Mercado cresce 16% em maio e acumulado deve superar 1 milhão nesta semana

São Paulo – As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus somaram 225,7 mil unidades em maio, crescimento de 16,2% sobre os 194,3 mil veículos emplacados no mesmo mês de 2024 e de 8,2% sobre as 208,7 mil unidades de abril. Os dados são preliminares do Renavam e foram obtidos pela Agência AutoData.

Em maio do ano passado o mercado sentia os efeitos da tragédia no Rio Grande do Sul, que derrubou a demanda por veículos no Estado que costuma responder por cerca de 5% das vendas.

Com um dia útil a mais do que abril, 21 dias úteis, maio tornou-se o melhor mês em vendas do ano. A média diária foi de 10,7 mil unidades/dia, 3% superior aos 10,4 mil emplacamentos médios por dia de abril.

Os licenciamentos de automóveis e comerciais leves somaram 213,5 mil, alta de 8,6% sobre as 196,6 mil unidades de abril e de 16,5% sobre as 183 mil de maio do ano passado, segundo levantamento da Bright Consulting.

A consultoria destacou o crescimento das vendas diretas no segmento: 50,1% dos licenciamentos foram por meio desta modalidade, que registrou mais força do que as tradicionais vendas do showroom. Em abril as vendas diretas responderam por 47,5% dos emplacamentos de veículos leves:

“O movimento reforça a força das operações com frotistas, locadoras e empresas, que seguem ganhando participação no mix total”.

Acumulado perto de 1 milhão

De janeiro a maio o mercado registrou elevação de 6,1%, somando 986,1 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Ainda nesta semana as vendas deverão superar a marca de 1 milhão de unidades, feito que, em 2024, foi alcançado apenas em 11 de junho, segundo a Anfavea.

Ainda está em ritmo inferior ao da pré-pandemia, porém: em 2019 a marca de 1 milhão foi batida em 23 de maio.

Venda de consórcios cresce 19% no primeiro quadrimestre

São Paulo – As vendas de cotas de consórcios somaram 1,6 milhão de unidades no primeiro quadrimestre do ano, alta de 19,3% sobre igual período do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Abac, entidade que representa o segmento no Brasil. Com este ritmo os negócios somaram R$ 141,2 bilhões de janeiro a abril, incremento de 29,9% na comparação com idênticos meses de 2024.

As vendas de novas cotas de veículos leves chegaram a 631,9 mil, com as motocicletas aparecendo em segundo lugar com 470,8 mil. Os imóveis ficaram na terceira posição, 375,6 mil cotas, e os veículos pesados ficaram em quarto lugar, com 62,5 mil cotas. 

Fábrica de pneus da XBRI em Ponta Grossa terá Linglong como sócia

São Paulo – A XBRI, marca brasileira que tem seus pneus fabricados por empresas terceirizadas na Ásia, fechou joint-venture com a Linglong Tire, gigante chinesa de pneus com ações em bolsa e parceira de montadoras como Volkswagen, Stellantis, General Motors, Renault, Scania e BYD, para a construção de sua fábrica própria em terreno adquirido em Ponta Grossa, PR. O investimento inicialmente orçado em R$ 1,5 bilhão, quaduplicará para R$ 6,2 bilhões.

Desde 2021 a Linglong fornece pneus a versões do Volkswagen Polo, por exemplo, e para alguns modelos elétricos da BYD importados. Em 2023 ensaiou dar início à construção de unidade produtiva de pneus para veículos leves e pesados no Brasil, o que integrava o plano de, até 2030, posicionar-se entre as cinco maiores empresas pneumáticas do mundo, com cinco fábricas fora da China. Mas a ideia não vingou.

Agora associou-se à XBRI para retomar o plano engavetado como detentora de 70% da estrutura societária. Em entrevista à Agência AutoData o diretor de relações institucionais da XBRI Pneus, Samer Nasser,  afirmou que a aliança estabelece base para a inovação, aumento da competitividade e expansão internacional a partir do Brasil:

“As relações das empresas existem de longa data, e agora vimos uma oportunidade estratégica de unir forças para expandir a produção no Brasil e na América Latina. A XBRI Pneus tem um profundo conhecimento do mercado local, enquanto que a Linglong traz sua experiência global”.

