Webmotors cria índice de análise de preços para atender demanda do mercado

São Paulo – Desde agosto a plataforma Webmotors, de compra e venda de veículos, oferce o Índice Webmotors, ferramenta de inteligência de dados desenvolvida para calcular mensalmente a variação dos preços de anúncios de carros novos e usados publicados no site. Segundo o CEO Eduardo Jurcevic a ferramenta atende a demanda do mercado:

“Decidimos criar um índice online que permite uma série de recortes e análises, como por exemplo média por Estado, por modelo, por segmento, por quilometragem, dentre outros recortes. Por ser online é possível atualizar todas as informações mensalmente e tornar o acesso aos dados mais fácil e rápido”.

O índice Webmotors avalia todos os veículos no site a partir do ano/modelo 2014 e que foram anunciados a partir de 2017, usando uma base de 14,5 milhões de anúncios, que considera 36 marcas, quatrocentos modelos e 2,2 mil versões. 

O público alvo da ferramenta são montadoras, seguradoras, bancos e grandes grupos concessionários, que deverão usar as informações de forma a tomar decisões internas, segundo o executivo. É possível que a partir desses dados as empresas definam ações de marketing, trabalhem mais o posicionamento do preço dos veículos e comparem tudo isso com seus concorrentes de mercado.

A expectativa da Webmotors é de uma forte demanda pela ferramenta, já que existe uma grande procura por este tipo de informação no mercado. Segundo Jurcevic alguns concorrentes já atuam nesse segmento, mas nenhum deles consegue entregar o nível de informação e de atualização da Webmotors.

Jurcevic disse que o comprador final terá acesso ao porcentual de desvalorização ou de valorização dos modelos anunciados, mas todos os filtros que compõem a ferramenta estarão disponíveis apenas na versão paga, que terá assinatura mensal:

“A ferramenta permite um detalhamento muito grande das informações e o preço mensal varia de acordo com o nível que o cliente deseja. Vamos customizar os pacotes de acordo com as demandas de cada cliente e o preço variará conforme os pedidos de cada um deles”.

Ônibus elétrico cria novo negócio para as fabricantes: a consultoria de operação.

Hannover, Alemanha – Se há uma certeza sobre a eletrificação na Europa é a de que, ao menos para os ônibus urbanos, é a tecnologia mais adequada às características da operação. Mas engana-se quem não enxerga problemas para os ônibus urbanos 100% elétricos substituírem de uma vez os movidos a combustão interna. Em realidade a complexidade da operação é tamanha que as fabricantes de ônibus estão encontrando novas oportunidade de negócios: a de consultoria aos seus próprios clientes para executar a transição.

“Estamos analisando muitos dados, como a topografia do percurso, o tempo de utilização e o fluxo de passageiros”, disse Till Oberwörder, CEO da Daimler Buses. “E até todos os parâmetros da previsão do tempo no local hora a hora.”

Ele acredita que a questão não é só o ônibus elétrico, mas toda a estrutura do carregamento. É importante para este negócio e é necessário integrar todos os evolvidos para criar estações de carregamento pesadas para as frotas de ônibus.

A Daimler abriu uma unidade de negócios para prestar consultoria não apenas aos seus clientes, os operadores do transporte público urbano, mas às prefeituras que estão elaborando novas leis para este modal de transporte e, em alguns casos, substituindo elas próprias suas frotas pelos ônibus elétricos: “Fizemos essa consultoria com as prefeituras e os clientes. Analisamos as rotas e quantas vezes requerem carregamento”.

O desenvolvimento da infraestrutura básica para o abastecimento da frota de ônibus elétrico também faz parte da consultoria prestada pela Daimler. Esta, talvez seja a parte mais complexa desta operação, pois é necessário verificar a oferta de energia na região dos pátios dos operadores, dimensionar as cargas, talvez instalar subestações para lidar com tanta energia para que, aí sim, a infra básica esteja pronta para realizar o investimento para levar a energia até o ponto certo de carregamento no estacionamento dos ônibus.

Além disso há o investimento nas estações de abastecimento, de custo elevado. A instalação dessas estações também não é uma operação simples, segundo Oberwörder: “Ajudamos a montar estas estações de recarga e agora estamos gerenciando as operações de carregamento. Eu nunca imaginei que isto poderia acontecer e agora estamos dentro deste negócio, um novo negócio que é importante para todos os nossos stakeholders”.

E no Brasil?

