Após mostrar as novas projeções da Anfavea para este ano, indicando queda de 5,5% na produção e de 19% nas vendas internas, o presidente da entidade, Antônio Megale, defendeu em sua palestra no Seminário Revisão das Perspectivas 2016, na manhã da segunda-feira, 13, a definição de uma nova política industrial para o setor. Ele disse já haver conversas com o governo nesse sentido, mas ressaltou que é preciso acelerar o processo de debate: “Já estamos atrasados nesta discussão. O Inovar-Auto tem metas estabelecidas para 2017 e precisamos definir novos rumos. É hora de nos prepararmos para o futuro”. Megale ressaltou os pontos positivos do programa, dentre os quais a melhoria de eficiciência energética dos automóveis nacionais e maiores investimentos em P&D, mas admitiu pontos falhos principalmente no que diz respeito à base fornecedora de componentes.
Na sua avaliação, a indústria de autopeças não foi devidamente contemplada no Inovar-Auto: “Temos de definir medidas para fortalecer a base fornecedora, para garantir que toda a cadeia automotiva seja mais competitiva. É nessa linha, principalmente, que vamos discutir com o governo. Temos de dar continuidade aos pontos positivos e atacar os negativos”.
O presidente da Anfavea defendeu ainda uma política industrial com regras e propostas menos complexas do que as contidas no Inovar-Auto. “Há regulamentações desse programa não implantadas até hoje devido à sua complexidade”. De qualquer forma, o Inovar-Auto trouxe de positivo investimentos de R$ 85 bilhões no período 2012/2018, dos quais R$ 15 bilhões direcionados à P&D.
Balanço – Em 2012 havia 57 unidades industriais no País, hoje são 67, incluindo a da Jaguar Land Rover que inaugura nesta terça-feira, 14, fábrica no Rio de Janeiro. Em contrapartida, o mercado retraiu 33% de 2013 até agora, gerando 52% de capacidade ociosa no setor como um todo. A previsão da Anfavea para este ano é a de um mercado interno de 2 milhões 80 mil veículos, volume 19% inferior ao obtido em 2015. A produção deverá alcançar 2 milhões 290 mil unidades, queda de 5,5% em relação ao ano passado.
Megale reconheceu que a situação é bastante difícil, mas disse que começam a aparecer os primeiros sinais de que as coisas vão melhorar. De positivo falou das exportações em alta, com perspectiva de crescerem 21,5% este ano, total de 507 mil unidades embarcadas até dezembro.
Com relação ao futuro de curto prazo, Megale disse esperar estabilização do cenário político-econômico, retomada da confiança da população e dos investidores, previsibilidade das regras e busca de novos parcerias bilaterais com vigência efetiva dos acordos negociados: “O Brasil fechou acordo com a Colômbia e o Peru, mas nos dois casos a parceria ainda não foi colocada em prática.”
O presidente da Anfavea defendeu ainda a necessidade de haver uma adequação da carga tributária, destacando ser necessário criar condições para que o setor no futuro venha a crescer de forma sólida e consistente.