Ford amplia investimento na Argentina para produzir Ranger PHEV

São Paulo – A Ford adicionou US$ 170 milhões ao seu ciclo de investimento na Argentina para produzir uma versão híbrida plug-in da picape Ranger na sua fábrica de Pacheco. Será o primeiro veículo eletrificado produzido pela empresa na América do Sul. A previsão é que comece a sair das linhas em 2027.

O ciclo total de investimentos, que inclui o lançamento da nova geração da picape, uma nova fábrica de motores e a introdução de versões com cabine simples, chega a US$ 870 milhões. Foi o CEO Jim Farley, em visita à Argentina, quem fez o anúncio. 

Segundo o presidente da Ford América do Sul, Martín Galdeano, o novo investimento consolida a fábrica como centro regional de produção de picapes: “Ela faz parte da nossa estratégia de dar poder de escolha aos clientes, com liberdade de optar pelo tipo de propulsão que melhor se adapta às suas preferências”.

A Ranger comemora 30 anos e caminha para registrar recorde de produção em 2025, somando 76 mil unidades. Recentemente a Ford anunciou aumento no ritmo de produção em Pacheco, para 80 mil veículos por ano, já em 2026, quando novas versões entrarão no portfólio.

Fábrica da BorgWarner em Itatiba eleva presença feminina a 33% 

São Paulo – A fábrica de turbocompressores da BorgWarner em Itatiba, SP, segue avançando na meta de, anualmente, elevar o porcentual de mulheres em suas linhas, em busca de equidade de gênero e maior equilíbrio no quadro de funcionários. A companhia emprega, no Brasil, em torno de setecentos profissionais, sendo 90% nesta unidade, que completou cinco décadas em 2025, e 10% em Piracicaba, SP, onde são fabricadas baterias para veículos pesados há três anos.

Dos 630 funcionários de Itatiba, 33% ou 208, são do gênero feminino. Em 2022 representavam 21,8%.

Melissa Mattedi contou, em encontro que reuniu jornalistas mulheres do setor automotivo no MASP, Museu de Arte de São Paulo, na terça-feira, 29, que globalmente o índice de mulheres na BorgWarner é de 35%: “Para mim este é o porcentual mínimo. A ideia é seguir ampliando, em busca de maior equidade”.

Na liderança sênior Mattedi disse que o indicador é mantido, com 33%, alcançando quatro de doze profissionais — além dela as gerentes de finanças, que a substituiu quando tornou-se diretora geral, dois anos atrás, de RH e de compras. Em um segundo nível de chefia, de coordenação e supervisão, são seis mulheres no meio de 21, ou seja, 28,5%.

No chão de fábrica o porcentual é o mesmo, 33%, com maior presença feminina na montagem de turbos de carros de passeio, como encarregadas de linha e facilitadoras, por exemplo.

“Percebemos que as mulheres têm desempenho muito bom e começamos a abrir mais espaço para elas. Característica muito importante e comum às funcionárias é que elas demonstram maior compromisso, cuidado e capricho com o serviço, com menor absenteísmo e maior responsabilidade.”

Melissa Mattedi, diretora geral da fábrica de turbocompressores da BorgWarner em Itatiba, SP, afirma que porcentual de 35% de mulheres é o mínimo. Foto: Divulgação.

Segundo Mattedi a ideia é equilibrar o ambiente de trabalho, compartilhando as boas práticas e inspirando os demais profissionais: “Hoje temos muitas treinadoras mulheres. A empresa começou a perceber que, ao recrutá-las e treiná-las, dá muito certo”.

Iniciativa que nasceu como Girls and Machine em 2023 para fomentar a migração de mulheres que já trabalhavam na empresa para área essencialmente masculina, a usinagem, e em parceria com o Senai formou catorze delas, um tempo depois passou a Girls and Warehouse, para recrutar profissionais da empresa interessadas no almoxarifado e, agora, frente a um equilíbrio maior de gêneros, foi rebatizada de Usinagem de Talentos, com nova turma composta por homens e mulheres, que acaba de iniciar os treinamentos.

Mattedi compartilhou fato curioso de melhoria no dia a dia inspirada por profissionais do sexo feminino. Como os operários têm o costume de dormir após o almoço as mulheres não queriam deitar-se no chão, como fazem costumeiramente os homens, e pleitearam a instalação de pufes no vestiário feminino. Eles gostaram da ideia e conquistaram o benefício também.

