Fórum AutoData Perspectivas Ônibus será gratuito na segunda-feira, 23

São Paulo – Na segunda-feira, 23, o Fórum AutoData Perspectivas Ônibus 2024 será realizado de forma online e gratuita. O evento reunirá os principais executivos das montadoras de chassis e fabricantes de carrocerias para discutir as tendências e desafios do segmento de ônibus no Brasil, com destaque para a eletrificação nas grandes cidades e os reflexos no mercado das novas regulamentações dos motores Euro 6.

No conjunto de palestrantes confirmados estão líderes de destaque da indústria, como Walter Barbosa, da Mercedes-Benz, Jorge Carrer, da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Danilo Fetzner, da Iveco Bus, Paulo Arabian, da Volvo, Ricardo Portolan, da Marcopolo, e Maurício Lourenço da Cunha, da Caio. Além disso o evento contará com a participação de Ruben Bisi, presidente da Fabus, e a de Luiz Carlos Moraes, vice-presidente da Anfavea.

A apresentação ficará a cargo de Márcio Stéfani, diretor de AutoData e integrante do Conselho Automotivo da Abimaq. O fórum promete oferecer insights valiosos para o planejamento estratégico do setor de ônibus, com discussões essenciais para o futuro da mobilidade urbana no País.

Para participar basta acessar o evento pelo link e, depois, acompanhar a cobertura completa na Agência AutoData.

Eletrificação chega aos caminhões pesados na Europa

Hannover, Alemanha – O transporte de longas distâncias por caminhões é responsável pois dois terços de todas as emissões da mobilidade no continente europeu. Assim como a frota de automóveis movidos a diesel é urgente descarbonizar a cadeia de transporte. No segmento de curtas distâncias os muitos dos produtos elétricos apresentados no IAA de 2022 já estão cumprindo a missão de eliminar o CO2 dos centros urbanos. Agora chegou a vez dos caminhões pesados.

Na edição 2024 os principais fabricantes demonstraram seus novos produtos e, também, os primeiros resultados dos veículos que começarão a tomar conta da paisagem das estradas. É o caso da Volvo, que iniciou sua apresentação informando que já cumpriram 100 milhões de quilômetros rodados na Europa com seus caminhões elétricos. São 4,2 mil veículos circulando em 48 países, nas cidades e nas estradas, o que corresponde a 51% de participação nos negócios de caminhões elétricos no continente.

Destaque para seu caminhão para longa distâncias FH Eletric, que começará a ser entregue para os clientes no segundo semestre de 2025. Antes disso, porém, ele chama a atenção no estande: a sua autonomia de 600 quilômetros, um alcance impressionante obtido pela utilização de um novo eixo elétrico de transferência mais compacto e eficiente, permitindo a utilização de um pacote maior de baterias, segundo a Volvo.

O FH Eletric também foi eleito o International Truck of the Year 2024, tradicional reconhecimento da imprensa europeia aos lançamentos no ano anterior. Roger Alm, presidente da Volvo Trucks, destacou a economia de energia por causa do design que acabou levando a 5% de redução do consumo: “Em alguns casos de testes com nossos clientes observamos a economia de 7% a 8% por causa do desenho do FH Eletric”.

O estande vizinho da Volvo é o da DAF, que também mostrou seu caminhão pesado elétrico XF. Este caminhão para longas distâncias tem 500 quilômetros de autonomia utilizando baterias de lítio ferro-fosfato de alta intensidade, segundo o fabricante, e compartilha esta configuração com outros dois modelos, os XB e XD, destinados a aplicações urbanas e regionais.

A Iveco também mostrou o seu S-eWay para longas distâncias com autonomia de 400 quilômetros. Ele é equipado com um eixo elétrico da FPT e tem capacidade de carga de 490 kWh. Porém o destaque da fabricante italiana no IAA é a cabine-chassi eMoovy. Com capacidade de carga de 2,5 toneladas a 3,5 toneladas tem autonomia de 320 quilômetros com possibilidade de adicionar outros 100 quilômetros em apenas 10 minutos de carga em sua bateria de 76kWh. A eMoovy é produzida pela Hyundai e distribuída na Europa pela Iveco.

O processo modular da Scania permite que seja oferecido em suas múltiplas configurações de cabine diversos tipos de motorizações. E isto se aplica às versões 100% elétricas apresentadas no IAA. São três opções de propulsão elétrica, mas apenas o conjunto EM C3-6, com transmissão de seis velocidades, pode ser configurado para as cabines destinadas ao transporte de longas distâncias. São duas opções de potência do motor elétrico: 400 e 450 kW, respectivamente, 540 e 610 cv.

