Turbi planeja dobrar frota e receita com locações

São Paulo – Fundada em 2017 a Turbi é pioneira no serviço de locação de veículos de curta duração, por horas ou diárias. Anos depois expandiu seus negócios para a assinatura de veículos, que já representa 40% de suas receitas com o aluguel. Naturalmente, com o passar do tempo, a revenda de veículos seminovos incorporou o negócio, como forma de desmobilizar a frota que vai envelhecendo.

Apesar de ter um modelo de negócio de uma locadora tradicional a Turbi não se considera uma, segundo seu CEO e cofundador, Daniel Prado, que respondeu às questões apresentadas durante o Agência AD Entrevista. A explicação está na forma de lidar com o cliente: a jornada, 100% digital, dispensa as papeladas e às vezes longo tempo de espera no balcão da locadora. Tudo é resolvido pelo aplicativo, da seleção do veículo à abertura da porta. Os carros são guardados em estacionamentos conveniados, que funcionam 24 horas e permitem a agilidade do serviço.

No primeiro semestre a receita da Turbi alcançou R$ 141,3 milhões. A expectativa de Prado é encerrar o ano com 10 mil veículos, 4 mil a mais do que a frota atual. com a operação ainda focada na Grande São Paulo. Para 2026 o plano é dobrar a frota e o faturamento e, talvez, expandir o negócio para outras regiões.

Acompanhe a entrevista de Daniel Prado, CEO e cofundador da Turbi, ao Agência AD Entrevista.

A Turbi começou oferecendo serviços de locações de curta duração, e por muita gente ela ainda é assim conhecida. Mas vocês têm outros produtos no leque: quais são e como funcionam?

A Turbi entrou no mercado há oito anos oferecendo locação de curta duração e, como diferencial, uma jornada 100% digital, sem papelada e com retirada do carro via aplicativo, algo que até hoje não tem equivalente no mercado. Desde 2022 expandimos o portfólio com opção de diárias e assinaturas de carro, com planos de um mês a contratos mais longos. Em 2024 inauguramos a rede de seminovos Turbi, um desdobramento natural da operação com o objetivo de desmobilizar veículos da frota após cerca de quinze meses, ou 25 mil quilômetros, de uso.

Qual é, hoje, o principal negócio da Turbi com relação ao faturamento?

No acumulado do primeiro semestre a Turbi alcançou receita líquida consolidada de R$ 141,3 milhões, um avanço de 17,8% sobre o mesmo período de 2024. Deste total R$ 97,3 milhões vieram da operação de aluguel de veículos, que segue como principal motor de crescimento e responde por cerca de 70% do faturamento no período. Atualmente cerca de 40% da receita vem de assinaturas, 50% de diárias e 10% de locação por hora. A vertical de seminovos somou R$ 44 milhões em receita líquida no semestre, representando aproximadamente 30% do faturamento. 

Qual é o tamanho da frota de veículos da Turbi e quais as perspectivas para crescer até o fim do ano?

Hoje a Turbi opera com uma frota de aproximadamente 6 mil carros concentrados na Grande São Paulo. A expectativa é chegar a 10 mil até o fim de 2025, acompanhando a expansão geográfica para novas cidades da Região Metropolitana e o aumento da penetração em bairros periféricos com alto potencial de demanda. 

E para o ano que vem: já existe planejamento de compras de veículos?

Sim. A Turbi mantém um histórico de dobrar sua frota e faturamento ano a ano. Para 2026 esperamos atingir a marca de 20 mil carros em operação, acompanhando o crescimento da base de usuários e a ampliação da operação em outras cidades.

Quais modelos de veículos a Turbi prioriza? Como é feita a decisão de comprar este ou aquele determinado modelo ou marca?

