BYD manobra para ganhar mais incentivos e adiar a produção nacional

São Paulo – Em dezembro passado, em evento com a presença dos seus principais executivos e autoridades, a chinesa BYD comunicou que a “construção dos seus sonhos no Brasil” – um trocadilho com o próprio nome da empresa, Build Your Dreams – estava a pleno vapor e que até o carnaval, que já passou, sua megaoperação na Bahia começaria a montar carros. A promessa que estampou as manchetes da mídia nacional, inclusive desta Agência AutoData, no entanto, passa longe dos fatos e dos pleitos que a BYD tem levado ao Governo Federal.

Ao mesmo tempo em que faz enormes estoques de carros importados e convive com atrasos nas obras por causa de denúncias de trabalhos análogos à escravidão a fabricante chinesa pede ao governo um regime de exceção especial de tarifas de importação para trazer kits de veículos parcialmente montados na China e iniciar esta operação de armação final no País somente em algum momento do segundo semestre.

Trata-se de um movimento totalmente atípico solicitar a redução do Ex-tarifário dos atuais 20% para 10%. Esta redução consta em dois documentos obtidos por AutoData, protocolados no Sistema Eletrônico de Informações do Governo Federal, SEI, para a importação de kits SKD, ou partes de um veículo parcialmente montados, de cinco modelos, um deles ainda inédito no portfólio da BYD.

A fabricante quer trazer da China os modelos Song Plus, Dolphin e Yuan, além da picape Shark e uma inédita picape compacta, parcialmente montados. Praticamente todos seus itens chegariam de navio ao Brasil já quase prontos. No documento, para justificar o pedido de exceção, a BYD argumenta que são modelos com eficiência energética muito superior aos modelos similares produzidos no País e enfatiza, incluindo no texto original do Ex-tarifário, a palavra “incompletos”, ou seja, que seriam agregados alguns poucos itens totalmente nacionais durante o processo de armação na fábrica da Bahia.

Picape compacta inédita em seu portfólio estaria nos planos para o Brasil

No entanto, a BYD não especifica quais seriam esses itens nacionais, tampouco demonstra que já tem contratos ou sequer negocia com qualquer fornecedor local. O Sindipeças, entidade que representa a cadeia de autopeças, reiterou por meio de seu presidente, Cláudio Sahad, durante o Seminário Megatendências 2025, realizado por AutoData, que a BYD ainda não procurou nenhum dos seus associados. Sahad enfatizou que “enquanto a outra marca chinesa que está, de fato, comprometida com a produção nacional já tem negócios com alguns fornecedores locais a BYD ainda não iniciou qualquer tipo de conversa com a cadeia de autopartes instalada no País”.

Em documento enviado ao MDIC em 19 de dezembro de 2024 a BYD diz que “avalia itens específicos que podem ser adquiridos localmente para incrementar a produção no Estado da Bahia. Esse modelo progressivo possibilitará que componentes vitais, como a bateria – cuja montagem local agrega valor ao produto final – sejam integrados ao processo sem comprometer a essência do Ex-tarifário original, mantendo-se o entendimento de que o kit essencial do veículo vem desmontado e, portanto, caracterizado como SKD”.

Especialistas do setor automotivo consultados por AutoData argumentam que a BYD sugere nacionalização de itens cruciais como a bateria sem especificar como se dará esse processo, ao mesmo tempo em que pleiteia condições especiais, modificando o texto original e abrindo brechas na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum, LETEC, mecanismo que o Governo Federal flexibilizou no ano passado. Uma das novidades da LETEC seria a utilização do Ex-tarifário, com taxação menor para itens específicos, incluindo os kits SKD, mas definindo cotas para essa modalidade de importação.

O objetivo seria estimular o início da operação local e, ao mesmo tempo, inibir a importação de veículos prontos da China. No entanto, nos documentos apresentados pela BYD ao MDIC não constam os volumes específicos de kits SKD pretendidos para essa operação nos próximos 36 meses. Há também uma proposta para utilizar Ex-tarifário na fase seguinte de produção nacional com kits CKD, completamente desmontados. Mas o texto não é específico sobre como se daria esse regime especial que teria uma taxação de 5%.

