GWM lança edição limitada do Ora 03

São Paulo – A GWM lançou versão limitada a 1 mil unidades do Ora 03 BEV58, com bateria de 58 kWh e autonomia de até 420 quilômetros, que se posiciona, no mercado, no espaço que vai do Ora 03 Skin BEV48 ao esportivo Ora 03 GT BEV63.

A série limitada traz itens exclusivos como teto solar panorâmico, carregador de celular por indução de 15W, espelho interno fotocrômico, teto e retrovisores pintados de preto, assim como o interior do carro.

O GWM Ora 03 BEV58 tem motor elétrico de 171 cv e 250 Nm, seis modos de condução e três modos de assistência de direção. Com a chegada da série limitada a linha passa a oferecer preços promocionais com bônus incluso por tempo limitado.

Confira os valores abaixo:

Ora 03 Skin BEV48: R$ 154 mil
Ora 03 BEV58: R$ 169 mil
Ora 03 GT BEV63: R$ 189 mil

Honda lança nova versão topo de linha do City

São Paulo – A Honda lançou uma nova versão topo de linha para o City hatch, a Touring Sport. Com apelo mais esportivo busca por consumidores que valorizam o design e a personalização por seu visual diferenciado, com teto, antena tipo tubarão e aerofólio em preto brilhante, rodas com acabamento preto, capa dos retrovisores preta, ponteira do escapamento esportiva e pedaleiras esportivas com acabamento metálico.

Ela mantém as especificações técnicas da versão Touring do City, como o motor quatro cilindros aspirado 1.5 litro 15V DOHC i-VTEC, que trabalha aliado ao câmbio CVT.

Na exclusiva cor vermelha chega às concessionárias no fim do mês por R$ 152,8 mil.

Puxada por mercado internacional receita da Randoncorp cresce 10%

São Paulo – A Randoncorp ampliou em 10,5% sua receita líquida consolidada do segundo trimestre em comparação ao mesmo período do ano passado, para R$ 3,3 bilhões. A companhia atribuiu o resultado à expansão no mercado de reposição internacional, em meio a relevante queda nas vendas de produtos para o setor do agronegócio no País.

As receitas obtidas no Exterior, que somam os valores registrados nas operações em outros países com as exportações de produtos a partir do Brasil, cresceram 77,2% com relação ao segundo trimestre de 2024, totalizando US$ 197,7 milhões.

De acordo com a Randoncorp o avanço foi apoiado, principalmente, pelas aquisições de empresas, como a Dacomsa, no México, a EBS, no Reino Unido, e AXN, nos Estados Unidos. Além da maior entrega de semirreboques nos Estados Unidos e na Argentina.

No Brasil, por outro lado, cenário de Selic em alta e incertezas nos âmbitos político e econômico acarretaram a necessidade de adequações importantes realizadas pela companhia, impactando a rentabilidade do período. O EBITDA apurado foi de R$ 364,4 milhões no trimestre, com margem de 11%.

A Randoncorp comunicou ao mercado nova expectativa para o ano ao projetar receita líquida consolidada de R$ 12 bilhões a R$ 13,5 bilhões, receitas no mercado externo de US$ 800 milhões a US$ 850 milhões, margem EBITDA de 12% a 14% e investimentos na faixa de R$ 400 milhões a R$ 460 milhões.

No primeiro semestre a companhia acumulou receita líquida consolidada de R$ 6,5 bilhões, 17,5% acima do mesmo período de 2024.

Mitsubishi registra o melhor julho em nove anos e projeta alta de dois dígitos para 2025

São Paulo – Em julho a Mitsubishi registrou o seu melhor resultado mensal no mercado brasileiro dos últimos nove anos: foram 2,8 mil veículos emplacados, o que representou crescimento de 25,7% sobre o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros sete meses foram 16,2 mil unidades comercializadas, avanço de 26,9% sobre janeiro a julho de 2025.

Para Mauro Correia, CEO da HPE, que produz e comercializa os veículos Mitsubishi no Brasil, o resultado reflete os últimos movimentos da marca por aqui, com o lançamento de produtos e da linha 2026:

“Como marca estamos vivendo um momento muito bom, crescendo bem acima do mercado interno de automóveis e comerciais leves. A chegada do novo Outlander híbrido plug-in, da nova Triton lançada no fim do ano passado e da linha 2026 do Eclipse Cross ajudaram bastante na expansão das vendas”.

