Retomada faz elevar expectativas da VW Caminhões e Ônibus para 2024

São Paulo — Após início de um 2023 desafiador o segmento de caminhões e ônibus começa a esboçar uma reação. Desde setembro as vendas cresceram e o quarto semestre indica acompanhar este movimento de alta, segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing & pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus durante o Congresso AutoData Perspectivas 2024, organizado de 21 a 22 de novembro no Espaço Fit Eventos, em São Paulo.

“Tudo indica que 2024 será positivo”, afirmou, admitindo que as vendas poderão superar até as 96 mil unidades projetadas pela Fenabrave. “Especialmente no segmento acima de 3 toneladas. O mercado reage positivamente neste fim de ano.”

Alouche contou que 2022 foi um ano completo: demanda aquecida e de falta de componentes, desafiando aumentar a produção para atender à demanda. Ao entrar em 2023, sob as novas regras do Proconve P8, equivalente ao Euro 6, as montadoras tiveram a missão de virar a chave e lançar cinquenta novos modelos. Todo o processo de introdução do Euro 6 nas linhas de produção levou alguns meses – que se estenderam desde a Fenatran, em novembro de 2022, até meados deste ano.

Até agora existem modelos que a VWCO ainda não lançou como Euro 6. Somente este fato já fez com que o volume de vendas do primeiro semestre fosse menor que no mesmo período do ano anterior. Junto a isto houve aumento de preço, de 15 a 20%, e a dificuldade da cadeia logística para os novos produtos.

“Não um gargalo, mas uma dificuldade de introdução de peças novas na linha de produção. A troca de governo ainda gerou uma expectativa diferente no mercado. Essa equação ficou mais complexa.”

Diante disto as perspectivas para 2024 são positivas após um 2023 complexo. O ano que vem será inteiro de Euro 6, sem interferência de estoque do Euro 5.

Ônibus também terão ano positivo

Alouche cita ainda o segmento de ônibus, que reagiu bem antes que o de caminhões no pós-pandemia, quando ficou parado, e os empresários se viram obrigados a renovar as frotas: “Estimamos que, numa visão conservadora, o segmento de ônibus ficará no mesmo patamar deste ano, que terá incremento em mais de 13%”.

Além disso o vice-presidente da VWCO lembrou que o governo federal fez a licitação do Caminho da Escola, que resultou em mais de 16 mil ônibus escolares e grande parte da entrega ocorre em 2024.

Caminhões crescem em dois dígitos

Nos caminhões, o número de crescimento para Alouche ficará de 15 a 20% em 2024, como a Anfavea o e setor de pesados projetam. Neste incremento Alouche considera frotistas, que já retomam as cotações porque não podem deixar as frotas envelhecerem. Outro fator, o PIB do agronegócio, cresceu mais de 11%, o que movimenta a economia, e junto com o PIB vem os investimentos em infraestrutura, PAC e redução das taxas de juros: “Com a combinação destes fatores o mercado será em 2024 menos difícil do que em 2023”.

Fabricantes de motor diesel esperam crescer até 15% em 2024

São Paulo – Passado o baque da mudança de motorização para o Euro 6, que elevou os preços dos caminhões e ônibus de 15% a 30% e contou com complicações adicionais trazidas pelo crédito escasso e pelos juros altos, combinação que derrubou a produção em até 40% e as vendas em até 20%, para o ano que vem os fabricantes de motores a diesel planejam crescimento de até 15%.

Foi o que afirmaram, em tom mais otimista, José Eduardo Luzzi, presidente da MWM, Adriano Rishi, presidente da Cummins, e Amauri Parizoto, diretor de vendas e mercado aberto da FPT Industrial, durante o Congresso AutoData Perspectivas 2024, realizado de 21 a 22 de novembro, no Espaço Fit Eventos, em São Paulo.  