Cronograma descumprido

Algo que vem chamando a atenção desde que a BYD anunciou pela primeira vez sua estratégia de produzir no Brasil, criando aqui sua maior operação internacional, resultado de investimento de R$ 5,5 bilhões, são os constantes adiamentos do cronograma. E em vez de a empresa argumentar de forma transparente as razões de alterações nos prazos, muitos deles justificáveis, o que se testemunha são anúncios aumentando as apostas no País.

No início de dezembro a reportagem de AutoData esteve em Camaçari, BA, para conhecer as instalações ainda em construção e um novo cronograma, que dava conta de que a armação de kits SKD teriam início ainda no primeiro trimestre de 2025. Na ocasião Stella Li, CEO da BYD para as Américas, garantiu que os atrasos ocorreram por questões pontuais e que a operação começaria na data anunciada. Ela ainda brincou dizendo que “enquanto vocês estiverem celebrando o Carnaval nós estaremos comemorando o início da produção”.

A revista AutoData de dezembro foi além e publicou um raio-x da breve história da BYD no Brasil, que prometia para o início do ano a contratação de 1 mil funcionários, que já teriam, inclusive, uma centena deles naquele momento na China sendo preparados para treinar essa primeira leva de mão-de-obra de chão de fábrica. Até março a BYD teria no seu quadro total de funcionários 3 mil contratados – dos 20 mil que pretende ter no País.

Até agosto deste ano, de acordo com anúncio feito em Brasília, DF, no dia seguinte ao evento com a presença de jornalistas na Bahia, diretamente ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, 10 mil funcionários estariam trabalhando na fábrica de Camaçari. E, a partir desse momento, segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da operação brasileira, um sistema de propulsão híbrido-flex seria acoplado ao modelo Song Pro. Depois deste momento de êxtase quase nada se falou oficialmente sobre esses assuntos tão comemorados, como demonstra a foto abaixo.

 Lobby poderoso

Assim, até agora nenhuma dessas afirmações feitas por diversos executivos da BYD se transformou em realidade. Inclusive os pleitos feitos diretamente ao MDIC para uma condição mais que especial de Ex-tarifário para a importação de kits SKD por um período que pode variar de dezoito a 36 meses, vão na contramão de todas as declarações públicas da BYD.

O primeiro pedido de alteração extraordinária da LETEC para os automóveis Song Plus, Dolphin e Yuan foi protocolado em 23 de fevereiro [Nº Processo SEI Público: 19971.000141/2025-30]. O segundo pedido, para as picapes Shark e outra versão mais compacta e inédita, em 9 de março [Nº Processo SEI Público: 19971.000190/2025-72] justamente quando já deveria haver operação fabril nos prédios que, até onde a reportagem apurou, ainda nem estão prontos.

Executivos, especialistas e consultores ligados diretamente à cadeia automotiva consultados, que concordaram falar sobre este tema sob a condição de anonimato, disseram que essas manobras da BYD prejudicam o desenvolvimento da indústria nacional porque podem causar distorções nas regras comum a todos.

Nenhum desses interlocutores está surpreso ou critica a forma como a BYD tem se relacionado com os representantes do governo federal, cuja função é receber e encaminhar as demandas não só da fabricante chinesa mas de todas as outras empresas. O perigo é se esse lobby está ou não transcendendo as vias normais desse jogo de empresários e os poderes em nível municipal, estadual e federal.

Pedro Kutney, editor da revista AutoData, entrou em contato com a comunicação do governo da Bahia, questionando se o Estado tem acompanhado os recorrentes atrasos no cronograma e se a BYD estaria cumprindo tudo o que acordou para a sua instalação lá. Em nota, esta foi a resposta obtida:

“O governo do Estado acompanha a atuação da BYD na unidade de Camaçari, por meio da Secretaria da Desenvolvimento Econômico, que segue realizando visitas semanais à planta para realizar vistorias técnicas. O governo do Estado trabalha de forma integrada com as instituições federais, órgãos de fiscalização, sindicatos e representantes do setor produtivo, para garantir que o desenvolvimento econômico ocorra em harmonia com a valorização dos trabalhadores”.

Consultada, a assessoria de comunicação da BYD disse que estava buscando junto aos seus executivos respostas às questões enviadas por AutoData referentes aos seus pleitos sobre o Ex-tarifário abordados nesta reportagem. Mas até o prazo final para esta publicação as respostas não chegaram. Assim que obtivermos esse material atualizaremos a reportagem com a posição oficial da empresa.

