São Paulo – Após rejeitarem proposta de R$ 19 mil para a PLR, participação nos lucros e resultados, ou PR, participação nos resultados, como é chamada na General Motors, os trabalhadores da sede, em São Caetano do Sul, SP, acabaram aprovando o valor – o mesmo acordado na fábrica de São José dos Campos, SP, diante da ausência de nova contraproposta da empresa.
Na unidade do Interior, em que são fabricados os modelos S10 e Trailblazer, no entanto, houve avanço na proposta de R$ 17 mil para R$ 19 mil, valor que superou o pago em 2023, R$ 18 mil. Na fábrica do ABC, de onde saem Montana, Spin e Tracker – está sendo absorvida a produção anteriormente realizada na Argentina – o valor remunerado no ano passado também foi R$ 18 mil, mas ponto de partida da negociação foi R$ 25 mil.
O valor de R$ 19 mil configura incremento de 6% ante o que foi pago em 2023. Segundo o presidente do sindicato, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, parcela de R$ 12 mil já foi depositada em junho e os R$ 7 mil restantes serão depositados em janeiro.
Embora não tenha obtido avanço financeiro desejado Cidão afirmou que houve algumas alterações referentes à segurança do trabalho: “Conseguimos estabelecer cláusulas de segurança para todos os itens das metas propostas aos trabalhadores”.
Outros pontos como o reajuste sobre salários e benefícios, assim como a renovação das cláusulas sociais, serão definidos em setembro, data-base da categoria.
São Paulo – A Teknia, empresa espanhola que produz componentes para o setor automotivo com fábrica no Brasil, em Jacareí, SP, anunciou que está expandindo a sua operação aqui com investimento de R$ 30 milhões, valor que será totalmente aplicado em 2024 e 2025. Seu country manager, Jorge Lima, disse que este trabalho é para atender às crescentes demandas da indústria e aumentar a fatia da divisão brasileira no faturamento global, saindo de 4% para 6%, durante entrevista exclusiva para a Agência AutoData:
“Compraremos novas máquinas e ferramentas para elevar a produção no Brasil. Isso está acontecendo porque na Europa as montadoras estão focando nos veículos elétricos e os fornecedores também. Desta forma a nossa operação no País será dedicada a motores a combustão e híbridos”.
Uma das máquinas novas já foi instalada, uma das maiores em operação no Brasil para a produção de peças de plástico injetado.
Lima disse que a Teknia já tem contrato de fornecimento com duas montadoras que desenvolverão novos motores aqui, fator a mais que ajudou na aprovação no aporte local com a matriz na Espanha. O fornecimento para estes novos motores começará em 2025 e 2026.
A companhia também pretende elevar o nível de sua engenharia nacional para aumentar a capacidade de atendimento do setor automotivo, assim como o conhecimento local, para sugerir soluções quando alguma montadora solicitar, uma vez que elas possuem autonomia no Brasil, cenário que deverá avançar.
A expectativa do executivo é de que o desenvolvimento de motores híbridos e a combustão ganhem força por aqui, pois na Europa não serão mais produzidos, e os fornecedores instalados no País deverão avançar com sua equipe de engenheiros para atender a demandas futuras:
“O Brasil, hoje, é um polo de desenvolvimento, porque as montadoras possuem autonomia e capex próprio para isso, o que não ocorre na maioria dos países. Então queremos ser um grande parceiro tecnológico e de negócios, capaz de gerar soluções para futuros lançamentos, reduzindo os custos e buscando alternativas para ajudar nos novos projetos”.
Diante deste cenário a empresa projeta crescimento de 30% no seu faturamento local este ano, chegando a R$ 110 milhões. O mesmo porcentual de crescimento também é esperado para 2025 e 2026.
Para atingir o porte que possui hoje a Teknia investiu na aquisição de alguns fornecedores brasileiros nos últimos anos, caso de uma fabricante de tubos, uma operação de estamparia e uma fábrica de injeção plástica. Uma destas unidades estava localizada em Jacareí e tinha grande espaço para ampliação, o que motivou a empresa a unificar suas três operações em uma única fábrica.
Atualmente os dois grandes negócios da Teknia no Brasil são a produção de diversos tipos de tubos usados nos motores híbridos e a combustão e a fabricação de peças de plástico injetado, como porta-luvas e moldura interna das colunas da carroceria. Segundo Lima a empresa produz de 350 mil a 400 peças por mês, sendo que alguns veículos saem da linha de produção com mais de dez peças suas, caso de modelos da Volkswagen.
