Em maio do ano passado o mercado sentia os efeitos da tragédia no Rio Grande do Sul, que derrubou a demanda por veículos no Estado que costuma responder por cerca de 5% das vendas.
Com um dia útil a mais do que abril, 21 dias úteis, maio tornou-se o melhor mês em vendas do ano. A média diária foi de 10,7 mil unidades/dia, 3% superior aos 10,4 mil emplacamentos médios por dia de abril.
Os licenciamentos de automóveis e comerciais leves somaram 213,5 mil, alta de 8,6% sobre as 196,6 mil unidades de abril e de 16,5% sobre as 183 mil de maio do ano passado, segundo levantamento da Bright Consulting.
A consultoria destacou o crescimento das vendas diretas no segmento: 50,1% dos licenciamentos foram por meio desta modalidade, que registrou mais força do que as tradicionais vendas do showroom. Em abril as vendas diretas responderam por 47,5% dos emplacamentos de veículos leves:
“O movimento reforça a força das operações com frotistas, locadoras e empresas, que seguem ganhando participação no mix total”.
Acumulado perto de 1 milhão
De janeiro a maio o mercado registrou elevação de 6,1%, somando 986,1 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Ainda nesta semana as vendas deverão superar a marca de 1 milhão de unidades, feito que, em 2024, foi alcançado apenas em 11 de junho, segundo a Anfavea.
Ainda está em ritmo inferior ao da pré-pandemia, porém: em 2019 a marca de 1 milhão foi batida em 23 de maio.
São Paulo – As vendas de cotas de consórcios somaram 1,6 milhão de unidades no primeiro quadrimestre do ano, alta de 19,3% sobre igual período do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Abac, entidade que representa o segmento no Brasil. Com este ritmo os negócios somaram R$ 141,2 bilhões de janeiro a abril, incremento de 29,9% na comparação com idênticos meses de 2024.
As vendas de novas cotas de veículos leves chegaram a 631,9 mil, com as motocicletas aparecendo em segundo lugar com 470,8 mil. Os imóveis ficaram na terceira posição, 375,6 mil cotas, e os veículos pesados ficaram em quarto lugar, com 62,5 mil cotas.
São Paulo – A XBRI, marca brasileira que tem seus pneus fabricados por empresas terceirizadas na Ásia, fechou joint-venture com a Linglong Tire, gigante chinesa de pneus com ações em bolsa e parceira de montadoras como Volkswagen, Stellantis, General Motors, Renault, Scania e BYD, para a construção de sua fábrica própria em terreno adquirido em Ponta Grossa, PR. O investimento inicialmente orçado em R$ 1,5 bilhão, quaduplicará para R$ 6,2 bilhões.
Desde 2021 a Linglong fornece pneus a versões do Volkswagen Polo, por exemplo, e para alguns modelos elétricos da BYD importados. Em 2023 ensaiou dar início à construção de unidade produtiva de pneus para veículos leves e pesados no Brasil, o que integrava o plano de, até 2030, posicionar-se entre as cinco maiores empresas pneumáticas do mundo, com cinco fábricas fora da China. Mas a ideia não vingou.
Agora associou-se à XBRI para retomar o plano engavetado como detentora de 70% da estrutura societária. Em entrevista à Agência AutoData o diretor de relações institucionais da XBRI Pneus, Samer Nasser, afirmou que a aliança estabelece base para a inovação, aumento da competitividade e expansão internacional a partir do Brasil:
“As relações das empresas existem de longa data, e agora vimos uma oportunidade estratégica de unir forças para expandir a produção no Brasil e na América Latina. A XBRI Pneus tem um profundo conhecimento do mercado local, enquanto que a Linglong traz sua experiência global”.
De acordo com o executivo a parceria foi planejada para que ambas se beneficiem, criando forte base para atender a montadoras e ao mercado de reposição e também para tornar a fábrica brasileira plataforma de exportação aos Estados Unidos, à Europa, ao Oriente Médio e à África.
Embora a capacidade de produção continue a mesma do projeto original, de 14,6 milhões de pneus por ano, sendo 12 milhões de unidades para veículos de passeio e utilitários, 2,4 milhões para caminhões e ônibus e 200 mil para aplicações industriais e agrícolas, Nasser contou que o investimento adicional elevará significativamente o nível tecnológico da unidade industrial:
“Com o aporte a nova fábrica, que será uma das mais modernas do setor, terá alto grau de automação, processos produtivos mais eficientes e rígidos controles de qualidade, reforçando a competitividade da empresa no mercado”.
O volume de empregos previstos passará de 2 mil a 3,2 mil, conforme o executivo, o que se deve à ampliação da escala e da complexidade da fábrica, que ganhará também um centro de P&D que localizará tecnologias e treinará trabalhadores. Haverá, ainda, núcleo de reciclagem com foco em economia circular e infraestruturas complementares dedicadas à inovação, sustentabilidade e eficiência operacional.
O diretor de relações institucionais da XBRI Brasil, Samer Nasser, disse que a associação é benéfica para ambas as empresas. Foto: Divulgação.
