Um gás na bioenergia

O mais novo e promissor biocombustível a integrar a transição bioenergética dos meios de transporte rodoviário no Brasil é um gás que, a um só tempo, é um astro da economia circular que transforma passivos em ativos ambientais, sua produção a partir da decomposição de matéria orgânica fornece energia de baixa emissão e biofertilizantes para a agricultura, pode ser um produto adicional em usinas de etanol já estabelecidas e tem características que o tornam próprio para substituir o diesel e o gás natural fóssil da frota nacional de caminhões e ônibus.

Assim é o biometano que, a partir de incentivos da legislação e crescimento da oferta de veículos a gás, começa a engatinhar para ganhar maior protagonismo com expansão da produção e distribuição, mas tem potencial produtivo no País muito acima da demanda projetada para os próximos anos. Ou seja: precisa de mais estímulos pois tem muito terreno a ocupar na matriz bioenergética do País.

Para se ter ideia do imenso potencial, segundo calcula a ABiogás, Associação Brasileira do Biogás e do Biometano, existem recursos para produzir biocombustível gasoso suficiente para substituir 70% do diesel consumido no mercado brasileiro. No entanto o nível atual e projeção futura de produção gira bastante abaixo deste potencial e a demanda é ainda menor, em ritmo lento de avanço, embora as perspectivas sejam de crescimento expressivo nos próximos anos.

De acordo com levantamento da ABiogás existem no País, hoje, perto de oitenta plantas preparadas para purificar biogás captado de matéria orgânica e transformá-lo em biometano, mas, no início de 2026, a ANP, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, tinha autorizado apenas 23 a vender o produto. Com o aumento do consumo a perspectiva é de que este número avance para mais de duzentas unidades em operação após a virada desta década.

UM GÁS PUXA O OUTRO

Esta reportagem foi publicada na edição 429 da revista AutoData, de Fevereiro de 2026. Para lê-la completa clique aqui.

Foto: Agência Brasil/José Cruz

Produção de chassis reage, mas vendas de ônibus seguem em queda

São Paulo – Saíram das linhas de montagem 4,5 mil chassis de ônibus no primeiro bimestre, 5,4% acima dos dois meses iniciais de 2025, quando foram produzidas 4,2 mil unidades. Somente em fevereiro foram 2,7 mil unidades, acréscimo de 48,5% frente aos 1,8 mil de janeiro e 8,8% acima dos 2,4 mil de igual mês no ano passado, apontam dados da Anfavea.

Ao mesmo tempo em que é vista reação por parte das fabricantes de chassis o segmento está com o pé no freio dos emplacamentos, à espera do andamento de licitações públicas. As vendas diminuíram 33,4% no acumulado de 2026, com 2,4 mil veículos contra 3,7 mil no mesmo período em 2025. 

No mês passado, o comércio de ônibus, de 1,3 mil unidades, ficou 33,1% abaixo dos 1,9 mil de fevereiro do ano passado, mas, em comparação com janeiro, em que os emplacamentos somaram 1,1 mil unidades, houve crescimento de 10,7%.

E, com base no cenário previsto para este segmento, que tem parcela expressiva fiada no programa do governo federal Caminho da Escola, as dificuldades deverão continuar: o FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, confirmou a suspensão temporária, mais uma vez, da licitação de 7 mil 470 ônibus, aguardada para o início deste mês, o que foi noticiado por reportagem da Agência AutoData um dia antes da publicação no Diário Oficial da União.

A medida foi tomada, conforme o órgão, em razão de recentes alterações no marco legal e tributário que incidem sobre a aquisição de ônibus: “O novo contexto normativo impacta diretamente a composição de custos, a formação de preços e as condições de contratação, exigindo análise criteriosa para assegurar segurança jurídica, economicidade e isonomia aos participantes do certame”.

O governo federal decidiu voltar a cobrar, a partir de 1º de abril, impostos como PIS/Cofins e IPI, que destrava a isenção do ICMS, desde 2007, e onera de forma significativa a indústria, tanto fabricantes de chassis como encarroçadores. O presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, admitiu que este é assunto que traz grandes preocupações à entidade, por desencadear forte impacto sobre o setor.