“Houve um represamento grande que acabou impactando a venda do caminhão 0 KM este ano”, disse Luzzi. “Em 2024, já sem o estoque de passagem, estimamos aumento da produção de caminhões em 15% e, de ônibus, em 10%.”

O executivo reforçou que o Caminho da Escola deverá continuar puxando o segmento de ônibus, principalmente porque 2024 é ano de eleições municipais e, portanto, as encomendas para o programa do governo federal deverão se concentrar no primeiro semestre.

Para máquinas agrícolas a perspectiva também é de retomada: as vendas do setor, que está andando de lado, estão mais vinculadas aos juros e ao acesso ao crédito.

Para Parizoto, o setor da construção deverá ser o que mais puxará as vendas de motores, que deverão crescer 10% em 2024, passada a estabilidade este ano. A expansão esperada para caminhões e ônibus é de 8% e em tratores 5%, depois de queda neste mesmo porcentual este ano.   

“Acreditamos que haverá aumento de um e não de dois dígitos, como é aguardado para os veículos pesados, porque nem todo portfólio possui motor FPT. Nós participamos de alguns segmentos, em algumas aplicações. Vemos alguma montadora anunciar que expandirá o mercado de exportação mas nem sempre o motor FPT está adequado a essa aplicação. Talvez precisemos de mais um ano a um ano e meio para adequar esse produto.”

Por causa deste contexto o diretor da FPT afirmou que a companhia possui uma perspectiva mais pé no chão: “O Euro 6 para nós foi bem dolorido”.

Rishi contou que a Cummins driblou o impacto da crise deste ano por exportar 15% do volume de produtos acabados para México, Estados Unidos e Canadá, o que ajudou a compensar a queda abrupta de mercado. A empresa já exportava componentes e passou a embarcar motores.

Para 2024 a perspectiva é de incremento de 15%: “Mas é preciso lembrar que, como tivemos queda muito grande, a base é debilitada. Fica fácil crescer depois desse tombo, mas ainda não voltamos para a base de 2022”.

O presidente da Cummins destacou que até o fim da década enxerga mudanças na plataforma de motores a combustão e que o foco da companhia está dedicado à plataforma de motores agnósticos, em que será possível trabalhar com diferentes tipos de combustíveis, passando por diesel, gasolina, etanol, gás natural e biometano.

Luzzi, da MWM, fez coro, ao reforçar que todos os fabricantes de motores trabalham com diversos combustíveis alternativos ao diesel, inclusos biometano, hidrogênio, gás natural e biodiesel, que permitem que o motor com estrutura e confiabilidade do diesel possa promover descarbonização a partir do uso do combustível alternativo.

A solução de descarbonização que veio das aparas

Com cinco plantas industriais entre São Paulo e Minas Gerais, a empresa fornece revestimentos internos como carpetes, porta malas, tetos isoladores acústicos, revestimentos de portas, coverings e diversos outros componentes para as principais montadoras do país.

Em 2018, as engenharias de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Trambusti criaram o CTE® (Compósitos Termo Estruturais), que substitui tradicionais polímeros para peças injetadas (PP/ABS), Juta e Woodstock. Esse produto ficou conhecido com CTE®1, sendo usado em diversas aplicações no interior dos automóveis, como laterais de portas, peças com acabamentos de tecido, vinil, carpetes, TNT, couro etc. Várias peças da Fiat Toro e do Fiat Fastback já são produzidas a partir do CTE®1.

Feito a partir de um mix de espuma, derivados químicos e fyberglass, ele é um composto até 60% mais leve e possui rigidez variável de acordo com a necessidade da peça. É mais durável, tem maior resistência térmica e acústica que outros polímeros e resolve problemas de arranhões, manchas e sujeiras. Por ser totalmente reciclável, ele deu origem à grande novidade da Formtap, patenteada em 2020: o CTE2®, de segunda geração, que aproveita as aparas e refugos de produção da geração anterior!

