Depois de seis dias de paralisação os metalúrgicos da General Motors São José dos Campos, SP, encerraram a greve na unidade do Interior paulista na quinta-feira, 26. Segundo o sindicato local a conciliação aconteceu depois que a montadora apresentou proposta que garante estabilidade de emprego.
Em nota, a GM afirmou que “foi aprovado em assembleia que até 798 empregados do complexo industrial de São José dos Campos entrarão em lay-off no período de 9 de março a 8 de agosto de 2015”. Ainda segundo a companhia a medida tem como objetivo ajustar a produção à atual demanda do mercado.
O comunicado da GM, no entanto, não menciona estabilidade dos funcionários.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, o acordo com a montadora garante o retorno do grupo de trabalhadores e mais três meses de estabilidade. “Serão 650 empregados afastados nesse momento”, diz.
Também ficou determinado que os dias parados durante a greve não serão descontados dos salários, mas sim compensados no decorrer do ano.
Durante o período de suspensão de contrato de trabalho os funcionários receberão o salário integral, em média de R$ 4,5 mil na linha de produção da unidade segundo o sindicato. “Os salários serão pagos pelo FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador, do governo federal] e complementados pela GM”, afirmou Macapá, que também ressaltou que a greve foi a maior paralisação ocorrida na GM de São José dos Campos nos últimos 12 anos: “Precisávamos mostrar para a empresa que não vamos aceitar demissões”.
A mobilização na unidade começou quando a GM reuniu-se com o sindicato e tentou implantar o lay-off sem garantia de estabilidade de emprego para um grupo de 800 trabalhadores quando do retorno. Depois de assembleias, greve e até mesmo uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho em Campinas, as partes finalmente chegaram ao acordo.
“Apesar dos incentivos recebidos no último ano as montadoras fecharam 12,8 mil postos de trabalho no País. Não podemos admitir isso.”
ELEIÇÕES – A greve da GM coincidiu com as eleições do sindicato. No mesmo dia em que o movimento foi encerrado houve o resultado da disputa: a diretoria atual ganhou o direito de permanecer no comando até 2018.
A chapa da situação, da CSP-Conlutas, concorria com a oposição formada pela CUT e venceu a eleição com 75% dos votos – 6,5 mil ante 2,1 mil. Encabeçavam as duas chapas trabalhadores da GM SJC.
Dentro da fábrica da GM o atual comando obteve 67% dos votos, segundo o sindicato. Em comunicado Macapá afirmou que “o fato de a eleição ter ocorrido durante a greve em defesa dos empregos é marcante para a história do sindicato”.
A entidade representa cerca de 42 mil trabalhadores nas cidades de São José dos Campos, Jacareí, Caçapava, Santa Branca e Igaratá.
“A vitória da atual diretoria mostra que os trabalhadores aprovam nosso projeto de luta e resistência”, afirmou o presidente, agora reeleito, em nota.
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