Outro caso é a possibilidade de, a partir de agora, os funcionários da linha usarem bermudas em dias muito quentes, o que até pouco tempo atrás era proibido: “Nossos clientes liberam o uso de bermudas nas fábricas, então começamos a questionar: por que nós não? Agora é possível. Aos poucos promovemos melhorias e mais equilíbrio no ambiente de trabalho”.

BorgWarner calcula crescer 25% o negócio de turbocompressores em 2025

São Paulo — No ano em que a BorgWarner celebra cinco décadas no Brasil a fábrica de turbocompressores de Itatiba, SP, deverá expandir sua receita em 25%. Esta é a expectativa da diretora geral Melissa Mattedi, no que ela define como “o nosso ano de ouro”. Na esteira de lançamentos de carros de marcas clientes da BorgWarner, como todas do guarda-chuva da Stellantis e da Volkswagen, e do maior apetite do mercado argentino, que gerou exportação indireta a partir de modelos exportados pelas montadoras, Mattedi está otimista para o fechamento do ano.

“Conquistamos mais um cliente fabricante de automóveis aqui no Brasil, que já é atendido pela BorgWarner no Exterior. Em breve anunciaremos pormenores deste novo contrato: por enquanto não podemos dizer quem é”, disse Mattedi, em encontro que reuniu jornalistas mulheres no MASP, Museu de Arte de São Paulo, na terça-feira, 29. “Logo divulgaremos.”

Hoje 68% da produção de Itatiba são dedicadoa a veículos leves e 32% a pesados, “uma relação que se inverteu ao longo dos últimos dez anos, quando começamos a fornecer turbos flex para carros com motor 1.0, como o Volkswagen Up!”.

A BorgWarner iniciou operação no Brasil atendendo a veículos pesados. Em 2015, por exemplo, esta relação era de 75% para pesados e 25% para leves. Em 2019, lembrou Mattedi, a empresa conquistou a Stellantis como cliente e, a partir de 2020, passaram a equipar os modelos com motorização 1.0 e 1.3. Agora está prestes a iniciar a produção para mais uma marca, o que deverá ser anunciado no início de dezembro.

Com o aumento da demanda por turbos para carros de passeio, ao mesmo tempo em que foi sentida redução nas encomendas para pesados, a partir do segundo semestre do ano passado, começou a haver remanejamento interno dos trabalhadores, uma vez que os dois turnos e meio de pesados recuaram para dois e os dois de leves aumentaram para três turnos.

No último mês de 2025 também será compartilhada outra novidade, em pesados, relacionado a novo pedido de uma montadora já atendida pela BorgWarner — que só não tem como cliente a DAF. 

Negociações com chinesas

De acordo com a diretora da fábrica de Itatiba a utilização da sua capacidade instalada gira em torno de 83% a 85%:

“Ainda temos espaço para crescer nas nossas instalações. Hoje existe uma penetração de turbos nos carros em torno de 50%, sendo que metade é nossa e a outra parcela do nosso concorrente Garrett, que tem como cliente, por exemplo, a General Motors”.

Como na Europa a presença dos turbos chega a 70% do mercado de leves Mattedi enxerga isto como uma tendência para o Brasil. Ela contou ainda que a companhia está em contato com montadoras como BYD, GWM, Geely e Chery a fim de negociar o fornecimento de turbos: “Na semana passada marcamos visitas nestas empresas. Também estamos em contato com a Omoda Jaecoo”.

Turbocompressor é um dos principais produtos feitos pela BorgWarner em Itatiba. Foto: Divulgação.

Incertezas deixam mercado estável apesar de novos contratos

A expectativa é ampliar os negócios para o ano que vem, quando a executiva aguarda estabilidade nas vendas. Ela contou que desde que o segundo semestre teve início o segmento de pesados passou a ser mais impactado pelas instabilidades econômicas e geopolíticas: “O de pesados sempre foi um segmento muito bom, mas após a vigência do tarifaço todo mundo ficou com medo e postergou a renovação da frota e investimentos na ampliação do número de veículos”.

Sobre a iminente crise dos chips ela assinalou que a BorgWarner não está passando apuros com a obtenção dos semicondutores porque eles provêem de outras localidades além da China.

Avanço de eletrificados pode trazer novas linhas ao País

Com relação ao avanço da eletrificação a executiva ressaltou que, como ela se dá de maneira predominante com híbridos no Brasil não afeta o negócio da BorgWarner: “Não vejo riscos, pelo menos até 2030, pois os híbridos, mais característicos da descarbonização na nossa região, também utilizam turbos”.

