O mais novo e promissor biocombustível a integrar a transição bioenergética dos meios de transporte rodoviário no Brasil é um gás que, a um só tempo, é um astro da economia circular que transforma passivos em ativos ambientais, sua produção a partir da decomposição de matéria orgânica fornece energia de baixa emissão e biofertilizantes para a agricultura, pode ser um produto adicional em usinas de etanol já estabelecidas e tem características que o tornam próprio para substituir o diesel e o gás natural fóssil da frota nacional de caminhões e ônibus.
Assim é o biometano que, a partir de incentivos da legislação e crescimento da oferta de veículos a gás, começa a engatinhar para ganhar maior protagonismo com expansão da produção e distribuição, mas tem potencial produtivo no País muito acima da demanda projetada para os próximos anos. Ou seja: precisa de mais estímulos pois tem muito terreno a ocupar na matriz bioenergética do País.
Para se ter ideia do imenso potencial, segundo calcula a ABiogás, Associação Brasileira do Biogás e do Biometano, existem recursos para produzir biocombustível gasoso suficiente para substituir 70% do diesel consumido no mercado brasileiro. No entanto o nível atual e projeção futura de produção gira bastante abaixo deste potencial e a demanda é ainda menor, em ritmo lento de avanço, embora as perspectivas sejam de crescimento expressivo nos próximos anos.
De acordo com levantamento da ABiogás existem no País, hoje, perto de oitenta plantas preparadas para purificar biogás captado de matéria orgânica e transformá-lo em biometano, mas, no início de 2026, a ANP, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, tinha autorizado apenas 23 a vender o produto. Com o aumento do consumo a perspectiva é de que este número avance para mais de duzentas unidades em operação após a virada desta década.
UM GÁS PUXA O OUTRO
Esta reportagem foi publicada na edição 429 da revista AutoData, de Fevereiro de 2026. Para lê-la completa clique aqui.
Foto: Agência Brasil/José Cruz