Venda de veículos leves no Peru cresce 36% no primeiro bimestre

São Paulo – Foram comercializados no mercado peruano, durante o primeiro bimestre, 41 mil 584 automóveis e comerciais leves, 36,8% acima do mesmo período em 2025. Os dados foram divulgados pela AAP, Associação Automotiva Peruana.

O crescimento de dois dígitos, na avaliação de Alberto Morisaki, diretor de Estudos Econômicos e Estatística da AAP, deve-se à combinação de fatores: “Houve melhora no emprego e na renda, em um contexto de aumento do investimento privado, juntamente com a recuperação do poder de compra da população, taxa de câmbio baixa, acesso ao financiamento e disponibilidade de oferta”.

Do total mais da metade, 22,5 mil unidades ou 54,3% dos veículos adquiridos, foram SUVs, avanço de 49,6% frente aos dois meses iniciais do ano passado. 

Do restante foram vendidas 7,7 mil picapes e vans, alta de 16,2% com relação ao primeiro bimestre de 2025, 5,9 mil unidades, 34% a mais no comparativo, e 5,3 mil caminhonetes, acréscimo de 26,4%.

Mercado de pesados cresce 40% no bimestre

No segmento de veículos pesados, de acordo com o diretor da AAP, a expansão da atividade produtiva em janeiro e fevereiro refletiu a maior necessidade de transporte de produtos e mercadorias em todo o país, impulsionando as vendas de caminhões e carretas. 

Foram comercializadas 4,1 mil unidades, acréscimo de 40,6% com relação aos primeiros dois meses do ano anterior. Quanto a ônibus houve incremento de 41%, para 835 unidades.

“O dinamismo econômico também se reflete em maior demanda por transporte para diversos fins, além da recuperação gradual do turismo.”

Diante do cenário positivo Morisaki projetou que o crescimento econômico em torno de 3%, impulsionado pelo investimento privado que gera empregos e aumenta a renda, continuará sustentando o consumo.

Alertou, no entanto, que alguns fatores de risco podem prejudicar o ritmo da economia e, por extensão, o do setor automotivo: “Dentre as principais preocupações estão a incerteza em torno das próximas eleições, a intensidade do fenômeno El Niño costeiro e os eventos geopolíticos internacionais”.

Produção de motocicletas tem o melhor primeiro bimestre em 15 anos

São Paulo — A produção de motocicletas no PIM, Polo Industrial de Manaus, atingiu o melhor resultado para um primeiro bimestre em quinze anos. Em janeiro e fevereiro saíram das linhas de montagem 348 mil 732 unidades, volume 1,7% maior do que o registrado no mesmo período de 2025, segundo levantamento da Abraciclo.

De acordo com a entidade o desempenho acompanha o aumento da demanda no mercado brasileiro e o planejamento das fabricantes. O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que a indústria mantém ritmo consistente de produção, sustentado pelo crescimento das vendas.

Em fevereiro foram produzidas 164 mil 104 motocicletas. O volume representa queda de 7,1% com relação ao mesmo mês de 2025 e recuo de 11,1% na comparação com janeiro. Segundo Bento o resultado já era esperado devido ao feriado de carnaval, que reduziu o número de dias úteis e impactou o ritmo das fábricas.

Produção por categoria
No acumulado do primeiro bimestre a categoria Street liderou a produção, com 180 mil 488 unidades, o equivalente a 51,8% do total. Na sequência aparecem os modelos Trail, responsáveis por 19,4% da produção, e as motonetas, com participação de 13,3%. O ranking se manteve semelhante na comparação mensal, com Street, Trail e Motoneta ocupando as três primeiras posições.

Cilindrada
A produção de motocicletas de alta cilindrada registrou crescimento de 22% no primeiro bimestre. No período foram fabricadas 9 mil 725 unidades, correspondentes a 2,8% do total produzido.

Mesmo com o avanço das motos mais potentes os modelos de baixa cilindrada continuam dominando o mercado em volume. No primeiro bimestre foram 270 mil 919 unidades produzidas, o que representa 77,7% do total. As motos de média cilindrada responderam por 19,5% da produção.

Em fevereiro, a distribuição permaneceu semelhante: baixa cilindrada somou 126 mil 123 unidades, 76,9% da produção, seguida pela média cilindrada, com 20,2%, e pela alta cilindrada, com 2,9%.

Vendas
No varejo os licenciamentos alcançaram recorde para o período. Em janeiro e fevereiro foram emplacadas 350 mil 110 motocicletas no País, aumento de 13,7% na comparação com o primeiro bimestre de 2025.

