François Provost é oficializado CEO do Grupo Renault

São Paulo – O Grupo Renault nomeou François Provost para o cargo de CEO, sucedendo a Luca de Meo, pelos próximos quatro anos. Conforme antecipado pela Agência AutoData a companhia optou por uma solução interna e rápida para a sucessão – de Meo deixou o cargo há duas semanas, rumo à Kering, proprietária de marcas como Gucci e Yves Saint Laurent.

Ele assume as funções na quinta-feira, 31, quando anuncia, também, os resultados financeiros do primeiro semestre. Executivo experiente, com mais de 23 anos de carreira no grupo, Provost ocupava a função de chefe de compras, parcerias e relações públicas na Renault. Antes passou pelas operações de Portugal, Rússia, Coreia do Sul e China.

O francês, nascido em 1968, é formado pela Escola Politécnica da França, onde foi engenheiro chefe do Corpo Técnico das Minas.

BYD sobe o tom, rebate Anfavea e chama montadoras de dinossauros

São Paulo – Um meteoro que veio acabar com os dinossauros. Com esta metáfora a BYD sintetizou o que está acontecendo na indústria automotiva brasileira, que tem seus ânimos acirrados com a possibilidade de apreciação do pleito da montadora chinesa para reduzir de forma temporária o imposto de importação de kits CKD e SKD, o que facilitaria seus planos na primeira etapa da fábrica de Camaçari, BA.

A previsão é que o Gecex, o comitê gestor da Camex, Câmara de Comércio Exterior, avalie o pedido na reunião agendada para a quarta-feira, 30. Nos últimos dias a Anfavea aumentou a pressão, nos corredores e junto à opinião pública, para que fosse rejeitado.

Em carta enviada à imprensa, intitulada Por que a BYD Incomoda Tanto?, a BYD se considera o meteoro, que os dinossauros, as empresas associadas à Anfavea, nominalmente Stellantis, Toyota, General Motors e Volkswagen – que enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo a rejeição do pedido alegando concorrência desleal – enxergam no céu.

“Assinada por representantes da Toyota, Stellantis, Volkswagen e General Motors, a carta tem o tom dramático de quem acaba de ver um meteoro no céu”, diz a carta. “O problema não é o meteoro, claro. O problema é que ele está sendo bem recebido pelos consumidores — aqueles mesmos que, por décadas, foram obrigados a pagar caro por tecnologia velha e design preguiçoso”.

A BYD lembrou que alguns fabricantes reduziram drasticamente os preços dos seus modelos elétricos após a sua chegada. “Não foi por acaso que uma concorrente reduziu o valor de um modelo elétrico em mais de 100 mil reais depois da chegada da BYD. Por que antes custava tanto?”

E disse que seu pleito, de reduzir impostos de forma temporária, não é nenhuma novidade e foi usado pelas empresas no passado: “A redução temporária de imposto que a BYD pleiteia segue uma lógica simples e razoável: não faz sentido aplicar o mesmo nível de tributação sobre veículos 100% prontos trazidos do Exterior e sobre veículos que são montados no Brasil, com geração de empregos locais, movimentação da cadeia logística e pagamento de encargos. Isso não é nenhuma novidade, outras montadoras já adotaram a mesma prática antes de ter a produção completa local”.

Sobre a pressão feita pela Anfavea, que diz que os investimentos programados na ordem de R$ 180 bilhões poderão ser revistos caso os impostos sejam reduzidos, a BYD diz tratar-se de um velho roteiro: 

“Diante de qualquer sinal de abertura de mercado ou inovação, surgem as ameaças de demissões em massa, fechamento de fábricas e o fim do mundo como conhecemos. É uma espécie de chantagem emocional com verniz corporativo, repetida há décadas pelos barões da indústria para proteger um modelo de negócio que deixou o consumidor brasileiro como último da fila da modernidade”.

Por fim, a montadora chinesa diz ter se comprometido com o governo do Estado da Bahia, onde está sediada a sua fábrica, de ter a produção completa após a fase de SKD e CKD. Quando a reportagem da Agência AutoData esteve em Camaçari, no início do mês, o vice-presidente sênior Alexandre Baldy mencionou os contratos assinados e disse que abriria os prazos e porcentual de conteúdo local acordados, mas até agora isto não foi feito.

