Crescimento do mercado está abaixo do projetado, alerta Anfavea

São Paulo – As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus cresceram 2,8% de janeiro a agosto, somando 1 milhão 668 mil emplacamentos. O porcentual está distante do projetado pela Anfavea, segundo seu presidente executivo, Igor Calvet, que apresentou o balanço durante entrevista coletiva à imprensa realizada na terça-feira, 9:

“Considero este crescimento tímido porque está distante da nossa projeção de alta de 5% no ano. Estamos com o sinal de alerta ligado. Tradicionalmente o segundo semestre costuma ser mais aquecido, mas até o fim do ano os desafios são grandes e temos que duplicar ou triplicar a nossa atenção”.

Em agosto foram emplacados 225,4 mil veículos, recuo de 5,1% com relação a agosto do ano passado e queda de 7,3% na comparação com julho, mesmo com os efeitos positivos do Programa Carro Sustentável, que está prestes a completar dois meses e elevou as vendas dos seis modelos que participam do programa em 26% na comparação com igual período do ano passado.

A média diária de vendas em agosto foi 10,7 mil unidades, volume 0,5% menor do que o registrado diariamente em agosto do ano passado, mas 1,5% maior do que a média de julho, mês que teve mais dias úteis. 

Faturamento direto cresce

Calvet mostrou um recorte das vendas de automóveis que aponta desaquecimento do varejo. Segundo a entidade foram 576 mil unidades faturadas de forma direta, expansão de 12,6% na comparação com iguais meses do ano passado, com alta dos emplacamentos de veículos nacionais e importados.

Já no varejo foram comercializadas 657 mil unidades, retração de 4,3% na comparação com idênticos meses de 2024, mas com um ponto importante: a queda só não foi maior por causa dos modelos importados, que somaram 153 mil vendas e avançaram 17,3%. Os nacionais somaram 504 mil, queda de 9,3%.

Para Calvet o grande entrave no varejo continua sendo a taxa de juros elevada, com a Selic em 15%, e que para os financiamentos de veículos este porcentual é bem maior: “No médio prazo precisamos avaliar se haverá uma tendência de recuo dos juros. Junto com isso temos o aumento da inadimplência, que chegou a 5,2% para pessoas físicas e a 3,4% para pessoas jurídicas, com tendência de alta em ambos os casos”.

Estoques de importados em alta

Os estoques em agosto chegaram a 259,5 mil unidades, suficientes para abastecer o mercado durante 39 dias, contra 38 dias em julho. Este número, porém, não considera os veículos importados em estoque, que são cerca de 85 mil unidades, de acordo com Calvet. A Anfavea trabalha para buscar uma forma de divulgar este estoque consolidado nos próximos meses. 

Agosto supera julho como melhor mês de produção de veículos

São Paulo – Agosto foi o melhor mês de produção de veículos no Brasil em 2025, chegando a 247 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus. Superou julho, quando foram fabricadas 237,8 mil unidades, de acordo com os dados divulgados pela Anfavea na coletiva realizada na terça-feira, 9.

Na comparação com igual mês do ano passado houve queda de 4,8% mas com relação a julho o incremento foi de 3%, mesmo com menos dias úteis.

Mesmo assim o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, levantou um ponto de atenção: “Foi o segundo mês de queda na produção de comerciais leves. Estamos vendo uma mudança no consumo do varejo por causa das altas taxas de juros que estão pressionando os pequenos consumidores que compram comerciais leves para trabalhar”.

No ano foram produzidos 1 milhão 743 mil veículos, volume 6% maior do que o produzido em iguais meses do ano passado, quase 100 mil unidades a mais. Porém o que sustentou o avanço foi o mercado externo, com o aumento das exportações, de acordo com o presidente.

A produção de automóveis chegou a 1 milhão 311 mil unidades, incremento de 6,7% na comparação com iguais meses do ano passado. Já os comerciais leves cresceram 5% de janeiro a agosto, com 322,4 mil unidades produzidas, mesmo com a queda registrada em julho e agosto.

