São Paulo – A Clarios juntou forças com a Altris para desenvolver baterias de íons de sódio de baixa voltagem para o setor automotivo. Com a evolução dos híbridos e elétricos, observaram as companhias em comunicado conjunto, a rede de baixa tensão está sendo cada vez mais solicitada para atender a um número maior de funções baseadas em software, o que demandará o aprimoramento destes itens.
As empresas estão explorando diversas opções de soluções para as baterias, como íon-lítio, chumbo-ácido e outras químicas. As de íons de sódio são mais sustentáveis e têm maior facilidade de reciclagem, pois são feitas de sal, madeira, ferro e ar, materiais abundantes e disponíveis, livres de conflito ou elementos tóxicos.
A colaboração conjunta tem como objetivo desenvolver bateria de íons de sódio com potencial de até 60 volts para dar suporte a aplicações automotivas em veículos novos e para o mercado de reposição e, depois, criar um plano de produção que torne viável esta aplicação. O investimento não foi divulgado.
São Paulo – A Marcopolo negociou lote de 473 ônibus com a BsBus Mobilidade, que opera no transporte público do Distrito Federal. Foi, segundo a empresa, uma das suas maiores vendas para um único cliente no Brasil no segmento urbano, intermediada pelo representante Topline, que atende a região, Goiás e Tocantins.
As primeiras unidades já foram entregues. São 426 unidades do Torino com três portas e 47 com quatro portas, montados sobre chassis Mercedes-Benz OF 1721.
São Paulo – Uma nova versão limitada Mitsubishi Eclipse Cross, de 150 unidades, saiu da fábrica da HPE em Catalão, MG, rumo às concessionárias. Por R$ 169 mil 990 a Rush ocupa a faixa de entrada da linha do SUV médio, formada por cinco versões, e pretende atacar Corolla Cross, Volkswagen Nivus e Jeep Compass.
O Mitsubishi Eclipse Rush oferece grade frontal com acabamento em black piano e o protetor do motor com pintura em cinza metalizado. Caixas de roda e acabamentos do para-choque dianteiro e traseiro, bem como as molduras inferiores da porta, estão na cor da carroceria. As rodas de aro 18 ganharam design novo.
O motor é o 4B40 MIVEC turbo com injeção direta que gera 165 cv, combinado à transmissão automática Invecs-III CVT de oito velocidades.
Veja os preços da linha Eclipse Cross:
Série especial Rush – R$ 169 mil 990 Série especial Sport – R$ 209 mil 990 HPE-S e R$ 219 mil 990 HPE-S S-AWC HPE – R$ 185 mil 990 HPE-S – R$ 204 mil 990 HPE-S S-AWC – R$ 214 mil 990
São Paulo – A Prometeon anunciou a chegada de Ricardo Susini para ocupar o cargo de CEO para a América Latina, respondendo ao CEO global Roberto Righi. Ele sucede a Eduardo Fonseca, que deixou a companhia e atualmente trabalha na Dana, na Itália.
O novo CEO ficará à frente das operações fabris de Santo André, SP, Gravataí, RS, e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, localizado no ABC paulista, que opera como polo global de inovação em produtos agro para todo o grupo: veículos comerciais, agronegócio e OTR. Também é responsável por toda a região latino-americana, com escritórios na Argentina, Colômbia e México.
Susini é engenheiro com MBA em marketing e negócios e acumula larga experiência na indústria automotiva. Ele era o presidente da Yamaha no Brasil, na qual ocupou diversos cargos nas área comercial e de pós-vendas, além de passagens por Ducati e Honda.
Impulsionada por políticas de Estado que combinam legislação impositiva da tecnologia e incentivos públicos na Europa, China e com menos intensidade também nos Estados Unidos, a corrida para os carros elétricos provocou um rápido crescimento da frota em mercados incentivados e com isto os problemas começam a aparecer no mundo real das leis de mercado, nem sempre aderentes ao pensamento de legisladores e eletroativistas.
