O presidente da MAN, Roberto Cortes, acredita que o segmento de caminhões chegou ao fundo do poço e, portanto, os próximos meses deverão sinalizar o início da recuperação.
“Apesar de ainda ser um ano de queda, os volumes de vendas já são diferentes do começo do ano. Se o mercado absorveu de 3,5 mil a 4 mil unidades mensais, agora o patamar está de 4 mil a 5 mil”, observou o executivo durante sua apresentação no Seminário AutoData – Revisão das Perpectivas, realizado no Centro de Convenções Milenium, em São Paulo. “A partir deste mês deve crescer a média de venda e não será surpresa se o segundo semestre for pelo menos 15% maior do que o primeiro.”
De acordo com o dirigente da MAN, de abril para cá o cenário econômico é outro, com melhoria nos indicadores dos relatórios das instituições financeiras, como câmbio, juros, inflação e PIB. “Somente um ambiente mais favorável para se ter retorno do crédito, da confiança do empresário e da população em geral.”
Cortes voltou a destacar a dimensão da crise e que jamais viveu outra tão acentuada quanto a atual, especialmente no setor de caminhões. Para o executivo há uma conjunção de fatores única que torna o ambiente dramático para a indústria. “Em vez de o País crescer 3% ao ano, como se esperava a partir de 2013, temos uma baixa de 3,8%. Ou seja, a variação negativa acumulada é muito maior.”
Pressão – Depois, como lembrou o presidente da montadora de Resende, RJ, nos últimos quatro anos ocorreu maior pressão nos custos, com elevação, em média, de 50%. “Aumento nos custos sem repasse integral nos preços aliado a uma queda de vendas da ordem de 70% no período sem repasse dos custos no preço é mortal. Isso tudo nos leva a um volume de vendas do século passado, do fim da década de 1990.”
Para superar o momento difícil, o presidente da MAN disse que teve de tomar medidas de sobrevivência, como redução da jornada de trabalho na fábrica de Resende, hoje com um turno em quatro dias na semana produzindo oitenta caminhões e ônibus por dia, ajustes com PPE, suspensão temporária de trabalho, férias coletivas e PDV. “Redimensionamos nossa fábrica, reduzimos a empresa pela metade e apertamos o cinto para reduzir em 30%, no mínimo, nossas despesas, além de aumentar os preços de nossos produtos a fim de minimizar perdas.”
Quando indagado a respeito do ano que vem para os segmentos de caminhões e ônibus, Cortes preferiu destacar mais uma vez que o mercado de pesados chegou ao fundo do poço e que, a partir daí, começa a se recuperar. “Acredito que só no fim de 2018 veremos o mercado recuperado. Até lá temos de ver o que acontecerá e ter otimismo moderado, do tipo o pior já passou.”
Cortes também lembrou que o período exige uma nova maneira de trabalhar e enxergar o mundo. Assim introduziu processo na companhia que procura proporcionar uma ambiente com menos burocracia e hierarquia. “O Vire a chave – É hora de dar partida a uma nova era foi a maneira que encontramos de enfrentar o momento e pensar no futuro, com executivos mais jovens, novos produtos e busca de mercados.”
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