Governadores pedem mais prazo

Em outra carta, esta endereçada ao vice-presidente e titular do MDIC, Geraldo Alckmin, governadores de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, manifestam preocupação com relação à possível redução nos impostos e pedem mais tempo para discussão.

A sugestão é que o tema não seja debatido na reunião da Camex da quarta-feira, 30, e que um canal de diálogo seja aberto antes da tomada de decisão, para que sejam avaliados os impactos regionais e setoriais.

As primeiras linhas de montagem

A história da indústria automotiva no Brasil tem uma pré-história, iniciada bem antes da adoção de um programa oficial com incentivos para a instalação de fábricas e nacionalização de produtos, o que só ocorreria a partir de 1956. Na primeira metade do século 20 alguns empreendedores nacionais, importadores e fabricantes estrangeiros decidiram tentar a sorte com a localização de linhas de montagem de veículos em um país que mal tinha estradas, muito menos um setor industrial que merecesse este nome.

Apesar do mercado limitado, industrialização tímida e nenhum incentivo formal ao longo de cinco décadas estas empresas montaram no País cerca de 550 mil veículos, incluindo carros, utilitários, caminhões e ônibus, segundo estimativas baseadas na divulgação de volumes por algumas montadoras, pois naquela época sequer havia o controle estatístico oficial da produção.

Mesmo com baixos volumes e baixa industrialização estas primeiras linhas de montagem foram fundamentais para dar o primeiro empurrão ao desenvolvimento da cadeia automotiva nacional, com a criação dos primeiros fornecedores de componentes, que chegaram a contribuir com níveis de nacionalização que com o tempo chegaram a mais de 40%.

Em uma época que os navios eram menores, os contêineres nem tinham sido inventados e os transoceânicos roll-on/roll-off com milhares de veículos a bordo eram peça de ficção, fazia sentido importar os carros desmontados em caixotes para montagem local com baixos volumes. Eram produtos destinados ao nascente transporte motorizado de mercadorias e pessoas, além de alguns poucos automóveis comprados para a mobilidade individual da elite nacional, ainda em número menor do que é hoje – basta dizer que o primeiro emplacamento de que se tem notícia na cidade de São Paulo, o veículo 001, registrado em 1903, pertencia ao conde Francisco Matarazzo, ele mesmo um precursor da industrialização brasileira.

A ORIGEM

Esta reportagem foi publicada na edição 423 da revista AutoData, de Julho de 2025. Para ler ela completa clique aqui.

Foto: Reprodução internet/Lexicar

François Provost deverá ser o novo CEO do Grupo Renault

São Paulo – O Conselho de Administração do Grupo Renault deverá oficializar François Provost como seu novo CEO, sucedendo a Luca de Meo, que deixou a companhia há poucas semanas. Segundo a publicação francesa Le Figaro uma reunião na quarta-feira, 30, decidirá o novo nome, que, salvo reviravolta, será o do atual chefe de compras e relações públicas.

A escolha por uma solução caseira prevaleceu. A Renault chegou a sondar nomes de fora, como Maxime Picat, chefe de compras e supply chain da Stellantis, mas as conversas não avançaram. 

Provost é realmente uma cria da Renault, onde ingressou em 2002 como diretor de vendas da filial de Bordeaux. Passou por cargos em Portugal, Rússia, Coreia do Sul e China, e retornou à França em 2020.

Discreto, era considerado o braço direito de de Meo e o seu favorito a sucedê-o, segundo o jornal.

Omoda Jaecoo supera a marca de 1 mil unidades emplacadas no Brasil

São Paulo – A Omoda Jaecoo alcançou a marca de 1 mil veículos comercializados no Brasil menos de três meses depois de iniciar sua operação. O veículo de número 1 mil é um Jaecoo 7 Prestige, entregue a um cliente do Espírito Santo.

Junho foi o segundo mês cheio de vendas da Omoda Jaecoo, que avançou 36% sobre maio, o primeiro mês completo. Segundo o diretor comercial Mario Paziani as vendas estão dentro do ritmo esperado.

A meta é chegar a 1 mil unidades/mês até o fim do ano.