A Mercedes-Benz tem no seu eActros 600 o maior destaque no estande. Começa a ser produzido em novembro e deve ganhar as estradas a partir do início de 2025, quando já terá sido entregue aos primeiros clientes.

Todas as fabricantes também têm em exposição no evento versões de seus caminhões pesados com motorização capaz de utilizar o HVO, ou diesel verde, produzido a partir de um processo de hidrotratamento para melhorar sua estabilidade de oxidação. Mas, assim como falta infraestrutura de carregamento para os caminhões pesados utilizados no transporte de longas distâncias, o HVO ainda é uma opção pouco utilizada porque sua produção ainda é cara e em baixos volumes na Europa.

Novidades do IAA 2024 podem pintar na Fenatran

Hannover, Alemanha – O Brasil não teve o protagonismo de outras edições na maior feira do mundo na área dos transportes: na edição do IAA 2024 nenhum novo produto foi anunciado para o mercado brasileiro. O foco é na transição à eletrificação da mobilidade na Europa, com lançamentos de caminhões que geram baixas emissões, capazes de atender às exigentes legislações do continente. Assim, algumas poucas surpresas estão sendo reservadas para a Fenatran, programada para 4 a 8 de novembro no São Paulo Expo.

Em conversas com três presidentes de empresas fabricantes de caminhões instaladas no Brasil presentes à feira para encontrar clientes, conhecer produtos e estratégias globais, a resposta à pergunta da Agência AutoData foi a mesma: “Vamos aguardar a Fenatran para falar sobre novos produtos e serviços para o Brasil”.

Achim Puchert, CEO Mercedes-Benz Latin America, abriu um sorriso quando questionado sobre se, e quando, um dos destaques do IAA 2024, o eActros 600, chega ao mercado brasileiro: “Ainda é muito cedo para dizer se teremos um caminhão elétrico no Brasil, pois a questão da infraestrutura ainda é um grande desafio aqui na Europa. Mas vamos aguardar a Fenatran, quem sabe falaremos lá sobre isto”.

Para Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America, o IAA é importante para demonstrar a estratégia global da fabricante sueca, que se aplica à Europa e, também, ao Brasil. Neste sentido destaca-se o conjunto powertrain e eixo de transmissão do Scania Super. Houve melhorias na última versão do motor de 13 litros com as transmissões G25 e G33 combinados com o eixo traseiro R756 presentes no IAA que reduz em 8% o consumo, segundo a empresa.

“Todo o conceito do projeto Scania Super terá aplicações no Brasil. Esta plataforma modular foi desenvolvida, inclusive, pensando na eletrificação. Então não é impossível imaginar que um dia produziremos veículos elétricos no Brasil. No entanto, para o desafio da descarbonização temos outras tecnologias já desenvolvidas para o nosso País, como o biometano, que também podem ser aplicadas em outros mercados. É com essas oportunidades que estaremos presentes na Fenatran.”

Circulando pelos pavilhões da Hannover Messe o presidente da Iveco para a América Latina, Márcio Cherichelli, estava de olho nas novidades enquanto aguardava um grupo de clientes que desembarcaria na Alemanha na terça-feira, 17. A reportagem encontrou com o executivo chegando em seu estande para acompanhar a apresentação para a imprensa.

A proposta de oferecer múltiplas soluções para o mercado europeu, com motorização que utiliza HVO, gás-natural, biometano, eletricidade e hidrogênio, é uma oportunidade para a Iveco no Brasil, segundo Cherichelli:

“O investimento de R$ 100 milhões para importar a eDaily para o Brasil é um exemplo do que estamos buscando na Europa. Algumas dessas novidades também podem surgir no futuro. Mas vamos esperar a Fenatran, pois teremos muito o que contar aos nossos clientes em todos os segmentos”.

Em meio à expectativa de lançamentos de produtos eletrificados no Brasil, o mais provável é que as soluções de serviços baseados em softwares e tecnologias de monitoramento apresentados neste IAA sejam as novidades anunciadas durante a Fenatran. Todas as marcas, contudo, preparam muitos lançamentos de produtos com soluções mais adequadas ao mercado nacional.

Trabalhadores da GM rejeitam nova proposta e greve é considerada

São Paulo – Após assembleia na tarde da segunda-feira, 16, os trabalhadores da General Motors de São José dos Campos, SP, rejeitaram mais uma vez a proposta da empresa e pediram que seja apresentada nova oferta ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. Caso contrário será deflagrada greve a partir das 5h30 de terça-feira, 17.