Os empregos gerados pela indústria chegaram a 110,1 mil vagas, incremento de 874 na comparação com julho.

Produção de caminhões inverte a curva e passa a apresentar queda

São Paulo – 88,5 mil caminhões saíram das linhas de produção de janeiro a agosto, leve recuo de 1% em comparação a igual período em 2024, em que foram fabricadas 89,4 mil unidades. Foi a primeira queda do segmento no acumulado do ano, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na terça-feira, 9. De acordo com o presidente executivo da entidade, Igor Calvet, já havia uma tendência de crescimento cada vez menor ao longo do ano e “agora cruzamos um ponto que não queríamos e a produção está menor do que a de 2024”.

Calvet chamou atenção ao fato de que geralmente a indústria de caminhões acompanha o desempenho do PIB, que no segundo trimestre avançou 0,4%: “Não há razão mais forte que explique isto do que os juros altos. A instabilidade nos machuca, mas os juros altos podem nos matar. E a Selic, ao que tudo indica, continuará no patamar de 15% ao ano”.

O reflexo já está sendo visto no emprego em fabricantes de veículos pesados, uma vez que houve o fechamento de 148 postos de trabalho em agosto, a despeito da abertura de 874 vagas no segmento de leves.

“A taxa de juros vem em uma tendência de deprimir ainda mais o setor de pesados, e nos preocupamos com o efeito em cadeia, no impacto que haverá nos fornecedores.”

O presidente da Anfavea reforçou que a produção só não caiu de forma mais acentuada, até o momento, por causa do crescimento de 89,6% das exportações no acumulado do ano, totalizando 19 mil unidades. Somente para a Argentina, que representa o destino de 45% dos embarques de caminhões, o volume triplicou de 4 mil veículos de janeiro a agosto do ano passado para 11 mil nos primeiros oito meses de 2025.

Vendas de pesados recuam 19%

Nos oito meses de 2025 foram vendidos 74,3 mil caminhões, 6,7% abaixo do mesmo período do ano passado, 79,6 mil. Calvet acrescentou que o movimento foi puxado pelos pesados, que representam quase a metade do mercado, 45% do total, e cujas vendas encolheram 19%.

Em agosto foram emplacados 8,9 mil caminhões, 22,6% abaixo dos 11,5 mil do mesmo mês em 2024 e 15,9% aquém dos 10,6 mil registrados em julho. E, até o momento, segundo o dirigente, ainda não há nada previsto relacionado ao programa de renovação de frota, o que impulsionaria em definitivo este ramo.

Ele contou que a Anfavea tem trabalhado com o governo propostas para melhorar as condições do Finame, que não tem a incidência de IOF, “mas que está ficando caro”, e também com relação à dupla penalidade deste imposto no mercado, no floor plan, que é o financiamento de estoque de veículos usado por concessionárias para adquirir veículos das montadoras e no CDC.

“Da maneira como está sendo cobrado o IOF está 10% maior neste segmento. Por isto protocolaremos junto ao governo uma carta expondo que estas condições prejudicam as operações de caminhões em busca de mudanças.”

De janeiro a agosto Volkswagen amplia em 50% suas exportações

São Paulo – De janeiro a agosto a Volkswagen exportou 83,7 mil veículos, acréscimo de 50% em relação ao acumulado de 2024, quando 55,8 mil unidades foram embarcadas. O resultado foi impulsionado pela demanda do mês passado, em que 16 mil veículos foram enviados a outros países, o melhor desempenho mensal desde abril de 2018, que contou com 18,7 mil embarques.

De acordo com a Volkswagen suas exportações cresceram em todos os seus principais destinos, com destaque para a Argentina, ao qual os embarques praticamente dobraram: foram 41,3 mil unidades de janeiro a agosto frente a 20,8 mil do mesmo período do ano passado.    

O México comprou 6% mais no acumulado do ano, com 20,4 mil unidades. A Colômbia registrou incremento de 76%, para 8,1 mil unidades. E, o Chile, crescimento de 82%, com 5,2 mil unidades.