“Há produtos que foram vendidos com uma regra tributária e agora serão entregues com outra, o que não foi computado em seu preço. Este é um problema extremamente grave. A Anfavea não só está ciente como está trabalhando junto do Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária] e de secretários da Fazenda para que esta alteração não venha a incidir sobre nós.”

De acordo com Calvet na próxima semana há reuniões agendadas com o governo para debater o assunto. E, recentemente, a Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, ingressou com ação no Confaz pedindo a retirada da cobrança do ICMS, que é o que mais pesará sobre os custos dos veículos.

O FNDE informou que já mantém diálogo com os órgãos competentes e com as instâncias responsáveis pela política tributária, “com o objetivo de identificar os caminhos possíveis e viabilizar a republicação do certame no menor prazo possível, preservando a regularidade do processo e o interesse público”. 

GAC abre pré-venda do SUV compacto a combustão GS3

São Paulo — A GAC iniciou na sexta-feira, 6, a pré-venda do SUV compacto GS3. A reserva pode pelo site e o consumidor deve pagar sinal de R$ 4 mil, valor que será abatido no preço final na hora da compra. Segundo Leonardo Lukacs, diretor de engenharia e manufatura da GAC, o novo SUV tem o papel fundamental de atender ao perfil predominante do consumidor local, ainda fortemente ligado a veículos a combustão.

O GS3 é equipado com motor 1.5 turbo a gasolina, de 170 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. O veículo também atende às exigências mais recentes do Proconve L8, programa brasileiro de controle de emissões.

Com a chegada do GS3 a GAC passa a ter seis veículos disponíveis no mercado brasileiro. O portfólio inclui os elétricos Aion ES, Aion Y e Aion V, o híbrido GS4 e o elétrico premium Hyptec HT.

Mesmo com Move Brasil produção de caminhões recua 27% no bimestre

São Paulo – O lançamento do programa Move Brasil, que busca socorrer a indústria de caminhões ao oferecer crédito a juros subsidiados com recursos do Tesouro e do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ainda não trouxe impactos significativos ao setor. Dados da Anfavea mostram que, no primeiro bimestre, a produção de 14,6 mil unidades recuou 27% com relação ao mesmo período em 2025, quando 20 mil unidades saíram das fábricas.

Quando analisado apenas fevereiro, em que 7,8 mil caminhões foram produzidos, o número está 14,5% acima dos 6,8 mil de janeiro mas 35% abaixo do resultado do segundo mês do ano passado, 12 mil unidades.

O presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, reconheceu que a reação mensal pode estar relacionada ao programa, ao ponderar que, embora o vice-presidente e ministro do MDIC, Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tenha relatado a contratação de R$ 4,2 bilhões por meio do Move Brasil, existe um tempo do faturamento ao emplacamento:

“Este intervalo de tempo costuma se estender por sete a doze semanas. Só então veremos melhor os números, nos próximos meses, provavelmente depois que o programa estiver encerrado. Há relatos de que pedidos de avaliação de crédito cresceram 50% de um mês para outro”.

Calvet destacou, ainda, que há questões relacionadas ao programa que são impeditivos, em menor escala, como o fato de ele ser aplicado a apenas um CNAE de transportador, o 4390, que abrange 65% do mercado, mas ao mesmo tempo são excluídos 35% dos compradores.

Vendas de pesados recuam 36,3% no bimestre

Foram comercializados no primeiro bimestre 13,1 mil caminhões, 28,7% a menos do que os 18,4 mil dos dois meses iniciais de 2025. Em fevereiro os 6,7 mil emplacamentos ficaram 3,3% acima dos 6,4 mil de janeiro mas 25,7% abaixo de igual período no ano passado, quando as vendas alcançaram 9 mil unidades.

Quanto aos caminhões pesados, os mais afetados, devido ao custo mais elevado, a Anfavea mostrou que o tombo é ainda maior, de 36,3% no acumulado do ano, 5,5 mil unidades, enquanto que no mesmo período de 2025 foram 8,7 mil unidades.