Considerando apenas fevereiro as vendas somaram 171 mil 548 unidades. O resultado representa alta de 10% com relação ao mesmo mês do ano passado e queda de 3,9% frente a janeiro, influenciada pelo menor número de dias úteis — 21 em janeiro contra dezoito em fevereiro.

A média diária de vendas foi 9 mil 530 motocicletas.

Exportações
As exportações também cresceram no início do ano. No primeiro bimestre foram embarcadas 8 mil 15 unidades, volume 43,1% maior do que o registrado no mesmo período de 2025. Em fevereiro a exportação somou 4 mil 748 unidades, resultado 70% superior ao do mesmo mês do ano passado e 45,3% acima do registrado em janeiro.

Carros conectados abrem nova fronteira de receita e podem criar mercado de US$ 50 bilhões

São Paulo — As montadoras estão acelerando mudança que presumem ser estratégica no setor automotivo para transformar as telas de infotainment dos veículos em um novo canal de mídia e de receita. O carro pode deixar de ser apenas um produto e passar a funcionar como uma plataforma digital em movimento, que gera dados, serviços e relacionamento contínuo com o consumidor. 

Com o avanço do software automotivo empresas do setor passaram a enxergar o interior do veículo como um espaço promissor para publicidade, serviços digitais e comércio integrado. Estimativas da indústria apontam que o chamado in-car e-commerce pode gerar cerca de US$ 120 por carro ao ano até 2030, criando um mercado potencial superior a US$ 50 bilhões globalmente.

Neste modelo motoristas poderiam receber ofertas contextuais integradas a sistemas de navegação e pagamento durante o trajeto, como descontos em combustível, restaurantes próximos ou serviços automotivos.

Para Leandro Guissoni, professor e diretor do mestrado profissional em marketing da FGV SP e cofundador da consultoria Decoupling, essa movimentação representa evolução natural, e tardia, do modelo de negócios da indústria automotiva: “Com conectividade, nuvem e inteligência artificial o carro passa a gerar novos fluxos de receita ao longo de toda a jornada do cliente.”

Disputa com empresas de tecnologia

Essa transformação ocorre em meio à entrada de grandes empresas de tecnologia no setor de mobilidade. Companhias como Alphabet, com a divisão de veículos autônomos Waymo, a Amazon por meio da Zoox, além da Tesla e da Uber, investem bilhões em software, inteligência artificial e plataformas de mobilidade.

Na avaliação de Guissoni, a disputa no setor automotivo passa a ser menos sobre motores ou manufatura e mais sobre quem controla o software, os dados e a interface digital do veículo.

Esta mudança também explica por que muitas montadoras tentam reduzir a dependência de plataformas como Apple CarPlay e Android Auto, que conectam smartphones ao sistema do carro e capturam parte da experiência do usuário: “Existe uma disputa clara por quem será o dono da tela dentro do carro”.

Diferente da publicidade em smartphones

Guissoni destaca que o potencial de monetização dos carros tem limitações importantes. A principal delas está na economia da atenção: enquanto smartphones são usados por várias horas ao dia, o tempo médio que uma pessoa passa dirigindo é significativamente menor.

Além disso, segundo o professor, o carro é um ambiente sensível do ponto de vista de segurança: “Um anúncio mal posicionado no celular gera incômodo. No carro pode gerar distração e comprometer a percepção de segurança”.

Por isto a publicidade dentro do veículo tende a ser altamente contextual — ligada à jornada de deslocamento e às necessidades imediatas do motorista.

Potencial bilionário, mas com cautela

Embora as projeções indiquem um mercado de mais de US$ 50 bilhões até o fim da década Guissoni avalia que este número pode ser otimista. Segundo ele o crescimento dependerá de fatores como expansão de veículos conectados, conectividade 5G embarcada, integração com pagamentos digitais, desenvolvimento do comércio dentro do carro, aceitação dos consumidores e regulação sobre uso de dados

Risco para a experiência do motorista

A adoção de publicidade dentro do carro também levanta preocupações sobre experiência do usuário e privacidade. Para o professor a linha que separa utilidade e invasão é clara: anúncios devem oferecer benefício imediato e contexto relevante, como indicar combustível mais barato no trajeto ou um restaurante próximo.

“Segurança e confiança são atributos centrais das marcas automotivas. Se a monetização comprometer a experiência ou a privacidade o dano pode ser maior do que o ganho publicitário.”