Portanto, o que se tem na mesa, neste momento, são demandas que poderão, de fato, oferecer uma vantagem competitiva a apenas uma nova fabricante nacional em detrimento de investimentos que já estão em curso e outros que podem vir a ser anunciados muito em breve.

Mercado de usados cresce 5% no primeiro trimestre

São Paulo – As vendas de veículos usados somaram 3,7 milhões de unidades no primeiro trimestre, crescimento de 5,3% na comparação com igual período do ano passado, de acordo com os dados divulgados pela Fenabrave. Em março foram comercializadas 1,2 milhão de unidades, avanço de 1,9% sobre idêntico mês do ano passado e queda de 6,1% com relação a fevereiro.

Para Arcélio Júnior, presidente da Fenabrave, o mercado de usados reflete o bom momento do setor automotivo no País: “A comercialização de veículos novos impulsiona a entrada de usados nos negócios, o que mantém a oferta ativa e o ritmo das transações. Mesmo com a queda pontual de março observamos um crescimento sólido no acumulado do ano”.

O segmento de automóveis e comerciais leves registrou 2,7 milhões de vendas de janeiro a março, alta de 3,9% sobre 2024. No mês passado foram vendidas 865,7 mil unidades, leve incremento de 0,3% na comparação com março do ano passado e retração de 6,8% com relação a fevereiro.

Já o segmento pesado, de caminhões e ônibus, cresceu 4,3% no trimestre, com 91,4 mil veículos comercializados. Em março as vendas foram de 30 mil unidades, queda de 3,1% na comparação com o mesmo mês de 2024 e recuo de 8,2% com relação a fevereiro.

Mercedes-Benz reconhece concessionários por ações socioambientais e foco no cliente

São Paulo – A Mercedes-Benz reconheceu iniciativas de sustentabilidade e satisfação dos clientes de seus concessionários por meio do Prêmio de Responsabilidade Socioambiental, Prêmio Cliente Satisfeito e Programa de Certificação StarClass.

Em evento realizado em São Bernardo do Campo, SP, na fábrica da montadora, cada prêmio reconheceu três revendas. E foram certificadas, ao todo, 201 concessionárias da marca.

O 14º Prêmio de Responsabilidade Sociambiental, que busca exaltar ações alinhadas aos ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da ONU, junto aos parceiros de negócios e a toda cadeia produtiva, premiou iniciativa da De Nigris São Paulo chamada Eco Tags, que são chaveiros ecológicos feitos de material biodegradável e com sementes embutidas entregues aos clientes que adquirem veículos ou realizam serviços.

A Guanabara Diesel, RJ, também ganhou destaque pelo projeto Jovens do Futuro, em que treze jovens em situação de vulnerabilidade tiveram treinamentos técnicos e teóricos para que sejam inseridos no mercado de trabalho. E a STA Caminhões, do Rio Grande do Norte, venceu com a iniciativa Descarte Premiado, que incentiva o descarte correto de óleo queimado. Associado a programa de fidelidade para quem compra óleo no balcão de peças, a campanha oferece incentivo financeiro e garante o procedimento correto do produto usado.

A 12ª edição do Prêmio Cliente Satisfeito ressaltou ações dedicadas à entrega de soluções no atendimento e no relacionamento com os clientes. A Rodobens Imperatriz, PA, foi premiada pela iniciativa do Entrega Benz, em que um QR code aplicado na interface do caminhão facilita o acesso do motorista e do cliente às informações do veículo e revisão, dentre outras funções.

A Rodobens Marabá, PA, também foi reconhecida pelo Status Manutenção, que por meio de plataforma on line o cliente pode acompanhar a manutenção do veículo na oficina, desde a entrada até a conclusão dos serviços. E a Sperandio Chapecó, SC, venceu com a Solução Completa Sperandio, projeto realizado em parceria com a Fabet, que atrela a venda de veículos à indicação e capacitação de motoristas.

Por fim o Programa de Certificação StarClass, com o propósito de estabelecer parâmetros de qualidade para alcançar a excelência no atendimento e na prestação de serviços e soluções para os clientes, certificou 105 concessionários em caminhões e 96 em ônibus, entregando troféus ouro, prata e bronze de acordo com o desempenho em cada segmento de negócio, além do troféu safira para os destaques regionais.