Com o avanço no desenvolvimento de motores no Brasil a Teknia acredita que novos componentes, que antes eram produzidos nos Estados Unidos e na Europa e importados, serão feitos aqui nos próximos anos. É o caso do sistema de injeção direta, da qual a Teknia produz parte dos componentes, e espera que algum grande sistemista, como a Bosch, que já possui esta tecnologia na Europa, comece a fabricar localmente, sendo que algumas conversas e estudos para tornar este projeto viável já estão acontecendo.
Segundo Lima a grande dificuldade é o volume porque o Brasil possui uma diversidade de motores e nem todos demandarão este tipo de sistema. Por isto é necessário adaptar a operação local às características do mercado, buscando soluções que permitam a produção local sem encarecer os componentes na comparação com os importados.
São Paulo – O Grupo BMW uniu-se, como integrante estratégico, ao Grupo de Trabalho de Veículos Definidos por Software da Fundação Eclipse, que facilita a colaboração global em tecnologias de software de código aberto para uso em veículos modernos. A empresa integra a fundação há dez anos e agora terá a oportunidade de orientar o grupo de trabalho e liderar projetos.
Ao longo de vinte anos de experiência em desenvolvimento de software interno o grupo estabeleceu referências do setor em muitas áreas importantes, como acesso digital a veículos por meio de dispositivos inteligentes, atualizações remotas em todos os domínios funcionais e trens de força, bem como estruturas de back-end de veículos.
São Paulo – Aos 50 anos o centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Fras-le Mobility, situado em Caxias do Sul, RS, junto à sede da companhia, passa a se chamar Movetech. Em estrutura integrada por três laboratórios cerca de 160 profissionais trabalham para dar apoio às operações no Brasil e no mundo na concepção de novos produtos, fazendo uso de ferramentas avançadas para a criação de componentes, testes e simulações.
Segundo a Fras-le Mobility o espaço “se consolida como o maior centro de engenharia avançada em materiais de fricção do Hemisfério Sul, expandindo sua atuação a outros segmentos, como compósitos estruturais e componentes poliméricos, em busca de soluções completas para o mercado da mobilidade”.
Um dos exemplos recentes de soluções que passaram pelos laboratórios do Movetech é nova formulação para sapatas ferroviárias que reduz sua pegada de carbono. Outras iniciativas na criação de soluções sustentáveis aplicaram-se a produtos de fricção sem amianto, nos anos 1990, e pastilhas de freio sem uso de cobre e linha de compósitos estruturais, nos anos 2020.
São Paulo – A Mercedes-Benz lançou, na Argentina, seu chassi elétrico eO500U, desenvolvido e produzido em São Bernardo do Campo, SP. O veículo foi apresentado na sede do Centro de Treinamento Mercedes-Benz em Tortuguitas, na Província de Buenos Aires, em evento que contou com a presença do Secretário de Transportes da Nação, Franco Mogetta.
Segundo o secretário o objetivo é eliminar todo tipo de obstáculos e regulamentações excessivas para que o setor possa se desenvolver da melhor forma: “É um desafio e tanto, mas já estamos trabalhando nisto, contemplando esse tipo de veículo para que a regulamentação permita a utilização destes elétricos que a empresa está lançando”.
O chassi eO500U apresentado na Argentina é o mesmo modelo vendido em São Paulo e possui cinco módulos de bateria que proporcionam autonomia de 250 quilômetros. O sistema de carregamento da bateria é plug-in e o tempo de carga total é de três horas.
Até dezembro do ano passado foram produzidas cinquenta unidades do modelo para a cidade de São Paulo e, este ano, conforme a montadora, as entregas continuam na Capital paulista.
São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus, que exporta veículos produzidos em Resende, RJ, para diversos países, atingiu a marca de 12,5 mil unidades vendidas no mercado do Peru. Deste volume foram 8,3 mil caminhões dedicados ao transporte de cargas e 4,2 mil ônibus.
O volume de 12,5 mil veículos vendidos foi atingido após negociação com o Grupo Arguelles, que comprou dezessete caminhões para prestação de serviços de limpeza pública. No Peru o representante oficial da VWCO é a importadora Euromotors, que dispõe de seis concessionárias e mais cinco oficinas para realizar todos os serviços de pós-vendas.
São Paulo – A Ford criou um programa, dentro do Ford Academy, no Brasil, para treinar os técnicos de pós-vendas de sua rede e garantir a assistência técnica necessária para os veículos híbridos e elétricos que comercializa no País. O treinamento, que gera uma certificação, possui três níveis e 116 horas de treinamento, incluindo o reparo de componentes internos das baterias.