O principal critério da Turbi é atender ao uso urbano predominante de nossa base de clientes. Por isso priorizamos hatches e SUVs, que oferecem eficiência no dia a dia e maior aderência às necessidades de mobilidade em grandes centros. Recentemente, incluímos também a categoria de picapes, a exemplo da Fiat Toro, para ampliar o portfólio e atender demandas específicas, como usuários em mudança ou que precisam de maior capacidade de carga. Além disso, diferente das locadoras tradicionais que costumam adquirir veículos em versões básicas e mais peladas, a Turbi sempre compra carros equipados com kit multimídia e acessórios gerais. No processo de ativação, antes de oferecermos para aluguel, instalamos insulfilm em todos os veículos, uma medida que melhora o conforto e a experiência do cliente, ao mesmo tempo em que preserva o valor de revenda dos ativos. A decisão de compra é baseada em análises de demanda por parte dos clientes no aluguel e valor de revenda, com elevada liquidez. Usamos intensivamente dados de utilização e preferências de clientes, além de condições comerciais junto às montadoras, para assegurar a melhor combinação da eficiência econômica com a conveniência para o usuário.

De onde vem o investimento para ampliação de frota?

A expansão da frota da Turbi vem sendo viabilizada por meio de uma combinação de captações de crédito com investidores parceiros e de rodadas de aporte em equity com fundos de investimento. 

Existe um plano de expansão mais robusto, para outros locais do Brasil? Qual seria?

Ainda há muito espaço para crescer na Região Metropolitana de São Paulo por se tratar de um mercado com alta densidade populacional e comportamento urbano consolidado. No entanto a companhia estuda a expansão para outras capitais brasileiras, com foco inicial nas regiões Sul e Sudeste. 

A Turbi se considera uma locadora tradicional de veículos? Por quê?

Não. As locadoras tradicionais oferecem há quase trinta anos o mesmo modelo de balcão, com papelada, burocracia e atendimento analógico. Nós posicionamos a Turbi como uma empresa de tecnologia focada em soluções para mobilidade urbana e digital e oferecemos uma jornada 100% digital, desde o cadastro do motorista até a devolução do carro, retirada do veículo com abertura da porta feita via Bluetooth, direto pelo app. Também permitimos que o usuário escolha o exato veículo que deseja retirar, e não uma determinada categoria que depende da disponibilidade na loja, com informações de modelo, cor, final de placa, número de quilômetros rodados, etc. Sem exigir que o usuário vá até um balcão para preencher formulários temos dez vezes mais pontos de retirada do que os concorrentes, sendo que todos em estacionamentos parceiros que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso garante liberdade total para retirar e devolver o carro com muito mais comodidade e conveniência, algo que o modelo tradicional não oferece. Para garantir a integridade da nossa frota temos monitoramento em tempo real durante as viagens e usamos inteligência artificial para checagem de danos e sujeira na retirada e devolução dos carros.

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Novo gás na frota da SADA

Prestes a completar 50 anos, o Grupo SADA está conduzindo uma transformação significativa em sua frota logística, promovendo a descarbonização por meio da remanufatura completa de caminhões a diesel para GNV ou biometano. Essa iniciativa se alinha aos pilares estratégicos ESG do Grupo, ao Programa Rota 2030 e à economia circular, promovendo ganhos ambientais, operacionais e econômicos. “Acreditamos que a adoção de tecnologias sustentáveis é essencial para garantir a competitividade em um mercado que valoriza a responsabilidade socioambiental”, explica Ricardo Ramos, Diretor de Operações e Negócios. A iniciativa promove a redução de poluentes como NOx e material particulado.

Com investimento total de R$ 9,3 milhões, a transportadora contratou a MWM, do Grupo Tupy, para remanufaturar os sistemas motrizes, elétricos, eletroeletrônicos e de alimentação dos caminhões em operação, além da instalação do kit MWM GNV, adequações estruturais e homologação documental. O processo entrega veículos praticamente novos, com menor impacto ambiental no ciclo de vida. Com testes rigorosos, assegura-se segurança e desempenho, alcançando autonomia de até 340 km com 8 cilindros, com melhorias em estudo. A ação ainda conta com parceria da Cosan na criação de infraestrutura para abastecimento de GNV e biometano nas rotas escolhidas.

Ao contrário do retrofit, que preserva o trem de força original, essa solução técnica renova os principais sistemas do veículo, oferecendo performance comparável a de modelos novos, com significativa redução do impacto ambiental ao longo do ciclo de vida. “É diferente de conversão, que transforma o motor a diesel para rodar a gás. Este motor é totalmente novo. É feita uma remanufatura mesmo, que permite um segundo ciclo de vida ao veículo ao instalar um novo motor a gás. Este é o nosso diferencial”, enfatiza Ramos.