A grande vencedora geral do ano foi a Savana, de Ponta Grossa, PR, ao conquistar o Prêmio Diamante pela segunda vez nos últimos cinco anos. Para tanto o concessionário deve receber certificação ouro em todos os segmentos em que trabalha, além de obter a maior pontuação no ranking de indicadores de vendas e de peças & serviços. Ainda é necessário ter inscrito projetos nos Prêmios de Responsabilidade Socioambiental e Cliente Satisfeito.

Desta forma o Grupo Savana acumula quatro certificações Diamante nos últimos cinco anos, sendo que as outras duas foram conquistadas pela Savana Joinville, SC.

Guerra tarifária aprofunda necessidade de localização

São Paulo – A guerra tarifária foi um dos principais pontos debatidos no painel que reuniu as fabricantes de autopeças no Congresso AutoData Megatendências 2025. Gastón Diaz Perez, presidente da Bosch, e Sérgio Kramer, diretor geral da unidade de negócios de veículos comerciais e fora de estrada do Grupo Mobility América do Sul da Eaton, disseram ainda não ser possível calcular o impacto das mudanças abruptas nas tarifas, mas ressaltaram que a guerra comercial torna ainda mais importante a necessidade de se localizar.

No caso da Eaton o processo de localização foi uma dupla saída, pois representa a união da engenharia nacional e nacionalização da produção: “Hoje a nossa importação vinda de fora vem se reduzindo em função dos nossos investimentos em P&D. A gente conseguiu avançar muito na diminuição da nossa dependências de importados. Reduziu bastante, drasticamente. A nossa base de exportação é maior do que a de importação”. 

Na Bosch a situação é parecida com a da Eaton: a companhia também exporta mais do que importa. No entanto a maior parte dos envios é para a terra de Donald Trump. 

Gastón Diaz Perez, da Bosch. Fotos: Patrícia Caggegi.

“Os Estados Unidos são o nosso principal destino de exportação. É difícil falar o que vai acontecer porque ainda não está claro. Eu acho que o que foi definido na semana retrasada, principalmente com relação aos Estados Unidos, ainda não é a fotografia final que veremos.”

De toda forma o executivo esclareceu que a guinada da economia mundial não influenciará as decisões de curto prazo.

Novas tecnologias específicas para o Brasil

O investimento em novas tecnologias produzidas no Brasil ainda esbarra em limites, especialmente as tendências mais sofisticadas: “Se a gente fala em desenvolver o carro autônomo não será no Brasil ou na América Latina, será na China ou nos Estados Unidos. Temos que escolher quais são as nossas batalhas. Uma história da Bosch é o flex e os biocombustíveis, uma vocação da região. Investimos na fábrica de Campinas para continuarmos desenvolvendo os híbridos flex”. 

Os flex diesel também representam um novo filão para a empresa: “Começamos a misturar diesel e etanol em motores do ciclo diesel, conseguimos uma mistura de até 50%”, segundo Gastón, que ressaltou a aplicação da tecnologia para mineração e agro. O Brasil responde por 20% desses setores mundialmente. 

O agro é impulsionador de novas tecnologias que são absorvidas mais rapidamente, uma aposta que inclui semeadoras e sistemas de plantio inteligente e agroquímico, com um spray mecanizado que funciona a mais de 20 km/h e aumenta a velocidade do processo, tudo envolvendo inteligência artificial e o desenvolvimento de software. Tecnologias locais que serão exportadas. Perez ressalta que, em 2019, havia 250 profissionais trabalhando em software, número que subiu para 1 mil na atualidade.

Sérgio Kramer, da Eaton. Fotos: Patrícia Caggegi.

“Um movimento que a Eaton vem fazendo é comparar os custos e eficiência de desenvolvimento da nossa engenharia local versus as outras regiões”, disse Kramer, apontando a Índia como opção. Mas o custo é competitivo, uma vez que envolve o Mover e outras vantagens, incluindo uma cultura de proximidade com os fabricantes e de formação de força de trabalho. É uma área que está passando as últimas décadas praticamente sem crise na organização. 

Contratação maior de mulheres

Muitas vezes associada à influência de programas de assistência social, a falta de mão de obra não depende desse fator, segundo os profissionais: “Nós temos em algumas plantas algumas dificuldades com a rotação elevada. A questão acaba sendo o aquecimento da economia, as empresas contratando, investindo e atraindo mão de obra. A empresa aposta em recrutamento e formação. A nossa estratégia foi um programa para atrair mulheres. O que a gente observou é que a rotatividade delas acaba sendo menor do que a dos homens”.