Perspectiva de começo da produção é mantida
O assentamento da pedra fundamental, inicialmente projetado para março, deverá ocorrer no início do segundo semestre. O projeto, que se estabelecerá em terreno de 1,2 milhão de m², com 500 mil m² construídos, deverá começar a ser erguido no terceiro trimestre. A licença prévia já está aprovada, segundo Nasser.
A ideia é que até o fim de 2026 seja introduzida a fase de produção teste e, no início de 2027, a produção em escala comercial. Um dos maiores interesses da XBRI na Linglong, a propósito, é o fato de a empresa ser referência em tecnologia e ter escala global.
São Paulo – Os atrasos nos pagamentos de financiamentos de veículos 0 KM superiores a noventa dias alcançaram 5% dos contratos, de acordo com levantamento do Banco Central do Brasil, que divulgou a nota de Estatísticas Monetárias e de Crédito à imprensa. Com relação a março o aumento foi de 0,3 ponto porcentual, mantendo a trajetória ascendente da inadimplência.
Desde o fim do ano passado subiu 0,8 pp, o que preocupa o mercado de crédito, segundo Enílson Salles, presidente da Anef. Em um ano subiu 0,2 pp.
“É algo extremamente preocupante. Se a inadimplência cresce a tendência é crescer, também, a taxa de juro para o cliente, porque é um dos itens que compõe a equação.”
Em abril, porém, os juros para o crédito automotivo recuaram. A taxa média, que foi de 28,6% em março, caiu 0,5 ponto porcentual em abril, para 28,1%.
Desde dezembro, porém, avançou 0,6 pp. Em um ano, subiu 2,7 pp.
Afora o último reajuste na taxa Selic, que subiu para 14,75% no começo do mês, o aumento na IOF poderá colaborar para encarecer os financiamentos para os lojistas e frotistas e deve gerar algum impacto para os consumidores. Na semana passada o governo reajustou de 1,88% para 3,95% o imposto para empresas.
“Encareceu o crédito floorplan, que ajuda a financiar os estoques das concessionárias. E afetará, também, os negócios de frotistas, como as locadoras, porque de um dia para o outro a alíquota subiu 130%”.
São Paulo – A Stellantis e o Senai de Pernambuco abriram noventa vagas gratuitas para o programa Pré-Aprendizagem, com foco na qualificação profissional de jovens em situação econômica e social vulnerável. O curso será de assistente automotivo industrial, para jovens de 17 a 21 anos, que residem em Goiana, PE, onde a Stellantis mantém fábrica.
Os interessados devem se inscrever por meio do site do Senai até 31 de maio. Para participar é necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio e ter renda familiar de até dois salários mínimos.
Os jovens selecionados receberão bolsa-auxílio de R$ 700 por mês se participarem de 75% das aulas.
São Paulo – A BYD apresentou o caminhão elétrico eT18 adaptado com um cesto aéreo isolado, com o objetivo de operar em manutenção de redes de energia elétrica. Agora a fabricante busca empresas para avançar com as vendas do modelo.
O caminhão foi desenvolvido em parceria com a Embark para atender a demandas de concessionárias de energia. O cesto aéreo aplicado no caminhão tem alcance de até 15m80 de altura e isolamento para garantir a segurança dos técnicos. A estrutura desenvolvida permite que os trabalhadores acessem a rede energizada para realizar reparos sem precisar desligar o sistema de abastecimento de energia, segundo a BYD.
A pequena ilha de Taiwan, localizada a Sudeste da gigante China – para a qual é considerada uma província rebelde –, não é uma potência automotiva. No ano passado, segundo a TTVMA, associação de fabricantes locais, foram produzidos 275,2 mil veículos, apenas pouco além da metade dos 457,8 mil comercializados por lá. A produção anual é equivalente a um mês e alguns dias do que é feito nas fábricas brasileiras. Mas a ilha é forte e diversificada no segmento de autopeças, exportando a maior parte dos componentes que produz.
No entanto é grande a dependência das exportações para um só mercado, o dos Estados Unidos, que compram em torno de 50% do volume de peças que sai das fábricas taiwanesas para abastecer montadoras e distribuidoras no país, segundo James Huang, chairman do Taitra, o Conselho de Desenvolvimento de Comércio Exterior de Taiwan.
Diante do cenário de indefinições e vai-e-vem de tarifas protagonizado pelo presidente estadunidense, Donald Trump, a ordem dos taiwaneses é diversificar os destinos de suas exportações. Dentro deste contexto foi realizado, pela primeira vez no fim de abril na Capital, Taipei, o 360° Mobility Mega Show, uma junção de três feiras tradicionais destinadas ao setor automotivo: Taipei Ampa, E-Mobility Taiwan e Autotronics Taipei.
O foco é buscar e prospectar novos negócios, onde quer que seja. Por esta razão o Taitra, órgão responsável por fomentar as novas oportunidades, convidou visitantes, compradores e jornalistas internacionais para participar desta edição do evento. No total foram 4 mil participantes de 110 países, segundo a organização, que calcula a geração potencial de negócios da ordem de modestos US$ 29 milhões a durante os quatro dias de feira.