Fiat Fastback chega a 150 mil unidades produzidas em Betim

São Paulo – O Fiat Fastback, produzido na fábrica de Betim, MG, chegou à marca de 150 mil unidades fabricadas no País desde o seu lançamento, em 2022. O SUV passou por mudanças recentes na linha 2026 e é comercializado em cinco versões: Turbo 200 AT, Audace T200 AT Hybrid, Impetus T200 AT Hybrid, Limited Edition T270 AT e Abarth.

O Fastback, junto do Pulse, foi o primeiro Fiat a receber motorização híbrida. No primeiro semestre somou 25,2 mil emplacamentos, o décimo-quinto modelo mais vendido do Brasil, de acordo com o ranking de automóveis e comerciais leves da Fenabrave.

Governo estuda dispensar aulas obrigatórias em autoescolas para obter CNH

São Paulo – O governo federal deseja eliminar a exigência de aulas em autoescolas para o processo de obtenção da CNH, Carteira Nacional de Habilitação. Segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou à GloboNews o alto custo, de R$ 3 mil a R$ 4 mil, tem levado milhões de brasileiro a dirigir sem habilitação:

“Qual o problema do Brasil? É que a gente tem uma quantidade muito grande de pessoas dirigindo sem carteira porque ficou impeditivo tirar uma no Brasil. De R$ 3 mil a R$ 4 mil. O cidadão não aguenta pagar isto”.

O governo, segundo o ministro, estuda medidas para reduzir ao máximo o custo do processo, o que permiria mais pessoas tirar a habilitação. A ideia é oferecer cursos, ministrados por instrutores qualificados, com supervisão do Senatran e do Detran de cada região. Hoje segundo o ministro, os brasileiros compram motocicletas e automóveis e rodam sem habilitação.

Renan Filho disse que o projeto não depende de aprovação do Congresso e pode ser implementado por meio de regulamentação: “Construímos um projeto que pode funcionar a partir daquilo que o próprio governo pode fazer. Não vamos mexer profundamente em leis”.

De acordo com o ministro foi realizada uma pesquisa que apontou que 20 milhões de brasileiros dirigem sem CNH e outros 60 milhões têm idade para tirar, mas ainda não obtiveram o documento.

Lecar mostrará protótipo de picape híbrida flex

São Paulo – A Lecar, que trabalha para ser uma futura fabricante nacional de veículos, mostrará o primeiro protótipo de sua picape híbrida flex, a Lecar Campo, durante a feira Fenasucro & Agrocana 2025, em Sertãozinho, SP, de 12 a 15 de agosto. O lançamento está agendado para o segundo semestre de 2026.

De acordo com a Lecar a autonomia da Campo chegará a 1 mil quilômetros com apenas 30 litros de etanol. Sua motorização combinará um motor elétrico de 165 cv de potência com um flex, produzido pela Horse, de 122 cv.

A escolha da feira, segundo a Lecar, se deu pelo fato de que Sertãozinho é um dos principais polos de produção de etanol no País.

Novo IPI traz avanços e retrocessos

No último 10 de julho o governo publicou decreto que estabelece novos e sofisticados critérios para calcular o IPI aplicado sobre veículos vendidos no País, sejam eles importados ou nacionais. A nova tributação, que vem sendo chamada de IPI Verde, foi criada pelo Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, obedecendo a um sistema de acréscimos e decréscimos de pontos, bônus e malus, que traz inegável avanço ao beneficiar carros que emitem menos CO2 e são mais eficientes, seguros e recicláveis. Contudo há distorções que trazem retrocessos justamente a todos esses benefícios.

Em termos gerais foram estabelecidas três alíquotas básicas de IPI e uma delas, já em vigor, é de zero, especificamente para o que é chamado de Carro Sustentável, em uma falsa reedição do programa do carro popular 1.0, que isenta do imposto modelos compactos de hatches, SUVs e picapes, com industrialização nacional completa – estampagem, soldagem, pintura, montagem final e fabricação de motor –, emissão máxima do poço à roda de 83 gramas de CO2e por quilômetro e massa mínima de 80% de materiais recicláveis.

Aí se revela a primeira distorção: a isenção total de IPI, até o fim de 2026, é concedida aos piores e mais depenados carros produzidos no País, ainda assim caros pelo que oferecem. Para ter direito ao incentivo estes veículos nem precisam atingir outras exigências para obter descontos no imposto, como eficiência energética e adoção de sistemas de segurança: basta ser pequeno e emitir pouco, o que se consegue com os motores mais fracos do mercado, caso dos 1.0 aspirados. Isto é um convite à não evolução destes produtos pois já estão isentos e nada mais precisa ser aprimorado para obtenção do incentivo tributário.

