GM demite 150 e trabalhadores protestam em São Caetano do Sul

Os trabalhadores da General Motors de São Caetano do Sul, SP, paralisaram as atividades na fábrica por duas horas na tarde da quarta-feira, 13. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano o ato foi forma de protesto contra demissões realizadas pela montadora nos últimos meses.

Ainda segundo o sindicato desde a última sexta-feira, 8, 150 trabalhadores foram demitidos na unidade. Em nota o presidente da entidade, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, afirmou que “o objetivo do ato foi alertar a empresa sobre o descontentamento dos trabalhadores”.

Balanço feito pelo sindicato aponta que além dos colaboradores desligados outros 1 mil 286 estão afastados, sendo 819 em lay-off e 467 em licença remunerada por tempo indeterminado na fábrica.

Atualmente a unidade possui cerca de 10,5 mil empregados. Desde o início do ano a montadora abriu dois programas de demissão voluntária, PDV, na unidade, mas segundo o sindicato ambos atraíram ao todo apenas 49 pessoas.

Procurada a GM afirmou, por meio de nota, que “os ajustes realizados no quadro de empregados na fábrica de São Caetano do Sul fazem parte da rotatividade de pessoas natural da empresa”.

Enquanto isso a fábrica de Gravataí, RS, da GM seguiu sem produção pelo segundo dia consecutivo devido à paralisação do transporte de veículos 0 KM na unidade por motoristas que atuam para as empresas Tegma e Transzero, as duas principais para este serviço ali.

Em comunicado emitido na manhã da quarta, 13, a montadora afirmou que “lamenta que até o presente momento as transportadoras Tegma e Transzero não tenham reestabelecido suas atividades regulares de transporte de veículos, impossibilitando a retomada da atividade produtiva na fábrica de Gravataí”.

Segundo a GM 1 mil 944 veículos já deixaram de ser produzidos em Gravataí e aproximadamente 9 mil funcionários do complexo estão impossibilitados de trabalhar.

A nota acrescenta que “a GM reafirma seu compromisso de continuar as negociações esperando alcançar um acordo que não comprometa a competitividade dos produtos Chevrolet no mercado brasileiro”.

Volvo – Também na região Sul a greve da Volvo em Curitiba, PR, chegou ao quarto dia na quarta, 13. Depois que os metalúrgicos sindicalizados rejeitaram no dia anterior, em votação secreta, a proposta de montadora com 77% dos votos contrários, a paralisação foi mantida.

Na última semana a montadora notificou o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba que encerrará o segundo turno da produção de caminhões, o que acarretará em um excedente de 600 funcionários na unidade. Para que não haja demissões a Volvo sugeriu uma PLR 50% menor e reajuste salarial baseado na inflação, sem aumento real – em contrapartida a empresa manteria o nível de emprego até 31 de dezembro. A companhia reiterou que mantém sua proposta.

Segundo comunicado do sindicato a empresa solicitou uma votação mais abrangente, vez que com o formato realizado na terça-feira, 12, apenas 40% dos trabalhadores puderam votar. “A montadora tem expectativa de que com os votos dos não prejudicados pelas demissões e reduções de direitos pode conseguir aprovar sua proposta”, diz comunicado do sindicato. Para protestar contra as possíveis demissões os metalúrgicos fecharam a rua em frente à fábrica na manhã da quarta, 13.

“Não há como colocar para votar um engenheiro ou um técnico em contabilidade que não são associados ao sindicato e que não estão no pacote de demissões para votar uma proposta que vai atingir somente o chão-de-fábrica. Em vez de sentar para negociar uma proposta coerente de manutenção dos empregos, a Volvo prefere ficar usando os  trabalhadores administrativos para forçar e impor sua proposta”, disse em nota o presidente do sindicato, Sérgio Butka.

Olhos cobiçosos no cliente dos outros

Abril marcou mais uma virada de pagina na vida do setor automotivo no Brasil: o fim do lugar marcado no mercado de automóveis e comercias leves. Era movimento que vinha sendo ensaiado desde meados do ano passado, quando Gol, Palio, Uno e o recém-chegado Onix passaram a disputar as primeiras posições do ranking.