Mesmo estando do outro lado do Oceano Atlântico estes mesmos desafios se apresentarão para os operadores e prefeituras no Brasil, porque as características da utilização dos ônibus elétricos são as mesmas.

Neste sentido a experiência que acontece agora na Europa poderá desembarcar no Brasil segundo Achim Puchert, CEO Mercedes-Benz Latin America: “Tudo o que estamos fazendo aqui será transferido para lá porque não precisamos reinventar a roda. É importante porque teremos soluções que os clientes necessitam”.

O executivo, no entanto, acredita que no Brasil deverá haver uma força-tarefa envolvendo a iniciativa privada e o Estado para tornar viável um negócio que necessita de muito dinheiro: a criação das estações de energia e a instalação dos carregadores: “Certamente precisaremos ter suporte para financiar e, também, por parte do governo”.

Oberwörder concordou que apenas com apoio mútuo será possível destravar o gargalo deste importante modal de transporte, um dos que mais poluem. E que a Daimler estará preparada para dar a tua contribuição: “Estamos longe do Brasil. Mas temos total integração das nossas estratégias e ações aqui e lá”.

Ele afirmou que estamos na década do ônibus, e que o crescimento desse mercado será superior a 10% tanto na União Europeia quanto na América até 2030: “E até o fim da década faremos 100% das vendas de ônibus elétricos na União Europeia”.

“Se não pudesse fazer a diferença não assumiria o cargo”, diz a nova CEO da Daimler Truck

Hannover, Alemanha – A principal executiva da Mercedes-Benz e futura líder da Daimler Truck, Karin Rådström, recebeu jornalistas brasileiros para uma entrevista exclusiva no IAA 2024. Ainda sob os reflexos de uma longa jornada, que incluiu um jantar de recepção à imprensa internacional na noite anterior, a primeira entrevista coletiva do dia seguinte no estande e uma agenda lotada com encontros oficiais no primeiro dia da exposição, além das já tradicionais diversas reuniões programadas, a futura CEO, que assume em 1º de outubro, falou de forma corajosa e com sua já conhecida transparência sobre diversos assuntos durante uma hora.

Dentre os temas relacionados ao futuro do transporte e dos produtos, ela falou como está se preparando para assumir a principal posição da maior fabricante de veículos comerciais da Alemanha, um negócio cujas posições de destaque geralmente foram ocupadas pelo gênero masculino.

A Agência AutoData perguntou a ela sobre a responsabilidade, como líder de uma das indústrias mais relevantes do universo corporativo, em tomar melhores decisões para garantir o futuro e a sustentabilidade do planeta, universo no qual os líderes que começaram suas carreiras no fim do século passado não tiveram êxito. Karin se disse confiante:

“Se eu não pudesse fazer a diferença não teria assumido esse cargo. Para ser honesta temos um grande board e temos como fazer a diferença. Temos ótimas equipes discutindo muitos temas numa direção muita positiva. Passo a passo tomaremos decisões certas. Às vezes podemos tomar decisões erradas. Mas esperamos que a maioria delas sejam boas para criarmos um planeta mais sustentável”.

Karin recebendo o prêmio International Truck of the Year 2025 para o eActros 600

A seguir alguns temas abordados durante esta agradável conversa. E as respostas de Rådström:

Energia para os caminhões elétricos recarregáveis

Olhando em função das perspectivas do consumidor temos quatro pontos: eles precisam de caminhões elétricos. Eles precisam de TCO. Eles precisam de infraestrutura. E todos nós precisamos de energia verde, limpa. Então acredito que no momento é preciso nos concentrar em dois desafios: o da infraestrutura e o da energia verde. Temos que pensar nos investimentos. Já há boas iniciativas em geração eólica e hídrica. Mas não será suficiente. Seremos dependentes de energia de outros países para fazer a transição.

Por isto eu acredito também na utilização do hidrogênio. Poderia vir do Oriente Médio. É possível porque conseguimos transportar para cá.

Em outras regiões do planeta teremos uma transição em ritmo diferente. Em alguns lugares não haverá o caminhão elétrico. Poderemos ter caminhões a hidrogênio.

Então precisamos dos dois: energia elétrica verde e hidrogênio.

Baterias

Sobre o desenvolvimento das baterias acredito que esse tipo de combinação lítio ferro-fosfato, LFP, usa menos matéria-prima. Isso me deixa mais confiante.

Temos que observar também que a demanda para produzir baterias já é menor. Mas também precisamos ficar de olho sobre a possível escassez desses recursos. Já há escassez em outros materiais. Ainda não sabemos como lidar com isso. A questão de materiais escassos prevalecerá por um longo período.