Elaborado, portanto, com as sobras do CTE® 1 mais feltros (igualmente reciclados) e fibras bicomponentes, o CTE2® traz redução de 2.000 toneladas/ano de resíduos que seriam destinados a aterros industriais. Além disso, são mais 2.450 toneladas de CO² evitadas pela introdução dessa tecnologia.

Por não ser higroscópico (não absorve água), composto apenas de fibras sintéticas e materiais reciclados – sem ter PP na composição –, a nova tecnologia da Formtap não está sujeita à ação de intempéries, como deformações por calor e umidade, mantendo sua condição original de fabricação. Por sua composição conter mais de 50% de material reciclado, a redução de peso pode chegar a 25% (comparado com feltro fenólico), além da própria redução de custos.

A tecnologia de compósito com CTE2® permite designs versáteis e flexíveis, adaptáveis a diferentes formas e necessidades de engenharia, possibilitando inovações de design e soluções customizadas para uma variedade de aplicações, sendo produzido em uma única operação de moldagem (one-shot), trazendo melhor aderência do acabamento superficial.

A atual aplicação do CTE2® já acontece nos revestimentos internos da linha de caminhões VW MAN Delivery e e-Delivery, podendo ser facilmente utilizada em outros tipos de veículos, como carros de passeio ou comerciais leves.

“O CTE2® amplia nosso diferencial competitivo, visto que é um produto com todas as características técnicas adequadas ao uso a qualquer tipo de veículo. A rastreabilidade comprova a redução nas emissões de carbono na produção, sendo a nossa cereja do bolo”, explica Wilian Siolla, gerente de desenvolvimento técnico da Formtap.

E há mais novidades vindas da Formtap: o CTE Paper®. Criado para ser uma alternativa ao honeycomb (colmeias de papel + poliuretano utilizadas em estruturas de componentes internos como load floor), o CTE Paper® constitui-se de uma colmeia de papel + camadas inferior e superior com o CTE®1, sem adição de poliuretano, o que permite a sua reciclagem. Leve e ultra resistente, esse tipo de compósito oferece excelente relação entre a força estrutural e o peso do material, tornando-o ideal para aplicações em pisos que exigem alta resistência com peso mínimo.

“Além disso, o R&D Formtap já prepara o lançamento de nova tecnologia de interiores automotivos que será apresentada ao mercado em 2024, o CTE® Soft Touch, que trará novamente importante redução de peso e de custos em preços peças e ferramentais ao mercado automotivo global”, salienta Cleberson Miranda , diretor de R&D do Grupo Trambusti.

F2J Lighting revoluciona tecnologia de iluminação automotiva na América do Sul

A F2J Lighting é um grupo de empresas relativamente novo. Foi fundado em 2016, na França, e se especializou em adquirir empresas com reais oportunidades de crescimento, especialmente no setor automotivo. As instalações abrangem diversas indústrias, incluindo estamparia, iluminação, injeção de peças plásticas, usinagem e recondicionamento de motores. Essas plantas, na Europa e América, desempenham papéis essenciais como fornecedoras para as principais montadoras de veículos leves e pesados.

O modus operandi do grupo é comprar unidades industriais de marcas consagradas em mercados aquecidos, injetar altos investimentos na modernização da fábrica e, deste modo, ampliar os negócios. Aqui na América do Sul seu modelo já é sucesso reconhecido. A F2J Lighting recebeu o cobiçado prêmio da Stellantis, em Detroit, nos EUA, pela excelência no fornecimento de componentes para todas as unidades das montadoras do grupo em toda a América do Sul. As fábricas premiadas ficam no Brasil (uma unidade em São Paulo, no bairro de Interlagos) e na Argentina (duas fábricas em Córdoba e uma em Buenos Aires).