No mês passado houve estabilidade frente a janeiro, com 2,8 mil emplacamentos, leve alta de 0,5%. Com relação aos 3,9 mil na comparação anual a queda é de 28,2%.

“Os números ainda não mostram, mas vamos começar a ver, dado o valor negociado, que os resultados aparecerão”, assinalou Calvet, ao destacar que o número de empregos perdidos nas fabricantes de caminhões tem diminuído, ao totalizar 180 postos no bimestre, uma vez que no ano passado os cortes chegaram a setecentos profissionais, o que também é um indicativo. 

Renovação de frota pode ser destravada com recursos da Petrobras?

Perguntado sobre a possibilidade de o programa tornar-se perene, como sinalizou recentemente Alckmin, a partir do uso de um fundo com recursos da Petrobras, o presidente executivo disse que a entidade não foi consultada, mas que soube de conversas a respeito.

Em reportagem da Agência AutoData publicada no fim de fevereiro, fontes disseram que circulam nos bastidores de Brasília, DF, que o plano é estabelecer definitivamente programa de renovação de frota após o término da validade do Move Brasil, o que agora ganha mais força quando o vice-presidente da República sinaliza de onde poderia sair a verba.

“Não temos tanto conhecimento quanto às bases legais, aparentemente pode ser algo relativo a dispêndios em P&D. Mas precisaríamos deste arcabouço legal para perenizar a iniciativa”, apontou Calvet. “Não sei se é algo envolvendo apenas a Petrobras. Imagino que para ser definitivo seriam necessários diálogos intersetoriais, envolvendo toda a indústria de combustíveis.”

Importados perdem espaço no primeiro bimestre

São Paulo – Recuaram 4,5% os emplacamentos de veículos importados no primeiro bimestre, para 71,8 mil unidades. O feito foi destacado pelo presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante a divulgação dos resultados da indústria automotiva na sexta-feira, 6: para ele é um sinal de que a produção nacional está ficando mais robusta.

Outro dado ajuda a reforçar seu argumento: das vendas de veículos eletrificados, que representam em torno de 16% dos emplacamentos da indústria, 43% são produzidos no Brasil: “É fruto dos investimentos anunciados pelas associadas da Anfavea em 2024 e que começam a se materializar”.

Nos últimos anos as vendas de importados cresceram puxadas justamente pelos eletrificados, a maioria vindos da China. De janeiro para fevereiro, segundo a Anfavea, a importação de veículos chineses recuou 11%, para 15 mil unidades. O país asiático é o principal fornecedor de carros importados para o Brasil.

Neste período Toyota e Stellantis fortaleceram seu portfólio com veículos eletrificados produzidos em suas fábricas locais. GWM e BYD, duas marcas de origem chinesa, inauguraram as suas fábricas e passaram a ter veículos made in Brazil em seus portfólios.

Resultado do bimestre

Calvet destacou também a resiliência do mercado brasileiro de veículos, que fechou o primeiro bimestre no mesmo nível de janeiro e fevereiro do ano passado, com 355,7 mil unidades comercializadas. Mesmo diante de um cenário desfavorável do crédito, especialmente, que está caro e escasso.

Em fevereiro foram comercializados 185,1 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, volume 0,1% superior ao do mesmo mês do ano passado e 8,6% superior a fevereiro. A média diária superou as 10 mil unidades, destacou a Anfavea.

Argentina puxa e México ameniza queda nas exportações

São Paulo — As exportações de veículos produzidos no Brasil apresentaram recuperação em fevereiro na comparação com janeiro. No entanto, dados apresentados pela Anfavea nesta sexta-feira, 6, apontam forte queda no acumulado do ano com relação a 2025. O principal fator foi o recuo de vendas para a Argentina, enquanto o aumento dos embarques para o México ajudou a amenizar o cenário.

Ao todo o Brasil exportou 33,5 mil veículos em fevereiro, ante 25,9 mil unidades em janeiro, o que representa crescimento de 29,6% na comparação mensal. Apesar da alta o volume ficou bem abaixo do registrado em fevereiro de 2025, quando 50,8 mil veículos foram exportados — queda de 34%.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026 foram exportadas 59,4 mil unidades, contra 82,4 mil no mesmo período de 2025, retração de 28%.

Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a queda nas exportações ajuda a justificar a retração na produção da indústria no início do ano: “A produção caiu quase 9% e a maior explicação dessa queda está aqui: nossos embarques para o Exterior caíram drasticamente no acumulado do ano”.

De acordo com Calvet o início de 2025 teve um desempenho mais forte nas exportações. Ele destacou que a Argentina, principal destino dos veículos brasileiros, registrou recuo nas compras nos últimos meses, “apresentando queda de 3,8%”.

O desempenho do México ajudou a amenizar uma queda ainda maior, ele disse, “pois chegamos a embarcar 9,1 mil unidades em fevereiro, o que é um dado muito bom. Temos observado o crescimento do mercado mexicano como um todo da ordem de 4%. A Argentina caindo um pouco mais, mas o México podendo compensar, fizeram com que a gente caísse 28%.”

Calvet ressaltou que ainda é cedo para uma avaliação mais ampla do desempenho das exportações ao longo do ano: “Com apenas dois meses no acumulado a gente não consegue ter uma visão do todo. Precisamos acompanhar, ter mais dados para saber a sequência correta. Mas já nos chama atenção a queda no mercado argentino”.

Por segmento

No segmento de automóveis foram exportadas 23,9 mil unidades em fevereiro ante 19,8 mil em janeiro, o que representa crescimento de 20,7%. Apesar da alta mensal o volume ficou bem abaixo do registrado em fevereiro de 2025, quando 38,1 mil veículos foram embarcados — queda de 37,2%.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026 as exportações de automóveis somaram 43,7 mil unidades, contra 61 mil no mesmo período de 2025, retração de 28,3%.

No que diz respeito aos comerciais leves as exportações também cresceram na passagem de janeiro para fevereiro: foram 8,1 mil unidades embarcadas em fevereiro e 4,6 mil em janeiro, avanço de 74,8%. Na comparação com fevereiro de 2025, quando foram exportadas 9,9 mil unidades, houve queda de 18,3%.

No acumulado do bimestre o segmento registrou 12,7 mil exportações em 2026, ante 17,3 mil no mesmo período de 2025, recuo de 26,5%.

Produção de veículos cresce em fevereiro, mas segue em queda no bimestre

São Paulo — A produção brasileira de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus apresentou recuperação em fevereiro na comparação com janeiro, mas segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados na sexta-feira, 6, pela Anfavea. Foram produzidos 204,3 mil autoveículos em fevereiro, frente a 163,6 mil em janeiro, o que representa crescimento de 24,9%.

Na comparação com fevereiro de 2025, quando foram fabricados 222,6 mil veículos, houve queda de 8,2%. No acumulado do primeiro bimestre de 2026 a produção soma 368 mil unidades, enquanto que no mesmo período de 2025 foram 404 mil, o que representa recuo de 8,9%.

Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o crescimento mensal está relacionado à retomada do ritmo produtivo após um início de ano tradicionalmente mais fraco para a indústria. Ele explica que fatores sazonais ajudam a explicar o movimento de retomada: “Dezembro e janeiro são meses em que a produção tende a ser menor porque temos férias coletivas, feriados. Agora o que estamos vendo em fevereiro é a retomada do ritmo produtivo. Mas no acumulado, juntando os dois meses, ainda estamos perdendo com relação ao ano passado.”

Por segmento

No segmento de automóveis a produção passou de 124,2 mil unidades em janeiro para 152,3 mil em fevereiro, alta de 22,7%. Com relação a fevereiro de 2025, quando foram produzidas 165,8 mil unidades, houve queda de 8,1%.

No acumulado do bimestre a produção de automóveis chegou a 276,5 mil unidades, ante 306,6 mil no mesmo período de 2025, retração de 9,8%.

Com relação aos comerciais leves foram 41,5 mil unidades produzidas em fevereiro, frente a 30,8 mil em janeiro, crescimento de 34,8%. Na comparação com fevereiro de 2025, quando foram produzidas 42,4 mil unidades, houve queda de 2,1%.