Impulsionado pela guerra de ofertas que se seguiu ao desaquecimento das vendas no quadrimestre, este movimento ganhou força em abril. Meras 243 unidades separaram o líder, Palio, do quarto colocado, Strada. Em segundo ficou o Onix e em terceiro o HB20.

E o tradicional líder anterior, o Gol, teve de se contentar, desta vez, com o sétimo lugar. Veio depois do Uno, o quinto, e do Ka, o sexto. E apenas um pouco à frente do oitavo, o Sandero.

A briga pela preferência dos consumidores ficou tão intensa e acirrada que faltando apenas três dias para o fechamento do mês o HB20 liderava, seguido pelo Onix. Assim, caso o mês tivesse um dia a menos de vendas, o ranking possivelmente seria diferente.

Chama a atenção, neste quadro, que, considerados os oito primeiro colocados, nada menos do que cinco montadoras – Fiat, General Motors, Hyundai, Ford e Renault – digladiam-se pela preferência dos consumidores.

E, se a abrangência da amostra for o Top-10, esta lista ganha a presença, também, do Corolla e, por decorrência, de uma sexta montadora, a Toyota. São seis diferentes montadoras disputando os dez primeiro lugares. Cada uma delas com olhos cobiçosos no consumidor da outra.

Trata-se, sem dúvida, de um forte indicativo de que o atual consumidor brasileiro de automóveis passou a ser absolutamente infiel a modelos ou marcas. E, mais que isto, está, sim, disposto a experimentar e eventualmente aderir a novidades, sejam de montadoras tradicionais ou de players relativamente recentes. A bordo de tantas e tão diferentes ofertas que passou a receber no bojo do atual ciclo de baixa nas vendas, o consumidor brasileiro parece ter descoberto, enfim, que agora pode escolher por dezenas de marcas e centenas de modelos.

E há mais um fato que chama a atenção nestes números de abril. Dos quatro modelos mais vendidos dois são da Fiat, que tem forte peso do atacado em suas vendas. E os outros dois são da General Motors e Hyundai, que tem no varejo seu ponto mais forte.

Trata-se, em síntese, de fase de grandes mudanças conceituais e de estratégias. É momento de ocupação de espaços, de dança das cadeiras e, sobretudo, de troca de posições.

É fase de risco para alguns e de oportunidades para outros. De muitos riscos e de muitas oportunidades.

Como muito bem registrou André Barros, subeditor da Agência AutoData, na edição de 9 de maio, consideradas as vendas do quadrimestre, as três maiores montadoras – Fiat, GM e Volkswagen – registraram queda de vendas maior do que a média do mercado. Ou seja, entregaram parte de sua fatia para as demais, varias das quais recém-chegadas.

Na verdade, em toda a cadeia setorial automotiva, ninguém mais pode considerar seu lugar como conquistado e devidamente dominado. Ninguém mais tem lugar marcado neste setor.

Quem se der ao trabalho de pesquisar com mais profundidade os novos polos automotivos, sobretudo os que estão ficando pé no Interior paulista e no Sul do Rio de Janeiro, vai encontrar um bom número de empresas de autopeças recém-chegadas.

Boa parte delas tem sobrenome japonês ou coreano. Mas há também as que vieram como parte integrante da nova geração de veículos das montadoras tradicionais. O sobrenome, neste caso, pode ser alemão, francês, italiano, estadunidense ou sueco.

Muitas delas vieram por solicitação – talvez melhor seria dizer imposição – de montadoras para as quais já fornecem em seus países de origem. Focadas no inicio da produção local, a maior parte nem teve tempo, ainda, de se preocupar em se filiar ao Sindipeças, o que dificulta sua quantificação mais exata.

No entanto, executivos de vários destas empresas que visitaram AutoData em busca de informações gerais sobre o setor automotivo no Brasil disseram o óbvio: com um único cliente não será possível viabilizar sua atuação no País. E, assim, inevitavelmente, passada esta fase inicial de instalação, terão de sair à caça.