A iniciativa concilia inovação e eficiência operacional e consolida a companhia como referência ao integrar práticas efetivas de economia circular com resultados concretos em sustentabilidade. No 1º semestre de 2025, 19 caminhões já foram remanufaturados, totalizando 229.530 km rodados, com redução de emissões de CO₂ de 17,3%. A meta até o fim do ano é de 35 unidades. Essa iniciativa representa um avanço concreto na jornada do Grupo SADA como referência para o setor de transporte no Brasil.

Marcopolo avança na descarbonização

Em 2024, a Marcopolo consolidou sua posição como uma das mais relevantes indústrias do Brasil ao celebrar 76 anos de trajetória com avanços marcantes em inovação, sustentabilidade e expansão global. Líder nacional na fabricação de carrocerias de ônibus e uma das maiores do mundo, a empresa vem transformando o setor ao investir em tecnologias limpas, conectadas e eficientes.

O desenvolvimento do Attivi Integral, seu primeiro ônibus elétrico completo, e a estreia mundial do Volare Híbrido (elétrico/etanol), reforçam o pioneirismo da companhia na transição energética. Além disso, a criação da Marcopolo Rail, com soluções metroferroviárias, ampliou sua atuação para além das estradas. “Além do modelo Attivi Integral, 100% elétrico produzido pela Marcopolo, apresentamos um modelo híbrido que utiliza etanol como fonte para a geração de energia para as baterias”, destaca André Vidal Armaganijan, CEO da Marcopolo.

Com mais de 4 mil unidades da Geração 8 vendidas desde 2021, fábricas em cinco continentes e presença em mais de 140 países, a Marcopolo encerrou os últimos anos com recordes de receita e lucro. A companhia segue comprometida com o futuro da mobilidade e da indústria nacional, fortalecendo parcerias e investindo em novas soluções que conectam pessoas e impulsionam o transporte coletivo rumo à descarbonização.

Atualmente, cerca de mil ônibus elétricos da Marcopolo, seja soluções próprias ou elaboradas em parcerias com terceiros, estão em circulação. Na América Latina, além do Brasil, os produtos da marca estão presentes em países como Colômbia e México. “Além dos elétricos, ônibus movidos a hidrogênio, como o Audace Fuel Cell apresentado na Busworld 2023, são algumas das novas fontes de energia estudadas e testadas nos últimos tempos. Programas e incentivos públicos são fundamentais para que cada vez mais estas tecnologias se desenvolvam”, analisa Armaganijan.

Novo centro logístico da Pirelli: integração e atenção ao meio ambiente

A Pirelli investiu R$ 150 milhões na construção do Centro Logístico de Armazenamento de Pneus e Matérias-Primas, no polo produtivo de Campinas, em São Paulo. O espaço possui 56 mil m² e foi erguido dentro da própria fábrica, com capacidade para armazenar até 1 milhão de pneus. Concluído em pouco mais de um ano, o Centro Logístico permitirá à empresa otimizar suas operaçõese evitará cerca de 5 mil viagens anuais. Vai gerar ganhos em agilidade, competitividade e redução de emissões de CO₂, alinhados à meta global da Pirelli de neutralidade de carbono até 2040.

O novo Centro Logístico vai operar com caminhões internos realizando transferências de pneus a cada 30 minutos, atendendo o mercado interno e dará suporte às exportações para a América Latina. “Com o novo armazém, fortalecemos a integração entre produção e distribuição, além da centralização cada vez maior no atendimento ao cliente, permitindo uma gestão mais ágil, eficiente e sustentável. A otimização do fluxo de pneus aumentará nossa competitividade no mercado, potencializando nossa atuação na região”, explica Cesar Alarcon, Vice-Presidente Sênior da Pirelli América Latina.