Mattedi também afirmou que, como a companhia produz componentes de eletrificados em unidades ao redor do mundo — como em Piracicaba, com as baterias para veículos pesados —, e havendo procura é possível localizar novas linhas: “Temos diversos componentes para melhorar a vida da bateria, que promovem o resfriamento e cuidam da temperatura, por exemplo. Assim como ventilador eletrônico para ônibus e caminhões. Nos adaptaremos conforme a demanda”.

Desde 1975 a unidade de Itatiba já produziu mais de 8 milhões de turbocompressores, que se somam a 6 milhões de embreagens viscosas e ventiladores, e mais de 6 milhões de correntes de sincronismo. 

Chevrolet oferece desconto e condições especiais no Spark para motoristas de Uber

São Paulo – A General Motors e a Uber acertaram parceria para que os motoristas da plataforma possam adquirir o Chevrolet Spark em condições especiais. O SUV elétrico está disponível na categoria Black e pode ser adquirido por R$ 150 mil ou com financiamento com taxas zero.

A Uber também oferecerá cashback de R$ 6 mil 840 aos trezentos primeiros compradores. O objetivo é que de trezentos a quinhentos veículos elétricos novos estejam em operação até o fim do ano e que em 2026 sejam 2,5 mil.

Eletra cria consultoria para frotas elétricas de ônibus

São Paulo – A Eletra está lançando no Arena ANTP, evento organizado pela Associação Nacional dos Transportes Públicos, OTM e Diário do Transporte PodCast do Transporte, a Eletra Consult, serviço de consultoria para a organização de frota de ônibus elétricos. A ideia é ajudar o cliente desde antes da compra do veículo, avaliando, em conjunto, qual seria o modelo ideal para a sua operação.

Segundo a diretora comercial Iêda Oliveira o plano é oferecer ajuda 24 horas para o cliente: “No caso dos carregadores os problemas costumam surgir de madrugada, que é quando os ônibus estão sendo recarregados. Então precisamos estar o tempo todo disponíveis”.

Com o Eletra Consult todo o processo terá assistência, da compra à busca por linhas de financiamento e da estruturação da rede elétrica e atendimento pós-venda.

Eletra investe R$ 40 milhões em expansão da fábrica e em chassi próprio

São Paulo – Pioneira e líder em vendas de chassis elétricos de ônibus no mercado brasileiro a Eletra investe R$ 40 milhões para a expansão da produção e na criação de uma linha de montagem de chassis em sua fábrica de São Bernardo do Campo, SP. Ao lado do galpão onde hoje são eletrificados os ônibus encarroçados, na última fase do processo, serão montados chassis próprios Eletra. A mudança mexerá com a forma da empresa fazer negócios.

Como contou Iêda Oliveira, diretora comercial da Eletra, a companhia passa a ser efetivamente uma montadora de chassis. Atualmente o processo de fabricação termina na fábrica da Eletra com a eletrificação do ônibus já pronto, após o chassi produzido por uma das parceiras, as vizinhas Mercedes-Benz e Scania, ser encarroçado pela Caio em Botucatu, SP.

Com o desenvolvimento de chassi próprio a Eletra passa a ter mais flexibilidade, especialmente na hora de definir o preço: “A Mercedes-Benz continua sendo nossa parceira e fornecerá a plataforma do chassi com os componentes mecânicos, elétricos e eletrônicos. Em nossa linha de montagem faremos o processo de eletrificação, adicionando os componentes da WEG, como motor elétrico, inversor e bateria. Depois ele parte para o encarroçamento”.

Desta forma a companhia tem melhor condição de negociação, pois poderá ela própria faturar os chassis, ou até os ônibus completos, para seus clientes. Hoje este processo é feito pela encarroçadora, que depois finaliza o processo na fábrica. Com o aporte a unidade do ABCD Paulista ampliará sua capacidade de produção de 1,8 mil para 3 mil chassis elétricos por ano.

De olho na exportação

Em uma próxima etapa, disse Oliveira, o chassi chegará da Mercedes-Benz apenas com os componentes mecânicos “pois pretendemos integrar todos os componentes elétricos e eletrônicos. Instalaremos, também, sistemas como o ABS e controle de estabilidade, por exemplo”.