A situação decorre de série de negociações que não avançaram. Na primeira proposta a GM ofereceu acordo coletivo com vigência de um ano, reposição da inflação com base no INPC acumulado em doze meses até agosto, de 3,71% mais 1% de aumento real, além de vale-alimentação de R$ 500 e PLR de 2025 correspondente ao mesmo valor de 2024 corrigido pelo INPC. A companhia não garantiu investimentos na fábrica de São José dos Campos, na contramão do que anunciou no início do mês.

A segunda oferta propôs acordo coletivo com vigência de dois anos, com reajuste salarial correspondente apenas à reposição da inflação, sem aumento real, vale-alimentação de R$ 700 e PLR fixa de R$ 20 mil em 2025, com o mesmo valor corrigido pelo INPC em 2026. Nesta proposta a GM sugere credenciar a unidade para futuros investimentos e contratações.

De acordo com a entidade é exigido aumento real de salário e renovação do acordo coletivo sem ameaças veladas:

“Em outras oportunidades os metalúrgicos de São José dos Campos já aceitaram flexibilização de direitos para tornar viáveis investimentos que nunca se concretizaram”, disse o presidente em exercício do sindicato, Valmir Mariano, durante a assembleia. “A palavra da direção da GM, neste contexto, tem pouco crédito para o sindicato e para o conjunto dos trabalhadores.”

A unidade da GM em São José dos Campos emprega cerca de 3 mil 250 trabalhadores e produz os modelos S10 e Trailblazer. Procurada a montadora disse que não se manifestaria a respeito.

Em São Caetano do Sul metalúrgicos aprovaram a proposta que contou com ponto determinante: o credenciamento da unidade para futuros investimentos e contratações. Foto: Renato Miguel Quinquio

Acordo coletivo é aprovado no ABC Paulista

Em São Caetano do Sul, SP, onde trabalham cerca de 7 mil profissionais e são fabricados Montana, Spin e Tracker, também houve assembleia, no entanto, a proposta foi aprovada. A oferta validada, tal qual a rejeitada no Interior paulista, inclui reajuste salarial com reposição do INPC este ano e no ano que vem, vale-alimentação de R$ 700 e correção da inflação em 2025, válido até agosto de 2026.

Quanto à PLR, foi deferido o valor de R$ 20 mil no ano que vem e, em 2026, será o mesmo valor corrigido pelo INPC. O desconto de refeição e transporte será congelado por dois anos mas, o principal, diferentemente da proposta anterior, é o credenciamento da unidade para futuros investimentos e contratações – o que não foi assegurado em São José dos Campos.

No início do mês o presidente da GM América do Sul, Santiago Chamorro, afirmou, em evento na unidade do ABC Paulista, afirmou que dos R$ 7 bilhões a serem injetados na operação brasileira até 2028 para produzir dois híbridos flex, R$ 5,5 bilhões serão aplicados nos novos modelos, em atualização das operações fabris de São Caetano, São José dos Campos e Mogi das Cruzes, SP.

Outro ponto de debate do acordo proposto pela GM é a cláusula de estabilidade para profissionais lesionados. A empresa ameaçou retirar o benefício mas, por fim, o manteve, desde que o operário não recuse o novo posto de trabalho oferecido pela empresa.

Horse fornecerá os motores do carro híbrido da Lecar

São Paulo – A Horse será a fornecedora do motor do veículo de passeio Lecar 459 Hybrid, cujo lançamento é esperado para 2026, primeiro carro da montadora brasileira focada em modelos eletrificados. O acordo firmado prevê, inicialmente, a entrega de 12 mil motores de 1.0 litro e três cilindros HR10, que roda com etanol ou gasolina, por ano.

A tecnologia EREV, Range Extender, utilizada pela Horse em veículos comerciais, será aplicada no automóvel. Diferentemente dos híbridos plug-in tradicionais o motor a combustão de um EREV nunca aciona diretamente as rodas do carro, mas fornece carga para a bateria por meio de gerador elétrico a bordo. A tração é feita pelo motor elétrico.

A bateria também pode ser carregada de forma semelhante a qualquer outro veículo elétrico, por meio de carregador público ou fonte de energia doméstica. Quando utilizado com combustíveis de baixo carbono, como etanol, a pegada de carbono do EREV é comparável à de um elétrico.