No último semestre de 2023 e neste início de 2024 os BEVs, battery electric vehilcles, começaram a motivar algumas más notícias, em uma combinação de redução da demanda em mercados importantes, retirada de subsídios na Alemanha, cortes de investimentos em novas fábricas de carros e baterias na Europa e nos Estados Unidos, produção abaixo das metas e alta desvalorização dos elétricos usados.
Ungidos no mundo desenvolvido como solução final para descarbonizar as emissões veiculares os carros elétricos tornaram-se o principal destino de investimentos de dezenas de bilhões de dólares e euros dos maiores fabricantes do mundo. O problema é que os BEVs estão demorando mais do que era esperado para alcançar viabilidade comercial própria e desmamar de incentivos públicos, colocando em risco o retorno dos bilhões já investidos. É o velho mal de se colocar todos os ovos em uma única cesta – especialmente quando há outras cestas viáveis.
Alerta na Europa
Na Europa, primeira região do mundo onde a eletrificação ganhou corpo sustentada por legislação favorável e generosos subsídios de diversos governos, o alerta soou no maior de seus mercados, a Alemanha, que no fim de dezembro comunicou o cancelamento, um ano antes do previsto, de incentivos de até € 6 mil que concedia para quem comprasse um carro elétrico.
Após conceder mais de € 10 bilhões em incentivos a veículos eletrificados desde 2016 o governo alemão informou que não tem mais recursos no orçamento público para bancar a transição para os BEVs.
Com efeito a Europa registrou em dezembro o pior desempenho mensal dos carros elétricos desde antes da pandemia, em 2020. As vendas na região caíram 16,3% na comparação com dezembro de 2022. Na Alemanha o baque foi o pior: a retração nas compras de BEVs foi de 48% em relação a um ano antes, e os híbridos caíram 74%.
O resultado negativo joga mais uma vez dúvidas sobre a viabilidade de cumprir a legislação da União Europeia, que estabeleceu, até 2035, o banimento total de veículos alimentados por combustíveis fósseis. Já há gente graúda na indústria que admite um possível adiamento desse prazo.
A Volkswagen, maior fabricante europeu, para superar o escândalo da fraude nas medições de emissões de seus motores diesel, apostou todas as suas fichas nos BEVs. A empresa adotou plano com ambição de ser o maior produtor mundial deles, mas faltou combinar o jogo com a concorrência dos chineses.
No fim do ano passado, após interrupções de algumas linhas de produção de elétricos, o CEO Thomas Shaefer admitiu que a empresa precisa mudar de estratégia. Coincidência ou não a Volkswagen cancelou investimento de US$ 2,2 bilhões que faria em uma nova fábrica de BEVs na Alemanha.
O mercado europeu é o segundo maior do mundo para os BEVs, em 2023 concentrou 22% das vendas globais, com 2 milhões de unidades, com vistoso crescimento de 27% sobre 2022, mas que começou a apresentar retração no fim do ano passado, abrindo uma até então inédita guerra de preços que puxa para baixo a rentabilidade e o valor dos usados.
VW ID.4: desconto de € 7,7 mil na Alemanha.
Nos Estados Unidos e na Europa a Tesla adotou seis reduções de preço de seu carro mais barato, o Model 3, que começou 2023 custando US$ 47 mil e terminou o ano em US$ 39 mil no mercado estadunidense. Para compensar o fim dos incentivos na Alemanha a Volkswagen criou um, digamos, bônus ambiental de mais de € 7 mil para quem quiser levar um ID.3 para casa, e de € 7,7 mil para o ID.4. Por certo o desconto está sendo sustentado por corte de lucro ou aumento de prejuízo.
Sempre mais cético em relação aos elétricos o CEO do Grupo Stellantis, Carlos Tavares, chamou o cenário de “banho de sangue”, afirmando que as reduções podem levar fabricantes ao colapso: “Conheço uma empresa que cortou brutalmente os preços e a sua rentabilidade entrou em colapso. Quando você faz isso pula em um oceano vermelho, as coisas ficam muito difíceis no futuro”.