Ou seja: é bom dar uma boa polida na marca. De ponta a ponta de todo setor automotivo, tem gente com olhos cobiçosos no cliente dos outros.

Novo Focus terá tecnologias de carros autônomos

Previsto para chegar ao mercado brasileiro no segundo semestre, a nova geração do Ford Focus trará tecnologias de assistência ao motorista semelhantes àquelas de carros autônomos em testes nas ruas e estradas de Europa e Estados Unidos. O modelo que será produzido em General Pacheco, na Argentina, foi apresentado à imprensa na quarta-feira, 13, durante seminário sobre tecnologia automotiva promovido pela montadora.

Além dos já conhecidos SYNC AppLink, o sistema de conectividade controlado por voz já disponível em outros modelos da Ford, e da Assistência de Emergência, também oferecido em outros carros do portfólio, o Focus trará estacionamento automático e assistência de frenagem de emergência.

Ambas utilizarão sensores semelhantes aos aplicados em modelos autônomos. O estacionamento automático, por exemplo, dispensa a interferência do motorista em vagas paralelas ou perpendiculares ao automóvel. Mais: além de estacionar, o sistema auxilia nas saídas das balizas – tudo por meio de sensores ultrassônicos instalados na dianteira, nas laterais e na traseira do Focus.

A assistência de frenagem de emergência, chamada de Active City Stop, funciona por meio de sensores instalados no para-brisa que monitoram a movimentação do tráfego à frente durante todo o percurso, desde que o automóvel esteja a até 50 km/h. Ao detectar uma possível colisão, reduz a velocidade e aciona o sistema de freios.

“São tecnologias inéditas no segmento do Focus”, assegurou Marcio Alfonso, diretor de engenharia, diante de unidade do modelo, versão Titanium 2.0 PowerShift, exposta no evento. Ele não ofereceu pormenores, mas admitiu que as tecnologias não estarão nas versões de entrada do modelo.

Diferentemente das tecnologias já existentes no portfólio as duas novidades do Focus dispensam o uso do smartphone. Os quatro sistemas caminham na direção em que a Ford acredita estar rumando a indústria automotiva: carro autônomos e conectados.

Desde 2012 a companhia possui um Centro de Pesquisa e Inovação em Palo Alto, no coração do Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos. De lá saem as principais inovações da companhia, que serão aplicadas nos automóveis e em outros sistemas de mobilidade.

Ken Washington, vice-presidente de Pesquisa e Engenharia Avançada e responsável pelos laboratórios californianos, citou quatro megatendências que guiarão o futuro da indústria automotiva: urbanização global, classe média ascendente, qualidade do ar e mudança na atitude do consumidor. “Para isso precisamos criar a mobilidade inteligente.”

Com essas ideias nas pranchetas a Ford diversifica sua área de atuação. Além dos automóveis, que produz há cerca de um século, a companhia investe em bicicletas elétricas, que deverão trabalhar em conjunto com seus veículos e com sistemas de transporte urbano nas grandes cidades, e em sistemas de compartilhamento de automóveis.

Voltando aos carros, Washington acredita que os modelos autônomos são um caminho sem volta. “Auxílio em frenagens, manutenção dos modelos nas faixas e sensores de estacionamento, dentre outras tecnologias, tornam os modelos que estão nas ruas semi-autônomos. O futuro é reunir todas essas em um só veiculo, mas antes, precisamos melhorar a infraestrutura das cidades.”

Alfonso, diretor de engenharia, acrescenta outro importante componente: “Os carros não podem ficar mais caros, as tecnologias precisam ser acessíveis ao consumidor. Elas estão todas aí disponíveis e nosso trabalho é torná-las viáveis, a preços baixos, que o consumidor aceite pagar”.

Jeep fecha acordo de patrocínio com Flamengo

Pela segunda vez em dois anos o time de futebol do Flamengo, do Rio de Janeiro, contará com uma montadora na lista de patrocinadores. A FCA fechou acordo com o clube carioca e estampará a marca Jeep nas costas do uniforme, abaixo do número de cada jogador.