Busscar anuncia ampliação da capacidade produtiva de Joinville

São Paulo – A Busscar anunciou a ampliação da sua capacidade de produção em Joinville, SC, para dar suporte ao processo de manufatura do ônibus Panorâmico DD NB1, que foi lançado durante a Lat.Bus 2024, e pelo qual a empresa já recebeu uma série de encomendas. A capacidade produtiva da companhia, hoje, é de 15 unidades/dia.

A produção em série do Panorâmico DD NB1 começará no primeiro trimestre de 2025 e, até lá, a empresa realizará mudanças na fábrica para produzir mais. Está prevista também a ampliação do seu quadro de funcionários. A expansão da fábrica também ajudará o crescimento dos negócios no ano que vem, quando a empresa pretende conquistar 20% de participação:

“Para atingirmos nosso objetivo de participação no mercado, precisamos captar mão de obra”, disse o diretor comercial, Paulo Corso. “E é um grande desafio porque Joinville, cidade onde está localizada a fábrica, possui pleno emprego.”

Mercedes-Benz vende 16 caminhões para OnTime

São Paulo – A Mercedes-Benz vendeu dezesseis caminhões para renovar a frota da OnTime Logística e Transportes, sediada no Rio de Janeiro, RJ. Por meio da Guanabara Diesel foram vendidos quinze leves Accelo 1017, que serão utilizados na distribuição urbana do Sul do País, e um extrapesado Actros 2651 6×4, para operar do Rio de Janeiro para São Paulo.

Com os novos caminhões o Grupo Alop+ Logistics, ao qual pertencem a OnTime, a Login e a Rodofly, contabiliza frota de cerca de 450 caminhões, sendo 75% Mercedes-Benz dos modelos Accelo, Atego e Axor.

GM abre pré-venda do Chevrolet Blazer EV por R$ 479 mil

São Paulo – A pré-venda do SUV elétrico Chevrolet Blazer EV será iniciada na terça-feira, 17, com preço de R$ 479 mil. As primeiras entregas estão previstas para outubro, de acordo com a General Motors. 

Para atrair clientes para o seu primeiro veículo produzido na plataforma Ultium vendido no Brasil a GM oferecerá uma série de atrativos durante a pré-venda: carregador portátil de 7 kWh ou ou wallbox de 22 kWh, um ano de crédito para recarga na rede pública da EZVolt de até 1,2 mil kWh e agendamento antecipado em até 24 horas para utilizar os eletropostos da EZVolt.

Os benefícios ainda incluem quatro anos de OnStar gratuito, junto com 20 GB mensais para usar o wi-fi nativo do Blazer EV, três anos de revisões programadas gratuitas, descontos especiais para blindagem e valorização de R$ 40 mil para donos de Bolt EV e Bolt EUV que troquem um dos modelos pelo Blazer EV.

Eletra investiga incêndio em ônibus elétrico

São Paulo – O teto de um ônibus elétrico de 15 metros produzido pela Eletra pegou fogo na tarde do sábado, 14, na garagem da Transppass, proprietária do veículo, instalada na Zona Oeste da Capital. O fogo iniciou na área onde ficam as baterias produzidas e fornecidas pela WEG, que junto com a Eletra investigará suas causas.

As duas empresas adotaram um protocolo internacional, que é recomendado pelo Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo quando ocorre incêndio envolvendo veículo elétrico: aguardar 48 horas para iniciar o processo de investigação. Isto porque as baterias de lítio podem passar por um processo de reignição, causando um novo incêndio. Após o fogo ser controlado o veículo ficou em observação e não foi registrado um segundo foco de incêndio. 

Na noite do sábado os bombeiros seguiram o protocolo de trabalho e jogaram água durante 60 minutos no local das chamas, para resfriamento e segurança da garagem onde o veículo estava. Agora os engenheiros das duas empresas trabalharão juntos para desvendar o caso.

A Eletra ressaltou, em nota, que os seus ônibus elétricos, antes de serem homologados para vendas no País, “passam por rigorosos testes de órgãos federais com relação à segurança e a viabilidade operacional”.

O Corpo de Bombeiros, junto com a ABVE, entidade que representa o segmento eletrificado, debateram no primeiro semestre quais seriam os protocolos para instalação de eletropostos no País, com a intenção de criar normas necessárias no momento em que a demanda por este tipo de veículo cresce. 