O programa está em desenvolvimento há dois anos dentro do Ford Academy, instalado na unidade Ipiranga do Senai SP, que oferece um dos laboratórios de eletrificação mais completos do mercado, sendo usado também como referência para outros países da América do Sul. A Ford vende, no Brasil, dois modelos elétricos, a E-Transit e o esportivo Mustang Mach-E, e uma opção híbrida, a picape Maverick.
São Paulo – A Fiat anunciou o patrocínio à exposição Michelangelo: O Mestre da Capela Sistina, que começou na quinta-feira, 18, em Recife, PE, no Shopping RioMar. A mostra promete ser a maior experiência imersiva sobre a capela mais famosa do mundo, segundo comunicado divulgado pela Stellantis.
Os visitantes, que terão ingressos disponíveis a partir de R$ 30, também poderão visitar espaços dedicados à história e a curiosidades das obras de Michelangelo, considerado o maior artista italiano.
São Paulo – A engenharia brasileira da Phinia, de Piracicaba, SP, possui participação ativa no projeto global de desenvolvimento de solução que permita a um veículo a combustão rodar com hidrogênio. Na Europa três vans da companhia estão em testes e uma quarta está sendo construída nos Estados Unidos. O plano é aprimorar o sistema enquanto divulga o uso do hidrogênio como solução eficaz para a descarbonização.
Dos trinta engenheiros que trabalham em Piracicaba três estão envolvidos com a iniciativa. Globalmente são cerca de quatrocentos profissionais trabalhando no desenvolvimento de softwares, sistemas, calibrações e produtos dedicados ao sistema de gerenciamento de motor que inclui o hidrogênio. Vinte deles estão nas Américas, o que engloba Estados Unidos, México e Brasil.
Com a proposta de colocar na rua motor a combustão que rode com hidrogênio a Phinia desenvolveu sistema de injeção responsável pela queima do hidrogênio durante o processo de combustão. Marcos Passos, seu gerente de engenharia de desenvolvimento de produtos e sistemas, afirmou que a estrutura é similar a de um motor tradicional, a gasolina ou etanol, com vela e bobina de ignição.
A diferença é o hidrogênio, o menor elemento químico da tabela periódica, não ter cor nem cheiro e ser altamente inflamável. E é aí que mora o perigo. E requer a inteligência da Phinia para tornar a tecnologia viável.
“Por isto precisamos tomar alguns cuidados. Por exemplo: o aço por onde vai passar o hidrogênio tem de ser um produto especial da indústria, chamado de aço marinho. Como ele é muito pequenininho pode entrar nas estruturas químicas dos materiais comuns e danificá-las. O aço pode ficar poroso, o que poderá permitir vazamento indesejável de hidrogênio. Então o corpo do injetor, a tubulação e a linha de combustível, todo o caminho percorrido pelo hidrogênio, precisa ser de aço especial.”
De forma similar ao que acontece com os veículos flex, especialmente quando abastecido com etanol e partindo em temperaturas mais baixas, em que certa quantidade de combustível pode descer pela lateral dos pistões em direção ao cárter de óleo – e que lá fica armazenada sem maiores problemas podendo inclusive evaporar e voltar a ser queimada pela câmara de combustão –, no caso do hidrogênio ponto de atenção está no risco de pegar fogo.
“Pode haver uma explosão, eventualmente, dependendo da quantidade acumulada naquela parte de baixo do pistão, que culmina no cárter de óleo. Para evitar que este hidrogênio se acumule é preciso que ele seja dotado de sistema de ventilação contínua, a fim de não haver resquícios.”
Projeto de motor a combustão movido a hidrogênio leva sistema de injeção da Phinia, responsável pela queima do elemento químico. Foto: Divulgação.
A outra forma de uso do hidrogênio no setor automotivo, que utiliza células de combustível e é adotada pelo Toyota Mirai e pelo Hyundai Nexus, requer um hidrogênio com porcentual de pureza muito grande, se não a célula se degrada rapidamente, envelhece e traz problemas, disse Passos. Neste caso o hidrogênio é injetado em tanques similares ao do gás natural, entra na célula de combustível, une-se ao oxigênio e é feita reação química a fim de gerar eletricidade, o que permite que o carro elimine apenas vapor d’água. Essa eletricidade é canalizada para uma bateria menor do que a de um veículo elétrico e alimenta o motor.