O anúncio ocorreu no estádio do Maracanã na quarta-feira, 13. Participaram do evento, pela fabricante, Sérgio Ferreira, diretor geral do Grupo Chrysler do Brasil e da marca Jeep na América Latina, João Ciaco, diretor de publicidade e marketing de relacionamento, e Marco Antônio Lage, diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade. O ex-jogador Zico foi uma das personalidades presentes.

Segundo o site da ESPN Brasil o acordo vale por oito meses – portanto durante todo o campeonato brasileiro de futebol deste ano – e custou R$ 4,5 milhões à FCA. Procurada pela Agência AutoData, a montadora não respondeu a pedido de entrevista.

Em 2013 e 2014 o Flamengo contou com patrocínio da Peugeot. Na mesma época outra montadora, a Nissan, patrocinava igualmente um time do futebol carioca, o Vasco.

Ironicamente a estreia do Flamengo utilizando o uniforme com o patrocínio Jeep acontecerá no domingo, 17, no Maracanã, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro contra o Sport – um dos maiores times de Pernambuco, Estado onde está instalado o Polo Automotivo Jeep, inaugurado recentemente.

A Jeep patrocina também o time Juventus, de Turim, cidade-sede da Fiat na Itália. Neste caso, entretanto, a montadora é a principal apoiadora da equipe, com seu logotipo colocado em lugar de destaque, na frente da camisa.

Fras-le, Mahle Metal Leve e Tupy têm resultados positivos no primeiro trimestre

Fras-le, Mahle Metal Leve e Tupy, três fornecedoras de peças com capital aberto, divulgaram balanços positivos dos resultados do primeiro trimestre. As duas primeiras apresentaram crescimento na receita, incentivadas, principalmente, pelo desempenho no mercado externo – a Fras-le pelo resultado de suas operações internacionais e a Mahle pelo aumento nas exportações. Já a Tupy conseguiu dobrar o lucro no período.

A Mahle Metal Leve apresentou avanço de 2,2% na receita líquida do primeiro trimestre, comparado com o mesmo período do ano passado, alcançando R$ 579,4 milhões – mesmo diante de cenário de queda de 17,1% nas vendas e de 16,4% na produção brasileira de veículos, principal mercado da companhia.

Em comunicado a companhia citou três razões para driblar a crise: aumento nas vendas para a reposição e nas exportações e ganho de participação no fornecimento às montadoras.

O faturamento com o segmento de reposição nacional avançou 1,4% no trimestre, para R$ 141,8 milhões. As exportações apresentaram crescimento de 10,4% para montadoras, alcançando R$ 216,4 milhões, e 24,8% para o aftermarket, somando R$ 29,7 milhões.

A fornecedora cita também seu desempenho acima da média do mercado nacional original como um dos fatores para a subida na receita. Enquanto a produção brasileira de veículos caiu 16,4%, o fornecimento de peças da Mahle recuou 7,5%. Segundo a companhia, “em função do ganho de participação de mercado e ao maior posicionamento em montadoras que apresentaram desempenho superior à média do mercado”.

A Fras-le também fechou o trimestre com aumento na receita líquida, que subiu 5,9% sobre os primeiros três meses de 2014 e somou R$ 203,4 milhões. O mau desempenho no mercado doméstico, onde a receita recuou 9,9%, para R$ 96,8 milhões, foi compensado pelas operações da companhia no Exterior, que geraram R$ 106,6 milhões em receita, aumento de 26%.

Segundo a fabricante de sistemas de freio de Caxias do Sul, RS, o atual cenário econômico nacional inspira cautela. “A Fras-le continuará focada no controle dos seus custos operacionais, buscando alternativas para reduzir estes efeitos no seu desempenho, além de trabalhar para ampliar ainda mais a participação no mercado internacional”, afirmou, em nota, o diretor de relações com investidores Vanderlei Novello.

A companhia projeta encerrar o ano com R$ 820 milhões de receita líquida consolidada.