A Triton vendeu 9,7 mil unidades no ano, alta de 39% sobre iguais meses do ano passado, enquanto o segmento de picapes médias avançou 1,5%, de acordo com o executivo, com alta demanda do agronegócio, o principal segmento consumidor. Mas o sinal de alerta está ligado pois a demanda do agricultores deverá recuar nos próximos meses:

“Com relação às picapes o problema vai além do financiamento, que tem juros muito alto, pois os agricultores têm alternativas, como o pagamento de parcelas anuais após a colheita da safra. O problema é que estes consumidores começam a ser afetados pelo tarifaço do Trump, junto com juros altos no País. Os produtores rurais estão preocupados com este cenário global e podem adiar suas compras”. 

Correia espera que o governo federal tenha êxito em reverter as altas taxas aplicadas para o Brasil, para que os produtores pecuários, de grãos e frutas, consigam manter suas exportações. 

No segmento de automóveis o CEO disse que alguns fatores ajudaram a Mitsubishi a sofrer um pouco menos. Um deles é a fidelização dos clientes: o índice, medido pela empresa, está em torno de 60% e é considerado alto.

Para o fechamento do ano Correia não acredita em manter o crescimento no patamar atual de 26%: para ele o segundo semestre será mais desafiador em termos de vendas, mas considera que fechar 2025 com um incremento de 20% é possível.

Exportação

Como antecipado pela Agência AutoData a Mitsubishi brasileira conseguiu autorização da matriz para iniciar seu processo de exportações a partir deste segundo semestre. O plano é começar com algumas unidades do Eclipse Cross enviadas para o Paraguai. A data final ainda segue em aberto porque alguns componentes do veículo, como o multimídia, estão em processo de homologação.

Após iniciar a exportação do Eclipse Cross a empresa pretende avançar para outros mercados relevantes da região que já foram mapeados e também deseja exportar a nova geração da picape Triton.

Fiat Cronos soma 250 mil unidades vendidas no Brasil

São Paulo – Desde que começou a ser produzido em Córdoba, Argentina, o Fiat Cronos acumula 250 mil unidades comercializadas no mercado brasileiro. No primeiro semestre foi o veículo mais vendido da categoria na América do Sul, onde está presente em três países.

O modelo ganhou novo visual na linha 2026, com grade trabalhada em blocos tridimensionais distribuídos horizontalmente e para-choque com a mesma linguagem.

Outro ponto destacado pela Fiat é o seu baixo consumo em uso urbano: nas versões com motor 1.3 Firefly o Cronos faz 12,6 km/l quando abastecido com gasolina e 8,6 km/l com etanol. Já na versão com motor 1.0 Firefly os valores mudam para 13,4 km/l e 9,7 km/l, respectivamente.

Volvo apresenta chassi elétrico de piso baixo BZRLE

São Paulo – A Volvo apresentou o novo chassi de ônibus 100% elétrico BZRLE, com piso baixo, tração 4×2 e que pode receber carrocerias de até 13,5 metros, para transportar até noventa passageiros. Ele mantém o mesmo quadro de chassis, freios e eixos da sua versão a diesel equivalente.

Equipado com quatro ou cinco baterias de íons-lítio de 90 kWh cada o BZRLE tem autonomia de até 300 quilômetros. Com tomada CCS2 está preparado para receber carregamento de até 250 kWh. Nesta potência as baterias podem ser recarregadas em até uma hora.

A exemplo da versão de piso alto, o BZR, o Volvo BZRLE está disponível com um ou dois motores de 200 kW cada, totalizando 400 kW, o equivalente a 540 cv. Todos os componentes, inclusive as baterias, ficam abaixo do assoalho.

A combinação da caixa automatizada de duas velocidades em conjunto com os motores elétricos Volvo permite até 35% de regeneração energética durante as frenagens. Outro destaque é o compressor de ar de última geração, que reduz sensivelmente os ruídos internos.

O chassi de piso atenderá, de acordo com a montadora, metrópoles que demandam esta configuração de veículo, como São Paulo, SP, Goiânia, GO, Brasília, DF, e Porto Alegre, RS, dentre outras.

HPE pretende anunciar novo parceiro para Catalão até o fim do ano

São Paulo – Até o fim do ano a HPE, que produz e comercializa modelos Mitsubishi e Suzuki no mercado brasileiro, deverá concretizar as negociações para que uma, ou mais do que uma, nova marca entre como parceira de produção na fábrica de Catalão, GO. As conversas estão avançando, conforme informou o CEO Mauro Correia em entrevista exclusiva para a Agência AutoData, e disse esperar anunciar a primeira parceria ainda em 2025.