Na época a entidade informou que o momento da recarga é mais seguro do que quando o veículo está em circulação, pois existem diversos sensores que monitoram a temperatura do veículo. A ABVE questionou as normas sugeridas pelos bombeiros, consideradas muito rígidas.

eActros 600 é mais eficiente do que seu equivalente a diesel

Hannover, Alemanha – Na última IAA, em 2022, ele ainda era um candidato mostrando a sua competência nos exigentes testes de desenvolvimento da Mercedes-Benz. Em dois anos o eActros 600, caminhão pesado para longas distâncias 100% elétrico, passou no vestibular e ganhará as estradas europeias a partir de novembro, já com 2 mil pedidos firmes de compra, segundo Karin Rådström, chefe da divisão de caminhões da Mercedes-Benz. Ela está confiante de que este produto dará relevante contribuição ao meio ambiente: “Ele tem grande potencial de combater o aquecimento global retirando o CO2 do transporte de longas distâncias”.

Na edição 2024 do IAA, de fato, há algumas boas contribuições que, aos poucos, cumprirão com a missão de eliminar as emissões dos caminhões pesados usados no transporte de longas distâncias, o produto mais rentável para as montadoras e que, ao mesmo tempo, são os responsáveis por dois terços das emissões de todos os caminhões rodando na Europa. Todas as grandes fabricantes têm versões destes caminhões já rodando ou prontas para iniciar sua jornada no mercado europeu.

O caminhão elétrico pesado da Mercedes-Benz, com capacidade de carga de 40 toneladas combinada, se destaca, segundo Rådström, porque os testes demonstraram uma ótima relação de consumo, culminando com a autonomia de 500 quilômetros. O eActros 600 utiliza dois packs de bateria de ferro fosfato de lítio, LFP, com capacidade de 621 kWh, e o consumo aferido foi de 103 kWh a cada 100 km rodados, o que corresponde ao consumo de 10 litros de diesel no mesmo caminhão com motor a combustão.

Durante a apresentação do eActros 600, na manhã da segunda-feira, 16, Rådström demonstrou que o consumo de um caminhão para longas distâncias carregado é, em média, de 25 litros de diesel em 100 km. Com uma eficiência muito melhor do que seus produtos tradicionais, ela afirmou que o eActros 600 reverterá em “ganhos operacionais imediatos para as frotas”.

Durante viagem feita pela reportagem, de pouco mais de 25 quilômetros por rodovias próximas ao pavilhão do IAA a bordo do eActros 600, o primeiro ponto que chama a atenção é o silêncio. O motorista que conduz o caminhão afirma que isto, numa longa jornada de 500 quilômetros, faz muita diferença, evitando um desgaste auditivo para quem está ao volante.

Na realidade um caminhão elétrico ajuda muito a, muitas vezes, desgastante jornada do motorista. No caso do caminhão da Mercedes-Benz também conta com eixo de acionamento elétrico desenvolvido pela sua engenharia que praticamente releva ao motorista o papel de acionar três opções numa alavanca posicionada à direita, logo abaixo do volante. Ali ele pode selecionar o nível de frenagem e acionamento automático do eixo elétrico para regenerar a energia, reduzindo a velocidade de forma segura em quase todas as condições.

Na prática este sistema inteligente mantém a tração em rolling, ou situação de cruzeiro, a popular banguela, ou tecnicamente sem utilizar a potência dos dois motores elétricos do caminhão, poupando e regenerando energia em quase 40% do percurso.

A Mercedes-Benz realizou milhões de quilômetros de testes de rodagem com o eActros 600 em todas as condições de pressão e temperatura. Os próprios caminhões utilizados no rápido test-drive no IAA fizeram um trajeto de 500 km de distância no dia anterior para chegar ao evento. Segundo o computador de bordo da unidade avaliada o consumo foi de 104kWh a cada 100 km, o que é muito próximo do divulgado pela Mercedes-Benz, e um pouco acima porque está, neste momento, fazendo muitas operações de para-e-anda, o que naturalmente aumentou o consumo de energia.

O eActros 600 será produzido na tradicional unidade de Wörth, no Vale do Reno, a maior fábrica da Mercedes-Benz, que iniciou suas operações em 1963. Mas até lá, de acordo com Rådström, continuará sendo avaliado em condições reais de operação porque este é um protocolo relevante para demonstrar a segurança e a eficiência da operação dos novos caminhões elétricos para longas distâncias.  

Por enquanto a expectativa é que no momento certo anunciarão o eActros 600 para o Brasil. Provavelmente haverá o anúncio dos planos desse caminhão elétrico para o mercado nacional. O objetivo neste momento é descarbonizar o transporte na Europa.