A tecnologia é a mesma aplicada nos ônibus elétricos já em circulação. A WEG, de Jaraguá do Sul, SC, continua sendo a fornecedora do motor, inversor e packs de bateria – todos produzidos no Brasil. Outros parceiros deverão ser integrados no futuro.

Um dos focos da Eletra é o mercado de ônibus elétricos da América Latina, contou sua presidente Milena Romano. Hoje empresas com origem na Ásia têm dominado as vendas na região, mas estão surgindo relatos de críticas a respeito da qualidade apesar do preço baixo. A intenção da companhia é concorrer com eles, cobrando um pouco mais mas oferecendo qualidade melhor.

São duas opções de chassis neste começo, que podem gerar desde midiônibus com 11,5 metros, passando pelos básicos de 12 m, padrons de 12 m a 13 m, e articulados de 20 m a 23 m. Todos com piso baixo e autonomia de 250 a 350 quilômetros.

Dos 1,3 mil ônibus elétricos em circulação no Brasil, segundo a empresa, 844 foram produzidos pela Eletra, chassis elétricos e trólebus.

Stellantis premia seus fornecedores em Paris

São Paulo – A Stellantis homenageou 54 fornecedores globais em cerimônia realizada em Paris, França, país–sede da Peugeot, Citroën e DS, três marcas do portfólio da empresa. Destes vinte receberam o prêmio Fornecedor do Ano, com base em critérios como desempenho, inovação, alinhamento aos valores da companhia e compromisso com objetivos comuns.

Conduzida por Monica Genovese, chefe de compras da Stellanis, a cerimônia reuniu duzentos representantes de fornecedores globais: “Parabéns a todos os fornecedores reconhecidos este ano. Sua dedicação e excelência definem o padrão de toda a nossa comunidade de cadeia de suprimentos”.

Foram feitas apresentações revelando planos futuros para produtos, posicionamento das marcas, experiência do cliente e as iniciativas de qualidade da companhia. O CEO Antonio Filosa finalizou:

“O evento de hoje foi mais do que um reconhecimento: representa um realinhamento que atende às necessidades em constante evolução dos nossos clientes e da nossa indústria. Junto com nossos fornecedores e parceiros estamos fortalecendo as bases para a inovação, a sustentabilidade e a excelência operacional. Esta colaboração é essencial à medida que enfrentamos um mercado em rápida transformação e nos preparamos para o futuro da mobilidade”.

Os vinte vencedores do Prêmio Fornecedor do Ano Stellantis 2025:

ArcelorMittal
Borealis
Caravan Facility
CATL
Continental Battery Systems
DN Automotive
FinDreams Battery
Forvia
Hunter Express
Kirchhoff Automotive
Feng Mei New Energy
Onsemi
PPG
Sakthi Auto
SGTM
Simoldes
Sumitomo
Vetore
Walbridge
Yesun

Estes fornecedores também foram homenageados:

Adient
Benteler
BEPO
Clarios
CNAIC
Denso
Endurance
Essenway
Flex n Gate
Gallicchio Stampi
Greentech
Hi-Lex
Hon Hai Precision
Kalyani Techno Forge
HiRain
Maxion
MIND
Nitto Denko
NORM
Polydesign
Quaker Houghton
Rayhoo
Sila
SNOP Groupe
TATA Magna
Terrafame
Tianma
Tiberina
Transfesa
Transimeksa
Treves
Verzani & Sandrini
Washington Penn Plastics
YAPP

Novo SUV Nissan produzido em Resende é batizado Kait

São Paulo — Foi divulgado o nome do novo veículo que será produzido pela Nissan em Resende, RJ: o SUV Kait. Segundo veículo gerado a partir do investimento de R$ 2,8 bilhões aplicado pela companhia no Brasil — o primeiro foi a nova geração do Kicks, apresentada em junho — o Kait será exportado para mais de vinte países, tornando a unidade sul-fluminense polo de exportação.

“Este projeto representa uma clara demonstração do nosso compromisso com a América Latina”, disse Guy Rodriguez, presidente da Nissan para a região. “É um novo SUV pensado para a região, feito por mãos latino-americanas e que ganhará o mundo.”

Pormenores a respeito do modelo, que deverá chegar ao mercado em 2026, serão divulgados mais à frente. Em Resende, além da nova geração do Kicks, a Nissan produz o Kicks Play, com a antiga carroceria.