Uma transformação em curso

Mesmo com desafios o especialista vê a monetização das telas automotivas como parte de uma transformação estrutural da indústria. O setor automotivo está migrando de um modelo baseado exclusivamente em manufatura para outro centrado em software, dados e plataformas de mobilidade.

Nesse contexto Guissoni faz um alerta às montadoras: o maior risco estratégico é subestimar a velocidade com que empresas de tecnologia avançam sobre novos mercados: “Durante um século quem dominava o motor dominava a indústria. Nos próximos vinte anos quem dominar o software e a atenção do consumidor pode dominar a mobilidade”.

Descarbonização pesada

A motorização diesel representa apenas 12% da frota brasileira, estimada em pouco mais de 48 milhões de veículos [excluindo motos]. Mas são, principalmente, os cerca de 2,6 milhões de caminhões e ônibus em circulação os responsáveis por cerca de metade de todas as emissões de dióxido de carbono [CO2] dos meios de transporte rodoviário. São também eles os mais difíceis de descarbonizar porque são bens de capital que movimentam a economia e precisam da energia mais barata possível para operar com viabilidade econômica, o que até agora só o diesel derivado de petróleo consegue fazer completar o ciclo com maior eficiência de custo.

A eletrificação é uma alternativa difícil de aplicar em veículos pesados para longos percursos e também é muito cara, não prospera sem a compensação de subsídios públicos bilionários. Neste contexto os biocombustíveis emergem como opção mais barata para equacionar custos com a necessidade de reduzir ou anular a grande pegada de carbono fóssil do transporte de carga e passageiros.

Dentre os biocombustíveis disponíveis para veículos comerciais leves e pesados o biodiesel é, até o momento, a solução mais imediata, disponível e de menor custo para substituir as emissões de CO2 fóssil pelo biogênico. Isto porque este agrocombustível, produzido a partir de óleos vegetais e gordura animal, atrás do etanol é o segundo biocombustível mais utilizado no Brasil em larga escala, desde 2008 é adicionado em proporção obrigatória crescente ao diesel mineral. Assim já abastece todos os veículos da frota diesel em circulação no País sem que para isto seja necessária a adoção de uma nova tecnologia de propulsão.

VOLTA À ORIGEM DE BAIXO CARBONO

Esta reportagem foi publicada na edição 429 da revista AutoData, de Fevereiro de 2026. Para lê-la completa clique aqui.

Foto: Aprobio

Preços de novos e usados seguem estáveis em fevereiro

São Paulo – Os preços de veículos novos e usados apresentaram estabilidade em fevereiro em comparação a janeiro. Foi o que informou o Índice Webmotors, que calcula todos os meses as variações porcentuais dos valores dos carros anunciados na plataforma.

No caso dos híbridos 0 KM o índice apontou +0,041%, contra -0,182% em janeiro. Já no caso dos usados, embora ainda em território negativo, com -0,543%, houve melhora com relação aos -0,945% do mês anterior.

No mercado de elétricos, se os novos apresentaram estabilidade, os usados demonstraram recuperação mais expressiva, saindo de desvalorização de -0,698% em janeiro para -0,107% em fevereiro.

Segundo Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors, os dados refletem um mercado estável após os ajustes naturais do início do ano: “O destaque do mês fica para a recuperação no mercado de elétricos e híbridos usados, que registraram valorização nos preços com relação a janeiro, indicando o interesse crescente da população por esses modelos”.

Venda de implementos rodoviários reage em fevereiro

São Paulo – Foram emplacados, em fevereiro 9 mil 870 implementos rodoviários, 12,5% acima dos 8 mil 760 de janeiro. Mas as vendas do bimestre, 18 mil 630 unidades, mostram retração de 21,6% frente aos meses iniciais de 2025, quando foram comercializados 23 mil 762 produtos, de acordo com os dados da Anfir.

Na avaliação do presidente José Carlos Sprícigo a reação do mês passado foi motivada pelo programa Move Brasil, lançado em janeiro para incentivar a renovação da frota de caminhões e que teria gerado efeito indireto na demanda, uma vez que R$ 4,2 bilhões de R$ 10 bilhões já foram liberados para a compra de veículos.

“Está clara a influência do Move Brasil no desempenho dos fabricantes de caminhões. Agora resta saber se o mercado de implementos rodoviários seguirá sendo impactado.”

Ele disse, também, que a safra do agronegócio, em andamento, pode ter contribuído com o resultado.