A Tupy, por sua vez, fechou o primeiro trimestre de 2015 com ebitda ajustado de R$ 136,8 milhões, 2,5% mais que no primeiro trimestre de 2014. A margem ebitda foi de 17,4%, a melhor margem para o trimestre desde 2010. O resultado foi obtido apesar de queda nas receitas, que no período foram de R$ 788,1 milhões, 2,1% menor que o no ano anterior.

No mesmo período o lucro líquido da Tupy foi de R$ 61 milhões, melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2011 e alta de 101% ante primeiro trimestre de 2014.

Assim como para a Fras-le e Mahle Metal Leve grande parte da contribuição para o crescimento positivo dos números da Tupy veio do mercado externo, onde a empresa registrou ampliação de receita de 6,9% no primeiro trimestre em comparação há um ano, passando de R$ 570,8 milhões para R$ 610,3 milhões. No mesmo período, porém, a receita proveniente do mercado interno apresentou retração de 24,1%.

O resultado no mercado externo foi influenciado pela maior participação de produtos em ferro vermicular, ou CGI, de Compacted Graphite Iron, na América do Norte e à variação cambial. A participação destes produtos nas vendas foi de 13% no trimestre ante 10% em igual período de 2014. A participação do mercado externo na receita total da Tupy cresceu de 70,9% no primeiro trimestre de 2014 para 77,4% no deste ano.

Vendas de veículos crescem 4,6% nos Estados Unidos em abril

O mercado estadunidense de veículos comercializou 1 milhão 454 mil unidades em abril, em alta de 4,6% na comparação anual.

Segundo dados da Agência Reuters as vendas das montadoras asiáticas ficaram abaixo do esperado e impediram avanço maior.

As vendas da Toyota subiram 1,8% no período, enquanto as vendas da Honda caíram na mesma proporção. Na Hyundai os números foram 2,9% maiores na comparação anual, ao passo que na Kia caíram quase 1%.

No entanto, o vice-presidente de operações de vendas da GM dos Estados Unidos, Kurt McNeil, afirmou que “a indústria continua no caminho para ter seu melhor ano de vendas desde 2006”.

Há nove anos a indústria estadunidense comercializara 16,5 milhões de unidades, mesmo patamar das vendas anualizadas até abril.

Dentre as montadoras de grande volume as vendas da GM subiram 6% em abril, para 269 mil veículos, e mantiveram a companhia na liderança do mercado estadunidense.

Os números da Ford cresceram 5,4% no intervalo, para 222,5 mil unidades. Enquanto isso a Fiat Chrysler registrou aumento 5,8% nas vendas, para 189 mil veículos, puxada pela marca Jeep que saltou 20%.

Aluguel de caminhões desponta como oportunidade de vendas e serviços

As vendas de caminhões e serviços a empresas de aluguel de caminhões estão despontando como uma boa oportunidade a montadoras e concessionários. Isso porque companhias de diversos ramos têm recorrido a locadoras em vez de assumir financiamentos de veículos próprios.

Há ainda os casos de empresas que precisam de capital e, para levantar recursos, vendem os caminhões de sua frota e passam a alugar os veículos. Com dinheiro em caixa, podem investir em produtividade.

Algumas das empresas que atuam neste segmento são JSL, LM Terceirização de Frotas e Rodobens. Todas traçam estimativas positivas para o ano.

No primeiro quadrimestre deste ano a carteira de clientes da Rodobens Leasing e Locação, por exemplo, cresceu 15%. Carlos Ronaldo Paes Ferreira, diretor, relata que “para o cenário atual, trata-se de resultado surpreendente. Hoje temos carteira de 2 mil caminhões, número que antes era de pouco mais de 1 mil. Percebemos movimento crescente desde o ano passado”.

A empresa tem revenda Mercedes-Benz e observa que a busca por aquisições tem se deslocado para as locações. “E isso em todos os setores, da mineração ao varejo, passando pelo sucroalcooleiro.”