No mecanismo desenvolvido pela Phinia o hidrogênio não precisa ser tão puro assim, segundo o executivo: “A indústria está caminhando para desenvolver um hidrogênio nestas condições, creio que será até mais barato, porque não precisa ficar purificando tanto. E o fato de ser mais sujinho até contribui, pois acaba sendo lubrificante”.
Em razão disto há outro sistema necessário que pingue uma gota de óleo a cada dez horas de uso para que ele reforce a lubrificação do corpo do injetor: “Fisicamente a estrutura é basicamente a mesma do carro a combustão, a não ser pelos tanques que armazenarão o hidrogênio”.
Equipe brasileira tem missão apoiar a dos Estados Unidos
Tudo isso é controlado por meio do sistema de gerenciamento de motor, módulos de controle eletrônico que ajudam a gerenciá-lo – e é onde entra a equipe brasileira de engenheiros. Em Piracicaba há uma bancada montada por eles com um computador e alguns injetores.
“Tenho acompanhado as atividades práticas em laboratórios dos Estados Unidos, como responsável para contribuir com que elas sigam em frente sem grandes dificuldades técnicas. E quando eu esbarro em algum percalço entro em contato com a Europa, com os outros especialistas globais, que ajudam também.”
O executivo contou que lá há dinamômetros rodando motores que foram convertidos de motor a gás ou diesel em hidrogênio. Junto com o Departamento de Energia dos Estados Unidos, que tem aportado recursos para apoiar a ação, e montadoras interessadas, eles desenvolveram e testaram módulos de controle eletrônico usados nesses projetos.
Engenheiros alocados em Piracicaba, sede brasileira da Phinia, que participam de projeto global de motor a hidrogênio: Djeymes Peressim, Marcos Passos e Roberto Krenus. Foto: Divulgação.
Phinia equipará sua quarta van a hidrogênio ainda este ano
Para realizar seus testes nas ruas a Phinia está montando veículos protótipos, sendo três vans na Europa e uma nos Estados Unidos, que deverá ficar pronta a partir de outubro. A escolha pelo modelo se deveu à finalidade de transporte urbano a fim de demonstrar melhor seu potencial.
O desempenho do motor de uma van a hidrogênio com relação a outra a diesel, de acordo com Marcos Passos, é praticamente o mesmo. A diferença é que o hidrogênio confere alto poder ao veículo devido à sua eficiência: “Então é preciso injetar menos hidrogênio para ter a mesma resposta que a obtida com gasolina e etanol”.
No comparativo de lançamento de carbono na atmosfera foi registrado o lançamento de 0,7 grama de CO2 por quilômetro rodado com o hidrogênio em vez de 250 gramas de CO2 com o diesel. Outro teste confrontou a boca do motorista, a partir de um ponto de prova, e foi constatado que ao respirar ele liberava 1 grama de CO2, ou seja, sua boca poluiu mais do que o próprio gás de escapamento de uma van, num veículo movido a hidrogênio.
Uma das três vans movidas a hidrogênio em testes na Europa. Foto: Divulgação.
Incentivo do governo é fundamental para propagar tecnologia
As vans da Phinia têm sido expostas no Parlamento Europeu, em simpósios em Viena e em eventos de montadoras e sistemistas a fim de que sejam testadas e chamem atenção para que os governos aprovem legislações que promovam esses tipos de veículos, para facilitar investimentos em P&D e estimular a introdução do hidrogênio nas matrizes energéticas desses países – semelhante ao que ocorreu no Senado recentemente, ao aprovar o hidrogênio como parte da matriz energética brasileira.
O gerente de engenharia da Phinia considera que o governo, agora, precisará dispor de mecanismos para azeitar ambiente para as empresas trabalharem, em primeiro lugar, com a produção do hidrogênio: “Poderia reduzir pela metade ou na totalidade o imposto de importação de uma máquina, de um eletrolisador, que vai dissociar o hidrogênio da água, vindo da Suíça, até que seja fabricada uma dessas daqui a um tempo. Ou, então, metade das horas dos engenheiros que trabalham no avanço do tema poderia ser financiada com verba pública”.
Se por um lado o Brasil tem a vantagem natural de gerar eletricidade a partir de fontes renováveis por meio do vento ou do sol, o que favorece a eletrólise para a produção do hidrogênio verde, por outro essa atividade deverá se concentrar no Nordeste, ao passo que boa parte do consumo estará no Sudeste. A solução, de acordo com Passos, será transformar o hidrogênio em amônia e, assim, transportá-lo sem riscos. Mas, ao chegar ao destino, terá de ser dissociado mais uma vez, o que implica custos e requer incentivos.