De acordo com Kramer os homens têm uma tendência de trocar de emprego por algum motivo enquanto as mulheres valorizam mais a posição. 

Perez afirmou que a rotatividade e dificuldade de encontrar e formar profissionais no Brasil não é grave quando comparada aos outros mercados da Eaton, incluindo Estados Unidos, México e Índia, permitindo ainda contratar mão de obra especializada, pois a empresa desenvolve mais talentos novos do que a necessidade, chegando a exportar profissionais para outros países. A formação de jovens é capaz de suprir a busca de profissionais.  

Parceria da Horse com a WEG gerou solução local de baixa emissão

São Paulo – A parceria da Horse com a WEG é uma demonstração das oportunidades que o Brasil oferece na transição energética. A sinergia, segundo Márcio Melhorança, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Horse, está na complementaridade que existe da Horse, uma fabricante de motores, com a WEG, focada na parte elétrica: 

“Juntamos dois know-hows e foi fundamental para desenvolver este que é o primeiro range extender a etanol do mundo”, afirmou durante o Congresso AutoData Megatendências 2025, no qual participou de painel junto com Alex Passos, gerente de powertrain da WEG. O motor a combustão, Horse, e o elétrico, WEG, equipam o ônibus Volare híbrido. 

Passos justificou: “Somente o sistema elétrico não sustentaria uma operação municipal ou interestadual”.

A Horse é nova: foi fundada em 2023 a partir da separação das operações de motores a combustão do Grupo Renault, em parceria com a Geely e a Aramco. A WEG, por sua vez, tem 54 anos de produção de energia, incluindo geração de energia solar, eólica, sistemas eletrônicos e uma ampla gama de componentes.

No sistema ranger extender com motor flex do Volare a WEG consegue pegar o torque e rotação da ponta do eixo do propulsor Horse, e por meio de um gerador transformar em energia elétrica: “Tudo que nós precisávamos para a hibridização de um veículo a etanol estava pronto. O produto foi bem aceito”.

Alex Passos, gerente de powertrain da WEG. Fotos: Patrícia Caggegi.

A Marcopolo, que estava desenvolvendo um veículo híbrido com etanol, foi vetor desta parceria. O sistema agora está em fase de testes em Caxias do Sul, RS, fazendo as calibrações adequadas.

Economicamente viável

Um ponto interessante é que o range extender consegue reduzir em torno de 50% o tamanho da bateria em comparação a um veículo elétrico, impactando positivamente na redução de custo e peso. O motor em operação recarrega a bateria e aumenta a autonomia – a recarga pode ser feita na tomada ou com o uso de combustível para gerar energia ao gerador. Para o diretor da Horse isto tornou o projeto economicamente viável.

O tipo de aplicação e da potência podem determinar qual motor a Horse acha mais adequado: até 100 kW poderiam utilizar o 1.0 turbo e acima de 100 kW o motor 1.3 turbo, ambos com produção nacional.

Atualmente os projetos focam na aplicação do range extender em veículos comerciais leves e nos futuros modelos da Lecar, fabricante nacional de eletrificados. Também estão sendo realizados testes em veículos comerciais e caminhões com PBT de 14 toneladas. Adicionalmente a solução está sendo avaliada para veículos agrícolas e até embarcações.

Márcio Melhorança, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Horse. Fotos: Patrícia Caggegi.

Melhorança informou que o sistema, ainda em fase de homologação, pode ser regulamentado em termos de eficiência energética como veículo elétrico e outros como híbrido leve: “Estamos discutindo como regulamentaremos tudo isso para poder homologar a sua eficiência energética”.

De olho nas exportações

Com todo seu potencial o projeto passou a ser um eixo estratégico para a Horse, inclusive para exportação. Onde houver necessidade de autonomia, dificuldade em acesso a uma rede para recarregar e infraestrutura o range extender pode ser uma solução.

O etanol e a tecnologia do range extender são complementares: “Ao analisarmos a cadeia do poço à roda podemos considerar uma quase neutralidade de carbono. Assim, um veículo que utilize uma solução range extender a etanol poderia, por que não, obter um selo verde, sendo bem aceito em outros países, além do Brasil”.

Nem eletrificar nem descarbonizar: a meta deveria ser desfossilizar.

