São Paulo — Não fosse a operação sul-americana da Stellantis, sua terceira maior em volume de vendas, os resultados de um decepcionante primeiro semestre seriam ainda piores. Por aqui as vendas cresceram 20% em volume sobre o primeiro semestre de 2024, somando 471 mil veículos, puxado pelo desempenho da Argentina, o que resultou em geração 5% superior de receita, € 7,8 bilhões, diferença justificada especialmente por fatores cambiais.
Mas o que ajudou muito no resultado financeiro foi o lucro operacional de € 1,2 bilhão na região. Na América do Norte o resultado operacional foi negativo em € 1 bilhão e na Europa positivo em € 9 milhões. No total a Stellantis fechou o primeiro semestre com € 540 milhões de lucro operacional, mas prejuízo líquido de € 2,3 bilhões, que se compara a um lucro líquido de € 5,6 bilhões de um ano atrás.
A receita caiu 13%, somando € 74,3 bilhões.
O CEO Antonio Filosa admitiu que este ano será complicado para os negócios da Stellantis e as tarifas de Donald Trump colaboraram – o CEO calcula que elas gerarão impacto negativo de € 1,5 bilhão no caixa da empresa durante o ano. Mas esforços em outras áreas, como a otimização dos estoques e dos custos de produção, ajudarão a melhorar os negócios.
A Stellantis divulgou também suas projeções para o ano, que haviam sido suspensas por causa das tarifas: reversão da receita líquida para o azul e margem operacional na casa de um dígito – no primeiro semestre fechou em 0,7%.
O retorno de quem não deveria ter ido
O que reforça a confiança de Filosa para o segundo semestre, especialmente na América do Norte, onde o resultado foi pior, é o retorno de carros considerados por ele ícones da história das marcas, como o Jeep Cherokee, que terá powertrain híbrido, e o Dodge Charger. Ambos serão lançados nos próximos meses.
Também retornará ao mercado o motor Hemi, para equipar picapes Ram 1500. O V8 foi descontinuado no ano passado mas, em uma correção de rota, retornará ainda em 2025: “Pesquisas indicaram que 40% dos compradores de picape dos Estados Unidos só consideram marcas que tenham um V8 em seu portfólio. Nós erramos e estamos corrigindo o erro”.
Na Europa a confiança é na consolidação dos seus produtos lançados sobre a plataforma Smart Car, como o Fiat Grand Panda e o Citroën C3 Aircross, que é ligeiramente diferente daquele produzido em Porto Real, RJ. Ainda será lançada a nova geração do Jeep Compass.
Da região América do Sul pouco foi abordado na apresentação. Os resultados positivos mostrados falam por si só.