O atual momento pelo qual atravessa o segmento de caminhões é dramático, no entanto, já se percebe no ar o começo de um retorno da confiança do consumidor, o mais importante item no processo de decisão de compra. Essa foi a impressão unânime dentre os participantes de painel a respeito do mercado de caminhões no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2016, ocorrido na segunda-feira, 13, no Centro de Convenções Milenium, em São Paulo.
Ari Carvalho, diretor de vendas e marketing caminhões da Mercedes-Benz, lembrou que apesar do mercado grande, como o brasileiro, sem confiança o consumidor não compra e ainda vê muita indefinição, fazendo com que o comprador ainda espere para ver o que vai acontecer com País no cenário político-econômico, mas “se ainda não chegamos no fundo do poço, estamos muito perto dele.”
Da mesma maneira, João Pimentel, diretor da operação Ford Caminhões para a América do Sul, acredita nos sinais de melhora que estão surgindo no mercado, como o aquecimento de negócios ocorrido no segmento de máquinas em virtude da Agrishow. “É um dado importante, porque são notícias assim que começam a puxar o mercado.”
Bernardo Fedalto, diretor de vendas de caminhões da Volvo, reforçou a melhoria nos números da macroeconomia divulgados nos últimos dias, o que faz com que ele acredita que o mercado de caminhões terá um aquecimento ainda este ano e, como seus pares, reforça: “A confiança do empresário está voltando, mas o processo de decisão de compra pode demorar um pouco mais. Por isso não acredito em uma reação a curtíssimo prazo, mas movimento maior lá por agosto, setembro, isso ainda se as medidas da nova equipe econômica do governo interino realmente forem introduzidas.”
O vice-presidente de vendas da Iveco para a América Latina, Marco Borba, também concorda com o representante da Volvo, e completa ao dizer que pelo menos agora há uma linha de ação da nova equipe econômica e “pode fazer com que a confiança volta, porque o desastre ocorrido até agora no segmento não foi falta de mercado”.
Todos os representantes, porém, trabalham em um cenário de recuperação lenta e gradual, embora eles concordem com capacidade do segmento de reagir rápido, como costuma acontecer historicamente com o mercado de caminhões. “É uma questão de oportunidades, de elas serem capazes de gerar demandas, como concessões, obras de infraestrutura, safras agrícolas. Entretanto, o mais importante agora é destravar a economia.”
Borba, da Iveco, também acredita que esse longo período de baixa no mercado de caminhões pode estar gerando uma demanda reprimida, podendo acelerar um pouco as compras e enfatiza também que o consumidor ainda não se adequou às novas regras de financiamento com a extinção do PSI. “Com essa nova realidade, o empresário está custando mais a se adequar, o que sinaliza um retomada de maneira mais gradual.”
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