São Paulo – Os termos eletrificação e descarbonização são questionados por Gonçalo Pereira, professor e líder do laboratório de genômica e bioenergia da Unicamp, que palestrou no Congresso AutoData Megatendências 2025. Para ele “o problema não é o carbono, o problema é o carbono fóssil. Não é a combustão, mas o combustível. Precisamos desfossilizar o planeta”.

O uso de baterias não é a única alternativa para retirar emissões de CO2 da atmosfera, segundo o professor.

“Uma coisa é a emissão local, em que a bateria acaba não gerando emissões porque não emite ou tem escapamento. Mas a outra coisa é a emissão global, aquela que gera gases do efeito estufa. Quando a bateria descarrega ela é recarregada com usinas que geram eletricidade por meio da combustão.”

É o que faz um Tesla poluir mais na Alemanha do que um carro diesel, ou a enorme frota de carros elétricos na China, mas que são abastecidos por usinas de combustível fóssil, reforça Pereira. O processo de mineração é outro agravante.

Como é extraído com base em matéria orgânica e de culturas que já anularam parte do carbono graças ao processo de fotossíntese o biocombustível tem pegada de carbono 14% menor do que a de um carro elétrico.

Existem contrapontos: enquanto um motor térmico tem apenas 35% de eficiência um elétrico chega a 90%. Ainda assim o professor enxerga a situação por outro viés, ligando o nível de emprego ao uso de outras tecnologias: “O motor normal tem peças e peça é emprego”, lembrando que um propulsor elétrico tem menos peças e, com isso, pode eliminar posições de trabalho sem chegar ao objetivo de diminuir as emissões globais.

“O Brasil precisava de R$ 1,5 trilhão para ter uma rede mínima de suporte aos modelos elétricos. Se você colocar esses ônibus elétricos de São Paulo para rodar todos ao mesmo tempo o bairro simplesmente para.”

Biocombustíveis como geradores de emprego e combate à fome

A já antiga questão de que área que poderia ser usada para plantio no lugar de geração de combustível é relativizada pelo professor. Segundo dados o Brasil produz alimentos para 1,6 bilhão de pessoas, bem além da sua população de 213 milhões. O excedente, portanto, comprova que a geração de biocombustível, tais como etanol, biodiesel ou biometano, não compromete o cultivo ou rebanhos. 

Fotos: Patrícia Caggegi.

Nem por isto a insegurança alimentar é zero. De acordo com Gonçalo Pereira o País alcançou 6,6 pontos no Índice Global da Fome. Para resolver a questão a defesa do trabalho é a principal arma: “Se o cara tem emprego ele tem segurança alimentar”.

O especialista ressaltou que, além de combater a fome de maneira direta, a geração de empregos é outra vantagem dos biocombustíveis. Apenas o setor automotivo gera 2 milhões de empregos diretos, respondendo por 3% do PIB. O setor sucroenergético soma outros 800 mil empregos e representa 2% do PIB. Juntos, os setores formam 5% do PIB.
Somado a isto o setor de soja e biodiesel vai muito além, empregando 16 milhões de pessoas, o que dá 2,23% de todos os empregos do país. Nada menos que 15% da população economicamente ativa do Brasil. É uma cadeia de valor tipicamente nacional. 

A distribuição de plantas de produção pelas regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste permitiu a pulverização de oportunidades pelo Brasil. Somente as regiões Sul e Norte carecem de mais unidades. 

Tecnologia de biometano

Em um momento em que a discussão da eletrificação da frota de ônibus está gerando debates o professor defende uma alternativa: o biometano como matriz para a transição ecológica.

O processo de produção de biometano pode vir de várias fontes de matéria orgânica, exemplos da cana, sisal, agave, aterros sanitários e criadouro de porcos. Tudo é colocado em um biodigestor anaeróbico até gerar biogás. Após um processo químico o biogás gera o biometano de alta pureza, uma alternativa para abastecer veículos, gerar energia para casas ou indústria, dentre muitas aplicações diferentes. 

Armazenado em tanques o biometano não requer demorados tempos de paradas, problema que aflige os ônibus elétricos. O professor Pereira contou que o consumo médio é de 40 m3 a 70 m3 de biometano por m². Como a distância percorrida diariamente pelos ônibus é de 350 km são necessários 140m3 a 245 m3 de biometano a cada dia. A cobertura poderia ser de 21% a 60% da frota atual.