Quanto aos modelos mais exportados, o Polo lidera o ranking do ano, com 27,4 mil unidades, alta de 36% em relação ao mesmo período de 2024. Destaque também para o T‑Cross, com 13,9 mil unidades, avanço de 80%, e o Nivus, com 12,7 mil unidades, aumento de 26%.

A Volkswagen já iniciou as exportações do Tera para Argentina, Aruba, Chile, Colômbia, Costa Rica, Curaçao, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Paraguai e Uruguai, para onde já seguiram 11,1 mil unidades. 

John Elkann, chairman da Stellantis, deverá cumprir um ano de serviço comunitário

São Paulo – O chairman da Stellantis, John Elkann, deverá cumprir um ano de serviço comunitário e pagar 183 milhões de euros para resolver um caso de fraude fiscal envolvendo a herança de sua avó. As informações são da justiça italiana, segundo a agência de notícias Reuters, que também divulgou que o valor a ser pago será dividido com seus dois irmãos.

Os promotores italianos afirmaram que com esse acordo Elkann encerrará uma investigação criminal por uma suposta fraude fiscal ligada à herança de sua avó, uma vez que o processo será arquivado. Agora falta que um juiz valide o acordo para que ele seja finalizado.

Após a validação do acordo Elkann deverá sugerir às autoridades um local para cumprir o ano de serviço comunitário, que pode ser realizado em casa de repouso para idosos, em centro de tratamento para dependentes químicos ou em algum local com função social parecida. 

Na Itália um acordo de confissão de culpa não significa que o investigado assumiu ser culpado, segundo a Reuters.

Grupo Volkswagen diz que tarifaço custou bilhões de euros

São Paulo – O CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que o tarifaço dos Estados Unidos custou bilhões de euros. A montadora não gostou de acordo, que classificou como assimétrico, de Bruxelas com Washington que prevê tarifas de 15% sobre importações de automóveis da União Europeia e nenhuma tarifa para o embarque de bens industriais dos Estados Unidos à Europa.

Blume também disse à Reuters, durante o IAA de Munique, Alemanha, que a Porsche, sua principal marca e da qual também é CEO, estava sendo espremida por um sanduíche de sobretaxas estadunidenses e um mercado chinês fraco, seus dois principais clientes.

“Estamos contando com nosso plano de investimentos nos Estados Unidos, o que impulsionará o emprego local e a cadeia de suprimentos da Volkswagen”, assinalou Blume, ao acrescentar que as negociações com o governo estadunidense foram “muito positivas”, mas que espera solução rápida porque tem decisões a tomar.

Assim como seus rivais a Volkswagen ainda está esperando que as atuais tarifas de importação de automóveis dos Estados Unidos caiam de 27,5% para 15%, algo que o governo local prometeu. As tarifas atingiram severamente as marcas Porsche e Audi, que não têm produção no país.

A empresa está em negociações com o governo estadunidense sobre incentivos fiscais para investimentos futuros, o que inclui possível fábrica local para a Audi, cuja decisão é prevista para o fim do ano.

Honda lança dispositivo de mobilidade que dispensa uso das mãos

São Paulo – A Honda começará o Uni-One, um dispositivo de mobilidade pessoal que dispensa o uso das mãos. O objetivo do equipamento é transportar clientes em áreas designadas dentro de determinadas instalações, como parques, ou para dar suporte a indivíduos diversos, incluindo crianças e idosos, a fim de aprimorar o desempenho e aumentar a produtividade em escritórios e outros locais de trabalho.

“O Uni-One reduzirá a carga física que as pessoas sentem nas pernas e na região lombar ao caminhar, o que incentivará mais gente que antes evitava sair a passeio”, disse a Honda, ao informar que o dispositivo pode ser controlado transferindo o peso do corpo enquanto está sentado e mantendo as duas mãos livres para se mover como se estivesse caminhando. Sua velocidade máxima é de 6 km/h.