De acordo com o executivo a parceria foi planejada para que ambas se beneficiem, criando forte base para atender a montadoras e ao mercado de reposição e também para tornar a fábrica brasileira plataforma de exportação aos Estados Unidos, à Europa, ao Oriente Médio e à África.

Embora a capacidade de produção continue a mesma do projeto original, de 14,6 milhões de pneus por ano, sendo 12 milhões de unidades para veículos de passeio e utilitários, 2,4 milhões para caminhões e ônibus e 200 mil para aplicações industriais e agrícolas, Nasser contou que o investimento adicional elevará significativamente o nível tecnológico da unidade industrial:

“Com o aporte a nova fábrica, que será uma das mais modernas do setor, terá alto grau de automação, processos produtivos mais eficientes e rígidos controles de qualidade, reforçando a competitividade da empresa no mercado”.

O volume de empregos previstos passará de 2 mil a 3,2 mil, conforme o executivo, o que se deve à ampliação da escala e da complexidade da fábrica, que ganhará também um centro de P&D que localizará tecnologias e treinará trabalhadores. Haverá, ainda, núcleo de reciclagem com foco em economia circular e infraestruturas complementares dedicadas à inovação, sustentabilidade e eficiência operacional.

O diretor de relações institucionais da XBRI Brasil, Samer Nasser, disse que a associação é benéfica para ambas as empresas. Foto: Divulgação.

Perspectiva de começo da produção é mantida

O assentamento da pedra fundamental, inicialmente projetado para março, deverá ocorrer no início do segundo semestre. O projeto, que se estabelecerá em terreno de 1,2 milhão de m², com 500 mil m² construídos, deverá começar a ser erguido no terceiro trimestre. A licença prévia já está aprovada, segundo Nasser.

A ideia é que até o fim de 2026 seja introduzida a fase de produção teste e, no início de 2027, a produção em escala comercial. Um dos maiores interesses da XBRI na Linglong, a propósito, é o fato de a empresa ser referência em tecnologia e ter escala global.

Inadimplência avança e aumento da IOF preocupa setor

São Paulo – Os atrasos nos pagamentos de financiamentos de veículos 0 KM superiores a noventa dias alcançaram 5% dos contratos, de acordo com levantamento do Banco Central do Brasil, que divulgou a nota de Estatísticas Monetárias e de Crédito à imprensa. Com relação a março o aumento foi de 0,3 ponto porcentual, mantendo a trajetória ascendente da inadimplência.

Desde o fim do ano passado subiu 0,8 pp, o que preocupa o mercado de crédito, segundo Enílson Salles, presidente da Anef. Em um ano subiu 0,2 pp.

“É algo extremamente preocupante. Se a inadimplência cresce a tendência é crescer, também, a taxa de juro para o cliente, porque é um dos itens que compõe a equação.”

Em abril, porém, os juros para o crédito automotivo recuaram. A taxa média, que foi de 28,6% em março, caiu 0,5 ponto porcentual em abril, para 28,1%. 

Desde dezembro, porém, avançou 0,6 pp. Em um ano, subiu 2,7 pp.

Afora o último reajuste na taxa Selic, que subiu para 14,75% no começo do mês, o aumento na IOF poderá colaborar para encarecer os financiamentos para os lojistas e frotistas e deve gerar algum impacto para os consumidores. Na semana passada o governo reajustou de 1,88% para 3,95% o imposto para empresas.

“Encareceu o crédito floorplan, que ajuda a financiar os estoques das concessionárias. E afetará, também, os negócios de frotistas, como as locadoras, porque de um dia para o outro a alíquota subiu 130%”.

Stellantis e Senai abrem 90 vagas de curso gratuito para jovens de Goiana

São Paulo – A Stellantis e o Senai de Pernambuco abriram noventa vagas gratuitas para o programa Pré-Aprendizagem, com foco na qualificação profissional de jovens em situação econômica e social vulnerável. O curso será de assistente automotivo industrial, para jovens de 17 a 21 anos, que residem em Goiana, PE, onde a Stellantis mantém fábrica.