Revés nos Estados Unidos
A GM, que vende ao público e aos seus acionistas os BEVs como solução única e final para o futuro de seus veículos, diante de demanda muito menor do que a alardeada, reconheceu que não conseguirá atingir seu plano de produzir 400 mil carros elétricos até o meio de 2024, porque vendeu apenas 100 mil no segundo semestre de 2023. Em outubro a empresa divulgou que irá atrasar em um ano a construção de uma fábrica de picapes elétricas em Detroit, berço da indústria automotiva nos Estados Unidos.
Em novembro foi a vez da Ford divulgar más notícias: a empresa informou que vai revisar ou atrasar investimentos em veículos elétricos da ordem de US$ 12 bilhões, que foram anunciados meses antes, em fevereiro. A fabricante justificou o movimento pela demanda abaixo da esperada por modelos eletrificados.
Em ato contínuo a Ford também anunciou o primeiro alvo dos cortes: a redução do investimento de US$ 3,5 bilhões em uma fábrica de baterias a ser construída no Estado de Michigan.
O expressivo crescimento anual, em 2023, de 50% nas vendas de BEVs nos Estados Unidos foi registrado sob uma base de comparação baixa e ainda esconde um mercado quase de nicho, de 7,7% do total de 15,5 milhões de veículos novos registrados. Às custas de incentivos governamentais e cortes de preços pela primeira vez o país das enormes picapes a gasolina superou a marca de 1 milhão de carros elétricos vendidos no ano, foram quase 1,2 milhão deles, mais da metade, 55%, foram modelos Tesla.
Analistas avaliam que após o salto de 2023 a expansão dos BEVs tende a arrefecer nos Estados Unidos. As muitas startups fabricantes de veículos elétricos que surgiram no país na esteira do sucesso da Tesla chegaram a valer especulativos bilhões de dólares antes produzir um carro sequer, mas agora pagam o preço das promessas que não conseguiram cumprir aos investidores. Dezoito empresas do setor que abriram capital em bolsa correm o risco de chegar ao fim de 2024 sem caixa. Três delas já entraram com pedido de recuperação judicial.
Nem a Tesla escapa
Tesla: redução de preços e lucros menores.
Nem mesmo o ícone maior do eletroativismo veicular e maior fabricante de carros elétricos do mundo, cujo valor de mercado ultrapassou todas as grandes fabricantes de veículos do mundo, escapou das notícias negativas. Alguns dias atrás a Tesla divulgou resultados financeiros que decepcionaram os analistas de mercado.
Em 2023 a empresa do bilionário Elon Musk seguiu sendo a maior fabricante de BEVs, vendeu 1,8 milhão deles no mundo todo, mas por preços menores, perdendo rentabilidade, o que fez seu valor de mercado recuar US$ 94 bilhões nas duas primeiras semanas de janeiro, no pior começo de ano para a Tesla desde que abriu seu capital na bolsa, em 2010.
O crescimento já não é mais tão pujante e a concorrência chinesa está destruindo os lucros. As margens da Tesla ainda são muito altas mas sofreram queda acentuada no fim de 2023, recuando de 27,5% para 16,3%. No último trimestre do ano passado a empresa perdeu a liderança de vendas globais de carros elétricos para a chinesa BYD, que vendeu 1,6 milhão de BEVs no mundo e cresceu deslumbrantes 73%.
Em recente teleconferência para apresentar os resultados da Tesla em 2023 Elon Musk acusou o incômodo da concorrência no cangote e reconheceu que “as fabricantes chinesas de carros elétricos deverão ter sucesso significativo fora da China” nos próximos anos. Homem mais rico do mundo e defensor do livre mercado, Musk deixou no ar um possível pedido de socorro aos governos ocidentais: “Francamente penso que, se não forem estabelecidas barreiras comerciais, elas [as chinesas] irão praticamente demolir a maioria das outras empresas no mundo”.