Sérgio Habib fala sobre mercado brasileiro e chineses no Linha de Montagem

São Paulo — A nova entrevista da série especial Linha de Montagem AutoData traz como convidado Sérgio Habib, CEO da JAC Motors no Brasil. Um dos nomes mais experientes do setor automotivo nacional pelo lado comercial Habib compartilhou sua visão estratégica sobre os caminhos do mercado brasileiro em um momento de profundas transformações tecnológicas e comerciais.

Ao longo da entrevista Habib falou sobre a trajetória de seu grupo empresarial, os ajustes de rota desde a chegada da JAC ao País em 2011, e como ele enxerga o avanço da indústria automotiva chinesa no cenário global — com destaque para o que pode representar para o mercado brasileiro.

“A indústria chinesa está se reinventando e é impossível ignorar sua força. Mas o Brasil tem suas particularidades e oportunidades que precisam ser respeitadas.”

Ele também comentou as perspectivas para os veículos 100% elétricos no Brasil e como vê o comportamento do consumidor diante dessa transição energética. Segundo o empresário não há risco de uma invasão de veículos chineses no Brasil, como muitos temem: na sua visão a atuação dessas marcas ficará restrita a uma faixa de mercado situada acima de R$ 150 mil, o que, na prática, representará algo em torno de 6% do total de vendas.

Para ver esta entrevista clique aqui ou confira abaixo:

VW Caminhões e Ônibus entrega 130 caminhões para Grupo Multilixo

São Paulo – Entraram em operação 130 caminhões Volkswagen para a coleta de resíduos adquiridos pelo Grupo Multilixo este ano. Os novos veículos são dos modelos Constellation 18.260, 26.260 e 31.320 e Delivery Express, para trabalhar tanto como compactadores e coletores quanto como poliguindastes e roll on/off.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus disse ter sido pioneira na oferta de veículos customizados, também conhecidos como vocacionais, para clientes no Brasil. Segundo a empresa as configurações da família Constellation ultrapassam a casa das centenas de veículos para os mais variados tipos de negócio.

Iveco e Foton assinam memorando para futuras colaborações no Brasil

São Paulo – Iveco e Foton assinaram memorando de entendimento a fim de explorar potencial colaboração no desenvolvimento de soluções inovadoras focadas nos mercados brasileiro e argentino. Desde 2024 as marcas já vêm identificando oportunidades de cooperação.

A Iveco afirmou que Brasil e Argentina são mercados estratégicos em suas operações e que a iniciativa vem a somar na busca por soluções inovadoras e de alta qualidade, ao passo que a Foton reconheceu que a reputação da parceira no mercado latino-americano traz oportunidades para fortalecer seu papel na região.

Produção de motocicleta supera as 500 mil unidades no primeiro trimestre

São Paulo – A produção de motocicletas atingiu o melhor resultado para o primeiro trimestre dos últimos 13 anos, somando 501,1 mil unidades, de acordo com dados divulgados pela Abraciclo, entidade que representa a indústria de duas rodas no Brasil. Na comparação com igual período do ano passado houve crescimento de 14,4%.

Em março foram produzidas 158,3 mil motocicletas, também o maior volume mensal dos últimos 13 anos. Na comparação com março do ano passado o incremento foi de 1,4%, mas com relação a fevereiro houve queda de 10,4% por causa do feriado de carnaval, segundo a Abraciclo:

“O polo de duas rodas em Manaus segue em forte ritmo de produção para atender à alta demanda do mercado”, disse Marcos Bento, presidente da Abraciclo. “Este mercado encontra na motocicleta uma alternativa econômica para a mobilidade urbana e utilização profissional.”

Já o varejo registrou o maior volume de vendas da história em um primeiro trimestre, com 474 mil motocicletas emplacadas, alta de 9,6% sobre iguais meses do ano passado.

Março de 2025 também atingiu o melhor resultado para o mês em todos os registros da Abraciclo, com 166,1 mil vendas, volume 8,7% maior do que em idêntico período de 2024 e 6,5% maior do que o de fevereiro.

As exportações cresceram 2,8% no trimestre, com 9,6 mil unidades embarcadas. Em março foram exportadas 4 mil motocicletas, volume 1,2% menor do que o de março do ano passado e 44,8% maior do que o de fevereiro.