“Com esta inauguração, a Pirelli dá mais um passo importante em sua jornada para reduzir as emissões de CO₂: a meta, de fato, é atingir o Net Zero até 2040, fortalecendo a busca contínua por soluções que aliem eficiência logística e responsabilidade ambiental”, acrescenta Alarcon. O armazém está equipado com iluminação LED e estações de carregamento para empilhadeiras e transpaleteiras, todas elétricas.

Por fim, o armazém também foi projetado em linha com o objetivo da Pirelli de criar “fábricas belas” e não apenas ambientes de trabalho funcionais. Com esse objetivo, o artista Adonis Alcici foi encarregado de instalar uma obra de arte em 200 m² das fachadas do armazém, representando velocidade, energia e precisão: uma tradução em formas e cores dos princípios que norteiam a Pirelli.

Anfavea não vê contradição em produção SKD de seus associados

São Paulo – Em menos de uma semana Audi e General Motors, dois associados da Anfavea, que reúne os fabricantes de veículos instalados no País, informaram que produzirão veículos no País em regime SKD, com quase 100% de componentes importados que chegam em carrocerias já armadas, pintadas e semimontadas, restando a fazer nas linhas nacionais a junção de grandes conjuntos, o que o presidente executivo da entidade, Igor Calvet, já chamou de “apenas o aperto de alguns parafusos em território nacional”.

Este regime de montagem nacional de partes importadas foi tema de polêmica e feroz resistência da Anfavea e seus maiores associados ao pleito da BYD, que não é associada e solicitou ao governo a redução para apenas 10% do imposto de importação, por três anos, para kits SKD importados da China, que teriam a montagem concluída na fábrica que a empresa ainda não concluiu em Camaçari, BA.

No mês passado o governo negou o pleito, manteve para julho de 2026 a retomada do imposto de importação para 35% sobre modelos híbridos e elétricos, tanto para carros prontos [CBU] como para semimontados [SKD]. Para CKD, veículos completamente desmontados, a tarifa volta a ser de 35% em janeiro de 2027. E para ambos, CKD e SKD, há uma cota de importação isenta, de até US$ 463 milhões, com alíquota zero, até a virada para 2026.

Sem contradição

Para o presidente executivo da Anfavea não há nenhuma contradição em criticar o pedido da BYD e aceitar bem os anúncios de produção em SKD da Audi, que já monta desde 2022 dois modelos na fábrica de São José dos Pinhais, PR, e da GM, que anunciou na segunda-feira, 8, que irá montar, ainda este ano, na linha da Comexport em Horizonte, CE, na Troller – que pertenceu à Ford –, o Chevrolet Spark, 100% elétrico, com partes importadas de sua associada na China, a SAIC.

Igor Calvet se justificou: “Não somos contra a produção em SKD ou CKD, o que não queremos é a redução do imposto de importação para estes regimes. A GM não pediu a redução da alíquota”. Mas contará com os benefícios do Regime Nordeste, que garante incentivos tributários de IPI até 2032.

Calvet sustenta que “quando se começa a produzir um veículo com novas tecnologias a escala de produção é baixa, então faz parte do desenvolvimento iniciar a operação com baixo conteúdo local, em SKD ou CKD, para depois aumentar gradativamente a nacionalização do produto”.

Para o dirigente o problema é quando se reduz o imposto para grande escala de produção em SKD/CKD: “Aí a cadeia produtiva nacional fica prejudicada”.

Calvet afirmou também que todas as novas fabricantes chinesas que estão se instalando no Brasil serão bem-vindas para se associar à Anfavea mas ponderou que esta “é uma associação de produtores de veículos”. Ele lembrou que, recentemente, esteve na inauguração da produção na fábrica da GWM em Iracemápolis, SP, e que tem boa relação com a montadora.

“Mas a decisão de se filiar ou não à Anfavea deve ser da empresa.”

Grupo Iveco investe R$ 93 milhões em centro de distribuição em Pouso Alegre

São Paulo – O Grupo Iveco anunciou investimento de R$ 93 milhões em um novo centro de distribuição de peças que será construído em Pouso Alegre, Sul de Minas Gerais.

O CD ocupará espaço de 20 mil m² e contará com tecnologia de ponta, uma vez que o objetivo é transformar o local em hub estratégico para melhor conectar clientes e fornecedores e expandir sua operação logística.