Mico na locação e na revenda
A Hertz, uma das maiores locadoras de veículos do mundo, citando redução na demanda por BEVs nos Estados Unidos, anunciou que desistiu de seu plano de comprar 100 mil modelos Tesla e, ao longo deste ano, vai se desfazer de 20 mil BEVs, um terço de sua frota de veículos elétricos, para trocá-los por carros a combustão mais procurados pelos clientes.
A locadora esperava aumentar seus lucros com a oferta de elétricos, apostando em atrair clientes dispostos a pagar diárias mais caras, e que a venda dos usados também fosse mais lucrativa. Mas aconteceu justamente o contrário. A realidade é que os clientes não querem pagar mais por um BEV, seja para alugar ou comprar um de segunda-mão.
Por outro lado a agressiva política de cortes de preços adotada pela Tesla também reduziu o valor de quem tem um modelo usado da marca, como é o caso da Hertz, que calcula perdas de US$ 245 milhões com a depreciação e desmobilização dos BEVs de sua frota.
Movimento parecido aconteceu na Europa onde a Sixt decidiu retirar todos os Tesla de sua frota.
Se está difícil alugar um carro elétrico mais difícil ainda é a revenda. Após o rápido crescimento da frota global na última década a indústria está lidando pela primeira vez com os BEVs usados – e os resultados são ruins.
Ao contrário dos já bem conhecidos veículos a combustão, avaliados pelo estado geral e quilometragem, ainda não há critérios claros para precificar um modelo elétrico de segunda-mão, no qual as baterias representam mais de 30% do valor e sua durabilidade é avaliada por ciclos de recarga.
Aliás este é outro problema: a frota de BEVs cresce mais rápido do que os postos de recarga, o que gera mais insegurança aos possíveis compradores.
Como se trata de tecnologia em evolução os novos modelos estão cada vez melhores, mais baratos e com maior autonomia, o que também deprecia o mercado de usados, pois poucos arriscam comprar um BEV de segunda-mão, que na Europa está demorando mais de noventa dias para ser revendido e desvaloriza bem mais do que um modelo similar a combustão.
À agência Bloomberg o diretor de operações da Toyota Motor na Europa, Matt Harrison, disse que “simplesmente não há procura por veículos elétricos usados”. Dirk von Knapp, representante de concessionárias Volkswagen e Audi na Alemanha, afirma que “é preciso reduzir significativamente os preços apenas para que os clientes olhem para os veículos elétricos”.
Neste cenário preocupa bastante os cerca de 1,2 milhão de BEVs vendidos na Europa em 2021, a maioria deles por contratos de leasing de três anos que vencerão este ano. Os clientes devem devolver esses carros que inundarão o mercado de usados, aumentando o encalhe e desvalorizando ainda mais os preços.
BYD Dolphin: fabricante chinês puxa os preços para baixo.
China demolidora
Os problemas agora enfrentados pelos elétricos estão mais presentes na Europa e nos Estados Unidos. Na China o governo, que controla o mercado com mão-de-ferro, segue incentivando fortemente sua indústria de veículos eletrificados, forçando reduções de preços que começam a se espalhar pelo mundo e já incomodam os fabricantes tradicionais em seus próprios mercados.
Os chineses compraram 5,1 milhões de BEVs em 2023, em expansão anual de 21%. Os carros a bateria dominam perto de um quarto das vendas domésticas na China, que sozinha representou 57% do mercado global no ano passado, com tendência de expandir ainda mais esta fatia e espalhar seus elétricos pelo mundo.
Mas não sem problemas. No mercado doméstico BEVs usados e desvalorizados já começam a ser abandonados nas ruas das grandes cidades chinesas, segundo relatam agências de notícias. Ao mesmo tempo, fora do país, os grandes mercados da Europa e dos Estados Unidos já impõem ou estudam impor tarifação maior e barreiras comerciais para conter a concorrência de empresas chinesas.