“Este prêmio é concedido pelo grupo Stellantis em reconhecimento ao desempenho exemplar em uma variedade de indicadores, incluindo entrega, qualidade, engenharia e atendimento. Ficamos honrados em ser reconhecidos como o melhor fornecedor da América do Sul”, comenta Jerome Rubistein, cargo Presidente da F2J Industry.

As unidades industriais contempladas no prêmio da Stellantis, tanto no Brasil como na Argentina, pertenciam à Valeo e, agora, os faróis que saem dessas linhas de montagem chegam às montadoras com o logo F2J Lighting. Em 2018, a F2J realizou sua primeira aquisição de uma planta de iluminação ao incorporar a antiga instalação da Valeo em Córdoba, na Argentina. Essa experiência positiva resultou em interesse mútuo entre a Valeo e a F2J para estabelecer um novo negócio envolvendo a planta de iluminação de Interlagos, em São Paulo cuja aquisição ocorreu em 2021.

O grupo F2J Industry já investiu mais de 50 milhões de reais para aprimorar a planta de Lighting Interlagos. De acordo com André Cunha, diretor geral da planta da F2J Lightng Interlagos, esses investimentos contemplaram modernização de maquinário, atualização de softwares de engenharia, otimização do fluxo logístico, aprimoramento dos controles de qualidade e refinamento dos processos de produção. “O objetivo principal é alcançar a plena satisfação dos clientes, aspirando atingir a marca de 100%”.

Com sistema de produção aprimorado e produtos com mais qualidade e tecnologia, a F2J vem aumentando seu portfólio de clientes no Brasil. Além das fábricas da Stellantis, Volkswagen, Renault, Nissan, GM e Mercedes-Benz utilizam soluções de iluminação veicular da marca. São faróis, lanternas e “small light” que equipam veículos dessas marcas.

Com quase 700 colaboradores (40 deles engenheiros especializados) no Brasil, a fábrica da F2J em Interlagos dispõe de mais de 40 robôs em suas instalações além de diversos projetos de Indústria 4.0 já incorporados, tais como elevador vertical, introdução de empilhadeiras trilaterais e controle de produção automatizado. É, literalmente, uma fábrica “Hi Tech”.

Diz André Cunha: “No Centro de Desenvolvimento, contamos com os melhores softwares de simulação ótica, térmica, mecânica, condensação, desenhos e controle de projetos disponíveis no mercado. Isso garante a manutenção constante do nível de excelência oferecido aos nossos clientes”.

A unidade brasileira da F2J também possui um laboratório equipado com uma variedade de instrumentos especializados e homologados para a validação de sistemas de iluminação. Como, por exemplo, um túnel fotométrico de 30 metros, capaz de realizar medições precisas de fotometria e colorimetria. Este túnel permite até mesmo a entrada de veículos para a condução de testes, possibilitando a realização de todas as avaliações e aplicações necessárias para a validação conforme as regulamentações vigentes.

Com esse grau de sofisticação da fábrica brasileira, a F2J emprega o processo de co-design em parceria com as montadoras, colaborando no desenvolvimento de novas soluções de iluminação customizadas para atender às necessidades e aplicações específicas de cada cliente.

Atualmente, por exemplo, o mercado de iluminação automotiva no Brasil está concentrado em soluções utilizando tecnologia LED. A F2J, em colaboração com fornecedores tanto nacionais quanto internacionais, consegue implementar essa tecnologia em faróis e lanternas por meio de módulos, luz direta, luz indireta (refletores), guias de luz, além de realizar o controle desses elementos com animações. “A equipe de desenvolvimento da F2J trabalha em protótipos e projetos exclusivos para a incorporação nos produtos de nossos clientes, permitindo fornecer tecnologia de ponta a um custo acessível”, finaliza André Cunha.

Mitsubishi terá SUV híbrido no Brasil em 2024

São Paulo — A Mitsubishi terá um SUV híbrido à venda no Brasil no ano que vem, garantiu Mauro Correia, CEO da HPE, representante da marca no País, durante o Congresso AutoData Perspectivas 2024, organizado de 21 a 22 de novembro no Espaço Fit Eventos, em São Paulo. Será o primeiro produto de um projeto de ampliação do portfólio da marca no Brasil para os próximos três anos.