Os interessados devem se inscrever por meio do site do Senai até 31 de maio. Para participar é necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio e ter renda familiar de até dois salários mínimos.

Os jovens selecionados receberão bolsa-auxílio de R$ 700 por mês se participarem de 75% das aulas.

BYD adapta caminhão elétrico para concessionárias de energia

São Paulo – A BYD apresentou o caminhão elétrico eT18 adaptado com um cesto aéreo isolado, com o objetivo de operar em manutenção de redes de energia elétrica. Agora a fabricante busca empresas para avançar com as vendas do modelo.

O caminhão foi desenvolvido em parceria com a Embark para atender a demandas de concessionárias de energia. O cesto aéreo aplicado no caminhão tem alcance de até 15m80 de altura e isolamento para garantir a segurança dos técnicos. A estrutura desenvolvida permite que os trabalhadores acessem a rede energizada para realizar reparos sem precisar desligar o sistema de abastecimento de energia, segundo a BYD.

Taiwan olha para fora em sua Automec

A pequena ilha de Taiwan, localizada a Sudeste da gigante China – para a qual é considerada uma província rebelde –, não é uma potência automotiva. No ano passado, segundo a TTVMA, associação de fabricantes locais, foram produzidos 275,2 mil veículos, apenas pouco além da metade dos 457,8 mil comercializados por lá. A produção anual é equivalente a um mês e alguns dias do que é feito nas fábricas brasileiras. Mas a ilha é forte e diversificada no segmento de autopeças, exportando a maior parte dos componentes que produz.

No entanto é grande a dependência das exportações para um só mercado, o dos Estados Unidos, que compram em torno de 50% do volume de peças que sai das fábricas taiwanesas para abastecer montadoras e distribuidoras no país, segundo James Huang, chairman do Taitra, o Conselho de Desenvolvimento de Comércio Exterior de Taiwan.

Diante do cenário de indefinições e vai-e-vem de tarifas protagonizado pelo presidente estadunidense, Donald Trump, a ordem dos taiwaneses é diversificar os destinos de suas exportações. Dentro deste contexto foi realizado, pela primeira vez no fim de abril na Capital, Taipei, o 360° Mobility Mega Show, uma junção de três feiras tradicionais destinadas ao setor automotivo: Taipei Ampa, E-Mobility Taiwan e Autotronics Taipei.

O foco é buscar e prospectar novos negócios, onde quer que seja. Por esta razão o Taitra, órgão responsável por fomentar as novas oportunidades, convidou visitantes, compradores e jornalistas internacionais para participar desta edição do evento. No total foram 4 mil participantes de 110 países, segundo a organização, que calcula a geração potencial de negócios da ordem de modestos US$ 29 milhões a durante os quatro dias de feira.

AUTOMEC PARA FORA

Esta reportagem foi publicada na edição 421 da revista AutoData, de Maio de 2025. Para ler ela completa clique aqui.

Foto: Divulgação/360° Mobility Mega Show

Chevrolet S10 e Trailblazer ganham mais itens de série

São Paulo – Novos itens de série, como o alerta de tráfego cruzado traseiro que conta com aviso luminoso na tela da central multimídia, integram a linha 2026 da picape Chevrolet S10. O item agora faz parte do pacote de equipamentos de todas as configurações com cabine dupla. 

As versões WT AT, Z71 e LTZ ganharam sistema auxiliar de permanência em faixa como item de série – na linha 2025 só a versão mais cara, a High Country, oferecia essa tecnologia. O alerta de colisão frontal também foi adicionado nas versões, junto com sistema de frenagem de emergência com detecção de pedestres. 

O alerta de ponto cego, que já estava nas versões High Country e LTZ, agora está na lista de itens de série das configurações WT AT e Z71. O motor segue o mesmo para todas as versões: Duramax 2.8 de 207 cv de potência.

