Por uma engenharia nacional mais forte e atuante

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02/10/2019

Promover a engenharia nacional é uma das bandeiras levantadas pela Multittech, empresa recentemente composta por uma fusão entre a Smarttech e Multicorpos, duas grandes provedoras nacionais de soluções tecnológicas para a indústria automotiva.

 

De acordo com José Ricardo Nogueira, CEO da Multittech, o processo de manufatura não agrega valor à indústria nacional. “No médio e longo prazo a atividade de manufatura será totalmente desenvolvida por robôs. Produzir em qualquer parte do mundo tende a ser cada vez mais semelhante, uma vez que o ser humano passa a ser menos relevante neste processo”.

 

O executivo alerta que é preciso ter um programa de governo para incentivar o desenvolvimento de produtos localmente. “Uma empresa desmonta uma fábrica aqui e em pouco tempo está produzindo em outro local que lhe ofereça melhores condições. Manufatura é commodity. Se você não tiver um bom produto e investir apenas na melhoria da capacidade de produção, que é o que observamos muito no Brasil, é produzir eficientemente um produto ruim”.

 

“A visão da MULTITTECH é fazer engenharia no Brasil e, com sua inteligência e recursos tecnológicos, contribuir para que as empresas aperfeiçoem seus produtos e se tornem mais competitivas, fator que consideramos relevante em um País que pretende abrir cada vez mais sua economia”, comenta Nogueira.

 

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O desenvolvimento de soluções tecnológicas localmente permite que os engenheiros brasileiros realizarem aqui o mesmo trabalho desenvolvido no exterior, inovando e criando produtos cada vez mais competitivos que tragam benefício para a sociedade.

 

A Multittech defende que é preciso abrir a economia de forma gradual, fazendo mais acordos como o recente acertado entre a União Europeia e o Mercosul como um primeiro passo para criar condições de se fomentar a engenharia local. De acordo com Nogueira, “cabe ao Estado fazer sua parte, que é reduzir o peso da burocracia, a carga fiscal, a falta de logística e dar mais previsibilidade legal e trabalhista para os agentes econômicos”.

 

O executivo argumenta que é preciso inserir nossa indústria nas cadeias internacionais e participar dos processos que hoje são dinâmicos. “O Brasil ficou muito voltado para o mercado interno e hoje perdemos a relevância, enquanto países que há 30 anos tinham pouca expressão econômica, como a Coréia do Sul, hoje são potências industriais”.

 

Para Nogueira, o Brasil precisa ter mais empresas como o Grupo Iochpe-Maxion, Weg entre outras de capital nacional, que investem fortemente no desenvolvimento de produtos aqui com vistas no mercado global. “Estamos acostumados a ver um produto de boa qualidade e dizer ‘é bom porque é importado’. Não somos capazes de fazer coisas boas? Precisamos estimular as empresas a fazerem coisas boas e a melhor forma é expô-las à concorrência”.

A Multittech acredita que a mudança a favor da engenharia brasileira virá com ação do governo que só vai agir se empresas, universidades, classe política e a sociedade pressionarem. “É hora de mudar”, conclui Nogueira.