A bateria LFP tem uma segunda vida. Ficam até dez anos no caminhão. Estamos observando a legislação e o comportamento dessas baterias, que estão chegando agora às estradas. Então temos este tempo para podermos avaliar qual o melhor modelo de negócios para a segunda vida ou a reciclagem.

Integração de softwares de gerenciamento do caminhão

O software ficou mais presente nos caminhões. Muitas funções foram assumidas pelos softwares e pelos sensores. Com relação a uma nova fase lançamos um novo tipo de abordagem de arquitetura eletrônica no Actros e no Atego. Em breve levaremos sua arquitetura para outros produtos. Eu vejo grande benefícios nessa arquitetura.

E ainda há uma nova geração. Estamos fechando parceria com a Volvo para elaborar uma nova forma de inteligência ao caminhão. Isso ficará mais centralizado, os sensores e dispositivos ficarão mais burros e toda a inteligência será centralizada. Isso reduzirá custos porque ficará mais simples.

Motorizações a diesel

Na Europa temos o diesel e a legislação Euro 7. O diesel também continua importante mas precisamos pensar mais limpo no mundo todo. E isto me deixa orgulhosa em poder pensar, como Mercedes-Benz, em soluções mais interessantes. Acho que demorará para o mundo ter energia limpa. Não por causa dos caminhões mas por causa da infraestrutura. Considerando todas as opções. Estamos olhando todas elas: o hidrogênio, o biocombustível para caminhões e outras alternativas.

Não podemos esquecer que 50% do nosso volume de vendas está fora da Europa. E o Brasil e a Alemanha, juntos, são os maiores mercados. Então, precisamos pensar em novas soluções e ofereceremos isto no tempo certo, pois ainda temos muitos desafios pela frente.

Meio ambiente

Políticos e empresas devem trabalhar juntos para mudar a realidade atual e criar melhores objetivos contra as mudanças climáticas. Só com uma estreita cooperação isto será possível.

Trabalhadores aprovam proposta da GM e PDV é aberto em São José dos Campos

São Paulo – Após negociação que se arrastou por uma semana foi aprovado, em assembleia com os dois turnos de trabalhadores da General Motors de São José dos Campos, SP, acordo da campanha salarial válido por dois anos. E inclui a abertura de PDV, Programa de Demissão Voluntária, para até cem trabalhadores que tenham pelo menos sete anos de casa.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Valmir Mariano, foi um pleito da própria entidade: alguns metalúrgicos, muitos já aposentados, queriam sair da empresa com algum benefício. Ele estima que o PDV seja iniciado nos próximos dias, até o fim do mês de setembro. Serão oferecidos cinco salários mais R$ 85 mil ou um Onix Hatch L5. Além disso, o programa abarca plano médico por seis meses ou R$ 12 mil: “A empresa afirmou ter recursos para incluir até cem funcionários.”

Um dos pontos altos da negociação, de acordo com o sindicalista, foi a manutenção da cláusula de estabilidade para os empregados lesionados – a ideia da montadora era excluí-la tanto para os que se acidentassem a partir de agora como para os que já têm sequelas decorrentes de acidente de trabalho: “A proposta poderia ser melhor, mas, dentro do que conseguimos negociar ao longo desses dias, desde que o estado de greve foi aprovado, obtivemos a reposição integral do INPC, de 3,71%, sendo que inicialmente ofereceram apenas a metade”.

A nova oferta também dobrou o valor do vale-alimentação, que foi para R$ 800, e o auxílio-creche, antes para filhos de até 4 anos, agora foi estendido para crianças de até 6 anos.

Para o ano que vem a os salários também serão corrigidos por 100% da inflação, a PLR, Participação nos Lucros e Resultados será de R$ 20 mil em 2025 e, a de 2026, deste mesmo valor mais o reajuste do INPC. Os descontos realizados pela alimentação e pelo transporte serão congelados até 2026.

No início do mês a montadora divulgou que, dos R$ 7 bilhões a serem investidos no País até 2028, R$ 5,5 bilhões serão aportados nas unidades paulistas de São José dos Campos, São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes, para a produção de dois modelos híbridos flex.

A fábrica da GM em São José dos Campos emprega cerca de 3 mil 250 trabalhadores e produz os modelos S10 e Trailblazer.