Para veículos leves que não atendem aos requisitos do chamado Carro Sustentável foram estabelecidas alíquotas básicas de IPI de 6,3% para automóveis de passageiros e de 3,9% para utilitários – outra distorção gritante aqui é incluir nesta categoria, com tarifa básica mais baixa, picapes enormes, luxuosas, ineficientes e caríssimas sem utilidade comercial, pois são utilizadas por muitos só para ostentar na mobilidade individual e familiar.

Bônus anulados por malus

A partir das alíquotas básicas do IPI começa a valer, em outubro, um sistema de acréscimos e decréscimos de pontos porcentuais, os bônus e malus, que leva em consideração a fonte energética do veículo – eletricidade, etanol, gasolina, diesel ou a mistura destes em híbridos plugáveis, fechados e leves –, potência do motor, o atendimento a metas de eficiência energética, desempenho de segurança e reciclabilidade.

Todos estes critérios fazem sentido à primeira vista, pois em tese criam tributação mais justa do que havia antes, beneficiando veículos mais sustentáveis, eficientes e seguros, ao mesmo tempo em que pune os modelos que vão na contramão destes objetivos.

Mas claramente a nova fórmula de cálculo traz alguns jabutis – aqueles animaizinhos cascudos que não sobem em árvores, mas se estão lá é porque alguém os colocou, neste caso representantes do governo e fabricantes de veículos que por meses discutiram e negociaram as novas regras.

Alguns jabutis já se encontram pendurados em ganhos da árvore de fontes energéticas, que dá o maior desconto no IPI, de 2 pontos porcentuais, para carros elétricos e híbridos plug-in flex etanol-gasolina, e concede 1 ponto para híbridos flex leves, enquanto modelos com motor a etanol têm bônus de apenas 0,5 ponto e os flex equipados só com motor a combustão têm zero, não ganham nem perdem pontos.

Como está modelos com sistema híbrido flex leve ou completo, com pequena ou muita assistência elétrica, mas que podem usar só gasolina se o dono assim o desejar, são mais beneficiado com desconto de IPI do que um carro a etanol que pode consumir e emitir até menos do que um híbrido.

Na tabela de bônus e malus dos veículos comerciais leves encontra-se outra distorção extremada: picapes a diesel, inclusive aquelas da mobilidade-ostentação, terão acréscimo de apenas 2,5 pontos na alíquota-base de 3,9% do IPI, enquanto automóveis a diesel – basicamente os SUVs 4×4 – pagarão 12 pontos a mais sobre a base de 6,3%.

Ganha na energia e perde na potência

As distorções seguem para a tabela de potências, em que apenas motores muito fracos, de até 55 cv, que nem são encontrados no mercado atualmente, têm desconto de 2,5 pontos, os até 66 cv têm 1,75 ponto, os até 72 cv ganham apenas 0,25 ponto e os até 85 cv não ganham nem perdem.

Pelos critérios de potência a maioria dos veículos leves produzidos hoje no País terá acréscimos no IPI, de 0,75 ponto para os que têm até 105 cv e de 1,5 ponto para até 132 cv.

Tributar veículos apenas por sua potência já é uma distorção em si, pois estimula a engenharia do atraso, aquela que tira cavalos do motor só para pagar menos imposto, mesmo que isto signifique perda de eficiência. Muitos veículos elétricos e híbridos beneficiados com bônus de 2 pontos por sua fonte energética mais limpa serão punidos com mais pontos no IPI só porque são mais potentes.

Na prática um veículo muito eficiente em consumo e fonte energética limpa poderá ser punido com tributação maior por causa de sua potência. A quem interessa esta contradição?

Oportunidades perdidas

Também estão incluídos nos critérios de acréscimos e decréscimos do novo IPI o cumprimento de metas de segurança, reciclabilidade e eficiência energética, que já tinham sido estabelecidas por decreto anterior, de abril, que regulamenta os requisitos obrigatórios para comercialização de veículos no País do Programa Mover.