AUTOMEC PARA FORA
Esta reportagem foi publicada na edição 421 da revista AutoData, de Maio de 2025. Para ler ela completa clique aqui.
São Paulo – Novos itens de série, como o alerta de tráfego cruzado traseiro que conta com aviso luminoso na tela da central multimídia, integram a linha 2026 da picape Chevrolet S10. O item agora faz parte do pacote de equipamentos de todas as configurações com cabine dupla.
As versões WT AT, Z71 e LTZ ganharam sistema auxiliar de permanência em faixa como item de série – na linha 2025 só a versão mais cara, a High Country, oferecia essa tecnologia. O alerta de colisão frontal também foi adicionado nas versões, junto com sistema de frenagem de emergência com detecção de pedestres.
O alerta de ponto cego, que já estava nas versões High Country e LTZ, agora está na lista de itens de série das configurações WT AT e Z71. O motor segue o mesmo para todas as versões: Duramax 2.8 de 207 cv de potência.
Veja abaixo todos os preços da linha 2026 da Chevrolet S10:
S10 Cabine Simples – R$ 253,3 mil S10 WT MT – R$ 272,9 mil S10 WT AT – R$ 292,1 mil S10 Z71 – R$ 309,7 mil S10 LTZ – R$ 309,8 mil S10 High Country – R$ 323,5 mil
Mudanças no Trailblazer
A Chevrolet também atualizou a linha do seu maior SUV, o Trailblazer, mas as mudanças foram menores. A novidade é o sistema auxiliar de permanência em faixa, que tornou-se item de série nas configurações LT e High Country.
São Paulo – A Yadea, fabricante de motocicletas elétricas instalada na Zona Franca de Manaus, apresentou dois modelos durante o Festival Interlagos 2025 Edição Motos: a Owin, uma scooter elétrica com foco no uso urbano, e a Keeness, motocicleta elétrica com visual esportivo de 125 cm3 de cilindrada.
Com a expansão do portfólio local também deverá crescer sua rede de concessionárias, chegando a trezentos pontos de venda nos próximos três anos. O Brasil foi o primeiro país a receber as motocicletas Owin e Keeness, o que reforça o compromisso da empresa em avançar localmente, segundo o diretor geral de marketing da Yadea para a América do Sul, He Dongsheng:
“Escolher o Brasil como mercado de lançamento desses modelos demonstra nosso compromisso em oferecer soluções de mobilidade mais inteligentes, seguras e sustentáveis no País”.
A motocicleta Keeness tem motor elétrico de 11 kW, chega a até 100 km/h e sua autonomia é de 129 quilômetros. Já a scooter Owin é autopropelida e, por isto, não requer CNH, com autonomia de até 71 quilômetros, segundo as medições internacionais.
São Paulo – A HPE enfim recebeu autorização da matriz da Mitsubishi, no Japão, para exercer programa de exportações a partir da fábrica de Catalão, GO. Seu vice-presidente de operações, Reinaldo Muratori, disse que um pequeno lote do SUV Eclipse Cross terá como destino o Paraguai no segundo semestre, dando o primeiro passo num plano maior:
“Entramos em acordo com a diretoria da Mitsubishi no Japão e enviaremos este primeiro lote. O plano é tornar Catalão um polo de exportação para a América Latina”.
Em paralelo a empresa segue com os processos de nacionalização de peças e dois componentes para os dois produtos da fábrica goiana, o Eclipse Cross e a picape Triton.
“Temos ainda um índice bem baixo de peças compradas localmente na picape e podemos crescer para o Eclipse”, disse o CEO Mauro Correia. “Estamos com um trabalho muito forte para a nacionalização da Triton: identificamos fornecedores, estão sendo feitos estudos de viabilidade financeira para depois escolhermos e passar por todo o período de testes. Vários componentes já estão definidos e a perspectiva é a de, no ano que vem, começarmos a fazer.”
Itens como pneus, vidros, rodas e kits multimídia foram citados por Correia, “mas há oportunidades para diversos componentes”.
A fábrica da HPE em Catalão tem projeção de produzir 27,4 mil veículos em 2025, 1 mil a mais do que no ano passado. Outros modelos estão sendo negociados com a matriz para serem nacionalizados, mas Correia guardou segredo: “A princípio são dois modelos em estudos. Mas ainda sem martelo batido”.
A empresa anunciou, no ano passado, investimento de R$ 4 bilhões até 2032: para estes novos modelos, para o projeto de exportação e para a eletrificação, disse Correia.
Suzuki
A outra marca representada pela HPE, a Suzuki, também terá novidades em breve – e novamente Correia manteve segredo: “O que posso dizer é que ela continuará no Brasil, sem sombra de dúvidas. É uma marca específica, não mira grandes volumes, mas que sempre trouxe alguma coisa diferente”.
A rede Suzuki hoje é formada por quinze concessionárias e a prestação de serviços de pós-vendas pode ser feita em lojas Mitsubishi, cuja rede é composta por 132 pontos.