O SUV híbrido será importado, mas a intenção de Correia é produzir mais carros em Catalão, GO, onde a HPE monta a picape L200 e Eclipse Cross. Com a ampliação da produção local um dos objetivo é aumentar a exportação de veículos: “Fizemos pequenas exportações, mas queremos algo mais sólido. Temos uma vantagem do Brasil que é ter acordos bilaterais, então temos que ser mais competitivos do que outros países da Ásia”.

A aposta nas vendas externas vem a reboque de um crescimento geral do mercado, que Correia projeta ser na faixa dos 5%, com um volume total de 2 milhões 150 mil veículos em 2024: “Dependerá de algumas ações do governo. Se o dólar ficar de R$ 5 a R$ 5,10, e a Selic na faixa dos 9%, será muito bom para o mercado”.

Descarbonização

Correia propõe que o foco da indústria seja na descarbonização e não na eletrificação: “Podemos ter motores eficientes a combustão”.

Para o CEO da HPE um país de dimensões continentais como o Brasil ainda precisa de diferentes tecnologias para atingir o objetivo de reduzir as emissões de carbono na atmosfera: “Um carro elétrico em um centro urbano como São Paulo faz sentido, mas no Centro-Oeste um fazendeiro ainda precisa de uma caminhonete a diesel para percorrer 500 quilômetros em estradas de terra. Precisaremos eletrificar? Sim, é uma tecnologia que nos ajuda, mas precisamos atender a todo tipo de cliente. O Brasil precisa legislar sobre o resultado das emissões e não sobre a tecnologia”.

Correia também diz que a matriz da marca, que faz parte de uma aliança composta também por Renault e Nissan, investe na eletrificação por causa da Europa, mas não deixa de lado o desenvolvimento de propulsores eficientes a combustão.

“Muitos países ainda não absorveram os carros elétricos por causa do custo. Aqui temos uma tecnologia nossa, que é o etanol e que podemos exportar. O importante é a descarbonização.”

Programa Mover será estabelecido sobre quatro pilares

São Paulo — Prometido ainda para este ano, para entrar em vigor em 2024, o Mover, Programa Mobilidade Verde, a segunda etapa do Rota 2030, será estabelecido sobre quatro pilares, segundo contou Margarete Gandini, diretora do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Alta-Média Complexidade Tecnológica do MDIC, na abertura do Congresso AutoData Perspectivas 2024, organizado de 21 a 22 de novembro no Espaço Fit Eventos, em São Paulo.

Requisitos para a comercialização, como a eficiência energética do poço à roda, que engloba desde pegada de carbono completa, reciclabilidade nos veículos, etiquetagem veicular e desempenho estruturado de tecnologias assistidas compõem o primeiro pilar. O segundo envolve pesquisa e desenvolvimento, menos focada no imposto sobre a renda e mais no crédito financeiro.

“Visa a atingir mais investimentos, superiores a 2,5% da receita operacional bruta, e multiplicadores específicos relacionados ao desenvolvimento e produção de novas tecnologias no País, relacionadas à motorização, tecnologias assistidas e novos materiais.”

Outro pilar do Mover será a continuação dos programas prioritários, com o desenvolvimento cada vez maior com a cadeia de fornecedores. A representante do MDIC citou que está para ser lançado o edital dos programas estruturantes prioritários do Mover. O quarto pilar do programa envolve a facilitação das exportações, com algumas medidas no sentido de reduzir os custos das transações.

Junto com o Mover o governo trabalha com outras cinco frentes, mencionadas por Gandini, como levar os resultados das políticas industriais à sociedade, fazer com que os programas de renovação de frota tornem-se permanentes, integrar os corredores sustentáveis em multimodais e o custo Brasil, envolvendo a competitividade e como isso afeta o setor automotivo.