Segundo ele, que havia adiantado estar conversando com outras empresas, especialmente de marcas chinesas, interessadas em fazer uso da estrutura da HPE em Goiás em entrevista recente, o que está na mesa é o modelo de negócio, como por exemplo a forma da produção e os produtos que serão incorporados às linhas.

Esta fase de definição do modelo de negócio, de acordo com Correia, depende mais dos parceiros do que da própria HPE, que espera em 2026 iniciar processos de adaptação e instalação de maquinário dos parceiros em Catalão:

“Existe toda uma etapa de integração e desenvolvimento da operação. Depende da decisão do parceiro: ele pode trazer kits desmontados para finalizar a montagem e a pintura por aqui e depois evoluir para uma produção totalmente local, com nacionalização de parte dos componentes”.

Correia disse que os prazos para adaptação podem variar de sete a oito meses, no caso de início de operação com kits semi ou desmontados, e ou até em torno de um ano no caso de uma produção mais verticalizada.

Catalão é, na opinião do CEO, uma opção interessante para as marcas que chegam ao Brasil em busca de parcerias para produção local: “Temos uma operação bem estruturada e consolidada. Em Catalão temos equipe de engenharia, design, todo um sistema de produção já instalado, o que gera o interesse nos possíveis parceiros”. 

Por questão de confidencialidade Correia não citou nome dos interessados com que está negociando. Mas a reportagem apurou que a GAC seria uma delas.

Bosch nomeia novos presidentes para suas unidades de negócios regionais

São Paulo – A Bosch anunciou novos presidentes para suas divisões da América Latina. Eles respondem ao presidente e CEO, Gaston Diaz Perez, e às operações globais às quais estão inseridos.

Fernando Grangeiro foi nomeado presidente da Power Solutions. Há mais de trinta anos na Bosch acumula experiência nas áreas de manufatura, engenharia e gestão de operações em posições de liderança no Brasil, Alemanha e China. Ele, que foi gerente da fábrica de Campinas, SP, passa a ser o responsável pelas soluções de mobilidade para veículos de passeio e comerciais.

Thiago Bastos é o novo presidente da Vehicle Motion, responsável pelas operações de sistema e direção, com presença nas unidades de Campinas, Sorocaba e Iracemápolis, SP. Há mais de vinte anos na Bosch o engenheiro eletricista formado pela Unesp tem passagens por qualidade, desenvolvimento de produto, vendas e finanças. Era o líder da área de finanças da Vehicle Motion.

Thiago Bastos. Fotos: Divulgação.

A divisão Power Tools passa a ser presidida por Giulliano Chinchio. Ele acumula 24 anos de experiências em vendas, marketing e gestão de negócios no Brasil, México, Chile e outros países da América Latina. Era o diretor regional de negócios para a região e esteve à frente da área de excelência de vendas para o negócio de ferramentas elétricas.

Giulliano Chinchio. Fotos: Divulgação.

Copo meio cheio ou meio vazio? O setor automotivo precisa olhar para os dois lados da moeda.

A revisão das projeções da Anfavea, apresentada nesta quarta-feira, 7 de agosto, é um lembrete importante: o setor automotivo brasileiro vive um momento de leitura dupla. A depender da lente os números podem ser animadores ou preocupantes. Tudo depende do lado da moeda – ou do copo – que se escolhe observar.

Pelo lado positivo a produção de veículos deve crescer 7,8% em 2025, mantendo a projeção feita no início deste ano de 2 milhões 749 mil unidades. Esse número, por si só, já seria uma boa notícia. Melhor ainda quando se observa o que impulsiona esta alta: as exportações, que ganharam força inesperada com a recuperação, principalmente, da demanda do mercado argentino. A expectativa de crescimento nas vendas externas saltou de 7,5% para 38,4% sobre 2024, com 551 mil unidades projetadas para o ano.

Mas o outro lado da moeda traz um sinal de alerta importante. A projeção de crescimento do mercado interno também foi revisada, só que para baixo, de 6,3% para 5%. O setor de caminhões, especialmente os modelos pesados dedicados ao transporte de longa distância, tem sido o principal responsável pela desaceleração nos últimos meses.

Os juros elevados continuam impactando o crédito e reduzindo o apetite de renovação de frota. A demanda por automóveis segue quase estável, por comerciais leves mantem-se em leve crescimento, mas nada que compense a retração observada nos pesados.