Veja abaixo todos os preços da linha 2026 da Chevrolet S10:

S10 Cabine Simples – R$ 253,3 mil
S10 WT MT – R$ 272,9 mil
S10 WT AT – R$ 292,1 mil
S10 Z71 – R$ 309,7 mil
S10 LTZ – R$ 309,8 mil
S10 High Country – R$ 323,5 mil

Mudanças no Trailblazer

A Chevrolet também atualizou a linha do seu maior SUV, o Trailblazer, mas as mudanças foram menores. A novidade é o sistema auxiliar de permanência em faixa, que tornou-se item de série nas configurações LT e High Country.

Yadea apresenta duas motocicletas elétricas no Festival Interlagos

São Paulo – A Yadea, fabricante de motocicletas elétricas instalada na Zona Franca de Manaus, apresentou dois modelos durante o Festival Interlagos 2025 Edição Motos: a Owin, uma scooter elétrica com foco no uso urbano, e a Keeness, motocicleta elétrica com visual esportivo de 125 cm3 de cilindrada. 

Com a expansão do portfólio local também deverá crescer sua rede de concessionárias, chegando a trezentos pontos de venda nos próximos três anos. O Brasil foi o primeiro país a receber as motocicletas Owin e Keeness, o que reforça o compromisso da empresa em avançar localmente, segundo o diretor geral de marketing da Yadea para a América do Sul, He Dongsheng: 

“Escolher o Brasil como mercado de lançamento desses modelos demonstra nosso compromisso em oferecer soluções de mobilidade mais inteligentes, seguras e sustentáveis no País”.

A motocicleta Keeness tem motor elétrico de 11 kW, chega a até 100 km/h e sua autonomia é de 129 quilômetros. Já a scooter Owin é autopropelida e, por isto, não requer CNH, com autonomia de até 71 quilômetros, segundo as medições internacionais.

Programa de exportações de Catalão inicia no segundo semestre

São Paulo – A HPE enfim recebeu autorização da matriz da Mitsubishi, no Japão, para exercer programa de exportações a partir da fábrica de Catalão, GO. Seu vice-presidente de operações, Reinaldo Muratori, disse que um pequeno lote do SUV Eclipse Cross terá como destino o Paraguai no segundo semestre, dando o primeiro passo num plano maior:

“Entramos em acordo com a diretoria da Mitsubishi no Japão e enviaremos este primeiro lote. O plano é tornar Catalão um polo de exportação para a América Latina”.

Em paralelo a empresa segue com os processos de nacionalização de peças e dois componentes para os dois produtos da fábrica goiana, o Eclipse Cross e a picape Triton.

“Temos ainda um índice bem baixo de peças compradas localmente na picape e podemos crescer para o Eclipse”, disse o CEO Mauro Correia. “Estamos com um trabalho muito forte para a nacionalização da Triton: identificamos fornecedores, estão sendo feitos estudos de viabilidade financeira para depois escolhermos e passar por todo o período de testes. Vários componentes já estão definidos e a perspectiva é a de, no ano que vem, começarmos a fazer.”

Itens como pneus, vidros, rodas e kits multimídia foram citados por Correia, “mas há oportunidades para diversos componentes”.

A fábrica da HPE em Catalão tem projeção de produzir 27,4 mil veículos em 2025, 1 mil a mais do que no ano passado. Outros modelos estão sendo negociados com a matriz para serem nacionalizados, mas Correia guardou segredo: “A princípio são dois modelos em estudos. Mas ainda sem martelo batido”.

A empresa anunciou, no ano passado, investimento de R$ 4 bilhões até 2032: para estes novos modelos, para o projeto de exportação e para a eletrificação, disse Correia.

Suzuki

A outra marca representada pela HPE, a Suzuki, também terá novidades em breve – e novamente Correia manteve segredo: “O que posso dizer é que ela continuará no Brasil, sem sombra de dúvidas. É uma marca específica, não mira grandes volumes, mas que sempre trouxe alguma coisa diferente”.

A rede Suzuki hoje é formada por quinze concessionárias e a prestação de serviços de pós-vendas pode ser feita em lojas Mitsubishi, cuja rede é composta por 132 pontos.