Crescimento dependente de incentivos
As vendas de BEVs bateram o recorde histórico de 9 milhões em 2023, com crescimento de 29% sobre 2022 e participação em torno de pouco mais de 10% no total de 86 milhões de veículos vendidos no mundo. Fora da China, da Europa e dos Estados Unidos, o resto do mundo consumiu apenas 8% dos BEVs vendidos.
Ninguém nega o forte crescimento de participação dos elétricos até agora e nem se espera por grandes quedas nos próximos anos, mas fica claro que sem subsídios e incentivos os veículos a bateria perdem força porque ainda é uma tecnologia cara e em evolução, que não resolveu todos os seus problemas, principalmente o da infraestrutura de recarga insuficiente, incertezas sobre custo de reparos em caso de acidentes e alta desvalorização na hora de revender o BEV usado.
Após a euforia inicial sobre os carros elétricos como solução final para a descarbonização das emissões veiculares, está mais difícil conquistar a confiança do consumidor para algo que ele ainda não sabe se será um mico. Assim outras soluções menos charmosas voltam a ganhar a possibilidade de prosperar, como os biocombustíveis.
São Paulo – A Tesla deverá iniciar a produção de veículos elétricos mais acessíveis, com valores a partir de US$ 25 mil, em meados do ano que vem. Segundo reportagem da agência Reuters a empresa informou a seus fornecedores que pretende fabricar um crossover compacto de codinome Redwood.
Segundo fontes que pediram sigilo a Tesla teria enviado, no ano passado, solicitações de cotações ou convites para licitações a empresas da cadeia. A montadora previu um volume de produção semanal de 10 mil unidades a partir de junho de 2025.
Embora esta intenção já tivesse sido sinalizada em 2020, e depois engavetada, parece que agora realmente sairá do papel. A Tesla estava preocupada com os juros estão em patamar elevado, o que reflete a demanda por veículos mais caros.
Mas, com um produto mais acessível, ela poderá concorrer tanto com carros movidos a gasolina como com elétricos mais baratos, a exemplo dos da BYD, que no último trimestre de 2023 ultrapassou a Tesla como maior fabricante mundial de veículos a bateria.
Hoje o Tesla de entrada é o sedã Model 3, vendido a partir de US$ 38 mil 990 nos Estados Unidos.
São Paulo – Cinquenta anos atrás chegava às ruas de Wolfsburg, Alemanha, sede da Volkswagen, o primeiro Golf. De lá para cá foram comercializadas 37 milhões de unidades, sendo 406 mil delas no Brasil. Para celebrar a data a empresa lançou versão aprimorada de seu carro mais vendido que poderá ser adquirida em algumas semanas na Europa.
Chamado de “coração da marca” o novo Golf traz nova central multimídia com conceito de operação mais intuitivo, com design exterior mais marcante na dianteira e traseira, sendo que a grade dianteira vem com logotipo iluminado da Volkswagen pela primeira vez. A opção híbrida ganhou autonomia de 100 quilômetros com apenas um motor elétrico.
O hatch médio também será equipado com central multimídia de última geração, com processador mais rápido, operação intuitiva, assistente de comando por voz inteligente, a IDA, e integração com ChatGPT baseado em inteligência artificial.
São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus vendeu para a Arca Continental Lindley engarrafadora exclusiva da Coca-Cola e da Inca Kola em Lima, Peru, 144 caminhões Constellation e Delivery, que completam frota de 850 veículos da marca entregues pelo importador Euromotors.
Os veículos Euro 5 foram produzidos sob medida para a empresa, que distribui bebidas engarrafadas para mais de 300 mil clientes. Eles trazem espelhos adicionais que favorecem visão panorâmica de 360 graus para o motorista, sensores de alerta e câmara de ré com visibilidade de até 30 metros.
