no dos híbridos.
“Não faz sentido pagar o mesmo imposto por um veículo montado e por um kit SKD que, para ser montado aqui, demandou investimentos e geração de empregos. Outras montadoras tiveram esta demanda atendida no passado e aguardamos a decisão do governo.”
Cronograma
O pleito seria provisório, segundo Baldy, porque o plano é em doze meses evoluir para a produção completa na unidade: “Não produziremos em sistema CKD. Temos contratos assinados com os governos federal e do Estado da Bahia, com cronograma e porcentuais definidos de ampliação de conteúdo local. Nossa intenção é alcançar estes índices antes do prazo estabelecido”.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, confirmou a existência destes contratos e disse que chegou a oferecer ampliação dos prazos, algo que a BYD negou: “O Baldy disse, em reunião recente, que o cronograma será cumprido”.
Na primeira etapa da produção da BYD no Brasil os carros chegam parcialmente desmontados, em kits SKD, e são montados em diferentes linhas, algumas para integração dos componentes internos, como bancos, carpetes, sistemas multimídia, e outras para a conclusão dos veículos. Ainda foi implementada a área de inspeção de qualidade.
Em outros locais do terreno de Camaçari estão sendo construídos os galpões para as áreas de estamparia, armação de carroceria e montagem de motores. Dentro do complexo existem muitos canteiros de obras e o próprio galpão da montagem final ainda está inacabado.
Segundo Baldy os prédios da antiga Ford poderão abrigar montagem de componentes, sejam de fornecedores ou da própria BYD. Ele lembrou que, na China, existe forte verticalização e que o mesmo será feito na Bahia.
3 mil contratações
“O terceiro modelo brasileiro será o King”, anunciou Stella Li. “Esta é só uma pequena parte do investimento de R$ 5,5 bilhões que fazemos no Brasil. Vamos gerar muitos empregos.”
A BYD diz já ter contratado mais de 1 mil trabalhadores para trabalhar na fábrica, dos quais quatrocentos só nas últimas semanas. Ela anunciou 3 mil novas vagas, para metalúrgicos, engenheiros e funções administrativas.
“A velha indústria está incomodada”, disse Baldy, referindo-se às fabricantes associadas à Anfavea. “Não viemos aqui só para fazer montagem de veículos: teremos produção nacional, desenvolvimento de tecnologia e de cadeia produtiva, com fornecedores.”