AutoData - Start-Stop e outras tecnologias entram no Inovar-Auto
news
31/03/2015

Start-Stop e outras tecnologias entram no Inovar-Auto

Por Marcos Rozen

- 31/03/2015

A indústria automotiva brasileira teve um de seus pleitos junto ao MDIC atendidos: o ministério publicou portaria no Diário Oficial da União da segunda-feira, 30, com o regulamento complementar do Inovar-Auto no que diz respeito aos cálculos para obtenção da melhoria da eficiência energética.

O texto traz definições quanto ao uso de equipamentos que promovem economia de combustível, tais como o start-stop. Essa iniciativa era importante pois diversos sistemas deste tipo não apresentavam nos testes oficiais o mesmo resultado de redução de consumo do uso prático, devido às características dos ciclos de teste em laboratório usados para medir oficialmente o consumo de combustível e, portanto, a evolução da eficiência energética – o que acabava por desestimular as fabricantes a adotá-los no mercado. Este cenário foi abordado em reportagem da Agência AutoData publicada em julho de 2013.

O governo federal atendeu sugestão da indústria, representada por Anfavea, AEA e outras instituições, e definiu créditos adicionais para o uso deste tipo de equipamento – incluindo até mesmo os que vierem a ser inventados e utilizados futuramente. Assim, no cálculo da eficiência energética, será considerado o consumo do veículo mais um índice específico de redução, medido em Megajoules por quilômetro.

Para o start-stop o crédito concedido será de 0,0227 MJ/km. Para o AAI, de Active Aero Improvement, ou sistema de controle da grade frontal – que automaticamente controla a abertura ou fechamento das aletas, beneficiando a aerodinâmica do veículo – valerá o índice de 0,0049 MJ/km. E os sistemas de indicador de troca de marcha, GSI, e de monitoramento da pressão dos pneus, TPMS, terão 0,0134 MJ/km cada.

O texto da portaria estabelece que para contar com o benefício o veículo terá de contar com estes sistemas como item de série.

Além disso o governo definiu um crédito adicional de 0,0041 MJ/km para veículos flex – a gigantesca maioria da produção nacional – com o argumento de que o dispositivo “atende ao maior potencial tecnológico e ao menor impacto ambiental de bicombustíveis”.

Os créditos, entretanto, não poderão ultrapassar um teto de 0,0351 MJ/km, mesmo que um modelo possua soma de tecnologias para menor consumo que ultrapassem este total.

O texto ainda prevê que o uso de “tecnologias inovadoras” que possibilitem redução do consumo, descartando as já citadas, poderão gerar créditos de até 0,0585 MJ/km, desde que a montadora e o fornecedor comprovem o benefício.

Outro ponto atendido pelo MDIC foi autorização para que os veículos submetidos aos testes de eficiência energética tenham até seis mil quilômetros rodados, o que elimina o efeito de maior consumo das unidades 0 KM, sem nenhum amaciamento de motor.

HÍBRIDOS E ELÉTRICOS – Cobrindo outra lacuna que ainda estava a preencher nas regras do Inovar-Auto a portaria trouxe também a definição de como será aplicado o cálculo de eficiência energética por montadora para aquelas que comercializem veículos híbridos e elétricos no mercado nacional – que, naturalmente, ajudam a puxar para baixo a média de cada fabricante.

Foi definido que um Fator de Ponderação, como foi denominado, será aplicado e multiplicado pelos emplacamentos deste tipo de veículo realizados durante a vigência do programa Inovar-Auto. O resultado deste cálculo engordará os números de eficiência obtidos por cada montadora, ajudando-as a atingir ou até mesmo ultrapassar as metas, o que significará redução adicional de um ou dois pontos do IPI no período de 2018 a 2020.

O critério de divisão de tipo de modelo híbrido ou elétrico, incluindo os movidos a célula de combustível, atendeu sugestão de Anfavea e SAE. Foram determinadas três faixas de Fator de Ponderação, tomando por base o consumo energético de cada modelo, e os valores a serem aplicados no período 2015 a 2017 e 2018 a 2020.

A determinação representa boa notícia para montadoras como a Ford e a Toyota, uma vez que as vendas de Ford Fusion Hybrid e Prius – as de maior volume para veículos com novas tecnologias de propulsão atualmente no País – passarão a contar nos seus respectivos cálculos de eficiência energética, ajudando-as a obter mais facilmente os índices de melhoria exigidos.


Whatsapp Logo