São Paulo – São Paulo voltou a liderar os emplacamentos de veículos no País após um hiato de dois anos. Em 2021 e 2022 Minas Gerais desbancou, pela primeira vez, a soberania do Estado mais rico do Brasil, historicamente o que mais contabilizava registros de veículos 0 KM. O motivo para esta mudança foi atribuído ás vantagens às locadoras, como menor valor dos impostos no licenciamento, oferecidos pelo governo mineiro para que suas frotas fossem emplacadas por lá. Só que no ano passado veio a revanche com a oferta de IPVA mais baixo por parte da gestão paulista.
Foram comercializados ao longo do ano passado 2 milhões 308 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil e, destes, 26% do total ou 607 mil 483 veículos em São Paulo, de acordo com dados da Anfavea. Minas Gerais veio na sequência com 527 mil 153 veículos ou quase 23% do total.
Para efeito de comparação, das 2 milhões 104 mil unidades vendidas em 2022 cerca de 25% ou 521 mil 85 unidades, foram emplacadas em Minas Gerais e 510 mil 597 ou 24,5% em São Paulo.
Embora os Estados da Região Sudeste, como um todo, tenham apresentado crescimento acima da média do País na comparação de 2022 com 2023, de 9,7%, o avanço porcentual de São Paulo, de 19%, ficou bem acima do incremento do balanço apurado pelo Estado mineiro, de 1,2%.
Um dos fatores que pode ter ampliado os licenciamentos foi o programa do governo federal estabelecido pela MP 1 175, que vigorou em meados do ano passado oferecendo descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil para a compra de carros novos de até R$ 120 mil e que, no caso de caminhões e ônibus, propunha abatimentos de R$ 33,6 mil a R$ 99,4 mil.
Embora não haja uma segmentação por Estados infere-se que pelo fato de São Paulo deter a economia mais pujante do País, assim como a maior frota, o reflexo do programa de incentivo deve ter sido proporcional.
Segundo a Anfavea o aumento expressivo em São Paulo é atribuído não só ao aquecimento do varejo mas, também, ao crescente papel das locadoras no Estado. Contribuiu para este movimento a redução da alíquota de IPVA para locadoras para 1%, assim igualando ao porcentual praticado por dezessete estados, a exemplo de Minas Gerais.
Na avaliação de Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da Abla, Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, “isto possibilitou que diversas locadoras que antes emplacavam seus carros em suas filiais passassem a registrar seus veículos onde estão as matrizes, em São Paulo”.
Miguel Júnior contou que a alíquota para locadoras dispunha de benefício que a deixava em 2%, após pleito do segmento de locação para obter desconto de 50%. Mas durante o governo de João Doria, de 2019 a 2022, voltou a 4%, mesmo porcentual cobrado da população em geral, “e esta decisão provocou a saída de muitas locadoras do Estado”, lembrou.
Somente no fim da gestão de Rodrigo Garcia, que assumiu no lugar de Doria, em 2022, é que a alíquota foi reduzida para 1%, igualando ao que é cobrado na maioria dos Estados do Brasil, “o que impulsionou bastante o mercado em São Paulo”. Miguel Júnior segue o raciocínio afirmando que “embora os dados fechados do setor em 2023 ainda não tenham sido divulgados é razoável afirmar que este IPVA é um dos principais custos”.
Dados da Fenabrave mostram que 49,5% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves realizados em 2023 foram feitos por meio de venda direta. No caso das picapes e utilitários este porcentual chega a 66,7% — 44,9% para carros.
Para Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da Abla, a redução da alíquota de IPVA a 1% foi definitiva para encorpar os emplacamentos em São Paulo. Foto: Divulgação.
O dirigente da Abla citou ainda que são pleiteadas outras reduções, como o custo de licenciamento em São Paulo, segundo ele um dos mais caros do Brasil se comparado com Minas Gerais e Paraná.