De acordo com a companhia o novo centro será operado com gestão completa do operador logístico, responsabilizando-se pela infraestrutura predial e logística além da movimentação e manuseio de materiais.

Porsche investe R$ 70 milhões para instalar 66 eletropostos ultrarrápidos

São Paulo – A Porsche anunciou investimento de R$ 70 milhões para instalar 66 eletropostos ultrarrápidos, de 150 kW, em pontos estratégicos de rodovias em todo o Brasil até 2028. O projeto tem parceria dos seus concessionários e da GreenV, empresa especializada na instalação de carregadores para veículos eletrificados.

Cada eletroposto terá dois conectores: um será dedicado apenas a veículos Porsche e o outro poderá ser usado por donos de modelos elétricos e híbridos plug-in de outras marcas. Para utilizar será necessário baixar um aplicativo, que pode organizar uma fila virtual caso os dois conectores estejam sendo usados. 

O primeiro eletroposto do projeto já está disponível para os usuários, instalado no KM 57 da Rodovia Castelo Branco, no restaurante Quinta do Marquês. Com o novo investimento a Porsche chegará a 104 carregadores ultrarrápidos instalados no Brasil, a empresa do setor automotivo com mais unidades deste tipo.

Estes 104 eletropostos se juntarão aos 23 pontos de recarga que a Porsche mantém em suas concessionárias, dentre os quais os oito mais rápidos da América do Sul, de 350 kW.

Gravata Chevrolet é a chancela do Spark, o elétrico chinês

Brasília, DF – Empresas fabricantes com origem na China tomaram conta do mercado brasileiro de veículos 100% elétricos. Dos cerca de 45 mil BEV vendidos de janeiro a agosto 38,5 mil trazem um emblema de marca chinesa na grade frontal, segundo dados da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico. A maior parte, 34,5 mil, BYD.

A expectativa da General Motors, que começa a trazer, da China, o SUV Spark, com dimensões e preços que o colocam como rival de alguns dos elétricos mais vendidos por aqui, é a de que o segmento some mais de 70 mil unidades no ano: “É o tamanho dos sedãs médios”, destacou Paula Saiani, diretora de marketing de produto da GM América do Sul.

É o terceiro passo do planejamento de eletrificação do portfólio Chevrolet, iniciado em 2019 com a importação do Bolt EV e Bolt EUV e fortalecido no ano passado, com a chegada do Equinox EV e a Blazer EV. O objetivo agora, segundo Saiani, é fazer volume.

O Spark tem as credenciais para cumprir este objetivo. Embora homologado apenas para quatro passageiros tem design atraente e 4 m de comprimento, 2 m 560 mm de entreeixo e 1 m 760 mm de largura. O preço, promocional de lançamento, R$ 159 mil 990, o posiciona para concorrer na faixa intermediária do Dolphin ao Dolphin Plus, com o diferencial de ser SUV.

A outra aposta é a chancela de uma marca que existe há 100 anos no mercado brasileiro. O respaldo da gravata no para-choque dianteiro, avalia Saiani, será um diferencial na hora daquele consumidor ainda ressabiado com os elétricos optar por comprar um veículo a bateria.

A engenharia local trabalhou bastante na adaptação do modelo para o mercado local. Segundo a GM o Spark vendido aqui é exclusivo para os brasileiros. Tem itens não muito comuns para a faixa de preço, como o sistema que reconhece o motorista pela chave e prepara o veículo para seu uso. Ademais, traz sistema multimídia de 10,1 polegadas, compatível com Apple CarPlay e Android Auto, e dois espaços para guardar bagagens, no porta-malas e no capô dianteiro.

Chevrolet Spark EUV 2026

O motor elétrico, dianteiro, alcança 101 cv e o torque é imediato de 180Nm. A bateria de 42 kWh oferece autonomia de 258 quilômetros pelo ciclo do Inmetro.

O desempenho, testado nas ruas de Brasília, DF, não traz grandes novidades para quem já está acostumado com elétricos importados da China: direção suave, silenciosa, sem grande emoção, mas com resposta rápida à aceleração e frenagem. É divertido e gostoso de guiar e os sistemas ADAS dão um toque extra de segurança, embora em velocidades mais altas gere desconfiança. Feito sob medida para o uso urbano, como se propõe.