Aqui, ao que parece, o governo atendeu aos pedidos dos fabricantes para não endurecer demais os objetivos e evitar custos.

Para eficiência energética é concedido desconto de 1 a 2 pontos no IPI para aqueles carros que atinjam ou superem as metas, mas nenhuma punição de acréscimo ao imposto está prevista aos veículos que não atenderem.

Da mesma forma é concedido 1 ponto de desconto no IPI de carros que atendam exigências de segurança e adoção de sistemas de assistência. Mas não se perde nada por não cumprir este objetivo, que já é bastante baixo, com a inclusão de sete itens obrigatórios que a maioria dos carros no País já possui, até por obrigação legal, como é o caso do controle eletrônico de estabilidade ESC. Aqui perde-se a oportunidade de ir além e incentivar a inclusão de mais sistemas de segurança ativa.

Na questão de reciclabilidade concede-se de 1 a 2 pontos de desconto no IPI básico, respectivamente, para empresas que recolherem para sucateamento um veículo a cada dez ou a cada cinco produzidos. Assim está se dando incentivo tributário para algo que poderia ser simplesmente uma obrigação legal, a exemplo do que já acontece há anos com a logística reversa obrigatória de pneus no País.

Enfim o novo IPI tem a direção certa mas passa por desvios que, mais uma vez, tendem a atrasar o desenvolvimento da indústria automotiva no Brasil. Mas as regras valem por pouco tempo, só até o fim de 2026, quando o imposto começa a ser substituído pelo IVA criado na reforma tributária aprovada no fim de 2024. Até lá é possível aprimorar a tributação e evitar as distorções.

América do Sul deixa o resultado financeiro da Stellantis menos pior

São Paulo — Não fosse a operação sul-americana da Stellantis, sua terceira maior em volume de vendas, os resultados de um decepcionante primeiro semestre seriam ainda piores. Por aqui as vendas cresceram 20% em volume sobre o primeiro semestre de 2024, somando 471 mil veículos, puxado pelo desempenho da Argentina, o que resultou em geração 5% superior de receita, € 7,8 bilhões, diferença justificada especialmente por fatores cambiais.

Mas o que ajudou muito no resultado financeiro foi o lucro operacional de € 1,2 bilhão na região. Na América do Norte o resultado operacional foi negativo em € 1 bilhão e na Europa positivo em € 9 milhões. No total a Stellantis fechou o primeiro semestre com € 540 milhões de lucro operacional, mas prejuízo líquido de € 2,3 bilhões, que se compara a um lucro líquido de € 5,6 bilhões de um ano atrás.

A receita caiu 13%, somando € 74,3 bilhões.

O CEO Antonio Filosa admitiu que este ano será complicado para os negócios da Stellantis e as tarifas de Donald Trump colaboraram – o CEO calcula que elas gerarão impacto negativo de € 1,5 bilhão no caixa da empresa durante o ano. Mas esforços em outras áreas, como a otimização dos estoques e dos custos de produção, ajudarão a melhorar os negócios.

A Stellantis divulgou também suas projeções para o ano, que haviam sido suspensas por causa das tarifas: reversão da receita líquida para o azul e margem operacional na casa de um dígito – no primeiro semestre fechou em 0,7%.

O retorno de quem não deveria ter ido

O que reforça a confiança de Filosa para o segundo semestre, especialmente na América do Norte, onde o resultado foi pior, é o retorno de carros considerados por ele ícones da história das marcas, como o Jeep Cherokee, que terá powertrain híbrido, e o Dodge Charger. Ambos serão lançados nos próximos meses.

Também retornará ao mercado o motor Hemi, para equipar picapes Ram 1500. O V8 foi descontinuado no ano passado mas, em uma correção de rota, retornará ainda em 2025: “Pesquisas indicaram que 40% dos compradores de picape dos Estados Unidos só consideram marcas que tenham um V8 em seu portfólio. Nós erramos e estamos corrigindo o erro”.

Na Europa a confiança é na consolidação dos seus produtos lançados sobre a plataforma Smart Car, como o Fiat Grand Panda e o Citroën C3 Aircross, que é ligeiramente diferente daquele produzido em Porto Real, RJ. Ainda será lançada a nova geração do Jeep Compass.

Da região América do Sul pouco foi abordado na apresentação. Os resultados positivos mostrados falam por si só.