O Paraná aparece em terceiro lugar no ranking elaborado pela Anfavea dos Estados que mais emplacaram em 2023, com 155 mil 895 unidades, aumento de 10,7% com relação ao ano anterior. O Rio Grande do Sul ficou com o quarto lugar, com 117 mil 593 unidades, alta de 12,4% na comparação anual, e Santa Catarina em quinto, com 114 mil 784 unidades, 14,2% a mais do que em 2022.
O Rio de Janeiro, mesmo tendo alíquota de 0,5% de IPVA para locadoras, aparece apenas na sexta colocação de vendas gerais de veículos, direta e varejo, com 101 mil 619 unidades 0 KM registradas, alta de 11,2%. Outros estados têm alíquotas do imposto de 1,25%.
O mais importante, na avaliação da Anfavea, é que as vendas de veículos novos cresceram em 2023 em quase todo o País, exceções feitas aos Estados de Roraima, em que as 4 mil 815 unidades representaram recuo de 16,1% com relação a 2022, e Rondônia, onde as 16 mil 490 unidades ficaram 0,9% abaixo do ano anterior.
Para 2024 a Anfavea projeta vendas de 2 milhões 450 mil unidades, incremento de 6,1% ante o ano passado. Mais otimista a Fenabrave prevê alta de 12%. Essa disputa entre estados tende a continuar por mais alguns anos até que, conforme a reforma tributária caminhar e a guerra fiscal for colocada de escanteio quando o IVA, Imposto sobre Valor Agregado, entrar em vigor, esta será questão ultrapassada. E levará a melhor quem oferecer melhores preços e condições de licenciamento.
Brasília – O Mover, Mobilidade Verde e Inovação, a segunda fase do Rota 2030, e a nova política industrial, anunciada esta semana pelo governo federal, garantem ao setor a previsibilidade jurídica que, aliada à política fiscal que o governo se compromete a cumprir, ajudam a atrair novos investimentos para o mercado brasileiro. Todos os assuntos foram pauta da reunião de Shilpan Amin, presidente da GM Internacional, Santiago Chamorro, presidente da GM América do Sul, e Fábio Rua, vice-presidente de relações governamentais, comunicação e ESG da GM, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com alguns ministros.
Segundo Rua o papo pode ser resumido em três palavras: “Diálogo, segurança jurídica e confiança. Com o Mover e a política industrial temos previsibilidade, um Norte que pretendemos seguir”.
Ele destacou alguns pontos do Mover, como o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento e a criação do IPI verde, que estimula a descarbonização, “mas ainda estamos buscando entender todos os capítulos do programa. A partir daí poderemos tomar novas decisões”.
Ele evitou criticar o retorno do imposto de importação para eletrificados, em vigor desde o início do ano, embora tenha se posicionado contrário pelo fato de haver ainda pouca participação das vendas destes modelos no mercado total: “Precisamos entender até que ponto o consumidor adotará estas tecnologias, se precisamos de um passo de transição mais espaçado. Mas é um ponto que será continuamente conversado com o governo”.
Já está decidido, entretanto, que a GM seguirá investindo em seu centro de engenharia brasileira: segundo Chamorro parte do investimento de R$ 7 bilhões será aplicado para reforçar a área, que hoje conta com 1,5 mil engenheiros.
Primeiros 99 anos
Na sexta-feira, 26, a GM completa 99 anos de Brasil. O anúncio do investimento, segundo o Chamorro, abre o ano de comemoração do primeiro centenário: “O futuro da GM, que emprega 13,4 mil pessoas, além dos mais de 26 mil funcionários dos nossos mais de seiscentos pontos de venda, começa hoje. Compramos, anualmente, mais de R$ 19 bilhões de nossos fornecedores. A GM completa 99 anos de história e presenteia o Brasil com mais desenvolvimento econômico e social”.
Um dos desafios é reduzir a ociosidade das fábricas brasileiras. Para isto, segundo Chamorro, é preciso ampliar as exportações: “Hoje 80% dos nossos veículos vendidos na região são produzidos no Brasil. Queremos crescer este volume para elevar a utilização de nossas linhas de produção”.