José Geraldo Junior, diretor comercial de pesados da JSL, explica que empresas que têm frotas estratégicas, mas que não têm o transporte como atividade-fim, vendem seus veículos para fazer caixa e investir em produtividade. “Por isso estimamos alta no faturamento de 20% a 30% neste ano. Alimentos, bebidas, energia e serviços são os setores mais aquecidos.”

A empresa aluga os caminhões e presta serviços de cuidados com a manutenção, documentação, gestão de multas, rastreamento e troca de pneus.

Na LM Terceirização de Frotas o horizonte também é promissor: Marcelo Taveira, diretor de compras de caminhões e distribuição, estima que novos contratos motivem a compra de 700 caminhões neste ano. “Nossas compras são sob demanda, com contratos fechados. Temos grandes negócios em andamento e a frota MAN e VW é maioria.”

Marcelo Guerra, diretor de negócios da LM, complementa afirmando que o atendimento da rede é ponto-chave, o que se reflete em movimentação nas concessionárias em todo o País:

“Nosso ativo são os veículos, por isso prezamos pela manutenção na rede autorizada e com peças originais. Temos total intenção de preservar o bem. Quanto mais bem cuidado for o caminhão, melhor para o cliente e também para nós, que conseguiremos maior retorno de capital.”

Para Rogério Rezende, diretor de assuntos institucionais e governamentais da Scania e vice-presidente da Anfavea, o movimento “é um negócio de nicho, mas que representa tendência e merece debate”.

ZF fecha dois novos contratos na Argentina

A ZF fechou dois novos contratos com clientes da Argentina, com fornecimento a partir da fábrica de San Francisco, em Córdoba. Para a Renault a companhia entregará amortecedores traseiros e dianteiros e a Suspensys, que pertence ao Grupo Randon, receberá sistemas de suspensão, eixos e outros componentes.

Em comunicado a sistemista afirma que cerca de 25 mil Renault Fluence serão equipados com os amortecedores dianteiro ST 22/32 e traseiro TT 13/27 produzidos na sua fábrica argentina, dos quais 50% terão como destino o mercado brasileiro. Ambos servirão às versões Standard e GT do sedã da Renault, também produzido na Argentina – em Santa Isabel, Córdoba.

Para Mariano Olocco, gerente comercial da ZF Argentina, o contrato abre possibilidade novas possibilidades na Renault. “A parceria pode render novos projetos para nossa planta”.

A Suspensys equipará seu novo modelo de suspensão com um novo conceito de amortecedor, o N-Damper N45, desenvolvido pela ZF. O cliente que receberá este produto não foi revelado.

Anibal Berberich, gerente de engenharia e desenvolvimento, contou no comunicado que a solução envolveu alto nível tecnológico de choque. “Ter a Suspensys em nossa carteira abre oportunidade para fortalecermos as relações com futuros clientes e reforça a nossa imagem como fornecedores de alta tecnologia”.

Com votação secreta do sindicato, greve na Volvo continua

A greve dos trabalhadores da Volvo, em Curitiba, PR, chegou ao terceiro dia na terça-feira, 12. A decisão pela continuidade foi tomada após reprovação, em votação secreta, da proposta apresentada pela montadora na tarde de segunda-feira, 11, ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba em reunião realizada no Ministério Público do Trabalho.

O impasse começou quando a Volvo informou o sindicato, na última semana, que fechará o segundo turno de produção de caminhões e isso acarretará em um excedente de 600 funcionários na unidade.

Segundo nota do sindicato durante a reunião a montadora propôs-se a rever os parâmetros da composição da proposta do acordo salarial, mas não garantiu a manutenção dos empregos na unidade paranaense.

A montadora informou, por meio de porta-voz, que manteve proposta apresentada anteriormente que inclui: adiantamento de R$ 5 mil da participação nos lucros e resultados, PLR, reajuste salarial com base no índice do INPC e garantia de emprego até 31 de dezembro de 2015.

Em votação secreta conduzida pelo sindicato com os trabalhadores sindicalizados – 1,5 mil dos 4 mil trabalhadores da companhia –  77% foram contra a proposta de retorno ao trabalho da Volvo.