Sobre se há alguma perspectiva de a Phinia trazer essa iniciativa ao Brasil o executivo disse que o ponto de partida é simples: o País abraçará a causa do veículo a hidrogênio, ainda que comece pela questão do reformador de etanol?
“Enquanto isso participamos de eventos para divulgar nossa tecnologia. E trabalhamos em colaboração com unidades com as quais empresa opera e em que o uso do hidrogênio está começando a ser disseminado.”
Como a Europa e os Estados Unidos estão focados apenas na descarbonização e na substituição de combustíveis de origem fóssil por outro menos poluente, de acordo com o executivo ainda não foi aventada a possibilidade de que esses veículos rodem com mais de um combustível, por exemplo, com o hidrogênio como segunda opção, ao lado do etanol, ou terceira, se considerarmos a gasolina. Passos entende que mais adiante, quando a tecnologia começar a se espalhar pelo mundo e ganhar as ruas no Brasil, é possível que haja esse tipo de desenvolvimento no País.
São Paulo – Com a perspectiva de investir R$ 1 bilhão 270 milhões no Estado da Bahia a Bravo Motor Company Brasil Energy definiu novo endereço para construir fábrica de baterias de lítio, a primeira da América Latina: São Sebastião do Passé. Foi assinado protocolo de intenções com o governo baiano, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, no início do mês.
Empresas como ABB e Rockwell Automation haviam sido anunciadas como parceiras da empreitada e, segundo a Bravo, e, ao que tudo indica, elas continuarão no projeto.
Divergências acerca de políticas econômicas e financeiras alteraram o destino da companhia que recalculou a rota do que será fabricado no País. Por ora o foco está somente em células de baterias de lítio para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
Segundo o diretor da Bravo, Eduardo Muñoz, a mudança deve-se ao posicionamento do governo do Estado acerca da economia verde: “Nossa escolha é pautada em posicionamento geopolítico estratégico, para termos uma unidade industrial que gere cadeia de valor desde a mineração até a transformação destes minérios em materiais e consequentemente em baterias”.
Muñoz reforçou que a escolha natural da companhia, com sede na Califórnia, Estados Unidos, seria o Brasil por sua liderança regional, pelo peso de sua economia, tamanho do setor automotivo e por ser uma potência em energia renovável: “Definido o País o funil dependia de um Estado realmente comprometido com a economia verde. Com a chegada da BYD e da Bravo outras virão, e formaremos um hub”.
No ano passado o governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema, chegou a afirmar que os carros elétricos são uma ameaça aos empregos brasileiros, postura diferente da que demonstrou à época da assinatura do protocolo de intenções.
Prefeitura de São Sebastião do Passé doará terreno para Bravo
Contribuiu para a mudança também o fato de a Prefeitura de São Sebastião do Passé ter assinado protocolo de intenções que inclui a doação de um terreno de 400 mil m², localizado na beira da BR 324, que se conecta a portos e outras estradas federais.
São Sebastião do Passé está a 67 quilômetros de distância da Capital, Salvador, o que dá trajeto de 1h15, aproximadamente, e a 34 quilômetros de Camaçari, onde está a BYD, trecho que pode ser percorrido em quase uma hora.
O nome Colossus Cluster será mantido e a área construída aumentará conforme sua produção. A primeira fase do projeto contará com financiamento de bancos de desenvolvimento e complemento de investidores privados, o que permitirá capacidade produtiva de 1 GWh por ano. O plano é ampliá-la para 5 GWh por ano nos três anos seguintes, acompanhando o ritmo de adoção da tecnologia no País.
O investimento desta primeira fase é de R$ 600 milhões e a estimativa é que sejam gerados 450 empregos. Quando tudo estiver finalizado a projeção é gerar 3,5 mil postos de trabalho diretos e 10 mil indiretos.
Segundo a Bravo já está comprometida a instalação de mais duas indústrias de materiais críticos para produção de baterias. Além disso a própria empresa deverá instalar unidade de fabricação de veículos para mobilidade como serviço, com táxis, vans e ônibus assim que a fábrica de baterias esteja operando.
O superintendente de Atração de Investimentos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Luciano Giudice, celebrou o anúncio da Bravo em um momento em que a descarbonização e a busca por fontes de energias renováveis e limpas tornam-se primordiais para o planeta.
“O governo da Bahia e a SDE têm trabalhado incansavelmente na busca por atrair empresas alinhadas com este pensamento e que representem um modelo industrial voltado para o futuro, com a visão não apenas do resultado financeiro mas com a preocupação e a atuação focados também na preservação ambiental e no desenvolvimento social.”