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10/08/2015

Indústria de motocicletas retorna aos níveis de 2005

Por André Barros

- 10/08/2015

O volume de motocicletas produzido na Zona Franca de Manaus no primeiro semestre foi o mais baixo desde 2005. Segundo a Abraciclo, associação que representa o setor de duas rodas, saíram das linhas de montagem 699,5 mil motocicletas de janeiro a junho, volume 9,5% inferior ao do mesmo período de 2014, quando a produção alcançou 772,9 mil unidades.

Em 2005 a indústria de motocicletas produziu 610 mil unidades no primeiro semestre.

O desempenho das fábricas acompanha o ritmo do mercado doméstico: no primeiro semestre foram vendidas 659,1 mil unidades no atacado, queda de 8% com relação aos primeiros seis meses de 2014. Resultados semelhantes foram registrados no varejo: redução de 10,6% nos licenciamentos, para 641,7 mil motocicletas.

“O desempenho está abaixo das nossas projeções. Provavelmente teremos que mexer nas nossas estimativas”, afirmou Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo. “A média diária de vendas continua caindo. Em junho conseguimos ter desempenho pior do que em maio, que já foi um mês fraco”.

No mês passado foram faturadas 101 mil unidades para as concessionárias, 8,2% menos do que maio. Comparado com junho do ano passado houve crescimento de 25,9%, mas em 2014 as férias coletivas, normalmente agendadas para julho, foram antecipadas por causa da Copa do Mundo.

Por isso houve também aumento na produção, comparado com junho do ano passado: ritmo 50,3% maior nas fábricas, com 116,9 mil motocicletas montadas. Com relação a maio, queda de 2%.

Nem as exportações, válvula de escape para o setor automotivo nesse ano de retração no mercado doméstico, deixaram de apresentar números negativos. Segundo a Abraciclo foram enviadas ao Exterior 18,2 mil motocicletas no primeiro semestre, queda de 59,8% com relação ao período de janeiro a junho do ano passado.

“Estamos sob o chamado efeito Argentina. Em junho houve uma leve recuperação, mas não podemos descartar a possibilidade de ser algo pontual”.

No mês passado os embarques somaram 5,5 mil unidades, alta de 13,1% sobre o mesmo mês de 2014 e 50% superior a maio.

A Abraciclo projeta recuo de 6,8% na produção, para 1,4 milhão de unidades, de 4,9% nas vendas ao atacado, com 1 milhão 360 mil motocicletas comercializadas, de 4,5% nos licenciamentos, ou 1 milhão 365 mil unidades e de 20,5% nas exportações, que chegariam a 70 mil embarques.

Queda geral – Há alguns anos o setor de motocicletas sofria no geral, mas apresentava dados positivos em algumas regiões, como a Nordeste, ou em segmentos de maior valor, como as motocicletas de alta cilindrada. Em 2015, porém, não há exceção.

Todas as regiões do Brasil apresentaram queda nos licenciamentos no primeiro semestre: 9,6% na Centro-Oeste, 9,2% na Nordeste, 10,7% na Norte, 11,2% na Sudeste e 14,7% na Sul.

As motocicletas de baixa cilindrada, segmento que representa a maior fatia do mercado, registraram recuo de 10,2% nos licenciamentos dos primeiros seis meses do ano. No de médias cilindradas a retração chegou a 16,9%, e as de alta caíram 10,2%.

“Antes cresciam ao menos as vendas dos modelos de alta cilindrada, mas agora todos os segmentos sentem os efeitos nocivos das incertezas do mercado.”

Fermanian revelou um único dado positivo: avanço de 15,8% nas vendas de scooters. O segmento, porém, é pequeno –  foram apenas 20,5 mil unidades comercializadas de janeiro a junho.


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