Acea alerta que paradas na produção europeia de veículos poderão começar em dias

São Paulo – Em comunicado divulgado na quarta-feira, 29, a Acea, entidade que representa as montadoras europeias, afirmou que é iminente o início de paralisações nas linhas de montagem por falta de semicondutores. A diretora geral Sigrid de Vries afirmou que “está há poucos dias de ocorrer” e pede urgência “de todas as partes envolvidas para redobrar os esforços em encontrar uma saída diplomática para a situação crítica”.

Por causa da intervenção do governo holandês na Nexperia, uma das principais fornecedoras de chips simples para a indústria automotiva, o governo chinês proibiu a exportação do produto. As linhas seguem em operação por causa dos estoques, que estão cada dia mais baixos, de acordo com a Acea.

Em pesquisa com seus associados a associação europeia identificou que já há previsão de paradas nas linhas de montagem. Sem entrar em pormenores afirmou existir fornecedores alternativos mas que demorariam muitos meses para ampliar sua capacidade de suprimento às fábricas de veículos: “A indústria automotiva não tem muito tempo para evitar que os efeitos de escassez sejam sentidos”.

A situação, apesar de envolver diretamente governos da Europa e da China, respingou também no Brasil. Na terça-feira, 28, representantes da Anfavea, Sindipeças e de sindicatos de metalúrgicos se reuniram com o governo para pedir que interceda junto ao governo da China para tirar o Brasil deste embargo.

Por aqui, por ora, fala-se em possíveis paradas em algumas semanas. Nos Estados Unidos, segundo a Automotive News, fábricas da Honda já registram paradas nas linhas por falta do componente.

Governo negocia com China liberação de chips para setor automotivo

São Paulo – O governo federal abriu diálogo com o governo chinês para que o Brasil seja retirado do embargo das exportações dos chips da Nexperia. Na terça-feira, 28, representantes da Anfavea, do Sindipeças e sindicalistas reuniram-se com o ministro do MDIC, vice-presidente da República Geraldo Alckmin, em Brasília, DF, para expor a situação e propor caminhos para que a produção brasileira de veículos não seja paralisada.

Segundo Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, que conversou com a imprensa após a reunião, foi relatado que caso não haja uma solução rápida para a situação a produção de veículos poderá ser interrompida em duas ou três semanas, sem divulgar quais as empresas mais impactadas. A Nexperia, que teve suas exportações proibidas pelo governo chinês diante de uma disputa com a Holanda, é responsável por cerca de 40% dos chips fornecidos à indústria automotiva local, de acordo com o secretário:

“O vice-presidente [Alckmin] já telefonou para o embaixador chinês no Brasil, para poder fazer o início da negociação, e para o embaixador brasileiro na China. A proposta é excluir o País desta crise, de caráter geopolítico, que não tem a ver com absolutamente nada do Brasil”.

Por enquanto este foi o pleito levado pelo setor produtivo ao governo: abrir negociação com a China e tentar tirar o Brasil do meio da confusão geopolítica. A Nexperia, que é holandesa e mantém operações na China, decidiu demitir o CEO, chinês, e nomeou um interventor. Em resposta à intervenção, que a Holanda alega ser para proteção de propriedade intelectual, a China embargou as exportações dos chips. 

Moreira disse haver “prioridade total” por parte de Alckmin a respeito do assunto, que envolve “um setor que corresponde a 20% da indústria de transformação, 130 mil empregos diretos e mais de 1,3 milhão de indiretos”. Ele relatou também que houve sinalização positiva com as autoridades chinesas.

Em nota o MDIC afirmou que o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, “se comprometeu a levar a demanda ao governo chinês”. Já o embaixador do Brasil na China, Marcos Bezerra Abbott Galvão, “afirmou que pode buscar diálogo por meio da Cosban, Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, da qual é presidente, para encontrar soluções favoráveis ao Brasil diante dessa crise internacional de semicondutores para veículos”.

Sem plano B

Uma das promessas do governo brasileiro, e do setor produtivo, é que os chips comprados pelas subsidiárias brasileiras sejam usados apenas no mercado interno, evitando que as matrizes, da Europa e Estados Unidos, façam aquisição por meio de triangulação. A rastreabilidade, disse Moreira, é fácil de ser feita.

A má notícia é que não há um plano B: “Existem poucos países que produzem este tipo de chip e os contratos são de médio a longo prazo. Você não consegue substituir um fornecedor de um dia para o outro: depende do nanômetro, do tamanho e da função do chip. Nenhum outro país no mundo produzirá isto em um prazo curto para resolver este problema de demanda”.