A projeção é vender cem unidades por semana, de início, com as importações do carro completo. Em novembro ele deverá começar a ser montado em Horizonte e substituir gradualmente as importações CBU pela montagem local. E, se a demanda for maior, a China consegue ampliar sua produção para abastecer o mercado.

Plano da GM é substituir importação do Spark CBU pelos kits SKD

Brasília, DF – Com o início da operação de montagem do Chevrolet Spark no Pace, Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte, pela Comexport, a tendência é que o SUV 100% elétrico, hoje importado da China, deixe de ser trazido em CBU, sigla para completamente montado. A intenção da General Motors, segundo o vice-presidente Fábio Rua, é substituir todo o volume por kits SKD, sigla para parcialmente desmontado, e abastecer o mercado brasileiro com os Spark cearenses.

Em paralelo, afirmou, será feita gradualmente a localização de alguns componentes: “Já estão abertas conversas com fornecedores”, disse à reportagem da Agência AutoData pouco após o anúncio, feito pelo presidente Santiago Chamorro. Ele salientou, porém, que toda a negociação está sendo feita pela Comexport, que será a responsável pela montagem local.

Segundo Rua a GM contratou os serviços da Comexport: “Eles importarão os kits e farão a montagem em Horizonte, com a nossa supervisão e garantia de qualidade. Nós pagaremos a eles por cada unidade montada”.

Alguns componentes já devem ser nacionalizados rapidamente, ponderou, sem entrar em pormenores. O volume deverá girar em torno de cem unidades por semana, que é a projeção de vendas para o modelo. Mais à frente, segundo Rua, é possível que outros modelos sejam nacionalizados no mesmo molde.

A projeção é que a operação com a GM seja iniciada em novembro. Segundo Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Comexport, as máquinas estão sendo instaladas.

É possível que o Spark seja o primeiro 100% elétrico montado no Brasil, pois a fábrica da BYD em Camaçari, BA, ainda não entrou em operação oficial. Lá será montado, em processo semelhante, o Dolphin Mini.

Para Anfavea 2026 ainda é imprevisível

São Paulo – “Ainda não consigo entender nem o próximo mês, então prefiro não afirmar nada sobre 2026.” Assim Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, que reúne os fabricantes de veículos instalados no País, não respondeu ao questionamento sobre como se desenha o desempenho do setor no próximo ano diante do quadro atual de retração no mercado interno, principalmente dos modelos nacionais, que de janeiro a agosto acumulam queda de 9,3% nas vendas ao varejo.

Calvet justificou sua cautela apontando a volatilidade do cenário atual: “No fim de 2024 prevíamos que a Selic [juro básico] subiria para 12%. Hoje já está em 15% e deve ficar assim, no mínimo, até o fim do ano. Temos também a situação das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, que mudam a todo momento e afetam a economia. O custo da energia subiu além do esperado. É difícil prever qualquer coisa diante de um quadro tão volátil”.

O dirigente lembrou ainda que há apenas um mês, no início de agosto, a entidade revisou suas projeções para este ano, reduzindo de 6,3% para 5% a estimativa de crescimento das vendas domésticas de veículos em 2025, principalmente por causa da queda expressiva do mercado de caminhões, cujo recuo já chega a 6,7% nos emplacamentos acumulados de janeiro a agosto.

“Mas agora em setembro já vimos que o mercado cresceu só 2,8% [em oito meses], está abaixo das nossas expectativas”, disse Calvet. Ele já admite, inclusive, que se o ritmo não mudar as projeções terão de ser revisadas para baixo não só para caminhões mas para o mercado total de veículos leves e pesados.

Andrea Serra, diretora de tributos e comércio exterior da Anfavea, acrescentou que “as vendas de varejo em queda são um sinal de alerta” que puxam as projeções para baixo: “Acompanharemos de perto este comportamento de volatilidade do mercado para poder definir projeções sustentáveis para 2026”.