Pesados têm maior alta no mês e queda mais expressiva no bimestre

O segmento pesado, que abrange reboques e semirreboques, registrou em fevereiro a venda de 5 mil unidades, crescimento de 15,5% com relação às 4,3 mil de janeiro. No bimestre, porém, ainda amarga retração de 24,6%, com 9,3 mil unidades, enquanto que no mesmo período do ano passado haviam sido vendidos 12,4 mil produtos.

O segmento leve, que abrange carrocerias sobre chassis, apresentou curva ascendente de 9,9%, com a venda de 4,8 mil itens em fevereiro, sendo que em janeiro foram 4,4 mil.

No acumulado do ano, diante do registro de 9,2 mil equipamentos, houve diminuição de 18,2% com relação ao primeiro bimestre de 2025, 11,3 mil emplacamentos. As sete linhas de produtos deste segmento apresentaram resultado negativo.

Geely EX2 lidera vendas globais de elétricos compactos em 2025

São Paulo — O hatch elétrico Geely EX2 foi o carro elétrico mais vendido do mundo dos segmentos A e B em 2025. O modelo também liderou o ranking geral de vendas no mercado da China no período.

De acordo com dados da fabricante o modelo registrou 465 mil 775 unidades vendidas de janeiro a dezembro de 2025. Também alcançou 500 mil unidades entregues em apenas catorze meses após o lançamento.

Além do mercado chinês o modelo já foi lançado no Brasil, Indonésia e Tailândia.

Em 2025 a linha de veículos elétricos da Geely somou cerca de 1 milhão 240 mil unidades vendidas, crescimento de 150% com relação ao ano anterior.

Características do modelo

O EX2 é construído sobre a arquitetura GEA e combina tração traseira com suspensão traseira multilink, solução incomum para compactos elétricos. O sistema de propulsão integra onze componentes em um único conjunto elétrico.

Caminhões Volkswagen comemoram 45 anos 

São Paulo — Em 10 de março de 1981, há 45 anos, saíram de linha os primeiros modelos de caminhões Volkswagen. Os pioneiros 11.130 e 13.130 deixaram a fábrica 4 de São Bernardo do Campo, SP, rumo à nova rede de concessionários autorizados.

Ao longo destes anos a VW Caminhões e Ônibus colecionou alguns marcos na indústria, como a criação do Volksbus. A marca conta com engenharia 100% nacional.

Hoje, com amplo portfólio, a Volkswagen Caminhões e Ônibus está focada em descarbonização e sustentabilidade. São mais de 1 milhão e 250 mil veículos em circulação no País e mais de 196 mil exportados.

Carde cria exposição imersiva pelos 100 anos de João do Amaral Gurgel

São Paulo — Para comemorar os 100 anos do nascimento de João Augusto Conrado do Amaral Gurgel o museu Carde, de Campos do Jordão, SP, preparou a exposição guiada de 90 minutos Amaral Gurgel – 100 anos de legado. Estará disponível até 30 de março.

A experiência inicia com a história de dois modelos, o Gurgel X-12 e o Itaipú E-400, e mostra diversos outros objetos pessoais e projetos de época.

Os carros que estarão em exposição para os visitantes do Carde são o Gurgel Ipanema, Gurgel X12, o Gurgel Itaipú E-400, este um modelo elétrico da pioneira brasileira. Também estarão presentes o Gurgel XEF, Gurgel Motomachine e o Gurgel Motofour.

GWM neutraliza emissões do transporte de veículos no Brasil

São Paulo — A operação logística da GWM no Brasil passou a contar com neutralização total das emissões de gases de efeito estufa associadas ao transporte de veículos da marca. A compensação abrange 7 mil 817 toneladas de CO₂ equivalente geradas nessas atividades e foi certificada pela Global Certification System.

As emissões consideradas incluem o transporte dos veículos da fábrica de Iracemápolis, SP, e do porto de Vitória, ES, até cerca de suas 130 concessionárias no País.

A neutralização foi realizada por meio de projetos ambientais vinculados à operação da transportadora Transportes Gabardo, responsável pela logística da GWM. O processo envolve a elaboração de inventário das emissões da operação, seguido da compensação por créditos ambientais baseados em projetos de captura e preservação de carbono. Segundo as empresas a compensação foi tornada viável por iniciativas ligadas à conservação florestal, manejo do solo e práticas agrícolas sustentáveis.

A certificação anunciada refere-se às emissões geradas nas operações de transporte da GWM no Brasil ao longo de 2024.