Ela acredita que é preciso dar um salto em termos de protagonismo global:

“Ser um Brasil exportador e um Brasil inovador, com tecnologias para a fronteira do desenvolvimento, e vender ao mundo a nossa descarbonização. Temos excelentes exemplos de desenvolvimento de softwares embarcados. É uma visão de futuro, é sonhar, para não perdermos mais espaço no mercado automobilístico global. Para isto não basta o governo, ele é só parte da solução”.

Importações preocupam Anfavea

Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, concordou que é preciso fazer um esforço conjunto. Enquanto a entidade estima um 2024 com fatores positivos que podem permitir um crescimento maior do mercado interno, na ordem de 5 a 7%, ele citou um fator-chave que deve ser levado em consideração: um aumento expressivo das importações, tanto das montadoras quanto das importadoras.

“Quando uma indústria não mantém um ritmo crescente, não corre só o risco de perder aquela produção e aquele tempo, corre o risco de não se recuperar se ela não ocupar seu espaço. O investimento que deixa de ser feito no País não tem garantia de que vai ser recuperado. Nós temos hoje de R$ 60 bilhões a R$ 70 bilhões de investimentos no setor automotivo, empresas grandes escolheram o Brasil para produzir, em especial a GWM e a BYD, que encontraram no Brasil um ambiente muito bom para produzir.”

De acordo com o executivo as importações cresceram muito, 270 mil unidades até outubro: “Uma Argentina inteira, é quase o mercado chileno que o Brasil trouxe de produtos importados. Isso acende um alerta, sim, junto com a queda de exportações. Perdemos competitividade para países como Argentina, Colômbia e Chile, e por sorte o México cresceu e nossas exportações se mantiveram num percentual razoável”.

Na sequência, Cláudio Sahad, presidente do Sindipeças, chamou a atenção para as altas taxas de juros e o spread bancário, que atingem os segmentos de leves, pesados e agrícolas, com estimativa de melhoras em 2024. O Sindipeças tem expectativa de que em 2024 o volume total avance 5%, com 2,4 milhões de veículos. Para o segmento de automóveis, a estimativa é de alta de 4% e nos comerciais leves, 7%, com uma recuperação em caminhões e ônibus.

Crédito e oportunidades

Sobre as restrições ao crédito Lima Leite concordou que no meio de tantos desafios este realmente é o maior do País, mas que sua resposta é rápida: assim que houver uma queda a procura já volta a crescer. Ele cita que o de veículos de entrada, beneficiados pela MP 1 175, é hoje o segmento que mais sente, não por falta de consumidor, mas porque as atuais taxas de juros tornam inviáveis as compras: “É onde temos um potencial muito grande para que o Brasil recupere a explosão em termos de mercado interno”.

Para o presidente da Anfavea o consumidor que deixou de comprar carros novos foi para o segmento de usados ou migrou para as motocicletas. Ele disse que 73% das propostas de crédito são recusadas. Com a queda de juros, o consumidor, em sua opinião, voltará ao carro zero.

Saad também enxerga oportunidades nos motores a combustão, já que mercados como o europeu não terão mais essa opção. “O Brasil pode ser um hub de exportação de modelos flex. Após vinte anos e 40 milhões de unidades produzidas, 85% da frota circulante no País é de veículos flex”:

“Nós temos que crescer na indústria de transformação. O governo está consciente disso, a indústria está pronta para dar seu quinhão de participação, estou otimista com nosso futuro”.

AutoData aborda o varejo das vendas diretas

São Paulo – O aumento das vendas de veículos via faturamento direto das empresas fabricantes aos clientes de varejo, pessoas físicas, é tema da reportagem de capa da revista AutoData de novembro, disponível para ler on-line ou baixar o arquivo PDF.