Neste cenário de equilíbrio delicado o programa Carro Sustentável, lançado em julho, aparece como um sinal de estímulo. Nas três primeiras semanas de vigência os modelos inscritos registraram aumento de 16,7% nas vendas ao varejo. É o tipo de política que, mesmo que pontual, pode estar revelando o potencial de reação do mercado quando há o incentivo certo.

Outros dados ajudam a compor este cenário ambíguo. A participação de veículos eletrificados leves nas vendas subiu de 6,7% para 10,9% em um ano — com destaque para os híbridos produzidos no Brasil. Julho também marcou recorde de emplacamentos de ônibus elétricos nacionais, com 160 unidades. São sinais de que a indústria pode, sim, estar se movimentando na direção certa.

Mas pode haver nuvens no horizonte. O tarifaço dos Estados Unidos sobre máquinas brasileiras pode adicionar US$ 960 milhões em custos às exportações, afetando a competitividade de empresas brasileiras em um mercado estratégico. E a recente resolução do Gecex, que zerou o imposto de importação de CKD e SKD por seis meses, dentro de cotas, ainda é vista com cautela.

No fim das contas, o que os dados mostram é uma indústria que tem buscado caminhos para manter sua relevância — e que parece que talvez esteja, por ora, conseguindo compensar a fraqueza do mercado interno com o fortalecimento externo. Mas isso não pode ser visto como permanente.

O setor automotivo precisa de um ambiente, e de políticas industriais, que favoreçam não apenas a produção mas, também, o consumo. Incentivos, é lógico, são sempre bem-vindos, mas o que sustentará o crescimento lá na frente é crédito acessível, previsibilidade regulatória e política industrial consistente.

Porque, se quisermos ver o copo cada vez mais cheio, precisamos começar a enchê-lo dos dois lados.


Regime de engorda

Num olhar em perspectiva à história aparentemente só uma conjunção dos astros no universo para explicar o que aconteceu com a indústria automotiva no Brasil na segunda metade da década de 1990, seguida da primeira dos anos 2000. De fato muitos eventos estavam conectados, como o crescimento do comércio global e o neoliberalismo ganhando ainda mais força em diversos países, além da recuperação e transformação econômica em curso no País com a adoção do Plano Real, em 1994.

Foram a medida provisória 1 024/95, complementada pela MP 1 235/95 e pelo decreto 1 761/95, tudo convertido na lei 9 449/97, que pavimentaram a maior onda de investimentos até então feita por fabricantes de veículos no País – só comparável à política de nacionalização da indústria iniciada em 1956. Aliado ao crescimento exponencial do mercado brasileiro, alimentado pela farra dos veículos importados e do carro popular 1.0, o Regime Automotivo de 1995 deu um novo Norte ao desenvolvimento do setor no Brasil, mais uma vez adotando proteção tarifária contra importações para favorecer a produção nacional.

O Regime Automotivo trouxe ao País dezenas de novas multinacionais, fabricantes de veículos, sistemas automotivos e autopeças, modernizou e dinamizou o parque industrial já instalado. Bem-vindo aos novos anos de ouro da indústria automotiva nacional.

Basicamente a nova política industrial desenhada para o setor adotou a estratégia do bode na sala: primeiro, em março de 1995, elevou o imposto de importação sobre veículos a estratosféricos 70% – a alíquota foi reduzida a 65% em 1996 e nos dois anos seguintes caiu a 60% e 45%, para só em 1999 voltar ao patamar até hoje estabelecido, de 35%. Na sequência o governo acenou a isenção parcial da tarifa a todos os importadores – inclusive fabricantes tradicionais já instalados no País – em troca de investimentos na produção nacional.

Deu certo e a retirada do bode do imposto da sala atraiu investimentos estimados de US$ 20 bilhões em construção de novas fábricas de veículos, tanto de novos fabricantes – que ficaram conhecidos como newcomers – como de empresas com presença mais antiga.

Paralelamente muitos estados como, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia, dentre outros, deram início a uma guerra fiscal com a concessão de descontos no ICMS e outros benefícios para atrair as novas fábricas de veículos, o que acabou por descentralizar a indústria, até então muito concentrada em São Paulo.

MOMENTO FAVORÁVEL

Esta reportagem foi publicada na edição 423 da revista AutoData, de Julho de 2025. Para ler ela completa clique aqui.

Foto: Divulgação/GM