No acumulado do ano o segmento registra 72,3 mil unidades produzidas, contra 73,1 mil no primeiro bimestre de 2025, redução de 1,2%.

Alexandre Aquino assume diretoria da BYD

São Paulo – A BYD contratou Alexandre Aquino para ser seu novo diretor de produto. O executivo, que acumula mais de duas décadas de experiência na indústria, passando por diversas funções na Stellantis, já está em sua nova posição e foi um dos porta-vozes dos mais recentes lançamentos, o Song Plus turbo e o Atto 8.

Aquino ocupava a vice-presidência de economia circular da Stellantis desde janeiro do ano passado. Antes passou pela liderança das marcas Fiat, Abarth e Jeep. Entrou na companhia por meio da Fiat, na área de marketing, em 2003.

Formado em engenharia mecatrônica pela PUC Minas tem pós-graduação em marketing pela Fundação Dom Cabral.

Cadillac confirma sua chegada ao mercado brasileiro

São Paulo – Às vésperas de sua estreia na F1, a principal competição de automobilismo do mundo, a Cadillac oficializa a sua chegada ao mercado brasileiro, o primeiro da região a ter a marca de luxo da General Motors. Sete décadas depois de sua saída, quando suas vendas e pós-vendas contavam com apoio das extintas lojas Mesbla, três modelos 100% elétricos foram confirmados no novo portfólio, agora representado pela própria GM.

Foi Rodrigo Fioco, nomeado diretor executivo da Cadillac do Brasil, quem anunciou os três SUVs: “De forma cadenciada lançaremos os modelos Optiq, Lyriq e Vistiq. A ideia é gradativamente ampliar o portfólio, mas queremos que a experiência Cadillac vá muito além do produto”.

Três concessionárias exclusivas serão abertas: uma em São Paulo, outra em Curitiba, PR, e a terceira em Brasília, DF. As vendas começarão ainda em 2026 e mais adiante a companhia divulgará os pormenores técnicos dos elétricos importados.

Para Fioco o momento é “excelente para as marcas de luxo no mercado brasileiro, que vêm ganhando espaço ano a ano. E trabalhar com a eletrificação faz todo o sentido porque este público busca estar na vanguarda tecnológica”.

O carro elétrico a etanol

Um gerador eletroquímico que transforma etanol em energia elétrica para ajudar a recarregar as baterias de carros eletrificados. Resumidamente este é um dos trabalhos em curso no BRE, Brazilian Renewable Energies, laboratório abrigado na Unicamp que reúne um grupo de pesquisadores focados no desenvolvimento de tecnologia nacional avançada para sistemas de geração e armazenamento de energia a partir do etanol, com aplicações em mobilidade elétrica e sistemas estacionários.

O objetivo central do projeto em curso é desenvolver um gerador eletroquímico relativamente pequeno, de 15 kg a 20 kg, que alimentado com etanol produz de 10 kW/h a 15 kW/h, energia suficiente para aumentar o alcance das baterias de um carro elétrico. É, portanto, uma célula a biocombustível.

“Seria algo semelhante ao REEV [sigla em inglês que significa veículo elétrico de autonomia estendida], mas que usa uma célula a combustível SOFC em vez de um motor a combustão para gerar energia extra no carro”, conta Gustavo Doubek, professor associado da FEQ, a Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, e pesquisador que coordena o programa de desenvolvimento do sistema.

Engenheiro químico com mais de dez anos de carreira dedicada ao ensino e pesquisa sobre materiais para células de combustível e baterias Doubek trabalha atualmente ao lado de cerca de trinta pesquisadores no BRE que atuam na fronteira do conhecimento para desenvolver, com domínio tecnológico nacional, uma solução de eletromobilidade aliada ao bioetanol que tem alto potencial disruptivo, pois poderá tornar economicamente viável as células a combustível para veículos eletrificados, até agora muito caras.

POTENCIAL FINANCIADO

Esta reportagem foi publicada na edição 429 da revista AutoData, de Fevereiro de 2026. Para lê-la completa clique aqui.

Foto: BRE Unicamp