A reportagem especial aborda o crescimento do número de acordos celebrados dos fabricantes com sua rede de distribuição para faturar os veículos diretamente ao cliente da concessionária. Assim a venda direta está sendo utilizada para estimular os negócios, como ferramenta de varejo para reduzir custos de estoques e os preços, alterando a relação de montadoras, concessionários e consumidores.

Outra reportagem estimulante deste mês é o plano da Renault para aumentar sua rentabilidade fora da Europa. A fabricante apresentou no Brasil ciclo de investimentos de € 3 bilhões para lançar oito novos veículos e dobrar o lucro por carro vendido. E o primeiro destes carros é o SUV Kardian, que será produzido na fábrica de São José dos Pinais, PR, já no início de 2024.

Quem também está estimulada a crescer no mercado brasileiro é a Nissan, que decidiu mais do que dobrar os investimentos em sua fábrica brasileira, de R$ 1,3 bilhão para R$ 2,8 bilhões no período 2023-2025, para produzir a nova geração do SUV Kicks, mais um outro SUV inédito e um novo motor turbo 1.0.

A edição deste mês também conta a bem-sucedida trajetória de 25 anos da Strada, picape compacta que se tornou o veículo mais vendido do País e levou a Fiat à liderança do mercado nacional nos últimos três anos.

Ainda na lista de aniversariantes também lembramos dos dez anos de produção de duas fábricas no Paraná: a de caminhões DAF do Grupo Paccar e a de pneus Dunlop do Grupo Sumitomo Rubber.

A entrevista From The Top do mês, que também pode ser assistida em vídeo no canal de AutoData no YouTube, é com a economista mexicana Maru Escobedo, que há menos de um ano assumiu o posto de CEO do Grupo BMW no Brasil com a missão de manter a empresa na liderança de vendas do mercado de veículos premium. Ela adianta que a fábrica brasileira de carros BMW em Araquari, SC, é estratégica para continuar crescendo no País e por isto já estuda possibilidades para aumentar a produção da unidade.

Você já pode ler on-line aqui ou baixar o arquivo PDF aqui da edição de novembro de AutoData. Agradecemos sua leitura!

Telemetria da IturanMob chega à Porsche GT3 Cup e será exportada

São Paulo – A IturanMob desenvolveu um sistema de telemetria em tempo real para os carros que participam da Porsche GT3 Cup, em parceria com a Microsoft e a BlueShift. A competição de automobiismo, que é disputada ao longo do ano no Brasil, também ocorre em outros 29 países, mas nenhum deles possui a tecnologia que já está sendo usada há duas etapas aqui, de acordo com o CEO Paulo Henrique Andrade. 

A tecnologia é parecida com a usada na Fórmula 1 mas tem um custo muito menor, permitindo a telemetria em tempo real em categorias com menor suporte financeiro. A expectativa do executivo é de que já em 2024 outros países comecem a testar o sistema, como China, Japão, Austrália, Estados Unidos e diversos países da Europa:

“A Porsche Cup tem reuniões que envolvem todos os países e a nossa tecnologia já foi apresentada, levantando um interesse geral.”

O primeiro país a receber este novo sistema de telemetria ainda não foi definido, mas Andrade acredita que o avanço para todos os países que mantêm a competição será natural, pois a evolução na comparação com o sistema atual é muito grande:

“Nos outros países é necessário parar o carro, coletar os dados via pendrive para depois passar para o computador e analisar. Aqui no Brasil os dados são recebidos em tempo real, enquanto o carro está na pista”.

Com esse sistema as equipes acompanham dos boxes o desempenho do seu carro na pista e, caso seja necessário, solicitam que o carro pare para algum reparo antes de quebrar, além de coletar diversas informações sobre o seu desempenho. A telemetria também aumenta a segurança da competição, de acordo com Paulo Henrique Andrade, porque é possível evitar acidentes.