Apresentado pela primeira vez na Exposição Internacional de Robôs de 2022, e testado por visitantes de diversas exposições e eventos, o Uni-One também vem sendo aplicado em testes pagos de pré-lançamento desde 2023. Agora, o plano é não apenas comercializá-lo como oferecer aluguel por tempo determinado, seja de um dia, três ou seis anos.

Mercado chileno cai em agosto após cinco meses de alta

São Paulo – Depois de cinco meses seguidos de crescimento em agosto o mercado de automóveis e comerciais leves no Chile registrou queda de 3,1% na comparação com idêntico período do ano passado, somando 27,5 mil unidades comercializadas. Com relação a julho houve aumento de 2,2%, de acordo com dados divulgados pela Anac, Associação Nacional Automotriz do Chile.

A queda em agosto, segundo a associação, foi causada por fatores como o baixo crescimento da economia local, o acesso mais restrito aos financiamentos e a adiamento da compra por parte dos consumidores, que deixaram para adquirir um novo modelo a partir de setembro, quando começam a chegar as linhas 2026.

No acumulado do ano foram vendidos 200 mil veículos, incremento de 2,1% na comparação com iguais meses do ano passado. De janeiro a agosto a Toyota liderou as vendas com 15,9 mil unidades entregues, seguida pela Suzuki com 14,9 mil e pela Hyundai com 13,6 mil.

As vendas de caminhões, em agosto, somaram 817 unidades, volume 3,8% menor do que o de igual mês do ano passado e 18,3% menor do que o entregue em julho. No acumulado do ano o segmento registrou alta de 5,7% com 7,9 mil unidades.

O mercado de ônibus somou 405 vendas em agosto, expansão de 331% sobre agosto de 2024 e incremento de 32,3% com relação a julho. No acumulado do ano o segmento cresceu 81%, com 2,1 mil ônibus comercializados.

Tecfil anuncia Fernando Mutarelli como diretor de supply chain

São Paulo – A Tecfil anunciou Fernando Mutarelli como seu novo diretor de supply chain. De acordo com a fabricante de filtros automotivos a mudança marca mais um passo em busca de crescimento sustentável, eficiência operacional e valorização de talentos que agregam expertise e visão estratégica ao negócio.

Ao longo de sua trajetória profissional Mutarelli acumula passagens por empresas como Aramis, Walmart, Avon, Centauro, Dia, Editora Globo, Editora Abril e Bunge, trabalhando em áreas como operações, logística de abastecimento e distribuição física.

Graduado em administração de empresas com especialização em logística de transportes pela FGV o executivo tem também mestrado em engenharia de transportes pela USP, formação executiva internacional em logística e supply chain pelo MIT e pós-MBA pela Kellogg School of Management da Northwestern University.

Chevrolet Spark será produzido na antiga Troller no Ceará

Brasília, DF — A General Motors anunciou que iniciará a produção do 100% elétrico Chevrolet Spark no Ceará. Ele será montado no Pace, Polo Automotivo do Ceará, na fábrica da antiga Troller em Horizonte, em parceria com a Comexport, que adquiriu a unidade do governo do Estado.

O início da operação está previsto ainda para este ano. Será no sistema SKD, com importação dos kits semidesmontados da China, contando com benefícios do regime automotivo do Nordeste, com o compromisso de elevar o índice de nacionalização.

“Será o primeiro passo para industrializarmos o veículo elétrico no Brasil”, afirmou Santiago Chamorro, presidente da GM América do Sul. “Contratamos a Comexport, que está criando o primeiro polo de produção de veículos de novas tecnologias do Brasil.”

De acordo com Chamorro o projeto integra o ciclo de R$ 7 bilhões de investimento da GM no Brasil.

Segundo o portal Auto Ranking existe a previsão de que dois outros modelos Chevrolet venham a ser montados em Horizonte em 2026. Um deles é a Captiva EV, que será vendida no Brasil até o fim do ano, também importada da China.

O Spark foi desenvolvido pela GM em parceria com SAIC e Wuling. Ele já está disponível ao consumidor brasileiro, ainda importado da China, em 138 concessionárias Chevrolet habilitadas a vender 100% elétricos por R$ 159 mil 990.