Camex atende em parte pedido da Anip e exclui pneus de carga do aumento do imposto

São Paulo – Foi atendido em parte o pleito da Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, junto à Camex, Câmara de Comércio Exterior, do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para a elevação do imposto de importação de 16% para 35% sobre todo tipo de pneu importado por 24 meses: o órgão decidiu subir a alíquota para 25%, e por doze meses, apenas para produtos de passeio, deixando aos pneus de carga a alíquota antiga.

As ameaças de caminhoneiros em torno de nova paralisação, a exemplo da que aconteceu em 2018 por causa de aumento de R$ 0,20 no preço do óleo diesel, foi a razão para que a a Camex excluísse os pneus de carga do reajuste da tarifa.

Como a estimativa é que a nova medida vigore a partir do mês que vem, a Anip espera que reflexo seja sentido apenas no início de 2025, segundo o seu presidente Klaus Curt Müller: “O aumento da alíquota em nove pontos porcentuais ajuda, mas não resolve. É um refresco, não uma solução definitiva. Arrefece o problema, mas não tem a capacidade de equalizar os preços desleais que estão sendo praticados pelos importadores”.

Segundo Müller com a mudança o preço médio da importação deste tipo de produto ficará menos distante do custo de fabricação pelas indústrias locais. “Em alguns casos o reflexo será uma concorrência leal, dependendo do valor, mas na maior parte dos valores ainda haverá concorrência desleal. Menor, mas ainda desleal.”

Dados da Anip mostram que de janeiro a agosto foram comercializados 33,8 milhões de pneus produzidos no Brasil, 6,2% abaixo dos oito primeiros meses de 2023. Destes, 16,8 milhões são de passeio, número 8,9% aquém do acumulado do ano passado. E 4,5 milhões são de carga, volume 4,1% acima neste mesmo comparativo.

O outro lado da moeda é que, até que entre em vigor o aumento da alíquota, os importadores deverão promover uma corrida para desembaraçar mais produtos, seja os que estão em armazéns alfandegários que ainda não pagaram os impostos ou os que estão estocados em países próximos do Brasil. Não dá tempo de trazer mais mercadorias da Ásia, o que demora em torno de dois meses.

Representante da associação dos importadores vê como inoportuna a alta do tributo

Embora considere a decisão da Camex uma vitória ao setor de importados, o presidente da Abidip, Associação Brasileira dos Distribuidores e Importadores de Pneus, Ricardo Alípio, avaliou o aumento do imposto de importação de pneus para carros de passeio como inoportuno, pois tramita no Decom, Departamento de Defesa Comercial, órgão do MDIC, pedido da Anip de prorrogação do direito antidumping sobre esses mesmos pneus por mais cinco anos contra a China, em contexto de dólar a R$ 5,43 e, frete marítimo, US$ 9 mil.

Alípio disse que é importante observar que o direito antidumping existe para compensar eventual distorção de preços entre uma indústria estrangeira e uma brasileira, e que, no Brasil, essa diferença de preço é cobrada em dólar por quilo de pneu importado, além de todos os impostos.

“Entendo que esses pneus têm um custo de produção na China, pagam frete caro para chegar aqui e desembolsam impostos e tarifas de desembaraço aduaneiro, fatores que igualam a competitividade com o pneu nacional. Mas, se for para sobretaxar, que seja uma coisa ou outra. Elevar imposto e manter tarifa antidumping é um sinal verde para a indústria nacional seguir praticando preços extorsivos para o consumidor brasileiro”.  

Anip segue na luta  

Conforme Müller, o presidente da Anip, o próximo passo será lançar mão de outros mecanismos na busca por equalizar a concorrência, até porque o incremento do tributo possui prazo de validade. Um deles é a investigação de falsa origem de produtos vindos da Malásia, mas que, de acordo com o dirigente, há a desconfiança de que eles sejam produzidos na China.

“O aumento da alíquota tem data para terminar. E não temos o interesse de mantê-la de forma permanente porque isso vale para todo mundo. Queremos ações para quem está cometendo desigualdade. Agora vamos seguir abrindo nossa caixa de ferramentas da defesa comercial.”

Randon vende o primeiro implemento com tração elétrica nos Estados Unidos

São Paulo – A Randon entregou o primeiro semirreboque equipado com tração elétrica nos Estados Unidos. O modelo chassi porta-contêineres foi comercializado para a empresa de logística South Carolina Port Authorities, por meio da Hercules Chassis, que inegra a Randoncorp.

O implemento foi entregue durante a IANA Intermodal Expo 2024, maior feira dos Estados Unidos dedicada ao transporte intermodal de carga. Integrante da linha Hybrid R utiliza o sistema de tração e-Sys e será usado pela empresa em operações portuárias na Carolina do Sul.