Até o momento apenas a organização da competição tem acesso a todos os dados em tempo real, mas a partir do ano que vem cada equipe acompanhará o seu veículo na pista. Também existe o plano de apresentar ao público todos os dados para que eles também possam ver como é o desempenho de cada carro e piloto. Para o futuro a IturanMob também pretende novidades:

“Já estamos planejando alguns avanços que serão testados no ano que vem, como permitir que alguma atualização necessária seja feita em tempo real, enquanto o carro está na pista, sem que ele precise parar. Queremos conversar com os carros da Porsche Cup e não só ouvir o que ele passa de informação”.

IturanMob projeta dobrar o faturamento em 2024

São Paulo – Criada há dois anos após a aquisição da startup MobLab pela Ituran, a IturanMob registrou taxa anual de crescimento de 40% até 2023, quando deverá manter este porcentual. Mas para 2024 a projeção é mais ousada, de acordo com o seu CEO, Paulo Henrique Andrade: dobrar ou triplicar as receitas faturamento.

A internacionalização da operação, que está avançando para outros mercados onde a Ituran opera, como Estados Unidos e de Israel, é ponto fundamental par ao objetivo. Em Israel, por exemplo, a IturanMob já possui 250 carros compartilhados rodando com a sua tecnologia. A expansão também será puxada por novos clientes no Brasil, que estão demandando serviço de telemetria, compartilhamento de veículos e veículos por assinatura, que rodam com o sistema.

Outros mercados também estão no radar para 2024, como Colômbia e México. Em ambos Ituran já opera e a IturanMob complementaria o portfólio local e atenderria novos clientes, que muitas vezes ainda não são parceiros. No Brasil, desde a aquisição da MobLab, vinte contratos foram fechados com empresas que ainda não faziam negócios com a Ituran mas tinham interesse nos serviços da nova marca. 

A IturanMob é uma das empresas do grupo que mais cresce, e não só em volume de negócios, mas na conquista de contratos com clientes novos.

Randoncorp faz acordo para reciclar areia de fundição

São Paulo – A Randoncorp começou a reciclar a areia que resta de seus processos de fundição, na Castertech Fundição e Tecnologia, em parceria com o Caxiense Fagundes, indústria que processa e comercializa insumos utilizados na construção civil em Caxias do Sul, RS. Recentemente a Fundação Estadual de Proteção Ambiental a autorizou a utilizar o resíduo como insumo.

Batizado como Ecoareia o projeto foi apresentado em 2021 como parte do Rota Verde, conjunto de metas ambientais a serem cumpridas até 2030, por meio de ações conjuntas de todas as unidades do grupo. E um dos ponto principais é parar com os descartes em aterros industriais até 2025.

A areia descartada de fundição, que representa mais de 70% do volume de resíduos da Castertech, deriva de areia de sílica limpa, carvão e bentonita, que é a argila natural, e possui alta capacidade de compactação. Por isto é utilizada para formar os moldes de fundição de metais, principalmente aço e ferro. Depois de ser usada em vários ciclos a areia perde as características originais e precisa ser descartada.

Com o Projeto Ecoareia a Caxiense Fagundes recebe o resíduo e o reinsere na cadeia produtiva – a areia de fundição possui grande utilidade na construção civil: de origem mineral pode, por exemplo, ser usada na base da composição da manta asfáltica em estradas e em pavimentações em geral. A reutilização da areia de fundição substitui, parcialmente, o pó de brita.

Apenas na fundição de Caxias do Sul a Castertech gera cerca de 800 toneladas de areia ao mês. Inicialmente serão destinadas ao parceiro, mensalmente, 400 toneladas. O potencial de reutilização do resíduo pode ser ampliado às outras unidades de fundição do grupo, que funcionam em Indaiatuba, SP, e em Schroeder, SC. Com isto a reciclagem poderá chegar a 12 mil toneladas ao ano. Para atingir o objetivo, porém, a companhia busca parceiros em outras regiões.