Em comunicado o presidente do sindicato, Sérgio Butka, afirmou que “vários pontos da proposta estão colaborando para o impasse” e citou a falta da garantia dos empregos por um período maior, a ausência de lay-off para superar o momento, a PLR baixa e o reajuste salarial sem aumento real.

O porta-voz da montadora afirmou que a empresa foi surpreendida com o formato da votação, que privilegiou cerca de 40% da força de trabalho da unidade.

No Facebook do sindicato alguns trabalhadores da Volvo reclamaram da votação secreta apenas para sindicalizados. Alguns disseram estar insatisfeitos com a impossibilidade de se posicionar sobre o movimento. Na mesma rede social o sindicato alegou que os trabalhadores podem solicitar a ficha de sindicalização aos diretores da entidade.

Uma nova assembleia está agendada para quarta-feira, às 7h. O sindicato afirmou que continua a disposição da fabricante de caminhões e ônibus para buscar alternativas que garantam a manutenção dos empregos. A companhia, por sua vez, afirmou que manterá sua proposta.

GM interrompe produção em Gravataí

A General Motors do Brasil interrompeu a produção dos modelos Onix, Prisma e Celta na fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul, na terça-feira, 12, devido à paralisação do transporte de veículos 0 KM na unidade por motoristas que atuam para as empresas Tegma e Transzero, as duas principais para este serviço ali.

Em comunicado a montadora afirmou que “após fechar acordo com todas as transportadoras de veículos nas fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos, a GM lamenta a decisão de Tegma e Transzero de paralisar a retirada de carros da fábrica de Gravataí. Neste momento de dificuldades no mercado brasileiro, em que todos precisam unir esforços para superar os desafios e contribuir para a retomada da economia, nosso objetivo comum com todos os parceiros, fornecedores, transportadores e sindicato é manter a unidade operando em três turnos e esta ação unilateral vai forçar a parada da linha de produção”.

Na mesma nota a fabricante acrescento que “reafirma o compromisso de continuar as negociações sobre o custo do frete” e que “espera alcançar um acordo que não comprometa a competitividade dos produtos Chevrolet no mercado brasileiro”.

De acordo com porta-voz da montadora a interrupção da produção prosseguirá enquanto durar a paralisação dos transportadores.

Procurada pela reportagem, a Transzero não contava com executivo para comentar o tema, mas porta-voz assegurou que a paralisação não fora iniciativa da empresa e sim de motoristas autônomos terceirizados.

Já a Tegma enviou no início da noite nota de esclarecimento em que afirma ter sido “surpreendida com o comunicado da GM de que estaria em estado de greve, fato que não ocorreu”. A transportadora afirma que “manteve, até hoje, os procedimentos de carregamento dos veículos da planta de Gravataí, sendo impedida de operar plenamente em virtude do estado de greve do sindicato regional. Daí, não ser verdade que a Tegma paralisou suas operações”.

A interrupção produtiva ocorre ao mesmo tempo em que a montadora negocia com o sindicato dos metalúrgicos local. De acordo com comunicado do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, ocorreu na segunda-feira, 11, reunião com a diretoria de Recursos Humanos da GM. O diretor do SMG, Valcir Ascari, afirmou que os representantes dos trabalhadores foram chamados pela fabricante “para buscar, conjuntamente, uma solução que evite a demissão de funcionários”.

De acordo com o dirigente “o pátio está cheio de carros. Além da fábrica, os veículos estão espalhados nos Autódromos de Tarumã e do Velopark. A empresa cogita encerrar o trabalho de um turno e deixar a fábrica em dois turnos apenas. O Sindicato não aceita isso de jeito nenhum. Queremos negociar com a GM alguma solução para evitar a demissão dos funcionários”.

Ascari considerou na nota, ainda, que “daqui a pouco a economia volta a aquecer, mas o emprego não volta mais. Estamos pensando em uma solução. Queremos que os trabalhadores recebam salários cheios. Buscamos alguma alternativa que não penalize os metalúrgicos”. De acordo com o sindicalista outras reuniões com a fabricante seriam realizadas durante esta semana.