Consórcio Iveco registra mais de R$ 500 milhões em vendas

São Paulo – O consórcio Iveco, administrado pela Ademicon, registrou vendas de R$ 503,1 milhões de janeiro a agosto, crescimento de 11% sobre iguais meses do ano passado, R$ 452 milhões. O incremento foi puxado pelo bom resultado nas regiões Sul e Sudeste, que somaram R$ 232,6 milhões e R$ 129,4 milhões em vendas, respectivamente.

Dados da ABAC, Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, mostram que a procura por consórcios de veículos pesados está em alta no País, somando R$ 8,7 bilhões de créditos disponibilizados até agosto, aumento de 30,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Agosto foi o pior mês de vendas de veículos leves na Europa

São Paulo – Agosto foi o pior mês de vendas de automóveis e comerciais leves na Europa em 2024, com 643,6 mil unidades comercializadas, de acordo com os dados divulgados pela Acea, entidade que representa a indústria automotiva na região. Na comparação com agosto do ano passado houve queda de 18,3% e com relação a julho o recuo foi ainda maior, de 24,5%.

A retração nas vendas foi puxada pelos quatro principais mercados que registraram as seguintes quedas: Alemanha 27,8%, França 24,3%, Itália 13,4% e Espanha 6,5%. Os veículos eletrificados continuaram à frente dos veículos com motor a combustão, representando 52,8% da demanda, contra 44,3%.

No resultado acumulado de janeiro a agosto as vendas cresceram 1,4% na comparação com iguais meses de 2023, somando 7,2 milhões de unidades comercializadas. O resultado positivo foi sustentado pelo aumento das vendas em dois dos quatros principais mercados, Espanha e Itália, que registraram alta de 4,5% e 3,8% respectivamente. As vendas na França e na Alemanha caíram 0,5% e 0,3% de janeiro a agosto.

Produção do Chevrolet Onix para por quase um mês em Gravataí

São Paulo – A General Motors informou que realiza uma parada técnica em sua fábrica de Gravataí, RS, de 16 de setembro a 11 de outubro, para adaptar a linha de produção para a chegada de um novo modelo em 2026. Os trabalhadores ganharam folga remunerada durante o período.

Na unidade são produzidos os Chevrolet Onix e Onix Plus, dois dos modelos da marca mais demandados. De janeiro a agosto foram comercializados 60 mil Onix e 39,6 mil Onix Plus, respectivamente terceiro e décimo veículo mais vendidos no mercado brasileiro no período.

Em 2026 eles ganharão a companhia de um novo modelo, resultado de investimento de R$ 1,2 bilhão anunciado em julho, parte do ciclo de R$ 7 bilhões aplicado no Brasil. Segundo a GM as linhas estão sendo adaptadas para a sua introdução e, por este motivo, foi necessária a paralisação por 25 dias.

Acea pede revisão das regras de emissões na Europa

São Paulo – Empresas fabricantes de veículos europeias pleiteiam junto à Comissão Europeia a revisão das metas de redução de emissão de CO2. Um comunicado foi divulgado pela Acea, que representa algumas fabricantes da região, na quinta-feira, 19, junto com balanço de vendas de veículos, que apontou queda de 44% nas entregas de modelos elétricos em agosto, puxada, especialmente, pelos mercados da Alemanha e da França, que deixaram de conceder incentivos para veículos movidos a bateria.

Segundo o comunicado da Acea o crescimento econômico, a aceitação dos consumidores e o estabelecimento de infraestrutura de recarga não se desenvolveram de maneira suficiente, embora não existam gargalos tecnológicos e de disponibilidade de veículos de emissão zero, para os quais a indústria investiu bilhões.

“Estamos fazendo nossa parte nessa transição mas, infelizmente, os outros elementos necessários para essa mudança sistêmica não estão em vigor.”

A entidade diz haver perspectiva assustadora de multas multibilionárias, valor que poderia ser investido em novas tecnologias de zero emissão, e de cortes na produção, o que geraria perda de emprego e enfraquecimento da cadeia de valor da região, em um momento em que começa a sofrer forte concorrência, especialmente da China.

“A indústria não pode se dar ao luxo de esperar pela revisão dos regulamentos de CO2 em 2026 e 2027”, afirmou a nota, que pede antecipação desta revisão para 2025. “Precisamos de uma ação urgente e significativa agora para reverter a tendência de queda, restaurar a competitividade da indústria da UE e reduzir as vulnerabilidades estratégicas.”