Produção de chassis de ônibus cresce 12% no acumulado até agosto

São Paulo – Os fabricantes de ônibus produziram 21,2 mil chassis de janeiro a agosto, o que representa acréscimo de 11,7% na comparação com o mesmo período de 2024, quando saíram das linhas 19 mil unidades. Os dados foram divulgados pela Anfavea durante entrevista coletiva à imprensa na terça-feira, 9. Em agosto os 2,6 mil chassis fabricados ficaram 20,9% acima dos 2,2 mil do mesmo mês do ano passado. Com relação a julho, porém, quando foram produzidas 2,9 mil unidades, houve recuo de 9,9%.

Assim como ocorreu com caminhões boa parte do desempenho positivo do ano pode ser atribuída às exportações, de acordo com o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet. As exportações do período avançaram 57,7% e totalizaram 4,5 mil ônibus – de janeiro a outubro de 2024 foram somadas 2,9 mil unidades. 

Em agosto as exportações de 695 ônibus praticamente dobraram, ao crescerem 94,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado, 358 unidades. Frente a julho, que contou com 599 embarques, houve alta de 16%. 

Caminho da Escola segurou vendas até agosto

Quanto às vendas foram contabilizados 15,7 mil ônibus nos oito meses de 2025, 14,4% acima das 13,7 mil do mesmo período de 2024. Segundo Calvet o programa do governo federal que prevê a renovação de frota de transporte escolar a regiões rurais e de difícil acesso é o maior responsável pelo desempenho: 

“Em torno de 70% das vendas são sustentadas pelo Caminho da Escola, o que puxou quase todo o crescimento até agora”.

No mês passado os emplacamentos alcançaram 1,7 mil unidades, 28,5% aquém na comparação anual, frente às 2,4 mil unidades de agosto do ano passado, e 27,8% abaixo na mensal, com relação às 2,3 mil unidades de julho. A desaceleração reflete a conclusão das entregas Caminho da Escola previstas para este ano.

E, ao mesmo tempo, conforme ressaltou Calvet, a alta taxa de juros e a previsão de que ela siga no patamar de 15% ao ano até dezembro posterga a renovação das frotas, o que se torna pedra no sapato para o setor no mercado doméstico.

Exportações têm o melhor mês desde junho de 2018

São Paulo – Em agosto foram exportados 57,1 mil veículos, acréscimo de 49,3% em comparação ao mesmo mês em 2024, que somou 38,2 mil unidades, e incremento de 19,3% frente a julho, com 47,9 mil unidades. O resultado do mês passado foi o melhor registrado desde junho de 2018, quando foram embarcados 64,9 mil veículos, de acordo com a Anfavea, em balanço realizado na terça-feira, 9.

De janeiro a agosto foram exportados 378,2 mil unidades, 56% acima das 242,6 mil unidades do mesmo período em 2024. O bom desempenho das exportações tem, nas palavras do presidente executivo da entidade, Igor Calvet, “sustentado a produção local de veículos”, que avançou 6% no período, com 1,7 milhão de unidades.

E parte expressiva desta demanda vem da Argentina. Dados da Anfavea apontam que a participação do país vizinho nas exportações saltou de 36% nos oito meses de 2024 para 59% em igual período de 2025, com 224,2 mil unidades – aumento de 154,2% neste comparativo.

Calvet citou o bom momento do mercado argentino, que cresceu 31,7% em agosto, com 54,6 mil unidades, e 65,6% no acumulado do ano, com 444 mil unidades. A Colômbia também ampliou suas compras em 43,6%, para 32,3 mil unidades, e o Chile em 47,9%, com 18,8 mil unidades.

O México, segundo parceiro comercial mais importante do País neste setor, reduziu em 17,1% suas aquisições, somando 49,6 mil veículos nos oito meses do ano. O Uruguai comprou 10% menos, totalizando 22,2 mil unidades.

Em valores já foram obtidos US$ 9,6 bilhões com as exportações em 2025, alta de 40,5% em comparação ao mesmo período em 2024, que registrou US$ 6,8 bilhões. Em agosto a cifra de US$ 1,3 bilhão superou em 23,4% a do mesmo mês no ano passado, de US$ 1 bilhão, e em 6,1% a de julho, com US$ 1,2 bilhão.