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27/07/2015

Montadoras e sistemistas também defendem PPE

Por Alzira Rodrigues

- 27/07/2015

O quadro de funcionários da indústria automotiva brasileira foi reduzido em 21,4 mil postos de trabalho em prazo de um ano e meio, baixando de 159,6 mil empregados em outubro de 2013 para 138,2 mil em maio. Só neste ano perderam o emprego 6,3 mil trabalhadores. E o excedente ainda é grande.

Levantamento da Anfavea divulgado no início de maio dava conta de 25 mil metalúrgicos afastados do trabalho, seja em regime de lay-off, férias coletivas ou licença remunerada. De acordo com o presidente da Anfavea, Luiz Moan, o prometido PPE, Programa de Proteção ao Emprego, é fundamental para evitar mais demissões no setor:

“É um instrumento adicional de flexibilização da proteção ao emprego que traz uma série de vantagens em relação ao que temos hoje. Por isso estamos chamando o PPE de seguro-emprego [em alusão ao atual seguro-desemprego]”.

Moan diz que o nível de emprego hoje na indústria automotiva é equivalente ao existente em 2010/2011, quando a indústria produziu de 3,3 milhões a 3,4 milhões de veículos/ano. O problema é que a produção em 2015 ficará na faixa da verificada em 2006/2007, ou seja, de 2,4 milhões a 2,8 milhões de unidades. No final de 2006 o setor contava com 106 mil empregos diretos – assim, é indiscutível, segundo a Anfavea, a existência de excedente na base produtiva em torno de 25 mil a 30 mil trabalhadores.

“A missão principal das montadoras hoje é a de preservar o nível de emprego. Nenhuma empresa gostaria de perder mão de obra qualificada, por isso todas estão utilizando os mecanismos disponíveis para evitar demissões”, comenta Moan.

O dirigente acrescenta, ainda: “Defendemos que as medidas sejam permanentes, porque as crises vêm e vão”.

Em relação ao atual sistema de lay-off, uma das vantagens do PPE é o não afastamento de 100% dos empregados por uma período pré-determinado. De acordo com Moan, a dificuldade pode ser apenas em uma linha, sem necessidade de parada total – daí a necessidade de flexibilização.

“Além disso, no lay-off as empresas não pagam os encargos sociais, enquanto na proposta de redução de jornada e de salários esses continuam sendo pagos sobre os 70% que o trabalhador recebe do empregador.” Em tese, portanto, o governo até sai ganhando.

O PPE também conta com o apoio de empresas da área de autopeças. Para Carlos Eduardo Abdalla, gerente de marketing e comunicação corporativa da Bosch, o que está faltando no Brasil hoje é segurança jurídica: “Quanto mais segurança jurídica tivermos para medidas de flexibilização do trabalho, melhor. No Exterior é assim”.

A Bosch adotou férias coletivas e individuais para adequar produção à demanda e não repôs as vagas de trabalhadores que saíram ou se aposentaram. “Nossa mão de obra é muito qualificada, repor depois é complicado. Temos 8,9 mil funcionários no Brasil e 9,5 mil na América Latina.”

Já na Delphi houve demissões, mas Luiz Corrallo, presidente da sistemista, não revela números: “As vendas caíram 17% no ano passado e 20% neste. Não temos como manter o número de funcionários. Usamos todos os mecanismos possíveis, começando pelo corte de hora extra e depois férias coletivas, mas ao final tivemos que nos adequar à nova realidade do mercado”.

Quanto ao PPE, Corralo avalia ser um programa com alguns pontos positivos. “É interessante ter a perspectiva de reduzir jornada. Mas isso envolve garantia de emprego e nem sempre é possível assumir tal compromisso.”


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